Quarta-feira, 18 de Abril de 2018

A Place To Bury Strangers - Pinned

Obcecados pela morte e pelas supostas tonalidades eróticas da mesma, os nova iorquinos A Place To Bury Strangers têm, disco após disco, reformulado o seu cardápio sonoro sempre dentro de bitola semelhante, uma filosofia assente em linhas de baixo simples mas vincadas, uma percurssão vigorosa, letras algo violentas e instigadoras e toda uma amálgama de sons e efeitos onde reina o ruido e um caos que parece estar sempre aparentemente controlado. No início desta primavera eles estão de regresso aos discos com Pinned, o quinto alinhamento da carreira do trio, renovado recentemente com a presença de Lia Braswell, ex Le Butcherettes, na bateria. Pinned é o sucessor do excelente Transfixiation, um álbum editado editado à quase três anos e que na altura sucedeu a Worship, um registo lançado em 2012 e que explorava uma abordagem ruidosa ao rock, de modo progressivo, industrial e experimental, tudo apimentado com uma elevada toada shoegaze, algo que seis anos depois é ainda uma realidade bastante audível num dos projetos essenciais de um espetro sonoro em que a Dead Oceans continua a apostar vigorosamente.

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Numa época em que a caraterística sujidade das guitarras e do baixo tem sido substituida por sintetizadores, cordas mais leves e por baterias eletrónicas, o que mais cativa nestes A Place to Bury Strangers é perceber que tudo aquilo que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo na esfera sonora em que gravitam, hoje, com novas texturas e vocalizações (além da bateria, Lia também canta, como se percebe logo no primeiro tema) quando replicado por eles, soa intemporal, influente e obrigatório. Escuta-se o baixo de Never Coming Back, tocado por Dion Lunadon, o efeito abrasivo da guitarra de Oliver Ackerman e o modo como a bateria se eleva, sempre numa espécie de coito interrompido e, lá para o meio, a guitarra corrosiva e a percussão inebriante do punk rock de Frustrated Operator e chocamos de frente com o acentuado cariz identitário próprio de quem procura uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, mas não descura o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, trazendo o ruído e a distorção para o centro do processo criativo.

O segredo para a potência sonora inédita deste projeto norte americano fundamental, é não só percetivel na tríade instrumental e nas doses incontroladas de lasers e efeitos, mas também no modo como escapa a todas as categorias e gavetas do rock ao mesmo tempo que as abarca num enorme armário que tem tanto de caótico como de hermético. Acaba por ser uma estratégia que não deixa de se organizar com uma arrumação muito própria e sempre coerente. Assim, há um forte sentido melódico no efeito da guitarra do shoegaze lo fi de Situation Changes e na vibe mais etérea, mas mesmo assim rugosa, de Was It Electric assim como um ambiente psicadélico no falso minimalismo de There's Only One Of Us que nunca compromete as vias auditivas, mesmo que a voz de Oliver no festim sintético de Execution possa distorcer a nossa mente.

Com a guitarra e a bateria a servirem frequentemente de elo de ligação entre os temas, Pinned parece agregar um emaranhado de melodias, mas uma audição atenta mostra-nos que este é um daqueles alinhamentos que encadeiam-se através de um tronco de forte cariz identitário e genuíno, onde não faltando a espaços o típico clima de ocaso que o experimentalismo proporciona, tem como resultado uma obra grandiosa e eloquente, ao mesmo tempo que cimenta a temática obsessiva dos A Place To Bury Strangers, feita, como já referi, de ruído, mas também de odes insinuantes e particularmente inspiradas ao imprevisto. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:21
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Quinta-feira, 12 de Abril de 2018

Albert Hammond Jr. – Francis Trouble

Constantemente a biografia de inúmeros músicos está recheada de experiências e eventos inéditos e até algo surreais que acabam por justificar, em certa medida, uma opção, que pode ser precoce ou tardia, consciente ou instintiva, por um percurso profissional e de vida nas artes e mais concretamente pela carreira musical, até como modo de exorcizar e refletir sobre tais factos de vida incomuns e que fogem amiúde da dita normalidade. Muitas dessas experiências são mesmo transcendentais ou, no mínimo, causadoras de estigmas, recalcamentos, depressões, traumas, fobias e desgostos, que a música tratará de revelar ao grande público e de servir, em simultâneo, de veículo de cura dos mesmos. Albert Hammond Jr., músico norte americano e uma das faces mais visíveis dos The Strokes, acaba de editar um novo registo de originais, o quarto da sua carreira a solo, que cataliza no seu seio um evento que é, certamente, dos mais surreais que se pode imaginar. Em 1979, a sua mãe abortou o seu irmão gémeo Francis mas Albert sobreviveu. Quando nasceu, alguns meses depois, trouxe consigo um lembrete solitário do seu irmão com quem compartilhava o útero, uma unha. Albert sempre soube do irmão, mas só ficou a conhecer este último detalhe há pouco tempo, tendo o mesmo servido de inspiração para a composição das dez canções deste Francis Trouble, um trabalho onde Albert procura encontrar a sua persona perdida em Francis e, ao mesmo tempo que homenageia o irmão, tornar-se um pouco mais ele, como se fosse uma espécie de alter-ego.

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Do som crú e incisivo de Francis Trouble, mas ao mesmo tempo carregado de imagens sugestivas e com forte cariz impressivo, depreende-se que há um enorme apego do autor ao evento descrito, transbordando em temas como Screamer, por exemplo, um sentimento de esperança algo romântico de que ele possa, à sua maneira, trazer de volta, nem que seja espiritualmente, a sua outra metade (I saw you as someone I wanted to trust, I saw you as everyone I wanted to f**k), mas também uma ideia de contemplação e admiração, audível em Strangers, por aquilo que é a relação entre ambos que não deixa de existir mesmo na ausência física de uma das partes (How strange the feeling to be strangers, Who strain for feeling), 

Mesmo inspirado por uma situação que muitos de nós poderiamos considerar trágica e triste, Albert consegue criar composições banhadas por um indie rock em muitos aspectos luminoso e radiante, podendo este ser até, imagine-se,  o disco mais divertido da carreira do autor. A energia contagiante das guitarras de Muted Beatings e o travo vintage da já referida Strangers e de Far Away Truths, são bons exemplos de um enredo que teria à partida todos os ingredientes para incubar uma toada sonora algo negra e depressiva, mas aquilo que se escuta são melodias alegres, adornadas por arranjos que oscilando entre o delicado, o luminoso e o contagiante nos deixam facilmente com um sorriso no rosto e com vontade de abanar um pouco a anca.

Ao longo da sua carreira, Albert serviu-de da guitarra para vestir diferentes personalidades, nomeadamente a declaradamente cool que interpreta nos The Strokes, a que deu vida à sensibilidade indie de Yours To Keep (2006), o seu disco de estreia e agora a simultaneamente sincera e complexa de Francis Trouble, um álbum que, como referi acima, é crú e incisivo, mas também consciente e profundo, materializando na perfeições os intentos do autor quando o idealizou e toda a filosofica subjacente ao mesmo. Escutá-lo atentamente é submeter-se a um exercício de descoberta particularmente emotivo e esclarecedor dos principais alicerces da personalidadce deste músico ímpar. Espero que aprecies a sugestão...

Albert Hammond Jr. - Francis Trouble

01. DVSL
02. Far Away Truths
03. Muted Beatings
04. Set To Attack
05. Tea For Two
06. Stop And Go
07. Screamer
08. Rocky’s Late Night
09. Strangers
10. Harder, Harder, Harder


autor stipe07 às 13:43
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Quinta-feira, 29 de Março de 2018

Preoccupations - New Material

Matt Flegel e Mike Wallace são dois músicos já habituados a recomeços no que concerne a projetos musicais. Depois de terem feito parte dos extintos Women, um grupo norte americano de Calgary, que terminou a carreira há alguns anos, mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo, incubaram os extraordinários Viet Cong, um coletivo que fez furor há três anos com um disco homónimo que foi considerado por esta redação como o melhor do ano, em 2015. Este nome tão sugestivo da banda acabou por não sobreviver à crítica, muita dela oriunda do importante mercado discográfico local e, por isso, a dupla viu-se na necessidade de se reinventar de novo, surgindo agora sobre a capa dos Preoccupations, um coletivo onde à dupla se juntam os guitarristas Scott Munro e Daniel Christiansen, que já os acompanhavam nos Viet Cong. New Material é o registo discográfico que dá o pontapé de saída a esta nova vida do projeto, dez canções alicerçadas num post punk labiríntico de elevado calibre e abençoado pela chancela da insuspeita Jagjaguwar, uma das principais editoras independentes norte-americanas.

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Disco cheio de canções que assentam quase sempre numa guitarra com um rugoso efeito metálico particularmente aditivo e um baixo imponente, acompanhados por uma bateria falsamente rápida, como é o caso de Espionage, o tema que abre o disco, New Material remete-nos, no imediato, para aquele rock que impressiona pela rebeldia com forte travo nostálgico e por aquela sensação de espiral progressiva de sensações, que tantas vezes ferem porque atingem o âmago. A psicadelia oitocentista que dá as mãos ao punk é outra nuance importante deste alinhamento com uma originalidade muito própria e um acentuado cariz identitário, por procurar, em simultâneo, texturas melódicas e expansivas, mas também aquele pendor lo fi com uma forte veia experimentalista. É uma matriz sonora percetivel na distorção das guitarras, no vigor do baixo de Matt Flengel e, principalmente, na bateria de Wallace, muitas vezes algo esquizofrénica e fortemente combativa. Aliás, este instrumento é frequentemente chamado para a linha da frente na arquitetura sonora de New Material, ficando com as luzes da ribalta e um elevado protagonismo na percussão tribal de Decompose e no modo como as suas variações rítmicas introduzem o efeito da guitarra em Solace. Já que falamos em efeitos da guitarra, um dos grandes tiques identitários que trespassa toda a discografia destes músicos é, claramente, a sensibilidade do efeito metálico abrasivo da guitarra que corta fino e rebarba eque é audível em Decompose, um som que se ouvia frequentemente em Viet Cong, geralmente em contraste com a pujança do baixo. O resultado era uma elevada amplitude épica, presente em melodias que nos levavam rumo ao rock alternativo de final do século passado, mas que agora ganha contornos um pouco mais futuristas. E isso sucede porque nos Preoccupations Floegel e Wallace colocam os sintetizadores também em posição de elevado destaque, sendo Disarray uma boa canção para se perceber esta alteração estilística que combina post punk com shoegaze, uma fórmula pessoal e muito deles e onde o ruído não funciona com um entrave à expansão das canções, mas como mais um veículo privilegiado para lhes dar um relevo muito próprio que, sem esse mesmo ruído, os temas certamente não teriam. Aliás, na já referida Solace e em Compliance os solos e riffs da guitarra de Scott e Daniel, exibem linhas e timbres com um clima marcadamente progressivo e rugoso, com os teclados a tornarem-se numa mais valia no modo como adornam este garage rock, ruidoso e monumental e o harmonizam, tornando-o agradável aos nossos ouvidos, ou seja, fazem da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo.

A viagem lisérgica que o quarteto nos oferece nas reverberações ultra sónicas de New Material, fazem deste compêndio um agregado instrumental clássico, despido de exageros desnecessários e amiúde apoteótico. É uma demonstração clara do modo como este coletivo se disponibiliza corajosamente para um saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos, à medida que constroem os diferentes puzzles que dão substância às canções. No final, tudo resulta de forma coesa e o ruído abrasivo proporcionado por esta catarse onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética, fascina e seduz. Espero que aprecies a sugestão...

 Preoccupations - Espionage

01. Espionage
02. Decompose
03. Disarray
04. Manipulation
05. Antidote
06. Solace
07. Doubt
08. Compliance


autor stipe07 às 17:31
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Quarta-feira, 21 de Março de 2018

The Fratellis – In Your Own Sweet Time

Lançado pela londrina Cooking Vinyl a dezasseis de março último, In Your Own Sweet Time é o novo registo discográfico dos The Fratellis, o quinto registo de originais desta banda de indie rock escocesa que se estreou há já doze anos com o excelente Costello Music. Muitas das canções deste novo compêndio surgiram durante a digressão comemorativa dos dez anos desse primeiro trabalho, que depois foram buriladas no outro lado do atlântico, na costa oeste dos Estados Unidos da América, na cidade dos anjos, nos estúdios The Hobby Shop Recording Studios. Acaba por ser mais um passo consistente na carreira do trio Fratelli (Jon, Barry e Mince) rumo ao merecido estrelato de um dos grupos essencias do post punk rock revivalista dos últimos anos.

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Os The Fratellis são um daqueles casos curiosos e bem vindos de uma banda que sem complicar demasiado no momento de compôr, consegue mostrar com uma mestria invulgar que é possível criar canções melodicamente ricas e diversificadas, quer ao nível dos arranjos, quer dos ritmos e das conexões instrumentais, sem colocar em causa a capacidade que têm de nos divertir e animar, nem que seja durante o breve período de tempo em que as escutamos. A guitarra, o baixo e a bateria suportam esta demanda, com canções do calibre da caústica Stand Up Tragedy e do animado single Starcrossed Losers a mostrarem toda a luminosidade e a feliz exploração dos diversos subgéneros que podem entroncar no indie rock e que os The Fratellis sabem como chamar para a linha da frente no momento de explanarem toda a astúcia e a química que sustenta o trio.

Liricamente, toda aquela impulsividade algo agreste mas tremendamente genuína que tem levado os The Fratellis a escrever ao longo da carreira sobre temas tão incómodos como a adição às drogas, o sexo e os amores nem sempre correspondidos e bem resolvidos mantém-se, mas nota-se neste novo registo uma ainda maior espontaneidade no modo como tudo é esplanado e descrito, o que sugere uma maior certeza relativamente às convicções morais dos intérpretes, algo que curiosamente acaba por se refletir na performance musical. Assim, este é o álbum do grupo em que talvez haja um maior arrojo, geralmente bem sucedido, em explorar territórios inéditos, que chegam a abarcar a própria world music, srgindo o ponto alto desta experimentação em Advaita Shuffle, composição com raízes no hinduísmo, algo que se percebe quer na letra quer na sua sonoridade.

In Your Own Sweet Time é um daqueles discos que enriquecem fortemente o cardápio de um grupo cuja popularidade, como a de muitas outras bandas de indie rock, é inversamente proporcional ao afeto que desperta em muitos fâs, seguidores e melómanos musicais. Os The Fratellis foram e são reverenciados por muitos e pertencem, por direito, a uma história e a um cânone, mas os ecos das suas canções não se ouvem como os de outros projetos contemporâneos, ou de certos nomes da new wave ou do punk. Oxalá que este novo registo do trio faça com que se afirmem, de uma vez por todas junto do mainstream, já que há aqui canções capazes de arrebitar qualquer memória mais difusa, criadas por uma banda que tem elevado, com poucos meios, o rock e a pop à condição de arte. Quem não concordar, tem de ouvir melhor. Espero que aprecies a sugestão...

The Fratellis - In Your Own Sweet Time

01. Stand Up Tragedy
02. Starcrossed Losers
03. Sugartown
04. Told You So
05. The Next Time We Wed
06. I’ve Been Blind
07. Laughing Gas
08. Advaita Shuffle
09. I Guess… I Suppose…
10. Indestructible
11. I Am That


autor stipe07 às 19:06
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Terça-feira, 20 de Março de 2018

We Are Scientists – Your Light Has Changed

We Are Scientists - Your Light Has Changed

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em 2018 com Megaplex, o sexto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual.

Sucessor do excelente Helter Seltzer, este novo trabalho dos We Are Scientists verá a luz do dia a vinte e sete de abril e depois de ser ficado a conhecer One In, One Out, o primeiro single retirado desse alinhamento, agora chegou a vez de conferir Your Light Has Changed, mais uma canção que se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto e de um trabalho de produção e mistura que não descura quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabam por adornar e dar mais brilho e cor à composição. Confere...


autor stipe07 às 17:42
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Terça-feira, 6 de Março de 2018

The Kills – List Of Demands (Reparations) vs Steppin' Razor

The Kills - List Of Demands (Reparations)

Ainda sem sucessor anunciado para o aclamado Ash & Ice de 2016, os britânicos The Kills de Jamie Hince e Alison Mosshart acabam de revelar duas novas canções contidas num single de sete polegadas de edição limitada. Os temas são duas versões, a primeira List of Demands (Reparations), um original de Saul Williams e segunda uma revisitiação do clássico Steppin’ Razor, de Peter Tosh.

A potente primeira versão, assente no fuzz de umas cordas eletrificadas e na emotividade e pujança vocal de Alison, inspira-se no sentido de urgência que a dupla sente em relação a alguns problemas do mundo atual, uma canção que não foi fácil de abordar, conforme confessa Mosshart, apesar da satisfação da dupla relativamente ao resultado final: It was one of those songs you’re almost scared to cover, because it carries so much respect. It wasn’t a straight up love song or a drug song. It was defined, serious, and perfect already. With certain songs, you feel like an intruder trying to sing them, but this one felt like my own. Já a segunda é uma curiosa e inesperada revisitação a uma tema do universo reggae, com um resultado final verdadeiramente enleante e que mantém intocável o charme inconfundível de uma dupla única e sem paralelo no universo alternativo atual. Confere os dois temas e o video de List Of Demands (Reparations) dirigido por Ben Strebel...


autor stipe07 às 19:38
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018

The Monochrome Set - Maisieworld

Já com um percurso de quatro décadas, os The Monochrome Set liderados pelo cantor de origem indiana Bid (pseudónimo de Ganesh Seshadri), ao qual se juntam o guitarrista Lester Square e o baixista Andy Warren, são uma das bandas mais subestimadas da história da música britânica. Nasceram nos início dos anos setenta do século passado e começaram a ganhar fama no final da era punk, optando, sonoramente, por uma vertente eminentemente arty dentro daquele rock de cariz mais nostálgico e sombrio. O nome do grupo inspira-se nas pinturas monocromáticas de Yves Klein e alguns dos títulos das suas músicas mais emblemáticas, como Alphaville e Eine Symphonie des Grauens, sugerem uma ligação a grandes obras primas de Jean-Luc Godard e F. W. Murnau). Em mil novecentos e setenta e nove lançaram uma série de singles pela Rough Trade que são agora peças de colecionador, seguidos pelas primeiras obras primas, Strange Boutique (1980) e Love Zombies (1980). Três anos depois mudaram para a Cherryl Red Records onde lançaram Eligible Bachelors (1982) e “The Lost Weekend” (1985). Agora, mais de três décadas depois, editam uma súmula desse período intitulada 1979 – 1985: Complete Recordings, o documento perfeito do capítulo inicial da história dos The Monochrome Set, que teve sequência com mais quatro discos na década de noventa e outros dois já no novo século. Juntamente com essa súmula, o trio acaba também de editar, à boleia da Tapete Records, um novo registo de originais intitulado Maisieworld, sucessor de Platinum Coils (2012) e Super Plastic City (2013), um registo sobre o qual me debruçarei já de seguida.

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Intemporais e merecedores de rasgados elogios, sendo fonte de inspiração para nomes como Graham Coxon, os Franz Ferdinand ou Edwin Collins, os The Monochrome Set continuam amostrar-se paicularmente incisivos no modo comose servem da clássic tríade guitarra, baixo e bateria para esculpir canções que mostram ser verdadeiras espirais sonoras ora rugosas e algo climáticas, ora dançantes e capazes de fazer sobressair o nosso lado mais festivo e exaltante. Assim, Maisieworld apresenta-se como um verdadeiro frenesim rock que encontra continuidade segura da melhor herança da banda no groove cósmico dos efeitos da guitarra e do ritmo intermitente da bateria de Shallow, na solenidade pop dos arranjos de sopros e das cordas distorcidas de Cyber Son, no punk vigoroso do baixo que abastece Mrs Robot e na toada new wave da guitarra e dos metais de Give Me Your Youth, só para citar alguns dos momentos mais inspirados e inebriantes de uma sucessão de músicas que, conforme descreve o press release do lançamento, destacam a natureza volátil, caprichosa e instável de The Monochrome Set. Novas portas conduzem a corredores até agora inexplorados com saxofones, trombones e trombetas, onde estranhos órgãos deslizam sobre nós, em que um grunhido baixo surge nos nossos tornozelos e um banjo deformado atravessa-se no nosso caminho. Vozes divertidas cantam a natureza orgânica frágil, os sonhos e esperança tristes que nos entretém e as sombrias decisões que tomamos. Cenas de uma imaginação diferente rasga-nos e refaz o nosso retrato na fantasia de outro. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:19
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Sábado, 10 de Fevereiro de 2018

Franz Ferdinand - Always Ascending

Quatro anos depois de Right Thoughts, Right Words, Righ Action podemos novamente abrir alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos, sacar das t-shirts coloridas e pôr o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque o velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, que só os escoceses Franz Ferdinand sabem como replicar está de volta com Always Ascending, o quinto registo de estúdio do projeto e bastante centrado em algumas questões que estão na ordem do dia nas ilhas britânicas, nomeadamente o Brexit.

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Primeiro disco com as presenças do teclista Julian Corrie e do guitarrista Dino Bardot na equipa, que substittui o guitarrista Nick McCarthy, um dos fundadores do grupo, que abandonou recentemente o navio, Always Ascending é para ser degustado de um só travo, tal é a energia e o vigor que  os seus quase quarenta minutos contêm, no seu todo. É um daqueles discos pensados para refletir sobre uma contemporaneidade que está sempre presente na mente criativa dos músicos e compositores como fonte privilegiada de inspiração, mas também idealizado para divertir, animar e dançar.

As guitarras continuam a ser a base melódica de grande parte das canções e aquele modo muito próprio e identitário que esta banda tem de entrelaçar riffs e distorções com efeitos sintetizados particularmente efusivos soa aqui de um modo ainda mais intuitivo e direto do que nos alinhamentos antecessores mais recentes, onde os Franz Ferdinand procuraram calcorrear territórios sonoros que englobassem algumas caraterísticas da pop. Mas esse não é, decididamente, o território onde Alex Kapranos se sente mais confortável; Como principal referência no processo de construção dos temas e como escritor das suas letras, ele prefere ser eminentemente incisivo e claro quer na mensagem quer no modo como a transmite sonoramente, fruto de um experimentalismo que se saúda e onde a fórmula para o sucesso reside exatamente naquela simplicidade que faz este projeto estar na linha da frente dentro do género musical que replica e continuar a ser uma referência obrigatória para quem quer perceber como param as modas no rock alternativo.

Escuta-se o piano que conduz, logo a abrir o disco, a introdução do tema homónimo e o modo como pouco depois, ainda nessa canção, se juntam a bateria e as guitarras a um efeito sintetizado que é uma verdadeira espiral rugosa e dançante e percebemos que a festa vai mesmo começar e que até ao seu final não haverá grande espaço nem tempo para interregnos desnecessários, apesar do pendor mais intimista de Academy Award. Pouco depois, o modo como crescem guitarras e bateria na satírica Lazy Boy potencia ainda mais todo este pendor exaltante, um verdadeiro frenesim de dance post punk rock que encontra continuidade segura no groove cósmico das teclas de Paper Cages, no punk vigoroso do baixo que abastece Lois Lane e na toada new wave de Glimpse Of Love, só para citar alguns dos momentos mais inspirados e inebriantes de Always Ascending.

Não há necessidade nenhuma de perdermos o nosso tempo a procurar encontrar uma justificação plausível para os segredos e técnicas que Kapranos utiliza para fazer algo que é, simultaneamente acessível e elaborado, até porque, se pousarmos um pouco a cerveja e o garfo e nos debruçarmos na arquitectura das canções dos Franz Ferdinand, apercebemo-nos que é tudo fruto de muito trabalho e dedicação e que as coisas nãoo serão assim tão simples como à primeira vista aparentam. Quem se der a esse trabalho ao mesmo tempo que abana a anca ao som do disco, irá certamente colocar novamente este grupo escocês em plano de destaque no universo sonoro indie em que mais se diverte. Confere...

Franz Ferdinand - Always Ascending

01. Always Ascending
02. Lazy Boy
03. Paper Cages
04. Finally
05. The Academy Award
06. Lois Lane
07. Huck And Jim
08. Glimpse Of Love
09. Feel The Love Go
10. Slow Don’t Kill Me Slow


autor stipe07 às 15:21
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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2018

We Are Scientists – One In, One Out

We Are Scientists - One In, One Out

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em 2018 com Megaplex, o sexto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual.

Sucessor do excelente Helter Seltzer, este novo trabalho dos We Are Scientists verá a luz do dia a vinte e sete de abril e dele já se conhece One In, One Out, o primeiro single retirado desse alinhamento e que se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto e de um trabalho de produção e mistura que não descura quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabam por adornar e dar mais brilho e cor à composição. Confere...


autor stipe07 às 17:29
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Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2018

Frank Turner - 1933

Frank Turner - 1933

Será a quatro de maio próximo que Frank Turner irá fazer chegar aos escaparates Be More Kind, o oitavo registo de originais de uma carreira já longa deste artista extremamente talentoso, não só a compôr melodias mas também a escrever. Este disco vê a luz do dia depois de Turner ter estado em estúdio durante o ano que recentemente findou com Austin Jenkins e Joshua Block, antigos membros dos White Denim e também com Charlie Hugall (Florence And The Machine, Halsey), que assume as rédeas da produção de Be More Kind.

1933 é o primeiro tema divulgado de Be More Kind, um tratado sonoro fortemente influenciado pelo típico punk rock do outro lado do atlântico, um cerrar de punhos que curiosamente Turner rejeita, do seguinte modo, em declarações recentes: 1933 filled me with a mixture of incredulity and anger. (...) The idea that it have anything to do with punk rock makes me extremely angry. Seja como for, as principais caraterísticas desse arquétipo sonoro estão bem presentes numa canção bastante enérgica, que faz adivinhar mais um disco vibrante e bem conseguido por parte deste músico britânico. Confere...


autor stipe07 às 18:49
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