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Autolux – Pussy’s Dead

Quinta-feira, 30.06.16

Lançado na última primavera pela Columbia Records, Pussy's Dead é o novo registo de originais dos Autolux, uma banda norte-americana de rock experimental formada em 2000 em Los Angeles pelo guitarrista e vocalista Eugene Goreshter, o baixista Greg Edwards e a baterista e vocalista Carla Azar e que vai já no terceiro disco de uma carreira que tem colocado em sentido a crítica mais atenta.

Estes Autolux são ricos no modo como utilizam uma hipnótica subtileza, assente, essencialmente, na dicotómica e simbiótica relação entre o fuzz da guitarra e vários efeitos sintetizados arrojados, com uma voz serena mas profunda a rematar este ménage que fica logo tão bem expresso no clima planante, mas incisivo de Selectallcopy. É uma musicalidade prática, concisa e ao mesmo tempo muito abrangente, num disco marcado pela proximidade entre as canções, fazendo com que o uso de letras cativantes e de uma instrumentação focada em estruturas técnicas simples, amplie os horizontes e os limites que foram sendo traçados numa carreira com mais de uma década e marcada por discos como Future Perfect (2004) ou Transit Transit (2010), já verdadeiros clássicos da pop experimental.

Em Soft Scene, com a passagem para uma batida seca, acompanhada por um flash e um rugoso e cru riff de guitarra, percebe-se uma saudável ausência de controle, insinuando-se um clima punk que pisa um terreno bastante experimental e que, algures entre os Liars e os The Flaming Lips, é banhado por uma psicadelia pop ampla e elaborada, sem descurar um lado íntimo e resguardado, que dá não só a esta canção, mas a todo um disco, um inegável charme, firme, definido e bastante apelativo.

A tal ausência de controle não é aqui sinónimo de amálgama ou ruído intencional; Em Pussy's Dead, canções como as radioheadianas Junk for Code e, com outras nuances mais translúcidas, Listen To The Order, assim como o frio e contemplativo piano de Anonymous, mostram-nos que este é um registo onde cada instrumento parece assumir uma função de controle, nunca se sobrepondo demasiado aos restantes, evitando a todo momento que o alinhamento desande, apesar das cordas e das teclas mostrarem uma constante omnipresença, como é apanágio de um som que se pretende simultaneamente acessível, atrativo e imponente, sem descurar a faceta algo obscura e misteriosa que estes Autolux apreciam radiar, juntamente com uma fragilidade e sensorialidade que na pop majestosa, esculpida e etérea que enfeita Change My Head, por exemplo, encarna um registo melódico ecoante e esvoaçante que coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

A receita que os Autolux assumiram em Pussy's Dead arrancou do seio do grupo o melhor alinhamento que apresentaram até hoje, expresso em dez canções que exaltaram o melhor de cada intérprete. Se as guitarras ganham ênfase em efeitos e distorções hipnóticas e se bases suaves sintetizadas, acompanhadas de batidas, cruzam-se com essas cordas e outros elementos típicos da pop e da própria folk, como demonstra Becker e se é também audível um piscar de olhos insinuante a um krautrock que, cruzando-se com um certo minimalismo eletrónico, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco que contém um acabamento límpido e minimalista, então não nos resta outra alternativa senão concluir que este é um álbum feliz, porque além de ter gozado de uma clara liberdade e indulgência interpretativa, dividida entre redutos intimistas e recortes tradicionais esculpidos de forma cíclica, também contou com uma enorme sapiência para a criação de nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orientou com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, onde couberam todas as ferramentas e fórmulas necessárias para que a criação de algo verdadeiramente imponente e que obriga a crítica a ficar mais uma vez particularmente atenta a esta nova definição sonora que deambula algures pela cidade dos anjos. Espero que aprecies a sugestão...

Autolux - Pussy's Dead

01. Selectallcopy
02. Soft Scene
03. Hamster Suite
04. Junk For Code
05. Anonymous
06. Brainwasher
07. Listen To The Order
08. Reappearing
09. Change My Head
10. Becker

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publicado por stipe07 às 17:45






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