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DIIV – Frog In Boiling Water

Terça-feira, 28.05.24

Meia década depois de Deceiver, os DIIV de Zachary Cole-Smith, Andrew Bailey, Colin Caulfield e Ben Newman estão de regresso aos discos com Frog In Boiling Water, o quarto compêndio de originais da carreira da banda nova-iorquina que se estreou em dois mil e doze com o extraordinário álbum Doused. Com Chris Coady nos créditos da produção, Frog In Boiling Water tem dez canções e viu a luz do dia muito recentemente, com a chancela da Fantasy.

Albums Of The Week: Diiv | Frog In Boiling Water - Tinnitist

Banda com pouco mais de uma década de existência, os DIIV imprimiram desde o início no seu adn alguns atributos essenciais que, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, nos têm conduzido a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

Frog In Boiling Water não renega totalmente esta essência, porque a marca das guitarras está bem presente, mas oferece aos DIIV uma apreciável guinada conceptual, já que os coloca na senda daquele rock com elevado travo shoegaze, feito de cordas sujas e tremendamente abrasivas, acamadas por um baixo imponente, mas discreto. A voz de Zachary sempre ecoante e um registo percussivo geralmente arrastado e simultaneamente hipnótico, são outros atributos transversais a todo o registo, com os sintetizadores a conferirem a toda a trama os indispensáveis adornos, além de ajudarem as canções a terem a alma e a filosofia desejadas.

De facto, logo no modo como em In Amber a guitarra inicial é cercada por outra repleta de riffs incandescentes e abrasivos, percebe-se o passo em diante que os DIIV dão com Frog In Boiling Water que, ao invés de envergonhar o catálogo do grupo, engrandece-o. De facto, rapidamente nota-se que este disco amplifica ainda mais a faceta oitocentista que instigou sempre o quarteto no momento de compor e de criar. Instrumentalmente nota-se um superior cuidado com os detalhes e a busca constante de majestosidade e têmpera são uma constante. Conceitos como densidade, nostalgia, crueza e hipnotismo, assaltam a nossa mente canção após canção, sempre com elevada essência pop e um acerto melódico que nunca vacila.

Brown Paper Bag, um incrível oásis de complacência e de infinitude cavernosa feitas de punhos cerrados à sombra de uma guitarra com uma distorção intrigante e um registo melódico impetuoso, o perfil tremendamente nostálgico de Raining On Your Pillow, uma canção que impressiona pelo modo como um timbre metálico da guitarra cria um contraste imensurável com o discreto perfil sintético que acama o tema, a mescla feliz entre um grunge rugoso e um shoegaze intenso de forte cariz lo fi no tema homónimo, uma canção que ironiza sobre o modo como o nosso mundo poderá estar prestes a implodir devido ao seu próprio peso, a nebulosa pujança de Reflected, o portento de indie krautrock repleto de nostalgia e crueza que é Somber The Drums e, a rematar de modo grandioso Frog In Boiling Water, o vigoroso clima melancólico que exala da intrincada e tremendamente detalhística monumentalidade que sustenta Fender On The Freeway, completam o ciclo de um disco homogéneo e em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso, enquanto todos juntos obedecem à vontade de Zachary de se expôr, uma vez mais, sem receios e assim afugentar definitivamente todos os fantasmas interiores que o vão consumindo e que carecem constantemente de exorcização.

Frog In Boiling Water é, em suma, um incondicional atestado de segurança, de vigor e de superior capacidade criativa dos DIIV, que conceberam um lugar mágico que, mesmo sendo abastadamente ruidoso e sonoramente atiçador, não deixa de conter um toque de lustro de forte pendor introspetivo e que nos provoca um saudável torpor, devido à sua atmosfera densa e pastosa, mas também libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que não nos deixa iguais e indiferentes após a sua audição, desde que dedicada, também por causa do seu perfil intenso e catalisador. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:51






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