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Bruno Pernadas - How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge?

Sexta-feira, 25.04.14

Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? é o seu disco de estreia a solo. Composto e produzido pelo próprio, conta com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense).

O sitio da Pataca Discos esclarece os mais incautos que How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? é Folk, Jazz, Space Age-Pop, Exótica, Afro-beat, Rock Psicadélico, Electrónica e Ambient e, realmente, em How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? o público contacta com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarra e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteia-nos com um amplo panorama de descobertas sonoras que faz com que o álbum seja uma espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade.

É impressionante a quantidade de detalhes que Bruno coloca a cirandar quase livremente por trás de cada uma das canções que transbordam do disco e ainda mais diversificado é o conjunto de ritmos, sons e incontáveis referências que borbulham enquanto se desenvolve o álbum. Sejam a pop agradável e nada descartável de Première, as pequenas transições pelo jazz e pela bossa nova em Huzoor, o samba e a blues em Ahhhhh, ou mesmo todo o clima caliente de Guitarras, tudo se ouve como se estivessemos a fazer um grande passeio por diferentes épocas, estilos e preferências musicais.

Assim que o disco começa somos rapidamente absorvido pelo mundo caleidoscópico de Pernadas, um universo cheio de cores e sons que nos causam tanto espanto como a interjeição que intitula o primeiro tema do alinhamento. Em Ahhhhh parece-me que Bruno procura mostrar como abre a sua boca para absorver todos os sons que o rodeiam e que, depois de serem devidamente processados no seu âmago, são novamente expelidos em música, como se a mesma fosse para si tão importante como o ar que respira e que Ahhhhh também pode claramente querer exemplificar. A canção leva-nos do típico ambiente folk nórdico, ao blues de Nashville feito com um subtil e enevoado acorde de uma guitarra elétrica que, adiante, inflete num arco írís de cordas e arranjos luminosos muito típicos da melhor tropicália de além mar, a sul do Equador.

A voz é um importante trunfo em How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowdlege?, quer devido ao registo vocal clássico, que se destaca amplamente não só no Ahhhhh do tema de abertura, mas, principalmente em Première, assim cono na enorme quantidade de samples que Bruno utiliza nas canções sendo, em algumas, o único registo vocal existente.

Após Guitarras, uma canção cujo nome define claramente o jogo instrumental e alegre desse instrumento, ao qual se junta uma espécie de solo de improvisação de xilofone, o ambiente criado em Pink Ponies Don't Fly on Jupiter e as batidas eletrónicas que se escutam, antecipam o que a melancólica dose dupla intitulada How Would It Be propôe-nos, no fundo uma segunda metade do disco em que domina um som essencialmente bucólico, épico e melancólico, que pode servir de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, que aterrarão um dia, algures em L.A., ao som do último tema do alinhamento.

Em suma, How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? é uma coleção de excelentes canções, com uma toada ora tímida ora experimental, pontuadas por uma verdadeira mescla de influências que fazem deste trabalho um verdadeiro e feliz caldeirão sonoro. Se Bruno quis abarcar todo o conhecimento deste mundo no cosmos que é este seu How Can We Be Joyful In A World Full Of knowledge?, o que ele realmente conseguiu foi estabelecer um convívio saudável entre tudo o que é a música hoje como forma de arte, sem se especializar conscientemente em nenhum género e sem deixar que qualquer um deles se sobreponha verdadeiramente.

A música que se ouve aqui é uma harmoniosa chuva de conhecimento musical e espiritual de toda a espécie, de todos os tempos ou apenas de hoje e representa uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único.

Agradeço à Raquel Laíns e à Let's Start A Fire pelo envio do exemplar físico do disco que possibilitou a publicação deste crítica e espero que aprecies a sugestão...

01. Ahhhhh
02. Indian Interlude
03. Huzoor
04. Première
05. Guitarras
06. Pink Ponies Don’t Fly on Jupiter
07. How Would It Be 1
08. How Would it Be 2
09. L.A.

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publicado por stipe07 às 21:37






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