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Pavo Pavo – Mystery Hour

Quarta-feira, 30.01.19

Na sequência do enorme sucesso do registo de estreia Young Narrator In The Breakers, considerado por esta redação como um dos melhores álbuns de dois mil e dezasseis, os Pavo Pavo de Eliza Bagg e Oliver Hil, aos quais se juntam Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer, estão de regresso com um novo disco intitulado Mystery Hour, o segundo capítulo discográfico de um projeto exímio a criar aquela música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário, mas só no que concerne à componente sonora, porque a poesia de Mystery Hour tem uma inspiração real e concreta, focando-se, de modo bastante cinematográfico, emotivo e realista, no final da relação amorosa de seis anos entre os dois grandes protagonistas da banda e o modo como conseguiram manter uma ligação entre ambos que lhes permitiu continuar a fazer música juntos, apesar desta ruptura que, como se sabe, frequentemente deixa sequelas profundas entre os protagonistas, quer individualmente quer no modo como (não) passam a comunicar e a conviver entre si.

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Mystery Hour é um disco sobre separações, mas também sobre reajustes e sobre a alquimia do amor, um sentimento tão forte que muitas vezes consegue sobreviver misteriosamente e manter laços entre intervenientes, mesmo quando ambos optam livremente por deixar de manifestar fisicamente os seus sentimentos entre si. Escuta-se o disco e torna-se óbvio que Eliza e Oliver ainda se amam, mas de um modo diferente daquele que é o amor entre duas pessoas que se sentem sexualmente atraídas e que convivem intimamente e com frequência. Eliza e Oliver ainda se amam porque mantêm os Pavo Pavo mais vivos e pujantes do que nunca e porque se não existisse um sentimento tão forte como o amor entre eles, nunca ganhariam vida canções do calibre da efusiante Mon Cheri, ou da insinuante Close To Your Ego, curiosamente o tema do disco que se debruça sobre a impossibilidade da reconciliação.

Ao longo do disco, o próprio modo como Oliver utiliza uma clara indulgência orgânica para dar vida a guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e o modo como essa filosofia instrumental do músico se cruza com a voz de Eliza que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta, é uma prova clara da proximidade e da química entre estes dois autores, que criaram nestas onze canções a banda sonora de um verdadeiro melodrama romântico. Logo a abrir o alinhamento de Mystery Hour, o clima celestial do tema homónimo do disco, simultaneamente épico e comovente, apimentado por um efeito de guitarra planante capaz de derrubar o coração mais empedernido, principalmente quando acontece uma explosão sónica, feita de exuberância e cor, idealizada por Oliver quando Eliza deixou o apartamento que era de ambos, é a melhor prova da continuação desta cumplicidade, assim como no ocaso, no dueto Goldenrod, que se debruça sobre a dor da perca. Estes dois temas, estrategicamente colocados no alinhamento do registo, são os pontos de partida e de chegada de um círculo onde apesar de haver duas visões e dois ângulos de análise forçosamente diferentes acerca do evento central de Mystery Hour, é impressionante perceber a química e a força de uma amizade que se manteve inquebrável. Pelo meio, além dos temas já descritos, a nuvem de plumas que sustenta o piano que marca 100 Years, o jogo lascivo que se estabelece entre teclas e sopros em The Other Half e, principalmente, em Statue Is A Man Inside, a guitarra que debita um efeito planante pleno de charme e  que deambula por uma harmonia particularmente cativante, proporcionada por um sintetizador com uma luminosidade intensa e sedutora, são outros momentos felizes de um processo de criação musical que tenta sempre, com sucesso, estilizar canções em cujo regaço amor e lisergia caminhem lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam autênticas miragens hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico.

Com um ideário definido e um objetivo genuíno de entrega mútua e de exorcização e, além do tal divórcio, com declaradas inspirações como o universo de Ingmar Bergman, da coreógrafa Pina Bausch, do pintor David Hockney e do artista de multimédia Alex da Corte, Mystery Hour está repleto de nuances variadas e harmonias magistrais, que fazem do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os orgãos e membros de um ser que se dividiu em dois mas que continua a ser um só, na sua individualidade, e que através destas músicas, se não tem esse efeito nos autores, pelo menos no ouvinte é bem capaz de  fazer estremecer o nosso lado mais libidinoso, ao som destas onze composiçõs servidas em bandeja de ouro e que devem figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Pavo Pavo - Mystery Hour

01. Mystery Hour
02. Mon Cheri
03. Easy
04. 100 Years
05. Check The Weather
06. Close To Your Ego
07. The Other Half
08. Around, Pt. 1
09. Around, Pt. 2
10. Statue Is A Man Inside
11. Goldenrod

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publicado por stipe07 às 13:16






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