Quarta-feira, 27 de Junho de 2018

Cœur De Pirate – En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé.

Conhecida pela sua escrita impressiva, quase sempre na primeira pessoa e pela arrebatadora sinceridade e doce luminosidade da sua música, a canadiana Béatrice Martin comemora em 2018 dez anos de carreira à frente do seu projeto Cœur De Pirate e fá-lo com a edição de um álbum intitulado En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé. Esse novo registo de originais desta lindíssima artista oriunda do Quebeque canadiano chegou aos escaparates já no início deste mês através da Dare To Care Records e não é necessário ser um génio na língua francesa para se entender toda a teia emocional destas dez canções que, até no próprio duplo sentido do título do disco, num misto de cautela e turbulência, explícita toda a teia sentimental que descreve a pessoalidade de uma mulher madura, mas também tremendamente humana e já bastante vivida.

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Gravado maioritariamente em Paris e produzido por Cristian Salvati, En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé é uma deliciosa narrativa sobre o poder do amor, o modo como essa força se ajusta aos diferentes ritmos e vivências de uma relação e como a desregulação desse sentimento pode provocar, no seio da mesma, situações menos felizes e saudáveis que, em última instância, podem colocar em causa a senilidade dos intervenientes.

Escuta-se Somnambule, um dos momentos altos do registo que também teve forte influência da obra ficcional do escritor René Barjavel e percebe-se claramente toda esta trama acima descrita, numa canção que foi composta num estágio superior de sapiência, um estado de alma que permitiu à autora utilizar o seu habitual espírito acústico e orgânico ao piano para se colocar também à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar-nos assim mais uma história que a materializa na forma de uma conselheira espiritual sincera e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, neste caso do tal amor, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Depois, na pop efervescente de Prémonition, na luminosidade e no positivismo feliz de Amour D'un Soir e nos belíssimos arranjos que divagam por De Honte Et De Pardon, percebemos o modo como este disco acabou por funcionar como um bem sucedido escape emocional para alguém que incubou este alinhamento num momento complicado da sua vida pessoal, de exaustão e de necessidade de isolamento, mas que, talvez inconscientemente, acabou por dar vida a um dos discos mais pessoais e intimistas do ano. Espero que aprecies a sugestão...

Cœur De Pirate - En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé.

01. Somnambule
02. Prémonition
03. Je Veux Rentrer
04. Dans Les Bras De L’autre
05. Combustible
06. Dans La Nuit (Feat. Loud)
07. Amour D’un Soir
08. Carte Blanche
09. Malade
10. De Honte Et De Pardon


autor stipe07 às 21:08
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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

Jorge Ferraz - Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?

Numa edição da sempre muito recomendável Cobra Discos, já viu a luz do dia Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, o novo capítulo discográfico de Jorge Ferraz, um consagrado músico e guitarrista que embora trabalhe com muito equipamento electrónico e digital, tem na guitarra a sua grande obsessão. Este compositor e produtor, fundou e liderou algumas bandas portuguesas underground desde o início dos anos oitenta, com destaque para Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, um projeto cujo primeiro registo foi considerado em 1998, num trabalho conjunto do Público e da FNAC, um dos melhores discos da música popular portuguesa de 1960 a 1997. Ezra Pound e a Loucura, ou Fatimah X, foram outros projetos em que se envolveu, tendo sido também cofundador da efémera banda João Peste & o Acidoxibordel que reuniu, entre outros, músicos dos Pop Dell’Arte e dos Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, bem como o saxofonista Rodrigo Amado.

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Em 2006 Jorge Ferraz passou a trabalhar em nome próprio, tendo publicado, desde então, dois álbuns, um em dois mil e oito e outro em dois mil e dez. Foi produtor dos seus discos a solo e de grande parte das edições das bandas que integrou, tendo ainda desempenhado essas funções com os Pop Dell’Arte e os The Great Lesbian Show. Publicou também poesia e ensaio em revistas como Vértice e Bumerangue, bem como um livro de contos, Telescópio Quebrado Scanner Descontínuo, na Black Sun Editores. Desde 2013 que é igualmente membro fundador do colectivo multimédia Cellarius Noisy Machinae.

No que concerne ao conteúdo de Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, o registo contém dezasseis canções que são compêndios de poesia-ruído assumidamente radicais, serenamente aquáticas e borbulhantes e/ou violentas e distorcidas, organizadas em quatro movimentos/partes - talvez pseudo-géneros musicais distintos - com uma duração de cerca de 40 min. Um caminho que vai de infantis melodias de adeus a súbitas atonalidades intrometidas, num sempre aberto jogo de manipulação analógica e digital de tempos, “pitches” e “loops” que resulta do confronto entre a guitarra e outras máquinas. Um vaivém entre o interventivo e o contemplativo, a ruptura activa e a desistência, o rigor maníaco e a displicência ladina, o romântico e o desencantamento irónico. Música e temas onde também se pergunta o que é a identidade de um artista e criador e de onde vem. Qual é a sua liberdade e onde reside a sua coerência? Um romantismo derrotado... de que nunca se desiste.

Rock , eletrónica e jazz são, de certo modo, os grandes eixos orientadores da filosofia sonora deste Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, disco onde tudo aquilo que se escuta sabe a uma verdadeira e inspirada ode ao improviso, numa busca constante de sons e melodias que de anárquico terão muito pouco. Assim, do jazz funk de Beirut, the policeman said, versão de uma música incubada no seio dos Santa Maria, Gasolina em teu Ventre!, ao travo eminentemente jazzístico do rock que sustenta Free Rock Songs for Losers and Romantics, que se repete de modo mais subversivo e caricatural em Sax Bitch e que assume uma toada mais abrasiva em Fake-Jazzy Adventures with Alien Breakdowns and Broken Instruments até ao travo pop e de certo modo mais radiofónico de  There is No Second Time and I Feel Fine, este é um disco que procura unificar, através daquilo que o autor apelida de guitartrónica pessoal, toda a miríade de ruídos, ritmos, cadências e pulsares que o  inspiram, mas também o inquietam. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:52
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2018

Spiritualized – I’m Your Man / A Perfect Miracle

Spiritualized - I'm Your Man - A Perfect Miracle

Será a sete de setembro próximo e à boleia da Fat Possum que irá ver a luz do dia And Nothing Hurt, disco que quebra um hiato de seis anos dos britânicos Spiritualized e que sucede ao muito aclamado Sweet Heart Sweet Light, um dos álbuns que mais rodou na nossa redação em 2012. And Nothing Hurt será o oitavo disco da carreira dos Spiritualized e foi gravado na íntegra por Jason Pierce, a.k.a. J. Spaceman, líder do projeto, numa pequena divisão da sua casa, contendo nove canções que, num processo contínuo de tentativa vs erro, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do adn do projeto.

Como primeira amostra do álbum, os Spiritualized acabam de divulgar duas das nove canções do seu alinhamento, os temas, A Perfect Miracle e I’m Your Man. As duas canções assentam em guitarras que escorrem  pelas melodias com o habitual travo lisérgico de Pierce, exemplarmente preenchidas por arranjos de cordas, orquestrações, efeitos e vozes, uma receita onde tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração de cada canção tivesse um motivo para ser audível dessa forma. Confere...


autor stipe07 às 19:05
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2018

Animal Flag – Void Ripper

Boston, Massachussets, é o poiso do projeto norte americano Matthew Politoski, o grande responsável pelo projeto Animal Flag, de regresso aos lançamentos discográficos com Void Ripper, nove canções que viram a luz do dia em plena primavera passada e disponíveis para audição e possibilidade de doação de um valor pelas mesmas na plataforma bandcamp. Gravado entre 2014 e 2017, em estúdios de Denvers e Boston, no Massachussets, em Void Ripper Matthew contou com a ajuda de Sai Boddupalli nas guitarras, Alex Pickert na bateria, Zach Weeks no baixo e vários intervenientes nas vozes, nomeadamente Sydney Amanuel, Paige Chaplin, Dary Valentina Dominguez, Olivia Laratta e Michi Tassey.

O indie rock que pisca o olho a ambientes particularmente progressivos e com um pendor melódico algo contemplativo e reflexivo é a pedra de toque deste cardápio de temas, uma descrição algo generalista, até porque são temas que merecem audição atenta e que palsma diversas nuances, mas que o tema homónimo claramente exemplifica. Se Candance não foge a esta bitola, com mais ritmo e uma maior amplitude na distorção da guitarra, um rugoso timbre do baixo e algumas variações rítmicas, conferem a esta canção um ambiente ainda mais épico e impulsivo, que mostra o quanto Animal Flag é um projeto particularmente íntimo de uma monumentalidade muito vincada.

À medida que avançamos na audição de Void Ripper vai-se tornando evidente que Matthew e a vasta miríade de convidados que agregou à sua volta para gravar estes temas, não recearam, em nenhum instante, convocar alguns detalhes clássicos que alimentaram os primordios do rock alternativo, sem descurar o compromisso com uma estética muito própria e que, no fundo, não deixando de conter a contemporaneidade e o ideal de inovação, conseguem uma mistura feliz entre estes dois opostos. O piscar de olhos aos Placebo em Stray e aos Bush em Fair, por exemplo e a acusticidade experimental de Lord Of Pain, atingem o louvável intuíto de nos fazer regressar ao passado, enquanto nos entregam sensações auditivas perfumadas por uma herança que nos diz muito.

Se o prazer de escutar estes Animal Flag faz-nos sentir fiéis a um outro tempo que, pelos vistos, não conhece fronteiras temporais, é também a indisfarçável modernidade deste projeto que faz com que esta coleção de canções de fortes inspirações noventistas, possa e deva ser apreciada com a relevância e o valor que, por direito, merece. Espero que aprecies a sugestão...

Animal Flag - Void Ripper

01. Morningstar
02. Void Ripper
03. Candace
04. Stray
05. Fair
06. Lord Of Pain
07. I Can Hear You Laugh
08. Why
09. Five


autor stipe07 às 20:57
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Terça-feira, 19 de Junho de 2018

Emma Louise – Wish You Well

Emma Louise - Wish You Well

Natural de Brisbane, na Austrália, a cantora e compositora Emma Louise prepara-se para lançar Lilac Everything; A Project by Emma Louise, o seu novo registo de originais que, sendo já o quarto da carreira, começou, curiosamente, a ser incubado logo em 2011 durante as gravações de Full Hearts And Empty Rooms, o seu EP de estreia, algo que a autora confessou recentemente numa rede social (The seed of this project was planted about 5 years ago when I was recording my first album. I heard my vocals slowed down on tape and fell in love with this character. I called the voice Joseph and said I’d one day do a full album with his vocals). 

Lilac Everything; A Project by Emma Louise irá, portanto, marcar uma inflexão na habitual trajetória sonora da cantora, que vai no novo disco dar um maior ênfase à sua prestação vocal, procurando um registo com um grau de dramatismo e de epicidade particularmente vincados, de modo a dar vida ao tal Joseph que ela idealizou. O canadiano Tobias Jesso Jr., produtor do álbum, é também parte fundamental da engrenagem, tendo sido uma das vozes mais encorajadoras para que Emma colocasse finalmente em prática esta sua antiga ambição. O cândido piano e a voz suave de Wish You Well, o primeiro single que acaba de ser divulgado do registo e que foi escrito no México e gravado nos estúdios Bear Creek, em Seattle por Jesso e pelo engenheiro de som Shawn Everett, vencedor de um Grammy,  são nuances que vão claramente ao encontro desse objetivo conceptual. Confere...


autor stipe07 às 15:40
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2018

Mating Ritual – Light Myself On Fire

Mating Ritual é o projeto a solo do músico californiano Ryan Marshall Lawhon, que tem a sua própria editora, a Smooth Jaws, através da qual acaba de editar Light Myself On Fire, o seu segundo registo de originais, álbum que sucede ao aclamado registo de estreia, intitulado How You Gonna Stop It?, lançado à cerca de um ano, também através da sua etiqueta.

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Mating Ritual é um artista de várias facetas, já que dentro de um espetro bem delimitado, o rock oitocentista, procura abraçar os diversos subgéneros de um espetro sonoro que está sempre muito presente no nosso imaginário e que é, nos dias de hoje, fonte de inspiração para imensos projetos, com origem, especialmente, do outro lado do atlântico. Logo a abrir o alinhamento de Light Myself On Fire, a excelente melodia do teclado e o swing das guitarras do tema homónimo e, depois, a imponência orquestral do edifício melódico que envolve U + Me Will Never Die, uma canção com um refrão avassalador, percebe-se que Ryan dá primazia a uma faceta algo sonhadora e romântica, que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada que, nunca disfarçando a intensidade e o vigor elétrico, também demonstra uma atitude corajosa de querer evitar ao máximo que a limpidez e a capacidade de airplay radiofónico dos temas possam castrar a extraordinária capacidade criativa que o músico demonstra possuir, sempre com a objetiva direcionada para o universo sonoro já referido. Depois, a percurssão trememendamente intuitiva e ritmada de Heaven's Lonely e, ainda nesse tema, as guitarras efusiantes e diversificadas em termos de efeitos e o baixo imponente aliado a sintetizadores de elevado cariz retro, com efeitos que disparam em diferentes direções, além do timbre sintético na voz que dá a Ryan uma toada que tem tanto de sexy como de robótico, clarificam-nos, ao terceiro tema que este Light Myself On Fire é a banda sonora perfeita para uma odisseia espacial, congeminada algures no início da década de oitenta e do período aúreo do disco sound.

Assim, é verdade que ao longo do alinhamento do registo abundam os flashes de efeitos vários, mas é o indie rock quem mais ordena, feito com guitarras acomodadas em diversas camadas e melodias orelhudas que tanto nos levam, no caso de Stop Making Sense, para ambientes mais climáticos, mas com uma pinta de epicidade, como para aquela pop efusiante, expansiva, radiofónica e luminosa, exemplarmente retratada em Low Light, um verdadeiro e imenso hino indie rockA viagem interestelar continua em Spliting In Two e depois nas variações rítmicas de Monster e na encantadora tonalidade reflexiva de Lust + Commitment, o autor confere um ambiente ainda mais negro e místico ao disco, ampliando, assim, o seu cariz sonoro abrangente e múltiplo.

Em suma, ao segundo disco Mating Ritual continua a dar vida à fusão única que alimenta entre o talento musical que possui e a nostalgia que sente relativamente a um período musical que o terá marcado profundamente, propondo mais um punhado de canções que exploram a eletrónica e o indie rock de modo a serem simultaneamente abrangentes, versáteis e acessíveis ao grande público, sempre com as pistas de dança debaixo de olho. Espero que aprecies a sugestão...

Mating Ritual - Light Myself On Fire

01. Light Myself On Fire
02. U + Me Will Never Die
03. Heaven’s Lonely
04. Stop Making Sense
05. Low Light
06. Splitting In Two
07. Monster
08. Lust + Commitment
09. I Know So Much Less Than I Thought I Did


autor stipe07 às 10:37
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Quinta-feira, 14 de Junho de 2018

Death Cab For Cutie – Gold Rush

Death Cab For Cutie - Gold Rush

Cerca de três anos depois de Kintsugi os Death Cab For Cutie já têm finalmente um sucessor para esse excelente disco que atestou, à época e mais uma vez, que eles são mestres em escrever sobre sentimentos e emoções, plasmadas, no caso desse registo, em letras profundas e intensas, que debruçavam-se sobre as relações humanas, num álbum possível de ser fonte de identificação para qualquer um de nós.

Thank You For Today, o nono álbum da carreria desta banda norte americana de indie rock oriunda de Washington e formada por Ben Gibbard, Nick Harmer e Jason McGerr, deverá manter o trio nesse rumo filosófico, com Gold Rush, o primeiro single divulgado do seu alinhamento, a testar novamente a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil e a renovar com clarividência a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que saberá mais uma vez como agradar aos fãs. Confere...


autor stipe07 às 10:36
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Segunda-feira, 11 de Junho de 2018

Interpol - The Rover

Interpol - The Rover

Depois de um interregno de quase quatro anos os Interpol já têm praticamente pronto Marauder, o novo disco desta banda nova iorquina liderada por Paul Banks. Marauder irá ver a luz do dia no final de agosto, através da Matador Records e estão já agendadas algumas datas de uma extensa digressão para promover o registo. Além disso, também já foi divulgado um single de lançamento intitulado The Rover.

Pela amostra, este tema The Rover, parece-me que os Interpol vão continuar a trilhar o percurso sonoro iniciado em El Pintor, alinhamento em que os norte-americanos mostraram ter finalmente percebido que a sua imensa legião de fãs não se importa que se mantenham no território sonoro onde se sentem mais confortáveis, aquele que os lançou para as luzes da ribalta no início deste século, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo. Confere The Rover e a tracklist de Marauder.

If You Really Love Nothing

The Rover

Complications

Flight of Fancy

Stay in Touch

Interlude 1

Mountain Child

NYSMAW

Surveillance

Number 10

Party’s Over

Interlude 2

It Probably Matters


autor stipe07 às 13:12
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Segunda-feira, 4 de Junho de 2018

Wye Oak – The Louder I Call, The Faster It Runs

Foi a seis de abril e à boleia da Merge Records que viu a luz do dia The Louder I Call, The Faster It Runs, o novo registo de originais da dupla de Baltimore Wye Oak formada por Jenn Wasner e Andy Stack. Este é o sexto disco da carreira destes norte-americanos até há pouco tempo denominados mestres da folk e do indie rock, mas com um cardápio sonoramente cada vez mais eclético, suportado por uma sólida carreira de pouco mais de uma década cujos maiores trunfos são a belíssima voz de Jenn e o magnífico trabalho instrumental de Andy e que solidifcam neste registo uma opção clara por sonoridades mais contemporâneas e direcionadas, essencialmente, para cruzamentos entre a pop e a eletrónica.

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Logo na miríade de sons e batidas sintetizadas de The Instrument percebe-se que há o objetivo claro de presentear o ouvinte com uma atmosfera sonora simultaneamente íntima e vibrante, por um lado e eminentemente sintética, por outro, mas sem descurar uma faceta emocional, que é perservada não só pela voz de Jenn, mas também pelos diversos arranjos que vão flutuando pela melodia. E essa dupla faceta é algo que a coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos do tema homónimo, solidifica, uma canção que evolui e cresce, segundo após segundo, enquanto nos emerge num ambiente carregado de batidas e ritmos, mas suavizado por uma encantadora prestação vocal. 

A partir daí, à medida que o disco avança e se percebe o alargado leque de influências que ditou o seu conteúdo, ficam claras as transições sonoras em que os Wye Oak apostam e nota-se, dentro do objetivo acima referido, a experimentação de diferentes estilos, cabendo, no alinhamento, ecos bem audíveis de dream pop, quer na guitarra de Lifer, quer no piano de It Was Not Natural, mas também de synthpop, irrepreensível em Symmetrydance punk oitocentista em Over and Over e aquela eletrónica mais ambiental e progressiva, bem exemplificada, por exemplo, em Say Hello. Esta sucessão de heterogeneidade que acaba por se justificar no próprio título do registo, mostrando uma alternância entre momentos de cor e outros sombrios e instantes instrumentalmente algo minimais e outros mais intrincados, pessimismo e otimismo, razão e crença, entronca sempre numa ânsia de dissertar acerca de alguns dilemas existenciais comuns a todos nós, incertezas e medos, ciência e filosofia, mas também triunfos e clarezas, com a maior simplicidade e honestidade possíveis. Espero que aprecies a sugestão...

Wye Oak - The Louder I Call, The Faster It Runs

01. (Tuning)
02. The Instrument
03. The Louder I Call, The Faster It Runs
04. Lifer
05. It Was Not Natural
06. Symmetry
07. My Signal
08. Say Hello
09. Over And Over
10. You Of All People
11. Join
12. I Know It’s Real


autor stipe07 às 17:17
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Domingo, 3 de Junho de 2018

Imploding Stars - Riverine

Três anos depois do excelente A Mountain And A Tree, da banda sonora Mizar & Alcor (2016) para a versão portuguesa do documentário From Earth to Universe e da participação com Treeless prairie na coletânea T(h)ree – Vol. 5 – Portugal – Cazaquistão – Uzbequistão (2017), os bracarenses Imploding Stars de Élio Mateus, Francisco Carvalho, Jorge Cruz, João Figueiredo e Rafael Lemos, regressaram aos discos com Riverine, disco com oito temas que, de acordo com o press release do lançamento desta banda das Taipas, aborda o princípio da compreensão dos diferentes estágios de desenvolvimento da vida humana, desde o momento que nascemos até o momento que morremos. Durante a nossa vida, experimentamos diferentes sensações que levam à criação de memórias. No entanto, estamos normalmente limitados aos limites da perceção humana e às decisões sobre o que é bom ou mau nas bifurcações que vamos encontrando. Mas afinal o que é bom ou mau? E se não houver limites nessa perceção humana? E se pudéssemos, de alguma forma, viver para sempre ou reviver.

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Sendo assim, no alinhamento de Riverine os Imploding Stars recriaram com notável mestria os diferentes estágios temporais que fazem parte da existência humana e que, no fundo, definem o trajeto de vida de cada um de nós, sendo possível, tendo em conta a abordagem da banda a esse ideário, cada ouvinte, à medida que se embrenha no álbum, adaptar os temas à sua experiência pessoal e aos seus pensamentos, experiências, sonhos, conquistas e desejos.

A partir desta permissa e tendo-a bem presente, as oito canções avançam na sequência lógica desses tais estágios de desenvolvimento (nascimento, infância, adolescência, idade-adulta meia-idade, velhice, morte e renascimento), com cada composição a retratar de modo sui generis um clima sonoro que encontra paralelismo na essência de cada um desses estágios e aquelas que são as nossas formas mais comuns de pensar, de ser, de agir e de comunicar nessa fase da nossa vida. Por exemplo, se Birth é um tema mais contemplativo, já Adulthood são nove minutos de altos e baixos, mudanças ritmícas e melódicas e Senescence tem um travo mais nostálgico e, no final, algo inquietante, retratando fielmente o ocaso.

Transversal ao alinhamento é a sua beleza utópica. Nele os Imploding Stars reproduziram um bloco único de som feito de belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos que alicerçam esta busca de uma expressão melódica incisiva e inteligente da nossa natureza animal e dos sentimentos inerentes à nossa condição de humanos. De facto, em Riverine tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. É, como se percebe, um álbum conceptual, que impressiona por uma beleza utópica que explora ao máximo a relação sensorial humana, através de um som espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico que atiça todos os nossos sentidos, ,as também um disco que nos fecha dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui e se orienta de modo a fazer-nos levitar, enquanto ficamos certos que passa pelos nossos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que está a deixar marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 18:10
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