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David Bowie – Blackstar

Segunda-feira, 11.01.16

Quase três anos depois de The Next Day, o camaleão nascido em Brixton, em 1947 e com sessenta e nove anos completados há apenas dois dias, está de regresso aos álbuns com Blackstar, sete canções editadas nesse preciso dia do seu aniversário e que nos oferecem um David Bowie a calcorrear novamente territórios sonoros de forte cariz experimental e, no fundo, aqueles onde sempre se sentiu mais confortável, em cinquenta anos de carreira onde nem sempre foi pacífica a sua relação com o lado mais comercial da indústria fonográfica, apesar do enorme reconhecimento e reputação que hoje justamente goza, como um dos génios criativos mais influentes e recomendáveis do cenário musical e cultural contemporâneo.

Logo na audição do tema homónimo, a voz distorcida de Bowie esclarece-nos que os próximos quarenta minutos serão verdadeiramente desafiantes e que até para o mais fiel seguidor e conhecedor da trajetória discográfica do músico, Blackstar será um corropio imenso e intenso de códigos estéticos de complexa descodificação, criado por um músico que, ainda por cima, se revela extremamente confidente e próximo do ouvinte. A referência ao clássico cinematográfico Clockwork Orange (1971) de Stanley Kubrick, em Girl Loves Me ou as interseções com o jazz, género sonoro de culto para Bowie, em Tis A Pity She Was a Whore, canção onde se destacam os instrumentos de sopro e uma letra angustiada, assim como as variações ritmícas da bateria e a distorção da guitarra de Sue (Or In A Season of Crime), são apenas alguns exemplos da aúrea de mistério e do apenas aparente caos com que o autor pretende impressionar o ouvinte, ao mesmo tempo que comunica (algumas vezes canta, quase como se falasse) e se oferece, utilizando, neste caso, vários poemas com um cariz algo sombrio e sem aparente controle de tudo aquilo que sonoramente a sua veia criativa o instiga a produzir.

Habituado a ser elogiado por tudo aquilo que faz, Bowie não deixa de ser humano e, por isso, está também sujeito a erros e falhas. Seja como for, Blackstar é, notoriamente, um exercício honesto e sincero de dádiva e mesmo em canções como Can't Give Everything Away ou Lazarus, que apelam de modo mais evidente ao comercial, existe uma marca inesperada, seja através de um instrumento de sopro ou um som sintetizado, que provoca o tal estímulo intelectual que a audição deste disco exige. Esta Lazarus acaba também por impressionar e comover, pelo modo como exala um clima intensamente cinematográfico e perturbador. Curiosamente, Dollar Days, uma balada que contém um dos melhores momentos vocais da carreira de Bowie e uma viola e um piano intensos em sentimento e arrojo e que, por isso, teria tudo para nos obrigar a um enorme esforço de perceção da mensagem que carrega, acaba por ser a canção mais direta e incisiva do disco, aquela que não suscita qualquer dúvida sobre o ideário sentimental que pretende transmitir.

Disco marcante e que obriga a uma imersão por parte do ouvinte num universo muito próprio, Blackstar não pode ser dissociado da carreira de David Bowie e deve ser compreendido na exata medida daquilo que o autor pretendeu que o seu cardápio transmitisse. Com uma carreira cheia de momentos marcantes e que dificilmente serão esquecidos, este é um dos trabalhos em que este músico britânico melhor transformou as suas histórias pessoais em canções, numa cruzada sonora intensa, próxima e subtilmente encantadora, idealizada por um poeta exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e que sabe, de forma bastante peculiar e única, como converter simples sentimentos em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional. Espero que aprecies a sugestão...

(N.D.R.) - A crítica a este disco foi escrita poucas horas antes do início da derradeira viagem de David Bowie. Considero que a melhor homenagem que lhe poderia prestar, era não alterar uma única vírgula da análise, devido a esse facto.

David Bowie - Blackstar

01. Blackstar
02. Tis A Pity She Was A Whore
03. Lazarus
04. Sue (Or In A Season Of Crime)
05. Girl Loves Me
06. Dollar Days
07. I Can’t Give Everything Away

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publicado por stipe07 às 17:52


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