Segunda-feira, 7 de Outubro de 2019

DIIV - Deceiver

Já chegou aos escaparates e à boleia da Captured Tracks Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver sucede ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

Deceiver não sacode a toalha da mesa de toda a trama anterior que os DIIV criaram, quer em Oshin, o disco de estreia, quer em Is The Is Are, mas é um claro passo em frente rumo a sonoridades algo diferentes e mais abrangentes. E feita esta ressalva, convém esclarecer a situação pessoal atual de Zachary e que marca, indivutavelmente o conteúdo deste álbum. Assim, recordo que Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas do músico com a adição às drogas, mas o mesmo confessou pouco depois do lançamento desse trabalho que não foi totalmente honesto no seu conteúdo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos Zachary tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas. Deceiver é, portanto, claramente marcado por esta realidade, como se percebeu logo em Skin Game, o primeiro single divulgado do registo, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia. A canção debruça-se exatamente sobre esse processo de reabilitação que tem sido particularmente doloroso para um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso.

A partir daí, o que temos é, no fundo, uma banda sonora tremendamente confessional relativamente a este processo de reabilitação e de catarse e que alarga o espetro sonoro que tipifica os DIIV, oferecendo ao seu cardápio uma dose mais carregada daquele rock com forte pendor nostálgico, que marcou a última década do século passado. Das diversas camadas de guitarras, das mudanças rítmicas e do registo vocal abafado de Horsehead, passando pelo clima melancólico que ressuscita a melhor herança de bandas como os The smashing Pumpkins, no período Gish, em, Like Before You Were Born, até ao rock efusiante e com forte travo aos Sonic Youth em Skin Game, ou a suprema melancolia de uns My Bloody Valentine na lindíssima Between Tides, são várias as referências de elite dessa década que marcaram o processo de composição melódica e instrumental de Deceiver, com especial ênfase na primeira metade do registo. A partir daí, no portento de indie krautrock repleto de nostalgia e crueza que é Blankenship, na tonalidade progressiva e suja de Taker, no travo grunge de For The Guilty e na luminosidade vibrante de The Spark, completa-se o ciclo de um disco em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso, enquanto todos juntos obedecem à vontade de Zachary de se expôr sem receios e assim afugentar definitivamente todos os fantasmas interiores que o consumiram durante tantos anos e que parecem finalmente ter sido plenamente exorcizados. Se para isso foi preciso criar um dos melhores discos do ano, já que este é um daqueles excelentes instantes sonoros que merecem figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, principalmente pelo modo como faz um piscar de olhos objetivo aquela crueza orgânica que vive permanentemente de braço dado com o experimentalismo e em simbiose com a psicadelia, melhor ainda. Espero que aprecies a sugestão...

DIIV - Deceiver

01. Horsehead
02. Like Before You Were Born
03. Skin Game
04. Between Tides
05. Taker
06. For The Guilty
07. The Spark
08. Lorelai
09. Blankenship
10. Acheron


autor stipe07 às 21:16
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