Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2015

Overlake – Sighs

Oriundos de Nova Jersey, os Overlake são Tom Barrett, Lysa Opfer e Scotty Imp, um trio que começou a fazer música em 2012 e que se estreou nos discos no ocaso do último ano com Sighs, nove canções que viram a luz do dia através da Killing Horse Records.

Apaixonados pelo rock alternativo dos aos oitenta e noventa, os Overlake começaram como tantas outras bandas, através de jam sessions naturais e certamente bem sucedidas que foram construindo o esboço de um registo que acaba por obedecer ao cardápio confessado de inspirações, já que se My Bloody Valentine, Pavement e Sonic Youth são grupos que influenciam decisivamente a sonoridade das canções dos Overlake, algo que o conteúdo de Sighs demonstra com particular clareza.

Tom Barrett e Lysa Opfer são o núcleo duro do projeto, que já teve vários bateristas no alinhamento, mas que parece ter encontrado em Scotty Imp o músico ideal para se juntar a esse par dinâmico, apesar de ter sido o próprio Tom a tocar a bateria em Sighs.

A escuta de Sighs exige logo no belíssimo instante contemplativo do instrumental First um par de auscultadores e o volume no máximo aceitável para que se entranhem todas as emoções que os Overlake expôem com extraordinária nitidez nas paisagens sónicas criadas pela voz e pelas guitarras e por um baixo pulsante e uma percussão vibrante. O falsete de Disappearing e o efeito da guitarra que o acompanham e a relação progressiva que o baixo e a bateria constroem nesta canção com um início algo inocente mas que depois ganha uma tonalidade muito vincada, são excelentes tónicos para  potenciar a capacidade de Tom em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações. A bateria toma conta das rédeas em Not Enough e quando, na canção, a guitarra começa a deambular livremente por cima e ao redor da percussão, ficam irremediavelmente disponíveis os melhores atributos no que diz respeito à capacidade de composição e ao requinte que preenche o ideário sonoro destes Overlake e não duvidamos mais que, até ao final, aguarda-nos apenas e só belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Esta mesma sensação de mestria e bom gosto merece ser devidamente realçada pelo modo como vem à tona, mesmo que o ambiente sonoro escutado não seja, como se exige, sempre constante e semelhante. Há exemplos em que a sapiência criativa dos Overlake se torna algo negra e obscura, nomeadamente em Back To The Water, uma canção com um efeito de reverb na voz que parece que Tom canta nas profundezas de um imenso oceano de hipnotismo e letargia, ou que pisca ao olho aos melhores atributos do punk rock luminoso e outros em que se mostra mais vibrante, como em Fell Too Far, Your KS ou na pop luminosa da balada We'll Never Sleep, três canções que foramam uma sequência que é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia. Esta ambivalência acaba por ser as duas faces de uma mesma moeda que se carateriza, seja qual for a variante do rock alternativo replicada, por um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, sempre com a premissa de criar um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, algo que ganha um fôlego ainda maior em Our Sky, um dos singles de Sighs e o tema do disco onde a voz de Tom atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Overlake conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os Overlake, logo na estreia, parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Sighs é um excelente disco e um dos seus maiores atributos é ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda irá desenvolver e que já está em estúdio a preparar o sucessor. Aqui encontras dez canções que quer estejam assentes numa pop com traços de shoegaze ou num indie rock carregado de psicadelia, trazem sempre consigo uma sobriedade sentimental que pode servir de contraponto em instantes mais sombrios e de cariz lo-fi, mas também para marcar a intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual que envolve os Overlake para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este grupo. Espero que aprecies a sugestão...

Overlake - Sighs

01. First
02. Disappearing
03. Not Enough
04. Back To The Water
05. Fell Too Far
06. Your KS
07. We’ll Never Sleep
08. Our Sky
09. Is This Something?


autor stipe07 às 18:41
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