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Dinosaur Jr. – Sweep It Into Space

Quarta-feira, 05.05.21

Se não for por mais nenhum motivo válido, dois mil e vinte e um ficará invariavelmente na história por marcar o regresso dos míticos Dinosaur Jr. de J Mascis, Lou Barlow e Murph aos discos. Recordo que o trio gravou alguns álbuns míticos no século passado, nomeadamente nos anos oitenta e surpreenderam-nos a todos quando se reuniram novamente já neste século, há quase década e meia, tendo editado desde então discos como Beyond (2007), Farm (2009), I Bet On Sky (2012) e Give A Glimpse Of What Yer Not (2016), que se concentram, naturalmente, em guitarras bastante eletrificadas e com uma identidade vincada, uma bateria frenética e um baixo sempre omnipresente, mesmo que não esteja na primeira linha da condução melódica e, o mais importante, numa jovialidade e numa luminosidade festivas que se saúdam e que atestam o habitual excelente humor e positivismo destes três músicos, nuance que se mantém em Sweep It Into Space, o novo disco dos Dinossaur Jr, lançado pelas mãos da JagJaguwar, no passado dia vinte e três de abril.

Dinosaur Jr.'s 'Sweep It Into Space' Review: An Exuberant Musical  Affirmation

Produzido por Kurt Vile, Sweep It Into Space tem logo em I Ain't, tema que evoca o simples desejo de companheirismo musical que definiu a reunião desta banda, todas as marcas identitárias de um perfil interpretativo que foi sempre imagem de marca de um trio que nunca deixou de colocar na linha da frente uma indispensável radiofonia, sem deixar de tocar no âmago de quem os escuta com superior atenção e devoção. Essa coerência prossegue na deliciosa rugosidade da guitarra de I Met The Stones, na taciturna To Be Waiting, na animada Take It Back e na radiosa I Ran Away, sendo Garden, um verdadeiro clássico de rock pulsante, a composição em que o disco atinge um pináculo interpretativo de superior quilate.

Importa referir que, num disco sempre consistente e orelhudo, as vocalizações de Mascis, geralmente de cariz algo aspero e lo fi, mantêm a bitola habitual assente numa interpretação vocal que, contendo o espírito rebelde e a atitude punk do intérprete, nunca deixam de conter uma indispensável faceta melódica e harmoniosa. De facto, Mascis mistura bem a sua voz com as letras e os arranjos das melodias, o que faz com que o próprio som da banda contenha sempre harmonia e delicadeza, mesmo no meio da distorção, até porque, felizmente, o red line das guitarras mantém-se pujante no cardápio sonoro dos Dinosaur Jr., mesmo com a modelagem mais folk que inevitavelmente Vile conferiu ao som global do disco e que é mesmo da sua co-autoria quando toca cordas em I Ran Away. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:47






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