Domingo, 3 de Fevereiro de 2019

The Dirty Coal Train - Juvenile delinquent

Depois de quatro álbuns, uma compilação e vários singles, já está nos escaparates há mais de meio ano Portuguese Freakshow, o último disco do projeto The Dirty Coal Train, que nasceu da mente do casal Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues, uma dupla natural de Viseu e a residir em Lisboa, que se tem assumido na presente década como uma das bandas mais excitantes do garage rock nacional. É um longo registo com quase quatro dezenas de temas e que conta com vários convidados especiais, nomeadamente Carlos Mendes (Tédio Boys, The Parkinsons, The Twist Connection), Nick Nicotine (The Act-Ups, Ballyhoos, The Jack Shits, Bro X), Victor Torpedo (The Parkinsons, Subway Riders), Ondina Pires (The Great Lesbian Show, Pop Dell'Arte), Fast Eddie Nelson (Big River Johnson, Fast Eddie & the Riverside Monkeys), Captain Death (Tracy Lee Summer) e Mário Mendes (Conan Castro & the Moonshine Piñatas), entre outros, um projeto megalómano bem sucedido lançado em vinil pela Groovie Records em parceria com a Garagem Records, tendo sido gravado nos estúdios Golden Pony em Lisboa e no King no Barreiro.

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Cheio de acordes rápidos e batidas viciantes, Juvenile delinquent é o mais recente single retirado de Portuguese Freakshow, um tema também já com direito a um vídeo da autoria do Ricardo e da Beatriz e que, de acordo com o press release do lançamento, brinca com os clichés do rockabilly: a delinquência juvenil dos 50's e o espírito da geração beat. Assim, em pouco menos de um minuto e meio a canção oferece-nos um tratado de rock cru e direto, uma composição de completo transe roqueiro e onde se cruzam garage, punk sessentista, blues, rockabilly e até surf rock.

Juvenile delinquent faz parte de um álbum que impressiona pelo seu todo e que está repleto de referências a seres fantásticos e ao cinema mais alternativo. Portuguese Freakshow, que já tem sucessor pronto e previsto para ser lançado em maio, acaba por ser um retrato sonoro bastante interessante e impressivo acerca da nossa realidade atual enquanto povo, que parece muitas vezes bastante desligado da realidade e a viver num permanente estado de alienação que é aqui de certo modo documentado com uma elevada dose de humor, ironia e simbolismo. O registo foi produzido pelos próprios Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues e o artwork é da autoria de Olaf Jens. Confere Juvenile delinquent..


autor stipe07 às 14:53
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2019

Tape Junk - Cranberry and Thyme

Quase quatro anos depois de um excelente homónimo, os Tape Junk de João Correia estão prestes a regressar aos lançamentos discográficos, em formato digital e em cassete, com Couch Pop, o terceiro disco do projeto, um compêndio de nove canções pensadas e estruturadas pela mente do cérebro da banda. De facto, os Tape Junk assumem-se cada vez mais como um projeto a solo deste músico que também fundou os Julie & The Carjackers e os They’re Heading West, já que em Couch Pop todos instrumentos foram registados pelo João, que contou apenas com o apoio de António Vasconcelos Dias nos sintetizadores.

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Álbum escrito e construído sem pressas, entre o início de dois mil e dezasseis e o ocaso do verão passado e com um alinhamento que foi sendo continuamente aperfeiçoado, mutado e aprimorado de acordo com o estado de espírito do autor e ao sabor de um tempo que nunca o pressionou, Couch Pop tem em Cranberry and Thyme o single de apresentação, uma canção que conta com um vídeo de João Paulo Feliciano e que sonoramente nos oferece uma soalheira aventura sonora, com um elevado pendor pessoal e intimista, que impressiona não só pelo trabalho percurssivo, mas também pelo riff contagiante da guitarra que acompanha o refrão e pelos efeitos sintetizados que vão ornamentando diversas mudanças rítmicas. Confere...

https://tapejunk.bandcamp.com/releases

https://www.facebook.com/TapeJunk/

https://www.patacadiscos.pt/


autor stipe07 às 08:14
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Sábado, 19 de Janeiro de 2019

Galo Cant’Às Duas - Cabo da Boa Esperança

Moita, no concelho de Castro Daire, é um ponto geográfico nevrálgico fulcral para o projeto Galo Cant’às Duas, uma dupla natural de Viseu, formada por Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre e que tocou pela primeira vez nesse local, de modo espontâneo, durante um encontro de artistas. Nesse primeiro concerto, o improviso foi uma constante, com a bateria, percussões e o contrabaixo a serem os instrumentos escolhidos para uma exploração de sonoridades que, desde logo, firmaram uma enorme química entre os dois músicos.

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Inspirados por esse momento único, Hugo e Gonçalo arregaçaram as mangas e há cerca de dois anos começaram a compor, ao mesmo tempo que procuravam dar concertos, sempre com a percussão e o contrabaixo na linha da frente do processo de construção sonora. A guitarra e o baixo elétrico acabam por ser dois ingredientes adicionados a uma receita que tem visado, desde Os Anjos Também Cantam, o disco de estreia do projeto editado na primavera do ano passado, a criação de um elo de ligação firme entre duas mentes disponíveis a utilizar a música como um veículo privilegiado para a construção de histórias, mais do que a impressão de um rótulo objetivo relativamente a um género musical específico.

Agora, cerca de ano e meio depois dessa estreia auspiciosa, os Galo Cant’Às Duas deixaram a guitarra em casa, olharam com maior gula para os sintetizadores e já colocaram nos escaparates o sempre difícil segundo disco, um trabalho chamado Cabo da Boa Esperança, que marca, claramente, um rumo mais abrangente, ousado e criativo para a dupla, algo que se percebe de imediato e com clareza no cortejo alegórico de distorções e diferentes nuances rítmicas que abastecem a jam session A Dança do Tempo, o tema de abertura do registo.

Cabo da Boa Esperança não mais levanta o pé do acelerador impressivo. O clima caleidoscópico que trespassa o sintetizador melódico de Coro a Cara, o indisfarçavel travo punk inicial de Guia do Fazer que depois se amansa para territórios mais etéreos, para voltar a carregar num ruído progressivo, ou o salutar experimentalismo psicadélico que brota do single Sobre Um Tanto Medo, uma canção sobre a ténue fronteira entre a ânsia de descobrir, ao medo de ser descoberto e que plasma a inegável ousadia e mestria instrumental da dupla, nomeadamente na percussão, deixam-nos de olhos e ouvidos em bico e à bica. E o festim prolonga-se nménage a trois desavergonhado e feito cópula, à vez, entre bateria, guitarra e sintetizador em Foto Grama e na espiral rugosa feita de flashes de samples, de alguns sopros que gostam de jogar ao esconde esconde, de uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e loops percussivos inquietos em Mudo, mais duas composições feitas para nos levar numa viagem de descoberta de um leque variado de extruturas e emoções que se vão sobrepondo e antecipando diversas quebras e mudanças de ritmo e fulgor.

Ao longo das oito canções de Cabo da Boa Esperança, mais do que ser-nos dada a possibilidade de descobrirmos o rumo certo da nossa jornada pessoal ou a fórmula infalível que nos vai levar para o lado certo da razão, é-nos facultada uma sequência muito física de sensações, através de um delicioso caldeirão sonoro onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que os autores designaram para cada uma, individualmente. E os Galo Cant’Às Duas fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que polvilham os trinta e cinco minutos de Cabo da Boa Esperança com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, liderados pelo chamado rock progressivo, indie rock, popfolk, eletrónica e psicadelia. Espero que aprecies a sugestão…


autor stipe07 às 11:33
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2018

Flak - Cidade Fantástica

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia no final de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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Nas dez canções de Cidade Fantástica, Flak oferece-nos uma pop com uma singularidade bastante vincada, adornada por uma cosmicidade sonora que conjugada com um abstracismo lírico incomum, estabelece um paralelismo entre uma espécie de obsessão do autor por tudo aquilo que é elétrico, nomeadamente o modo como uma guitarra sempre perto de um salutar experimentalismo pode ser conjugada com sintetizações variadas e o quanto essa simbiose feliz tem de glorioso e de frenético.

O caldeirão instrumental, amiúde progressivo, mas também etéreo, e sempre de leque alargado que tinge Morcego é, desde logo, uma porta de entrada radiante para a filosofia interpretativa que satisfaz Flak. Depois, na luminosidade das cordas de Planeta Azul, no delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos que define Manto Branco e na soul contemplativa de Ao Sol da Manhã, tema que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável, fica carimbada, de modo ainda mais impressivo, a sensação de que, ao escutarmos Cidade Fantástica, estamos invariavelmente a embarcar numa viagem rumo a terreno incerto, cheios de esperanças de ascensão e minados por uma pueril obsessão pelo presente e pelo futuro, que nos é aqui apresentada através de um lado muito pessoal, circunstancial, mas também universal e mitológico, porque a urbanidade que inspira Flak é, no fundo, aquela que vivenciamos todos nesta contemporaneidade que nos consume a nós e ao planeta azul que nos serve de morada. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:24
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2018

Old Jerusalem - Chapels

Foi a doze de outubro que chegou às lojas Chapels, o sétimo registo de originais de Old Jerusalem, o lindíssimo projeto assinado por Francisco Silva e que caminha a passos largos para as duas décadas de carreira. Old Jerusalem é, de facto, uma incrível jornada, batizada com uma música do mítico Will Oldham e com um brilho raro e inédito no panorama nacional, um projeto que nos tem habituado a canções que cirandam entre os altos e baixos da vida e que nos mostram como é, tantas vezes, muito ténue a fronteira entre esses dois pólos, entre magia e ilusão, como se a explicação das diferentes interseções com que nos deparamos durante a nossa existência fossem alguma vez possível de ser relatada de forma lógica e direta.

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Com dez temas imediatos e sem adornos, assentes em interpretações gravadas à primeira e que acabam por estar intimamente associadas ao processo da sua escrita, também algo intuitivo, e deixando a nu os alinhavos de arranjos e as primeiras sugestões de caminhos melódicos e harmónicos, Chapels tem em cada canção um veículo privilegiado para o ouvinte tomar contacto de modo realisticamente impressivo, com o ímpeto criativo do Francisco e a urgência que o seu âmago sente de comunicar connosco. E fá-lo através de um dos melhores veículos que conheço para a transmissão de sentimentos, emoções e ideias... a música.

Chapels é, portanto, um álbum extremamente comunicativo e repleto de composições contemplativas, que criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades que compete a nós destrinçar ou, em alternativa, idealizar, já que as duas abordagens são sempre possíveis na música de Old Jerusalem. Escuta-se a simplicidade melódica e o imediatismo de Black pool of water and sky, assim como a sua crueza e simplicidade acústica, evocando a verdade eterna que todos reconhecemos de que tudo é passageiro, a fragilidade perene que tremula no registo vocal de The Meek, aquela nostalgia que provoca encantamento e torpor e que exala de Oleander, a simultaneamente intrigante e sedutora Ancient Sand, Ancient Sea ou a luz que nos faz sorrir sem medo do amanhã que fica defronte de Lighthouse e acedemos, sem vontade de olhar para trás, a um universo único, enquanto experimentamos a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que este maravilhoso alinhamento transmite. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:08
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018

Time For T - Maria

Gravado ao longo do ano de 2016 nos Spitfire Audio Studios em Londres, produzido pela própria banda e masterizado por JJ Golden (Rodrigo Amarante, Devendra Banhart, Vetiver) em Ventura, California, Hoping Something Anything é o mais registo de originais dos Time for T de Tiago Saga, que continua a retirar dividendos do seu conteúdo. A mais recente atualização é a divulgação do vídeo do single Maria, juntamente com o anúncio de novas datas de concertos de promoção do álbum, que poderão encontrar no final deste artigo.

Composição inspirada pela temática da infidelidade (Oh Maria, it's all in your head. Give me one more chance even though I'll need ten), Maria, uma canção conduzida por um boémio efeito de uma guitarra e por uma bateria abastecida por uma vasto arsenal de nuances rítmicas, já teve uma primeira versão no trajeto inicial da banda, aprimorada, entretanto, para constar do alinhamento de Hoping Something Anything. A canção tem já também um vídeo realizado por Rafael Farias entre Lagos e Lisboa e que representa a ideia de solidão e afastamento das pessoas que mais amamos por más decisões.

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Banda eclética no modo como abraça diferentes influências e sonoridades, os Time For T tanto deambulam pela folk como pelo rock psicadélico e nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como ao próprio jazz, indo também até ao blues experimental e até aquele rock mais impulsivo e cru. É um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton, encabeçado, como referi acima, por Tiago Saga, um jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor (baixo), Martyn Lillyman (bateria), Oliver Weder (teclas), os seus parceiros nestes Time For T. Andrew Stuart-Buttle (violino), Harry Haynes (guitarra eléctrica) e Louis Pavlo (teclas) foram outros convidados especiais de um disco que viu a luz do dia a quinze de Setembro último, à boleia da Last Train Records, editora que os Time For T têm em parceria com a banda amiga de Brighton, os Common Tongues. Confere Maria e as datas dos próximos concertos dos Time For T...

19 Outubro / Friday Happiness / Tojeiro

20 Outubro / Atabai / Barao S. Joao

02 Novembro / Madalena / Faro

03 Novembro / Centro Cultural / Barao S. Joao

24 Novembro / Teatro Lethes / Faro

07 Dezembro / Teatro do Bairro / Lisboa


autor stipe07 às 15:51
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Domingo, 14 de Outubro de 2018

Palas - Esperança

Já viu a luz do dia Dente de Leão, o registo com seis maravilhosos temas que estreia nas lides discográficas o projeto a solo de Filipe Palas, conhecido pela sua performance em projetos como os Smix Smox Smux e os Máquina del Amor. Para esta sua nova aventura, Palas conta com a ajuda de Tiago Calçada na guitarra, João Costeira na bateria, Filipe Fernandes no baixo e Luis Marques no clarinete, um coletivo que promete muita energia e diversão nos concertos ao vivo.

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Dente de Leão está ainda a ser destrincado pela nossa redação e será alvo de análise minuciosa muito em breve. Para já, e em jeito de aperitivo, sugiro a audição de Esperança, o segundo single retirado do registo, depois de Saltar à Corda. Esperança é uma canção que impressiona pela subtileza da guitarra e pelo modo como a mesma vai, progressivamente, fazendo o tema crescer e ganhar amplitude, garra e rugosidade, uma composição que nos fala de dois mundos diferentes: quando crescemos e tudo o que nos rodeia é seguro e belo, e quando nos deparamos com as dificuldades da vida, as diferenças de valores, educação e personalidades, o jogo da vida sem um árbitro.

Esperança também já tem direito a um vídeo primaveril que acaba numa casa abandonada bastante degradada, a antítese entre as duas particularidades da vida, realizado, editado, filmado e produzido por Bruno Martins,  e tendo como atores Beatriz Vareta e Fernanda Maria. Confere...


autor stipe07 às 22:06
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Sábado, 13 de Outubro de 2018

Flak - Manto Branco

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macau ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que irá ver a luz do dia no final deste mês e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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O primeiro single divulgado de Cidade Fantástica foi a canção Ao Sol da Manhã, tema com direito a um video centrado em ilustrações de Francisco Cortez Pinto, fotografadas e editadas pelo próprio Flak. Agora chegou a vez de ganhar vida Manto Branco, o segundo single do disco, uma música que em si é um delicioso tratado de indie pop, assente numa bateria grave e compassada, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e teclas com efeitos cósmicos, em suma, uma soul contemplativa que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável. Sobre esta composição Manto Branco, o autor refere no seu press release de lançamento:

Manto Branco. Não sei de onde me veio a frase. Manto Branco universo. Across the Universe. Olhar de Falcão. As palavras foram surgindo em simultâneo com a melodia. A segunda estrofe foi escrita mais tarde a partir do nome de uma antiga banda psicadélica brasileira, Perfume Azul do Sol. O vídeo do Vasco Mendes sugere-nos que algo vai acontecer. Por certo nada de bom. Talvez uma premonição. Um sinal dos tempos."

Cidade Fantástica será apresentado ao vivo no Teatro Ibérico, em Lisboa, a oito e nove de Novembro. Confere Manto Branco...


autor stipe07 às 21:37
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2018

Flak - Ao Sol da Manhã

Com uma carreira de mais de três décadas durante a qual incubou e encabeçou bandas tão importantes do universo indie nacional como os Radio Macua ou os Micro Audio Waves, Flak tem também um projeto a solo que começou há exatamente vinte anos com um homónimo que tem finalmente sucessor. Cidade Fantástica é o seu novo registo de originais em nome próprio, um alinhamento de dez canções que irá ver a luz do dia no final de outubro e que foi gravado no mítico Estúdio do Olival, local onde o músico gravou e produziu vários discos, não só das suas bandas, mas também de Jorge Palma, Entre Aspas e GNR, entre muitos outros.

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O primeiro single divulgado de Cidade Fantástica é a canção Ao Sol da Manhã, tema já com direito a um video com a letra, centrado em ilustrações de Francisco Cortez Pinto, fotografadas e editadas pelo próprio Flak. Misturado por Benjamim, que também tocou os teclados e masterizado por Tiago Sousa, o tema conta com as participações especiais de Rita Laranjeira na voz e António Dias no baixo. A música em si é um delicioso tratado de indie pop, assente em flashes de samples que gostam de jogar ao esconde esconde, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e instrumentos percussivos a tresandar a uma soul contemplativa por todos os poros, uma composição que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a sua heterogeneidade instrumental e melódica e um apenas aparente minimalismo estilístico é muitas vezes indecifrável. Sobre esta composição Ao Sol da Manhã, o autor refere no seu press release de lançamento:

Enviei por engano uma demo de outra canção deste disco a um ex-aluno. Ele respondeu-me que lhe fazia lembrar o tipo de ambiente dos Mild High Club, banda que eu não conhecia. Fiquei curioso, fui ouvir o disco e no final apeteceu-me fazer uma canção pop com um toque de bossa-nova. Fui construindo uma sequência de acordes por cima de um ri de blues até ter a canção estruturada. A melodia é repetida com pequenas variações enquanto a harmonia vai mudando criando diferentes texturas. Quando completei a melodia, e tal como fiz na maioria das outras canções deste disco, quis aproveitar a energia do momento e fazer imediatamente uma letra para a canção. Agarrei um livro de um dos montes que tenho à minha volta quando estou a fazer canções, abri-o numa página qualquer e calhou estar a letra do “Sitting on the Dock of the Bay” do Otis Redding. Aí pensei que era uma boa ideia transportar a baía de São Francisco para Lisboa à beira rio. E é um programa mais ou menos comum no meu dia-a-dia, ir dar uma volta junto ao rio, apanhar sol e ver os barcos passar. Entretanto o Benjamim gravou um beat, o António Vasconcelos Dias gravou um baixo numa onda Motown, o Benjamim tocou em todos os teclados que estavam disponíveis e assim fomos fixando o arranjo, de uma forma espontânea, meio improvisada. Depois, todos cantamos, a Rita Laranjeira adicionou mais vozes, o Benjamim misturou e o Tiago Sousa masterizou.

Este álbum Cidade Fantástica será apresentado ao vivo no Teatro-Cine de Torres Vedras a seis de Outubro e no Teatro Ibérico, em Lisboa, a oito e nove de Novembro. Confere o seu primeiro single...


autor stipe07 às 23:12
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018

Old Jerusalem - Black pool of water and sky

É já a doze de outubro que chega às lojas Chapels, o sétimo registo de originais de Old Jerusalem, o lindíssimo projeto assinado por Francisco Silva e que caminha a passos largos para as duas décadas de carreira. Old Jerusalem é, de facto, uma incrível jornada, batizada com uma música do mítico Will Oldham e com um brilho raro e inédito no panorama nacional.

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De acordo com o press release de lançamento de Black pool of water and sky, o primeiro single retirado de Chapels, este novo disco de Old Jerusalem terá dez temas imediatos e sem adornos. Interpretações gravadas à primeira, intimamente associadas ao processo da sua escrita e deixando a nu os alinhavos de arranjos e as primeiras sugestões de caminhos melódicos e harmónicos. Pretendeu-se que cada canção veiculasse assim o seu primeiro ímpeto criativo e a urgência da sua comunicação.

A simplicidade melódica e o imediatismo de Black pool of water and sky, assim como a sua crueza e simplicidade acústica, evocando a verdade eterna que todos reconhecemos de que tudo é passageiro, é uma boa amostra do que será certamente Chapels, um álbum extremamente comunicativo e repleto de composições contemplativas, que criarão uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades.Confere Black pool of water and sky, à boleia do video da canção realizado por André Tentúgal...


autor stipe07 às 21:53
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Terça-feira, 14 de Agosto de 2018

daguida - Fico Louco

Yuran, João Pedro e António Serginho são os daguida, um trio oriundo de Santa Maria de Lamas e já com dezoito anos de história. Depois de todo este tempo, apresentaram-se finalmente ao grande público, na passada primavera, com a sua primeira publicação oficial nas redes digitais, um tema intitulado Passageiro e o respetivo vídeo de promoção, realizado pela produtora Dawn Pictures. Agora chegou a vez de divulgarem Fico Louco, uma música de Verão com ritmo dançável e energia bem-disposta, disponível nas plataformas de streaming e no Youtube em formato vídeo-letra. Pode também ser descarregada gratuitamente no bandcamp da banda. O passo seguinte será a edição deste single em vinil e depois virá o álbum de estreia, lá para 2019, estando prevista a abertura de uma campanha de crowdfunding para financiar a sua gravação.

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Edição de autor com o apoio da Revolução d’Alegria Associação, produzida por Nuno Mendes e gravada no El Estúdio, no Centro Comercial Stop, Porto, esta canção é um tema com fortes raízes na música tradicional africana mais extrovertida, com os sopros e os elementos percussivos a conferirem ao tema uma vivacidade ímpar. Luminosa e exuberante e escorreita na melodia, Fico Louco brinca, de acordo com os daguida, com referências ligadas ao universo do futebol e às táticas de engate para reforçar ideias como a confiança e a determinação de quem “vai a jogo”. Confere...


autor stipe07 às 11:26
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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2018

Beautify Junkyards - Aquarius

Foi a nove de março último, à boleia da inglesa Ghost Box , que viu a luz do dia The Invisible World of Beautify Junkyards, a nova coleção de canções dos Beautify Junkyards. Este é o terceiro disco deste coletivo formado por João Branco Kyron (sintetizadores e voz), Rita Vian (voz), João Pedro Moreira (viola, sintetizadores), Helena Espvall (violoncelo e viola), Sergue (baixo) e António Watts (bateria e percussões) e que assume de uma vez por todas querer estar na linha da frente do panorama sonoro nacional, através de uma inédita mas convincente folk cósmica, particularmente lisérgica e esplendorosa.

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Primeira aposta internacinal da Ghost Box, The Invisible World of Beautify Junkyards foi misturado por Artur David (Orelha Negra, Mão Morta e Cool Hipnoise), masterizado por Jon Brooks e tem um título feliz porque ao longo do seu alinhamento percebe-se a declarada intenção do projeto em transportar o ouvinte para um universo paralelo ao nosso. Fazem-no mergulhados num mundo controlado por cordas inebriantes e sintetizadores plenos de exotismo, uma eletrónica eminentemente ambiental misturada com folk, que cria melodias que quer claramente levar-nos a passear pelo mundo dos sonhos, algo muito perceptível em Aquarius, o mais recente single retirado do álbum, uma canção assente num extraordinário diálogo percurssivo entre a pafernália instrumental que a sustenta.

Resultado de várias sessões de improviso particularmente inspiradas, The Invisible World of Beautify Junkyards está, em suma, cheio de momentos que configuram um passeio por um universo feito de exaltações melancólicas, que são nada mais nada menos do que um retrato sombrio do estranho quotidiano que sustenta a vida adulta, repleto de alguns instantes em que uma dor profunda que parece em determinados instantes afogar-nos. O amor, a solidão, o abandono, a vida e a morte, tudo parece servir como assunto, conceitos que pouco têm a ver com o universo das histórias infantis, mas antes com a crueza da realidade em que vivemos.

Em Outubro, os Beautify Junkyards irão fazer uma pequena digressão no Reino Unido, estando já marcado para vinte e seis de Outubro um concerto numa das mais emblemáticas salas londrinas, o Cafe OTO, numa noite inteiramente dedicada à editora Ghostbox, em que além dos Beautify Junkyards, actuará também a cantora folk Sharron Kraus e o Focus Group de Julian House (DJ). Confere Aquarius...


autor stipe07 às 10:19
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2018

Huggs - Cocaine

Duarte Queiroz (voz, guitarra) e Jantónio Nunes da Silva (bateria) são o núcleo duro dos Huggs, dois amigos que se conheceram por acaso na faculdade e que começaram a compôr juntos, inspirados pela energia crua e indisciplinada do panorama underground britânico e pelas baladas românticas típicas dos anos cinquenta e sessenta. A eles junta-se, ao vivo, Guilherme Correia, dos Ditch Days, que, depois de assistir a um ensaio, não só se encarregou do baixo como ajudou a produzir e a completar as primeiras canções da banda.

Foto de Huggs.

Os Huggs vão estrear-se nos lançamentos a vinte e um de setembro próximo com Did I Cut These Too Short?, um EP que é uma edição Cão da Garagem e que faz dos Huggs uma das mais promissoras bandas portuguesas de garage rock e indie da actualidade. Gravado por Gonçalo Formiga (dos Cave Story) no seu estúdio nas Caldas da Rainha e produzido pelo próprio em conjunto com a banda, desse registo ficámos a conhecer em plena primavera Take My Hand, canção também já com direito a um video realizado por Manuel Casanova, que trabalhou ao longo da carreira com bandas como os Comeback Kid, Japandroids ou os Hills Have Eyes. Agora, tres meses depois, chegou a vez de conferirmos Cocaine, mais um tema assente num rock acessível e bastante melódico, mais mais frenético e impulsivo que o tema anterior, uma filosofia sonora que contém, no geral, um charme vintage particularmente luminoso e apelativo. O vídeo de Cocaine também tem a assinatura de Miguel Casanova e mostra a banda a tocar o tema ao vivo. Confere este segundo single dos Huggs e as próximas datas ao vivo do projeto...

13 de Agosto: Festas do Barreiro, Barreiro

30 de Agosto: Indie Music Fest, Baltar

01 de Setembro: Gliding Barnacles, Figueira da Foz


autor stipe07 às 15:33
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Blueberries For Chemical - Live Agrival 2018

Com arraiais assentes em Penafiel e formados por Tiago Mota, Marcos Moreira, Filipe Mendes e Miguel Lopes, os Blueberries For Chemical andam por cá desde 2013 e já contam com algumas promissoras atuações ao vivo em carteira, que lhes conferem atualmente uma já sólida reputação no cenário musical alternativo local.

Como é natural, os Blueberries For Chemical pretendem dar-se a conhecer a um número cada vez maior de ouvintes e essas mesmas atuações ao vivo são, claramente, a melhor forma de atingir esse desiderato. Assim, é exatamente daqui a um mês, dia vinte e três de agosto, pelas vinte e duas horas, que os Blueberries For Chemical se apresentam ao vivo na próxima edição da Agrival, em Penafiel, para um concerto que se adivinha imperdível, até porque a banda vai jogar em casa. Do alinhamento desse espetáculo fará certamente parte So Come And Go Let's Go!, uma canção que explora territórios sonoros que olham o sol radioso de frente e enfrentam-no com uma percussão vigorosa e compassada, o baixo e a guitarra sempre no limite do vermelho e com uma intensa vertente experimental, uma composição onde um rock com um espetro que pode ir do punk a territórios mais progressivos é dedilhado e eletrificado com particular mestria. Fica a sugestão...

 


autor stipe07 às 14:23
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Terça-feira, 10 de Julho de 2018

Linda Martini - É só uma canção vs Quase se fez uma casa

Os Linda Martini de André Henriques (Voz e Guitarra), Cláudia Guerreiro (Baixo e Voz), Hélio Morais (Bateria e Voz) e Pedro Geraldes (Guitarra e Voz), continuam a retirar dividendos do excelente homónimo que editaram recentemente e que os catapultou, definitivamente e com toda a justiça, para o pódio dos melhores projetos de indie rock alternativo nacionais da atualidade.

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Sucessor do aclamado Sirumba, editado em dois mil e dezasseis, Linda Martini foi gravado na Catalunha entre Outubro e Novembro de 2017, com produção da própria banda e Santi Garcia e com todos os detalhes pensados até ao mais ínfimo pormenor. Por exemplo, o retrato a óleo da capa é a rapariga italiana a quem a banda pediu emprestado o nome no início do século, quando o projeto surgiu e o seu conteúdo sonoro não pretende ser uma mera continuidade da sonoridade habitual, mas antes uma fuga da zona de conforto, com um equilíbrio cada vez maior de elementos como o ritmo, a melancolia e o intimismo, relativamente não só ao antecessor, mas também a todo o cardápio do projeto, que conta já com seis tomos.

Em suma, os Linda Martini de hoje podem ser Rock e Fado, Fugazi e Variações, Fela Kuti e Afrobeat, Tim Maia e Funk, sem nunca soarem a outra coisa que não eles e são poucas as bandas que, remexendo e criando desconforto à primeira audição, conseguem depois, da harmonia ao caos, do balanço lânguido às cavalgadas épicas, soarem harmoniosos e profundamente cativantes.

Para espalhar ainda mais a sua doutrina, os Linda Martini acabam de retirar de Linda Martini dois singles e em simultâneo, os temas É só uma canção e Quase se fez uma casa. De acordo com o press release do lançamento, neste duplo videoclip, o grupo abre com É só uma canção, composição que nos fala sobre o peso da maldita folha em branco. São eles a contornar o que já fizeram, a contrariar rotinas para descobrirem outro ângulo e em Quase se fez uma casa, o segundo filme, amachucam o rascunho para que nada fique de pé. Peritos em adocicar a tragédia, a amargar-nos a felicidade, entram num jogo de tensão e libertação; um workshop de gestão de raiva do qual todos saíram ilesos e um pouco mais leves. Confere...


autor stipe07 às 09:40
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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

Jorge Ferraz - Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?

Numa edição da sempre muito recomendável Cobra Discos, já viu a luz do dia Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, o novo capítulo discográfico de Jorge Ferraz, um consagrado músico e guitarrista que embora trabalhe com muito equipamento electrónico e digital, tem na guitarra a sua grande obsessão. Este compositor e produtor, fundou e liderou algumas bandas portuguesas underground desde o início dos anos oitenta, com destaque para Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, um projeto cujo primeiro registo foi considerado em 1998, num trabalho conjunto do Público e da FNAC, um dos melhores discos da música popular portuguesa de 1960 a 1997. Ezra Pound e a Loucura, ou Fatimah X, foram outros projetos em que se envolveu, tendo sido também cofundador da efémera banda João Peste & o Acidoxibordel que reuniu, entre outros, músicos dos Pop Dell’Arte e dos Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, bem como o saxofonista Rodrigo Amado.

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Em 2006 Jorge Ferraz passou a trabalhar em nome próprio, tendo publicado, desde então, dois álbuns, um em dois mil e oito e outro em dois mil e dez. Foi produtor dos seus discos a solo e de grande parte das edições das bandas que integrou, tendo ainda desempenhado essas funções com os Pop Dell’Arte e os The Great Lesbian Show. Publicou também poesia e ensaio em revistas como Vértice e Bumerangue, bem como um livro de contos, Telescópio Quebrado Scanner Descontínuo, na Black Sun Editores. Desde 2013 que é igualmente membro fundador do colectivo multimédia Cellarius Noisy Machinae.

No que concerne ao conteúdo de Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, o registo contém dezasseis canções que são compêndios de poesia-ruído assumidamente radicais, serenamente aquáticas e borbulhantes e/ou violentas e distorcidas, organizadas em quatro movimentos/partes - talvez pseudo-géneros musicais distintos - com uma duração de cerca de 40 min. Um caminho que vai de infantis melodias de adeus a súbitas atonalidades intrometidas, num sempre aberto jogo de manipulação analógica e digital de tempos, “pitches” e “loops” que resulta do confronto entre a guitarra e outras máquinas. Um vaivém entre o interventivo e o contemplativo, a ruptura activa e a desistência, o rigor maníaco e a displicência ladina, o romântico e o desencantamento irónico. Música e temas onde também se pergunta o que é a identidade de um artista e criador e de onde vem. Qual é a sua liberdade e onde reside a sua coerência? Um romantismo derrotado... de que nunca se desiste.

Rock , eletrónica e jazz são, de certo modo, os grandes eixos orientadores da filosofia sonora deste Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, disco onde tudo aquilo que se escuta sabe a uma verdadeira e inspirada ode ao improviso, numa busca constante de sons e melodias que de anárquico terão muito pouco. Assim, do jazz funk de Beirut, the policeman said, versão de uma música incubada no seio dos Santa Maria, Gasolina em teu Ventre!, ao travo eminentemente jazzístico do rock que sustenta Free Rock Songs for Losers and Romantics, que se repete de modo mais subversivo e caricatural em Sax Bitch e que assume uma toada mais abrasiva em Fake-Jazzy Adventures with Alien Breakdowns and Broken Instruments até ao travo pop e de certo modo mais radiofónico de  There is No Second Time and I Feel Fine, este é um disco que procura unificar, através daquilo que o autor apelida de guitartrónica pessoal, toda a miríade de ruídos, ritmos, cadências e pulsares que o  inspiram, mas também o inquietam. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:52
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Domingo, 3 de Junho de 2018

Imploding Stars - Riverine

Três anos depois do excelente A Mountain And A Tree, da banda sonora Mizar & Alcor (2016) para a versão portuguesa do documentário From Earth to Universe e da participação com Treeless prairie na coletânea T(h)ree – Vol. 5 – Portugal – Cazaquistão – Uzbequistão (2017), os bracarenses Imploding Stars de Élio Mateus, Francisco Carvalho, Jorge Cruz, João Figueiredo e Rafael Lemos, regressaram aos discos com Riverine, disco com oito temas que, de acordo com o press release do lançamento desta banda das Taipas, aborda o princípio da compreensão dos diferentes estágios de desenvolvimento da vida humana, desde o momento que nascemos até o momento que morremos. Durante a nossa vida, experimentamos diferentes sensações que levam à criação de memórias. No entanto, estamos normalmente limitados aos limites da perceção humana e às decisões sobre o que é bom ou mau nas bifurcações que vamos encontrando. Mas afinal o que é bom ou mau? E se não houver limites nessa perceção humana? E se pudéssemos, de alguma forma, viver para sempre ou reviver.

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Sendo assim, no alinhamento de Riverine os Imploding Stars recriaram com notável mestria os diferentes estágios temporais que fazem parte da existência humana e que, no fundo, definem o trajeto de vida de cada um de nós, sendo possível, tendo em conta a abordagem da banda a esse ideário, cada ouvinte, à medida que se embrenha no álbum, adaptar os temas à sua experiência pessoal e aos seus pensamentos, experiências, sonhos, conquistas e desejos.

A partir desta permissa e tendo-a bem presente, as oito canções avançam na sequência lógica desses tais estágios de desenvolvimento (nascimento, infância, adolescência, idade-adulta meia-idade, velhice, morte e renascimento), com cada composição a retratar de modo sui generis um clima sonoro que encontra paralelismo na essência de cada um desses estágios e aquelas que são as nossas formas mais comuns de pensar, de ser, de agir e de comunicar nessa fase da nossa vida. Por exemplo, se Birth é um tema mais contemplativo, já Adulthood são nove minutos de altos e baixos, mudanças ritmícas e melódicas e Senescence tem um travo mais nostálgico e, no final, algo inquietante, retratando fielmente o ocaso.

Transversal ao alinhamento é a sua beleza utópica. Nele os Imploding Stars reproduziram um bloco único de som feito de belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos que alicerçam esta busca de uma expressão melódica incisiva e inteligente da nossa natureza animal e dos sentimentos inerentes à nossa condição de humanos. De facto, em Riverine tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. É, como se percebe, um álbum conceptual, que impressiona por uma beleza utópica que explora ao máximo a relação sensorial humana, através de um som espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico que atiça todos os nossos sentidos, ,as também um disco que nos fecha dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui e se orienta de modo a fazer-nos levitar, enquanto ficamos certos que passa pelos nossos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que está a deixar marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 18:10
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Quinta-feira, 31 de Maio de 2018

Cave Story - Special Diners

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Os Cave Story de Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e Gonçalo Formiga têm novas histórias para contar e ainda este ano, através de um registo de originais que é também um panfleto de estudos, intitulado Punk Academics e que irá ver a luz do dia até ao ocaso de 2018 à boleia da Lovers & Lollypops. O seu alinhamento irá dissertar sobre a Punk Rock Academy mencionada no disco de 1997 A Society of People Named Elihu, do projeto Atom & His Package.

Special Diners é o primeiro single divulgado do disco, pouco menos de dois minutos que nos mostram alguns dos melhores atributos sonoros dos Cave Story, descritos dentro dos abrangentes limites definidos por um post punk pop experimental de elevado calibre. O vídeo de Special Diners foi realizado pelos Das Playground que passaram alguns dias com a banda pelo meio de uma viagem de seis meses a filmar à volta do mundo. Confere...


autor stipe07 às 18:26
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Domingo, 20 de Maio de 2018

The Dirty Coal Train - Portuguese Freakshow

Depois de quatro álbuns, uma compilação e cinco singles, já está nos escaparates Portuguese Freakshow, o novo disco do projeto The Dirty Coal Train que nasceu da mente do casal Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues, uma dupla natural de Viseu e a residir em Lisboa, que se tem assumido na presente década como uma das bandas mais excitantes do garage rock nacional. É um longo registo com quase quatro dezenas de temas e que conta com vários convidados especiais, nomeadamente Carlos Mendes (Tédio Boys, The Parkinsons, The Twist Connection), Nick Nicotine (The Act-Ups, Ballyhoos, The Jack Shits, Bro X), Victor Torpedo (The Parkinsons, Subway Riders), Ondina Pires (The Great Lesbian Show, Pop Dell'Arte), Fast Eddie Nelson (Big River Johnson, Fast Eddie & the Riverside Monkeys), Captain Death (Tracy Lee Summer) e Mário Mendes (Conan Castro & the Moonshine Piñatas), entre outros, um projeto megalómano bem sucedido lançado em vinil pela Groovie Records em parceria com a Garagem Records, tendo sido gravado nos estúdios Golden Pony em Lisboa e no King no Barreiro.

Cheio de acordes rápidos e batidas viciantes, Portuguese Freakshow é um tratado de rock crú e direto, hora e meia de completo transe roqueiro feito com originais, mas também com versões de clássicos, de bandas tão distintas como os Residents, The Animals, Richard & The Young Lions, The Standells, Marti Barris e Beat Happening, entre outros. No seu alinhamento cruzam-se diferentes universos desse espetro sonoro, desde o garage, ao punk sessentista, passando pelo blues, o próprio metal, o rockabilly e o surf rock. Este elevado ecletismo aliado a uma enrome segurança e vigor interpretativos, além de proporcionarem ao ouvinte  contacto com uma personalidade e uma amplitude sonora algo agressiva, no bom sentido, tem como grande cereja no topo, para quem conhecer os trabalhos anteriores dos The Dirty Coal Train, permitir a perceção de que a dupla ampliou a técnica e o apuro interpretativo, quer instrumental quer vocal, com a percussão a ser um dos aspetos em que isso mais se nota, mas com os riffs e os efeitos das guitarras a exalarem também novas nuances, que não se coibem de penetrar por territórios mais intrincados e progressivos, nomeadamente quando deambulam pelos algumas experimentações eletrónicas.

Álbum que impressiona pelo seu todo e repleto de referências a seres fantásticos e ao cinema mais alternativo, Portuguese Freakshow acaba por ser um retrato sonoro bastante interessante e impressivo acerca da nossa realidade atual enquanto povo, que parece muitas vezes bastante desligado da realidade e a viver num permanente estado de alienação que é aqui de certo modo documentado com uma elevada dose de humor, ironia e simbolismo. o registo foi produzido pelos próprios Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues e o artwork é da autoria de Olaf Jens. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:34
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Terça-feira, 15 de Maio de 2018

Nick Suave - Perdido

Nick Suave, que anteriormente se apresentava como Nick Nicotine, é o pseudónimo de Carlos Ramos, o homem por trás do mitico festival Barreiro Rocks e do Estúdio King, de onde sairam alguns dos melhores discos de rock and roll da última década. Criado na fumarenta e cinzenta cidade do Barreiro dos anos oitenta, começa a editar discos pela sua própria editora (Hey, Pachuco! Recs) a partir de 2000. Homem dos sete instrumentos divide-se entre a voz, guitarra, baixo e bateria em dezenas de bandas (Nicotine’s Orchestra, The Act-Ups, Los Santeros, Bro-X, The Jack Shits, entre muitas outras) e acaba de lançar Perdido, um tomo de oito canções que marcam o início de uma nova fase na sua carreira: a escrita e interpretação em português.

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Na composição das canções de Perdido, Nick inspirou-se no amor e nas diversas facetas práticas desse sentimento, nomeadamente o amor pela esposa, pela família, pela sua profissão e por todas as pessoas que o rodeiam e lhe são mais próximas. Para conseguir passar a mensagem pretendida, contou com a ajuda de Ricardo Guerreiro em algumas letras, tendo as gravações dos temas decorrido o ano passado nos estúdios iá, com a colaboração inestimável de Ricardo Riquier. Sem querer ser intencionalmente revivalista, a verdade é que Perdido deve muito a uma mescla feliz entre a soul vintage e aquele universo mais negro e cru do rock, campos sonoros que Nick já havia explorado no passado mas que agora replica em português direto e, claramente, apontando aos corações mais sensíveis e empedernidos.

O resultado final é um alinhamento contagiante e cheio de charme e ironia, um cocktail ampliado por uma elevada dose de emoção, arrojo e amplitude que nunca defrauda. Disco para ser apreciado de um travo só, é um receituário inédito no panorama sonoro nacional atual e, à medida que escorre nos nossos ouvidos, consegue-se, com indubitável clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que esculpem as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da voz e com alguns arranjos percurssivos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada ligeiramente lo fi, fazem toda a diferença no cariz que uma canção toma e nas sensações que transmite.

Perdido merece, em suma, ser tratado como um referencial que flutua constantemente entre a metáfora e a realidade, no fundo o modo de viver normal de um Nick Suave impregnado com um intenso bom gosto e que parece não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior por aquilo que é enquanto músico e artista e pela peça em si que este disco representa. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:23
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