Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Coldplay - Ghost Stories

Segunda-feira, 26.05.14

Os Coldplay de Chris Martin regressaram aos discos nos passado dia dezanove de maio e, como sempre, por intermédio da Parlophone. O sexto álbum de estúdio desta banda britânica chama-se Ghost Stories e foi produzido por Tim Bergling, Paul Epworth, Daniel Green, Jon Hopkins, Rik Simpson, Avicii e os próprios Coldplay.


Ghost Stories é um título feliz para um disco que gira muito em redor da ideia de algo cuja presença já não é concreta e física e que com a partida, que não tem de ser necessariamente a morte, deixou um vazio em redor e um fator de perturbação que, neste caso concreto, pode muito bem ser o fim do casamento de dez anos de Chris Martin com Gwineth Paltrow. Mesmo tendo sido uma separação amigável, se tomarmos como verdadeira a suposição que Ghost Stories é um disco concetual sobre este evento pessoal na vida de Chris e que serve, de algum modo, para o exorcizar, parece-me que esse processo não será simples e que há uma cicatriz na alma do líder dos Coldplay difícil de curar. A letra de True LoveSo tell me you love me. And if you don’t then lie, lie to me, emocionalmente forte e cantada por gritos abafados, acompanhados por uma guitarra algo dolorosa, é o melhor exemplo que comprova que este é, acima de tudo, um disco de e sobre o amor.

Mas esta transposição do conteúdo de Ghost Stories para a intimidade de quem o canta, também pode alargar o seu espetro para a própria realidade banda. A sonoridade das nove canções que compôem este alinhamento expôe alguns fantasmas estéticos que sempre acompanharam a carreira discográfica dos Coldplay, que tantas vezes procurou um equilíbrio nem sempre fácil entre o apelo comercial da indústria musical e a vontade destes quatro músicos em experimentar novos arranjos, técnicas e sonoridades.

Desta vez os quatro terão dado um forte e vigoroso murro na mesa e feito tudo para criarem libertos desses constrangimentos editoriais, deixando de lado os enfeites e os excessos estilísticos de Viva La Vida (2008) e Mylo Xyloto (2011), para apostarem na simplicidade e em camadas sonoras mais ricas em detalhes implícitos, algo que, em termos estratégicos, só encontra paralelo em Parachutes, o primeiro disco da banda e, para mim, ainda a obra prima do quarteto. Se nesse disco editado em 2000 o orgânico dedilhar acústico das cordas foi a pedra de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema, agora chegou a vez de apostar em canções que também nos contam histórias na mesma medida, mas fecundadas numa espécie de penumbra sintética, onde a riqueza instrumental não foi descurada e até talvez exista uma maior diversidade ao nível dos sons que se escutam, mas com a eletrónica a ser a força motriz que dá vida aos quarenta minutos que este disco dura.

A primeira audição de Ghost Stories poderá chocar os fãs mais puristas, mas os atentos e conscientes da realidade musical e identitária dos Coldplay, ao escutarem a discografia da banda cronologicamente, acabarão por perceber que este é, de certa forma, um passo lógico e que o próprio percurso anterior já tinha deixado algumas pistas sobre a vontade do grupo em apostar na primazia dos sintetizadores, consequência da tal demanda constante por novos e diferentes caminhos, que a escrita deste trabalho também comprova. Os Coldplay sempre provaram ser uma banda inquieta e que não repete a rigor a última rota que percorreu.

Com a narrativa do disco a viver muito da tal circuntância pessoal atual de Chris, o principal letrista da banda, estar atento às letras destas novas canções é tomar contacto com diferentes humores naturais de alguém que sofreu uma perda e agora lida com essa espécie de assombração na vida. Da introspecção (Always in my Head) à euforia (Sky Full of Stars), passando pela melancolia (Oceans), a alegria contagiante (Ink) e até o silêncio (Midnight), há aqui canções com poemas que servem de banda sonora para os diversos estados de alma que tantas vezes nos invadem, sempre cantados e expostos em composições ricas e simultaneamente acessíveis. Another’s Arm é  talvez, a par da já referida True Love, a canção do disco mais abrangente, que melhor exemplifica a excelência de processos e que chama a atenção pelas estrofes simples, mas sentidas e pensadas de forma a dar espaço à valorização das batidas eletrónicas, sem colocar de lado a habitual delicadez da guitarra de Johnny Buckland.

Em Ghost Stories não falta o o habitual cariz pop, épico e melancólico dos Coldplay, mas como me confidenciou a fã Ana Lopes, é um álbum mais experimental, não como os outros em que as músicas continuam a tocar e  ter airplay até hoje. É um disco menos comercial e que dificilmente irá resultar em grandes palcos ao vivo, mas tem o enorme atributo de ter belas músicas para ouvir enquanto se pensa na vidaPessoalmente concordo e confesso que o disco soa cada vez melhor a cada audição. Não é um trabalho nem melhor nem pior que os outros. É diferente e talvez se deva, antes de mais, aplaudir essa inflexão sonora e o desbravar de outras sonoridades.

Quando um dia a discografia dos Coldplay ficar completa, este disco será valorizado de uma outra forma porque, apesar de não ser um álbum feliz, é um álbum real, sobre sentimentos reais, mudanças que surgem para balançar o que parecia estável, sobre problemas que vêm de dentro para fora e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós. É um disco sobre o amor e uma boa arma para fazer qualquer um entender que, definitivamente, uma história de amor não é feita só de momentos felizes. Conforme refere a Luísa Marques, outra admiradora profunda deste quarteto britânico, tendo em conta o que os Coldplay já fizeram, não preocupa muito que façam um álbum um pouco diferente e que custe mais a entrar no ouvido. Já provaram que são um grupo fenomenal com um talento invejável e eu completo a ideia dizendo que Ghost Stories serve para confirmar com enorme ênfase esta constatação clara, óbvia e inteiramente justa. Espero que aprecies a sugestão...

Coldplay - Ghost Stories

01. Always In My Head
02. Magic
03. Ink
04. True Love
05. Midnight
06. Another’s Arms
07. Oceans
08. A Sky Full of Stars
09. O
10. All Your Friends
11. Ghost Story
12. O (Part 2/Reprise)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por stipe07 às 18:27


1 comentário

De Ana Lopes a 26.05.2014 às 19:23

Obrigado pela referência! É disco que se tem de ouvir várias vezes para entrar no ouvido!

Comentar post






mais sobre mim

foto do autor


Parceria - Portal FB Headliner

HeadLiner

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Man On The Moon · Man On The Moon - Programa 423


Disco da semana 117#


Em escuta...


pesquisar

Pesquisar no Blog  

links

as minhas bandas

My Town

eu...

Outros Planetas...

Isto interessa-me...

Rádio

Na Escola

Free MP3 Downloads

Cinema

Editoras

Records Stream


calendário

Maio 2014

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.