Sexta-feira, 6 de Abril de 2018

EELS – The Deconstruction

Depois de uma espera de quatro anos, os Eels de E (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo estão de regresso com um novo álbum gravado na sua maioria em Pasadena, na Califórnia. O novo trabalho deste grupo norte-americano chama-se The Deconstruction, é o décimo segundo da carreira deste projeto liderado pelo carismático Mark Everett e, sucedendo ao já longínquo The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett, foi produzido pelo próprio Everett e por Mickey Petralia, um nome que já trabalha com os Eels desde o fabuloso Electro-Schock Blues (1998), o melhor disco da banda, prestes a comemorar vinte anos de existência.

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Para quem, como eu, acompanha com atenção a carreira dos Eels praticamente desde o seu início, The Deconstruction, o primeiro tema do alinhamento deste disco com o mesmo nome surpreende pelo modo como nos remete para o início da carreira do projeto. Esta seria uma canção que encaixaria claramente no meio de Beautiful Freak, com a sua sonoridade algo rugosa e assente num rock orquestral bastante experimental, onde as cordas dominam, mas onde é também possível escutar arranjos de sopros e percussivos bastante peculiares e distintivos e o timbre vocal inédito de Everett. Essas mesmas cordas que não deixam de encontrar as suas raízes no banjo foram uma imagem de marca dos Eels em tempos, assim como a vasta miríade de efeitos metálicos presentes na percurssão e que cruzam Bone Dry, o segundo tema e single do disco, sem complacência. Nesse tema a guitarra distorce-se, as variações rítmicas também habituais nos Eels fazem a sua aparição e a partir daí somos sugados, sem mercê, para um disco que acaba por fazer uma espécie de súmula de uma vasta e gloriosa carreira de mais de duas décadas de um dos melhores e mais peculiares grupos de rock alternativo da nossa contemporaneidade.

Oliver Everett gosta de surpreender e sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo. E, pelos vistos, por muito que se atreva a prescutar teritórios mais agressivos ou, em oposição, mais introspetivos e cândidos, algo que fez aqui, com superior delicadeza, na lindíssima canção Premonition, é mesmo no campo daquele pop rock lo fi que pisca o olho à indie folk que o autor se sente mais confortável e onde consegue, com particular mestria, criar momentos de sincera e sentida emoção sonora. Assim, se essa Premonition e se o dedilhar e os violinos de Sweet Scorched Earth são, sem dúvida, temas que comprovam o feliz regresso dos Eels à folk eminentemente acustica, melancólica e introspetiva e se a ternurenta balada nostálgica Rusty Pipes, com notáveis arranjos de cordas e uma percussão bastante aditiva, tem o mesmo efeito, espelhando com notável acerto aquelas saudosistas caraterísticas sonoras que impressionarem todos aqueles que há vinte anos olharam com admiração para este grupo norte americano, já a luminosidade sorridente e feliz de Today Is The Day e, de um modo com mais elétrico, o fuzz de You Are The Shining Light, são canções capazes de nos fazer encher o peito e de abrir o nosso sorriso de orelha a orelha, espelhando aquele universo mais divertido e optimista que os Eels também gostam de expressar sonoramente.

Tematicamente, E mantém-se lúcido no modo como aborda o amor, um campo lexical e uma área vocabular onde sempre se sentiu inspirado, principalmente quando confessa o desconforto e a desilusão que esse sentimento tantas vezes causou na sua vida, estando numa fase em que sente necessidade de olhar para o seu percurso pessoal e perceber as falhas e os instantes em que algo correu mal e as pontas que ainda estão por fixar. É explícita uma espécie de narrativa que em The Epiphany, vai servindo para E confessar dores e arrependimentos e desejar que ainda haja um futuro risonho à sua espera, fazendo-o em Be Hurt, canção onde o músico admite falhas e o desejo de poder ainda vir a ser recompensado pela boa pessoa que é, ou, pelo menos, julga ser.

Cheio de melodias orelhudas e que nos embalam e fazem partilhar algumas das angústias e desejos plasmados, The Deconstruction é um disco que transborda uma profunda sinceridade confessional por todos os acordes e torna-se fácil simpatizar automaticamente com a história de vida desta personalidade fundamental para a descrição de alguns dos mais bonitos momentos sonoros do universo indie das duas últimas décadas, que estará por cá, nos Nos Alive, no dia treze de julho. e que ainda procura, com uma ansiedade controlada e natural, a verdadeira felicidade. Espero que aprecies a sugestão...

EELS - The Deconstruction

01. The Deconstruction
02. Bone Dry
03. The Quandary
04. Premonition
05. Rusty Pipes
06. The Epiphany
07. Today Is the Day
08. Sweet Scorched Earth
09. Coming Back
10. Be Hurt
11. You Are the Shining Light
12. There I Said It
13. Archie Goodnight
14. The Unanswerable
15. In Our Cathedral


autor stipe07 às 17:34
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