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A Place To Bury Strangers - Transfixiation

Sábado, 06.06.15

Obcecados pela morte e pelas supostas tonalidades eróticas da mesma, os nova iorquinos A Place To Bury Strangers estão de regresso aos discos com Transfixiation, um trabalho editado a dezassete de fevereiro pela Dead Oceans e que sucede a Worship, um álbum lançado em 2012 e que, tal como este novo registo, explorava uma abordagem ruidosa ao rock, de modo progressivo, industrial e experimental, tudo apimentado com uma elevada toada shoegaze.

Numa época em que a caraterística sujidade das guitarras e do baixo tem sido substituida por sintetizadores, cordas mais leves e por baterias eletrónicas, o que mais cativa nestes A Place to Bury Strangers é perceber que tudo aquilo que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo na esfera sonora em que gravitam, hoje, quando replicado por eles, soa intemporal, influente e obrigatório. Escuta-se o baixo de Supermaster, tocado por Dion Lunadon, o efeito abrasivo da guitarra de Oliver Ackerman e a percussão inebriante do noise rock de Straight, reproduzida por Robi Gonzalez e chocamos de frente com o acentuado cariz identitário próprio de quem procura uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, mas não descura o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, trazendo o ruído e a distorção para o centro do processo criativo.

O segredo para a potência sonora inédita deste projeto norte americano fundamental, percetivel na tríade instrumental e nas doses incontroladas de lasers e efeitos, está no modo como os A Place To Bury Strangers escapam a todas categorias e gavetas do rock ao mesmo tempo que as abarcam num enorme armário que, tendo tanto de caótico como de hermético, não deixa de se organizar com uma arrumação muito própria e sempre coerente. Há um forte sentido melódico na distorção da guitarra em Love High e no punk de What We Don't See, assim como um ambiente psicadélico em We've Come So Far que nunca compromete as vias auditivas, mesmo que a voz de Oliver Ackerman, em Deeper, possa distorcer a nossa mente.

Com a guitarra e a bateria a servirem, frequentemente, de elo de ligação entre os temas, Transfixiation avança com o ambiente a tornar-se cada vez mais rugoso, ao mesmo tempo que o ritmo da bateria abranda, com o instrumental Lower Zone, a dividir, de certo modo, o disco em duas partes distintas, no modo como parece agregar um emaranhado de melodias que, por si só, parecem temas distintos, enquanto faz a súmula de todo o conteúdo do alinhamento.

A já citada We've Come So Far, acaba por colocar tudo no devido lugar e se Fill The Void tem o típico clima de ocaso, é ao quase instrumental I Will Die que cabe a tarefa de encerrar uma obra grandiosa e eloquente, ao mesmo tempo que cimenta a temática obsessiva do trio, à boleia de algumas frases soltas e curiosos efeitos, que termina um disco pleno de ruido, espasmos de guitarra funk, ruído, contaminação cruzada de microfones e odes ao imprevisto. Espero que aprecies a sugestão...

1. Supermaster
2. Straight
3. Love High
4. What We Don’t See
5. Deeper
6. Lower Zone
7. We’ve Come So Far
8. Now It’s Over
9. I’m So Clean
10. Fill The Void
11. I Will Die

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publicado por stipe07 às 23:20






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