Segunda-feira, 26 de Outubro de 2015

Gui Amabis - Ruivo em Sangue

Depois do sucesso alcançado em 2011 com Memórias Luso/Africanas, o disco de estreia e onde ficaram logo patentes as tuas fortes ligações a Portugal, Gui Amabis regressou aos lançamentos em 2012 com Trabalhos Carnívoros. E agora, pouco mais de três anos depois, está novamente de volta com este lindíssimo Ruivo em Sangue, um trabalho composto e gravado entre São Paulo e Lisboa e que, de acordo com o press release de lançamento, carrega no gene a solidão insólita de caminhar à deriva pelas ruas da capital portuguesa.

Gui Amabis começa a destacar-se no seu percurso discográfico não só pela beleza das suas canções, mas também pela faceta poética e pelo superior dramatismo da sua escrita. Assumindo-se como um letrista que quer passar em cada canção uma mensagem explicitamente e que a mesma seja entendida e decifrada através dos sons que a acompanham, um objetivo que Amabis descreve em mais uma entrevista extraordinária que me concedeu e que podes conferir abaixo, este autor está cada vez mais exímio no modo como retrata o sonho e a realidade, muitas vezes de modo indistinto e com uma carga onírica e fortemente cinematográfica.

Havendo dedicação e gosto na audição da música de Gui Amabis, é fácil criar e imaginar personagens e ações na nossa imaginação à medida que a sua música flui pelos nossos ouvidos, torna-se espontânea a necessidade de recriar interiormente as histórias, muitas vezes autobiográficas, que ele nos conta. De facto, no momento de cruzar as notas com as letras e de modo a exacerbar o ideário das mesmas, o autor olha para este processo como um quebra-cabeças, um jogo, já que quando escreve uma letra, de certo modo ela já traz consigo o cenário melódico que a irá sustentar.

Assim, neste Ruivo Em Sangue, disco em que consta da lista de participações especiais nomes tão ilustres como Dustan Gallas, Regis Damasceno e Marcelo Cabral, escutamos esta faceta única da música de Amabis, que apesar de ter um cariz tão pessoal e íntimo, soa e sabe também a um ato coletivo de partilha de sonhos, ideias e sentimentos.

Se Trabalhos Carnívoros me tinha agradado pela bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, já em Ruivo em Sangue, apesar de o autor não dispensar a habitual exuberância ao nível dos arranjos e as constantes variações rítmicas, dois aspetos que Eles Eram Humanos, por exemplo, plasma claramente, este novo disco é mais direto, cru, visceral e vibrante. É, claramente, um disco mais rock e que prova que Gui continua a ser um mestre da melodia e um génio criativo, onde transpiração e inspiração se dividem em doses iguais para nos oferecer mais uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único. Confere, já a seguir, a entrevista que Gui Amabis concedeu a Man On The Moon e espero que aprecies a sugestão...

Depois do sucesso alcançado em 2011 com Memórias Luso/Africanas, o disco de estreia e onde ficaram logo patentes as tuas fortes ligações a Portugal, regressou aos lançamentos em 2012 com Trabalhos Carnívoros. E agora, pouco mais de um ano depois, com este lindíssimo Ruivo em Sangue. Conforme fiz da última vez que te entrevistei, começo com uma questão cliché… Quais são, antes de mais, as expetativas para este novo trabalho? Continuas a seguir o conselho do teu pai e a não criar expetativas, ou há algo escondido aí dentro de ti, um desejo ou uma meta muito pessoais que tenhas para este disco?

Começo então agradecendo o lindíssimo. Tenho mais vontades que expectativas. Quero tocar mais, a cada apresentação sinto que eu e meus parceiros ficamos mais perto, musicalmente. Por outro lado, como letrista, a vontade é que meu texto seja compreendido e assimilado. Acredito que todo músico quer ser ouvido, se não, acabaria por não emitir sons.

Pelos vistos, este é mais um capítulo da tua forte ligação a Portugal, país onde encontras as tuas raízes, já que, além de Ruivo em Sangue ter sido gravado entre São Paulo e Lisboa, conta histórias inspiradas em passeios solitários pela nossa capital. Será sempre de certo modo inevitável na tua carreira construir pontes sonoras entre os dois lados do atlântico?

Quero muito poder apresentar esse concerto em Portugal, a banda está muito feliz e dedicada à pesquisa musical. Penso em ir  com esse grupo e poder interagir mais com músicos portugueses, quando aí estive fiquei isolado por estar na fase de composição do disco. Portugal faz parte disso, sendo eu metade lusitano não posso pensar de outra forma que não seja essa. Isso acaba por ser marcante no som e no texto.

Continuas a fazer música de modo a retratar momentos da tua vida e a escrever para tentares entender os teus sentimentos?

Sempre escrevo sobre cenários familiares, não costumo inventar coisas. Não sei se tenho um objetivo ao escrever. Tenho me divertido com o jogo de compor, achar a melodia presente em cada frase, deixar que essa revele suas notas e modulações. Os assuntos chegam sem serem chamados.

Se Trabalhos Carnívoros me tinha agradado pela bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, já em Ruivo em Sangue, apesar de não dispensares a habitual exuberância ao nível dos arranjos e as constantes variações rítmicas, dois aspetos que Eles Eram Humanos, por exemplo, plasma claramente, parece-me que fizeste um disco mais direto, cru, visceral e vibrante. Um disco mais rock, digamos assim… Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido mas, em termos de ambiente sonoro, que idealizaste para o álbum inicialmente? E o resultado final correspondeu ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

Na resposta acima falo um pouco disso, cada frase tem sua melodia, cada melodia sua harmonia, cada harmonia seu arranjo e cada arranjo sua cor. Tudo está ligado, é um processo mutante e quando vemos está pronto. Geralmente começo sem saber aonde vai dar.

Continuas a ser um mestre da melodia, um génio criativo no momento de cruzar as notas com as letras de modo a exacerbar o ideário das mesmas e na entrevista anterior confessaste que este processo é para ti como um quebra-cabeças, um jogo e que quando escreves uma letra, de certo modo ela já traz consigo o cenário melódico que a irá sustentar. Na hora de te sentares para escrever e de entrares no estúdio para compor, o processo de criação musical continua a ser assim tão fluído e espontâneo, ou com o passar do tempo e o aumento do teu cardápio sonoro, começas a sentir necessidade de ser mais racional e menos espontâneo? Em suma, qual é, neste momento, a percentagem de inspiração e transpiração em tudo isto?

(Risos…) Vejo que já conhece meu processo, pra mim a inspiração vem da transpiração. São muitos testes e erros até soar bem aos meus ouvidos.

Confesso que fiquei particularmente surpreso com a opção de disponibilizares gratuitamente o teu novo álbum em formato digital. Como surgiu a ideia e porque foste em frente?

Isso se tornou uma prática entre os músicos independentes do Brasil. Fica difícil não disponibilizar o disco sendo que todos os outros o fazem. O disco está em quase todas as plataformas digitais, portanto, se a pessoa quiser comprar ela pode. Deixo essa escolha para o ouvinte.

Graxa em Sal teve direito a um excelente vídeo que ilustra uma pintura da autoria de Biel Carpenter. Como surgiu a inspiração para um tão curioso e interessante vídeo?

Estávamos para lançar o disco e queríamos um video para isso. Pensamos em fazer um Video-letra, mas eu queria fazer algo com Biel, então lembrei dos programas que assistia quando criança, animações em stopmotion. Biel gostou e realizou junto com Antonio Wolff.

Mais uma vez, nos créditos de um trabalho teu constam nomes tão ilustres como Dustan Gallas, Regis Damasceno e Marcelo Cabral. Cada vez mais a tua música, apesar de ter um cariz tão pessoal e íntimo, soa e sabe também a um ato coletivo de partilha de sonhos, ideias e sentimentos, não concordas?

Concordo, gosto das ideias deles, me apresentam caminhos melódicos e harmônicos que não me são naturais. Estão se tornando parceiros muito importantes, além de Samuel Fraga e Richard Ribeiro.

Quando é que podemos ouvir estas músicas ao vivo por cá?

Espero que possamos ir em 2016, estamos a conversar com algumas casas de música em Portugal. Ficaria muito feliz em apresentar, em Portugal, as músicas que aí fiz.

Obrigado mais uma vez pela tua música… Sou cada vez mais teu fã! Abraço…

Obrigado, beijos!


autor stipe07 às 18:28
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