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Black Whales – Through The Prism, Gently

Sexta-feira, 05.12.14

Oriundos de Seattle, os norte americanos Black Whales são Alex Robert, Ryan Middleton, Dave Martin, Adam Fream e Mica Crisp. Já fazem música juntos desde 2008 e estrearam-se nos discos em 2011. Sensivelmente três anos após a estreia, com Shangri-La Indeed, estão de regresso com Through The Prism, Gently, um trabalho produzido por Eric Corson e Alex Robert, o líder e principal compositor do grupo e  que viu a luz do dia a onze de novembro, sendo dedicado a Rick Parashar, um amigo da banda entretanto desaparecido.

Começa-se a escutar o som analógico e claramente vintade do introdutório instrumental Split Personalities e percebemos imediatamente que a escuta desta álbum levar-nos-á forçosamente numa máquina do tempo que, tendo em conta Avalon, não se cingirá a uma época específica, mas aos primórdios do rock nos anos sessenta, a psicadelia na década seguinte e o indie rock mais sombrio e sintetizado nos anos oitenta, sendo este, de certa forma, o largo período temporal que define a cartilha sonora deste quarteto oriundo de Seattle. Curiosamente, tal leque alargado que define o som do grupo, sendo proposto, como acontece neste caso, com elevado bom gosto e criatividade, confunde mesmo o ouvido mais experimentado, porque torna bastante ténue a fronteira entre o retro e o futurista, estabelecendo pontes entre o passado e o futuro, ainda por cima numa época em que abundam as propostas de elevada bitola qualitativa que se apoiam no mesmo conceito.

Seja como for, se quisermos encontrar um elemento agregador de tudo aquilo que define o som dos Black Whales, a pop psicadélica, será uma boa forma de caraterizar a banda, que teve um enorme cuidado na produção do disco, procurando que as canções soassem límpidas e luminosas. O solo de guitarra alegre de The Warm Parade, asim como a percussão cheia de cor e a melodia que o sintetizador replica no refrão, fazem deste tema um extraordinário exemplo da tal luz épica e deslumbrante que dá ao som dos Black Whales aquela sensação de intemporalidade típica do power pop americano clássico que nunca sai de moda.

Em Are You The Matador, a voz em reverb, fortemente sintetizada e a presença do baixo na linha da frente do arsenal instrumental, são mais uma prova de abrangência e de heterogeneidade, mas sempre com o tal fulcro na psicadelia que se evidencia não só pelo fuzz das guitarras, como pelos arranjos que envolvem, em inúmeras situações e também neste tema, a presença quase impercetivel de um orgão.

O segundo instrumental do alinhamento, Red Fantastic, permite-nos olhar um pouco em redor e recuperar o fôlego das fortes sensações que a audição dedicada da primeira parte do disco provocou no nosso íntimo. O posicionamento deste tema não é inocente já que, de seguida, escuta-se algo inédito em Come Get Immortalized, nomeadamente a preponderância da vertente mais acústica das cordas que guiam uma balada que nos permite aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Tal beleza utópica assente no particular deslumbramento que o dedilhar da viola causa, estende-se de um modo mais introspetivo em No Sign Of Life, mesmo quando o tema toma um rumo mais roqueiro e sensual, atingindo o auge numa aceleração que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

Estas duas canções dão o mote para o que resta de Through The Prism, Gently, com a viagem temporal a continuar a fazer-nos avançar e recuar, num vai e vem vertiginoso e, infelizmente, nada linear. Se O Fortuna e Tiny Prisms (delicioso o detalhe da cítara) são uma verdadeira ode ao experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela percussão visceral, pelo baixo encorpado e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem nas composições, que vão acelerando e aumentando o nível de ruído e de distorção à medida que avançam, já o fuzz e a distorção da guitarra em Do You Wanna Dance?, leva-nos ao período mais shoegaze do rock clássico, em plena década de setenta e o piano e o efeito em eco da sedutora You Don't Get Your Kicks acelera novamente os ponteiros e embarca-nos num clima enganadoramente doce e, por isso, potencialmente lisérgico.

Há uma farta beleza utópica nas composições dos Black Whales, assim como as belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Throught The Prim, Gently esbanja todo o esmero e a paciência do quarteto em acertar os mínimos detalhes de um disco. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se a banda projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de pop psicadélica e rock progressivo.

A banda criou uma campanha de angariação de fundos para poder editar o disco fisicamente. Espero que aprecies a sugestão...

Black Whales - Through The Prism, Gently

01. Spilt Personalities
02. Avalon
03. The Warm Parade
04. Are You The Matador
05. Red Fantastic
06. Come Get Immortalized
07. No Sign Of Life
08. O Fortuna
09. Do You Wanna Dance?
10. You Don’t Get Your Kicks
11. Tiny Prisms
12. Metamorphosis

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publicado por stipe07 às 17:33






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