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Giant Sand - Heartbreak Pass

Sábado, 11.07.15

editado no passado dia quatro de maio por intermédio da New West Records, Heartbreak Pass é o novo registo discográfico dos míticos Giant Sand, um coletivo norte americano oriundo de Tucson, no Arizona e liderado por Howe Gelb, um dos nomes mais importantes do cenário indie folk contemporâneo na América do Norte. Heartbreak Pass marca mesmo o trigésimo aniversário deste projeto, à boleia de quinze canções que contêm a impressão sonora típica dos Giant Sand, um álbum produzido por John Parish e que não defrauda, nem por sombras, a herança de um grupo influente e decisivo e com uma genética sonora bastante vincada e inédita.

Giant Sand – Heartbreak Pass

Os Giant Sand são, sobretudo, uma espécie de projeto a solo de Howe Gelb, um músico que nos últimos trinta anos soube sempre rodear-se das pessoas certas para dar vida a um cardápio sonoro muito próprio e com uma impressão sonora fantástica e única. A América enquanto continente e país, com uma multipliciadade de raças e culturas, mas com uma folk que, na sua génese, contém caraterísticas bastante vincadas e inéditas, é a força motriz destes Giant Sand e a sua maior inspiração lírica e instrumental. Mas neste novo trabalho, e como vamos perceber em seguida, os Giant Sand também extravasam por outras outras fronteiras geodésicas, inclusivé no lado de cá do atlântico, com a ajuda de Grant-Lee Phillips, Jason Lytle dos Grandaddy, Steve Shelley dos Sonic Youth, a croata Lovely Quinces e o baterista Winston Watson, as participações especiais deste disco.

A contemplativa e sedutora Done, uma das canções mais bonitas de Heartbreak Pass, foi gravada em Bruxelas, Creta e Otawa e a composição Heaventually começou a ser germinada em Itália, tendo depois também sofrido ajustes em Inglaterra e, já de regresso ao continente americano, no Tennessee e no Arizona. E estes temas são apenas dois exemplos da fórmula transfronteiriça e intercontinental, rica e imaginativa que regeu o processo de criação musical de Howe Gelb neste álbum, um cardápio fortemente emotivo, como seria de esperar e com uma riqueza instrumental vincada. Da inebriante, eletrónica e experimental Transponder e dos riffs épicos de Texting Feist, até à simplicidade melancólica de Home Sweat Home, uma canção que fala das rotinas de um artista em digressão e que conta com um dueto entre Gelb e a sua irmã mais nova, passando pelo pendor boémio e acústico de Heaventually, há, ao longo deste alinhamento de quinze canções, um forte sabor e cheiro à aridez texana que, em Hurtin' Habit ganha um crueza rock bastante máscula e assexuada, como se as hipóteses de sobrevivência no mais áspero dos ambientes exigissem a inserção dos Giant Sand no compêndio sonoro essencial, até como fôlego extra e dose vitamínica essencial, um ficheiro que não pode faltar em qualquer kit de sobrevivência regular.

Howe Gelb tem, como se percebe, um modo muito peculiar de comunicar connosco e utiliza um registo vocal declamativo que nos enclausura e desarma sem hipótese de retrocesso. Mas, desta vez, também soube convidar excelentes vozes femininas para dar vida ao universo sonoro muito próprio que idealizou. Assim, se a viola de Song So Wrong e o seu registo vocal grave contêm todos os genes da folk do outro lado do atlântico, que nos envolve num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio, já o piano de Pen to Paper e o dueto que Gelb mantém com Love Quinces nessa canção, transmite uma intensa e quase sufocante sensação de introspeção e reflexão interiores, comprovando que as capacidades inatas do líder dos Giant Sand para a composição não se deterioraram com o tempo, ele que é detentor de uma voz única e incomparável e possui uma expressão melancólica acústica que terá herdado de um Neil Young e que sabe, melhor que ninguém, como interpretar. O modo como em Man On A String Gelb consegue manter o equilíbrio entre a emotividade da sua voz e as oscilações rítmicas do tema, plasmam a capacidade contrastante que este compositor tem de nos oferecer o sol, as harmonias e o calor, mas também o escuro, a falta de cor e a chuva.

Obra ambiciosa, grandiosa e, de algum modo, um exercício de síntese de tudo aquilo que os Giant Sand já nos ofereceram na sua longa carreira, Heartbreak Pass é um festim para os nossos ouvidos, um disco eclético e variado, recheado de momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica, onde Gelb explora até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Giant Sand - Heartbreak Pass

01. Heaventually
02. Texting Feist
03. Hurtin’ Habit
04. Transponder
05. Song So Wrong
06. Every Now And Then
07. Man On A String
08. Home Sweat Home
09. Eye Opening
10. Pen To Paper
11. Bitter Suite
12. House In Order
13. Gypsy Candle
14. Done
15. Forever And Always

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publicado por stipe07 às 22:13






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