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Django Django - Born Under Saturn

Quinta-feira, 07.05.15

Chegam de Edimburgo, na Escócia, têm um irlandês lá pelo meio, atualmente assentaram arrais em Dalston, aquele bairro de Londres onde tudo acontece, chamam-se Django Django e são um nome a acompanhar com toda a atenção. Depois de se terem estreado nos discos em janeiro de 2012 com um trabalho homónimo muito bem aceite pela crítica e nomeado para um Mercury Prize nesse mesmo ano, a banda, formada por Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, está de regresso com Born Under Saturn, um álbum editado a quatro de maio último e feito com uma pop angulosa proosta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual.

O primeiro conceito que assalta o nosso pensamento depois de uma prévia audição de Born Under Saturn é o de continuidade, já que estas treze novas canções dos Django Django confirmam a estética sonora proposta na estreia, uma coerência que de certo modo se saúda, principalmente no seio de quem, como eu, considerou há três anos este quarteto inglês como uma verdadeira lufada de ar fresco no universo sonoro regido pela pop de cariz mais eletrónico.

Mas não é só de pop eletrónica que vive Born Under Saturn. Aliás, Django Django já era uma verdaderia amálgama e o caldeirão mantém-se bastante ativo como se percebe logo no início do alinhamento.  Giants, Shake and Tremble e Found You obedecem à nuance sonora comum e intrinseca ao grupo, com a epicidade da primeira, o piscar de olhos ao spaghetti rock da segunda e o elevado acerto melódico da última a embrenharem-nos disco adentro rumo ao seu núcloo central, o single First Light. Nesta canção os Django Django apostam todas as fichas e aprimoram a sua cartilha sonora feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art pop, art rock ou ainda beat pop, acompanhada por guitarras que parecem ter saído do farwest antigo e por efeitos sonoros futuristas, numa mistura perfeita de géneros que, de acordo com o grupo, serve para encontrar praias enterradas debaixo de edifícios de cimento e que vicia o ouvinte, convidando-a a repetidas audições.

Com uma notável capacidade para nos colocar a dançar, mesmo que haja uma relutância em relação ao constante apelo, nem que seja para um quase implícito abanar de ancas, os Django Django aventuram-se numa deriva sonora que parece muitas vezes algo incongruente e até superficial, mas é óbvio o fio condutor, assente em vozes estilizadas e efeitos sonoros espaciais, que fazem com que a banda cumpra cabalmente essa função lúdica de apelo ao lado mais físico do ouvinte, mesmo num tempo em que parece existir uma clara obsessão em encontrar paralelismos e pontos de encontro no universo sonoro alternativo, entre a eletrónica mais progressiva e a comercial, para que um projeto mereça sentar-se  mesa dos nomes fundamentais da música de dança atual. Temas como este single First Light, mas também Reflections ou 4000 Years catapultam os Django Django para uma posição relevante no espetro mais animado do cenário musical alternativo, à boleia de traços sonoros intrépidos e ecléticos sem paralelismo conceptual, propostos por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual. Depois, o sintetizador minimal e contemplativo de High Moon, a viola folk que sustenta a melodia de Beginning To Fade, o sintetizador retro e a percussão tribal de Shot Down, o efeito hipnótico da guitarra e os metais de Break The Glass e o baixo de Life We Know são a confirmação plena da forma particularmente viva e espontânea como os Django Django celebram de modo eclético o seu elevado índice de maturidade e firmeza criativa, mostrando imenso bom gosto na forma como apostam na relação simbiótica de tudo aquilo que os influencia, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras, onde conceitos como charme e delicadeza facilmente se misturam e nos hipnotizam.

Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário dos Django Django e Born Under Saturn é um disco naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, um trabalho desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental e plasma uma feliz renovação no som já firmado na premissa original desta banda escocesa. Espero que aprecies a sugestão...

Django Django - Born Under Saturn

01. Giant
02. Shake And Tremble
03. Found You
04. First Light
05. Pause Repeat
06. Reflections
07. Vibrations
08. Shot Down
09. High Moon
10. Beginning To Fade
11. 4000 Years
12. Breaking The Glass
13. Life We Know

 

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publicado por stipe07 às 22:22






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