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Homem em Catarse - sem palavras | cem palavras

Sexta-feira, 15.05.20

Homem em Catarse é o alter ego musical do músico Afonso Dorido, um exímio guitarrista que começou a sua aventura musical há já meia década com Guarda Rios, um EP auto-editado. Dois anos depois veio o tão aguardado registo de estreia em formato álbum, um trabalho intitulado Viagem Interior e que nos oferecia um percurso às principais cidades de Portugal profundo. sem palavras, cem palavras é a sua nova etapa discográfica, um disco com um brilho raro e inédito no panorama nacional, feito por um projeto que não conhecia antes de ouvir este trabalho, mas que já percebi que é  exímio a compôr canções que cirandam entre os altos e baixos da vida e que nos mostram como é, tantas vezes, muito ténue a fronteira entre esses dois pólos, entre magia e ilusão, como se a explicação das diferentes interseções com que nos deparamos durante a nossa existência fossem alguma vez possível de ser relatada de forma lógica e direta.

Sem Palavras, Cem Palavras”: teremos sempre a música, Homem em ...

Logo na deliciosa intimidade que sobressai do piano de Tu eras apenas uma pequena folha, percebe-se que o Afonso não tem pudores em servir-se da música como um veículo privilegiado para nos mostrar, de modo realisticamente impressivo, o seu ímpeto criativo e como isso lhe alimenta a urgência que o seu âmago sente de comunicar connosco. Depois, a simplicidade melódica e o imediatismo planante das cordas que se entrecruzam na lisérgica Hey Vini! e o banquete sintético de forte cariz progressivo que conduz Hotel Saturnyo, acabam por personificar com excelência a (apenas) dicotomia de um título, que pode transmitir a ideia de que a idealização do conteúdo do registo não teve como permissa essencial o desejo de transmissão de ideias concretas, quando aquilo que acontece, ao longo da audição do trabalho, eminentemente instrumental, é, exatamente, um bombadeamento constante de pensamentos, conceitos e até opiniões, tenhamos nós, ouvintes,a predisposição para nos deixarmos enlear e enfeitiçar por estas canções.

O disco prossegue e se a crueza e a simplicidade acústica de Marie Bonheur parecem evocar a verdade eterna que todos reconhecemos de que tudo é passageiro, a fragilidade perene que tremula nas teclas que nos instigam em Calle del Amor, a simultaneamente intrigante e sedutora destreza maquinal e orgânica em que assenta Yo La Tengo e a luz que nos faz sorrir sem medo do amanhã que fica defronte ao que sabe a frenética Danças Marcianas, são mais momentos altos que comprovam a notável abrangência autoral de um artista que assina neste sem palavaras I cem palavras um álbum extremamente comunicativo e repleto de composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades que compete a nós destrinçar ou, em alternativa, idealizar, já que as duas abordagens são sempre possíveis na música de Homem em Catarse. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:49






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