man on the moon
music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Dumbo Gets Mad - Five Eggs
Um dos grandes destaques discográficos de dois mil e vinte e cinco é, claramente, Five Eggs, o quinto registo de estúdio dos Dumbo Gets Mad, um projeto encabeçado desde dois mil e onze pelo cantor, compositor, produtor e designer de som italiano, Luca Bergomi. É um álbum com dez explosivas canções e que tem a chancela da Carosello Records.

Five Eggs é uma elegante e bem sucedida viagem sonora, que nos proporciona, em pouco mais de trinta minutos, uma espetacular e efusiante trip psicadélica de elevado calibre e verdadeiramente narcótica para quem se deixar levar por uma doutrina que se serve de guitarras, acústicas ou eletrificadas e de sintetizadores inspirados para, com uma ímpar teatralidade e uma inimitável versatilidade estilística, criar grandiosas canções que versam sobre algumas dicotomias que, no fundo, regem a nossa existência mais metafísica.
Logo na atmosfera surreal, nos coros femininos sensuais e no clima marcial e com travo bolero de Psychedelic Breakfast, fica dado o mote para o que aí vem, um naipe de canções com elevado grau criativo e cinematográfico e que, se acreditarmos na infalível redenção de todos os nossos medos através da música, nos ajudarão a navegar numa vida melhor e mais prazeirosa, independentemente de passar a ser menos ou mais pecaminosa.
O ritmo acelerado de Spizza, com alguns momentos de pausa e com uma atmosfera que proporciona uma sensação particularmente vintage, é outro momento inebriante de Five Eggs, com Pariah a mergulhar de cabeça em ritmos muito mais urbanos e em vibrações de rua, brincando com o funk e acomodando vozes que, se parecem querer embalar, com o seu travo rap, a verdade é que o efeito que provocam é eminentemente instigador.
Five Eggs prossegue e se Biscaglione aposta num ambiente eminentemente pop e algo hipnótico, através de uma batida densa e crescente, já Gossip Playground coloca todas as fichas num clima mais contemplativo, com o hip-hop a ser mais uma prova da abrangência que os Dumbo Gets Mad transportam no seu adn. Depois, a atmosfera intimista e algo onírica de Life Doesn't Mean Much To You, o psicadelismo pós punk de Spacesomething, as cascatas de sintetizações cósmicas que adornam It Really Doesn't Matter e o clima acolhedor e reconfortante de Ritorni, atestam, com astúcia e minúcia, o modo impactante como Five Eggs, um disco compacto, mas multifacetado, solidifica a habitual estratégia de Luca Bergomi de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, porque é esse o efeito que o disco de certa forma transmite. Espero que aprecies a sugestão...
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Cootie Catcher - Straight Drop
As origens dos canadianos Cootie Catcher remontam a dois mil e catorze, ano em que a baixista Anita Fowl e o guitarrista Nolan Jakupovski deram as mãos para arrancar um novo projeto de indie pop experimental e eletrónica, ao qual se juntaram, pouco depois, a DJ Sophia Chavez e o baterista Joseph Shemoun.

pic by Colin Medley
Sedeados em Toronto, os Cootie Catcher estrearam-se nos lançamentos discográficos em plena pandemia, em dois mil e vinte e um, com o EP 1234, que teve sequência já no início deste ano de dois mil e vinte e cinco, com o disco de estreia, um trabalho intitulado Shy At First, que chamou de imediato a atenção geral e da crítica especializada, colocando-os, definitivamente, debaixo dos holofotes mais atentos e, agora, no final do ano, também dos nossos, devido a um novo single intitulado Straight Drop.
Esta nova canção divulgada pelos Cootie Catcher é o primeiro avanço revelado de Something We All Got, o sempre difícil segundo disco do quarteto, um alinhamento com catorze canções, que vai chegar aos escaparates a vinte e sete de fevereiro próximo, com a chancela da Carpark Recordings.
Straight Drop é uma composição vibrante, vigorosa e ruidosa, conduzida por um baixo encorpado, uma bateria frenética e guitarras distorcidas com astúcia. Mas o tema impressiona principalmente pelo modo subtil como alguns entalhes sintéticos vão sendo adicionados a um perfil sonoro que assenta naquele indie rock colegial garageiro genuíno, que encontra fortes reminiscências nas melhores propostas do género da última década do século passado e ao qual não falta, para abrilhantar o resultado final, um curioso travo punk. Confere Straight Drop e o artwork e a tracklist de Something We All Got...

Loiter for the love of it
Lyfestyle
Straight drop
From here to halifax
No biggie
Rhymes with rest
Quarter note rock
Take me for granted
Wrong choice
Gingham dress
Puzzle pop
Stick figure
Going places
Pirouette
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Radio Free Alice - Rule 31
Formados em dois mil e vinte e liderados pelo vocalista Noah Learmonth, ao qual se juntam o guitarrista Jules Paradiso, o baixista Michael Phillips e o baterista Lochie Dowd, os australianos Radio Free Alice lançaram no início deste ano um excelente tema intitulado Empty Words e acabam de chamar a atenção do nosso radar, devido a Rule 31, mais um novo single deste projeto sedeado em Melbourne e que se prepara para entrar em digressão no próximo ano e no seu país natal, com os nova iorquinos Geese, uma tournée com passagens por cidades como Sidney, Melbourne ou Perth.

Produzida pelo mítico Peter Katis, Rule 31 é uma poderosa canção, que transporta nos seus pouco mais de quatro minutos, a melhor herança daquele punk rock que marcou o início deste milénio e que bandas como os The Strokes, Bloc Party, ou LCD Soundsystem ajudaram a cimentar e a escalar globalmente.
Uma linha de baixo potentíssima, que constitui, diga-se, o esqueleto da composição e que é depois exemplarmente acompanhada por uma guitarra com uma poderosa distorção metálica aguda e uma bateria frenética, são os três ingredientes essenciais de Rule 31, um tema enleante e épico, uma incrível explosão sónica de pós punk, conseguida com apreciável crueza e espontaneidade instrumental. Confere...
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Ratboys - What's Right?
Os norte-americanos Ratboys, liderados pela vocalista Julia Steiner e pelo guitarrista Marcus Nucci, estão de regresso aos lançamentos discográficos no início de dois mil e vinte e seis com Singin To an Empty Chair, um alinhamento de onze canções, que irá ver a luz do dia a seis de fevereiro com a chancela da New West Records.

Singin To an Empty Chair será o quinto álbum da carreira dos Ratboys e What's Right é o mais recente single retirado do alinhamento deste novo registo da banda de Chicago. Com uma forte componente experimental e com o reverb das guitarras, uma bateria frenética e indulgente e um registo sonoro expressivo, sempre algures entre o ecoante e o clemente, a serem as suas grandes forças motrizes, What's Right é uma longa canção, mas que apresenta uma progressão interessante. Nela vão sendo adicionados diversos arranjos que adornam as guitarras e a voz, com um andamento sempre muito atrativo, luminoso e cativante para o ouvinte, mesmo quando, perto do ocaso, o tom e a rugosidade das distorções é ampliado.
De facto, What's Right parece ser uma excelente proposta como banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que temos vivido, mas também já serve para contemplarmos como serenidade o ocaso de um ano algo frenético e que para muitos pode não ter ficado gravado na memória pelos melhores motivos. Confere What's Right e o vídeo do tema assinado pelo já citado guitarrista Marcus Nucci...
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The Notwist – X-Ray
Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os The Notwist, liderados pelos irmãos Acher, Markus Acher e Micha Acher e aos quais se juntam atualmente Cico Beck, Andi Haberl, Max Punktezahl e Karl Ivar Refseth, regressaram no final do inverno de dois mil e vinte e um aos lançamentos discográficos com Vertigo Days, um disco maravilhoso com catorze temas, que viu a luz do dia à boleia da berlinense Morr Music e que contava com as participações especiais de Juana Molina, Ben Lamar Gay, Zayaendo, Angel Bat Dawid e Saya dos Tenniscoats.

pic by Peter Verstraeten
Vertigo Days marcava, nesse ano de dois mil e vinte e um, o fim de um longo hiato dos The Notwist, uma realidade que se voltou a repetir depois do lançamento desse registo. No entanto, está para breve o regresso da banda aos discos, depois de mais uma pausa discográfica, esta de um pouco mais de meia década. Será a três de março de dois mil e vinte e seis que chegará aos escaparates News From Planet Zombie, o décimo álbum dos The Notwist, um catálogo sonoro com onze temas gravados em Munique, terra natal do projeto e que voltará a ter a chancela da Morr Music.
X-Ray é o primeiro single divulgado do conteúdo de News From Planet Zombie. Ruidosa e impulsiva, mas com uma orgânica muito fluída, coesa e plena de sentimentalismo, X-Ray progride a partir de um riff de guitarra agudo simples e repetitivo, que depois começa a ser trespassado por uma bateria algo insolente, diversos efeitos rugosos e uma grande variedade rítmica, vinda das mais proveniências. Sem concessões ao nível do ruído e da agitação a canção resvala, até ao ocaso, para um clima eminentemente progressivo e psicadélico e de forte travo punk, num resultado final que é uma intensa demonstração da filosofia única de um projeto sempre imponente e vertiginoso, que irradia positividade e onde, do mais ínfimo detalhe até à manipulação geral do arsenal instrumental que usa, tudo soa milimetricamente calculado e com incomensurável diversidade sónica. Confere...

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Ulrika Spacek – Square Root Of None
Pouco mais de dois anos depois de Compact Trauma, um dos melhores discos de dois mil e vinte e três para a nossa redação, figurando num honroso décimo sétimo lugar, os britânicos Ulrika Spacek de Rhys Edwards, Rhys Williams, Joseph Stone, Syd Kemp e Callum Brown, estão de regresso ao formato longa duração em dois mil e vinte e seis com EXPO, um alinhamento de onze canções que vai ver a luz do dia a seis de fevereiro, com a chancela da Full Time Hobby Recordings.

pic by Anya Broido
Square Root Of None é o mais recente single revelado do conteúdo de EXPO. Oitava canção do alinhamento do registo, esta composição ilustra o modo exímio como este projeto Ulrika Spacek consegue mesclar concetual e sonoramente o digital e o analógico, através de um modus operandi eminentemente experimental, que utiliza instrumentação sintética, mas também, do ponto de vista mais orgânico, cordas das mais variadas proveniências e variados elementos percussivos.
De facto, o dinamismo e o registo amosférico denso e imersivo, feito de guitarras distorcidas e texturas eletrónicas com um curioso perfil retro, são as traves mestras do esqueleto sonoro de Square Root Of None, um tema que replica uma sonoridade punk, feita com fortes reminiscências naquela faceta sessentista ácida e psicotrópica com um acabamento exemplar, enquanto nos proporciona uma jornada sonora emocionante e introspetiva. Confere Square Root Of None e o artwork e a tracklist de EXPO...


Intro
Picto
I Could Just Do It
Build A Box Then Break It
This Time I'm Present
Showroom Poetry
Expo
Square Root Of None
Weights & Measures
A Modern Low
Incomplete Symphony
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Soft Kill – Feel This High
Depois de terem colocado em sentido a crítica em outubro de dois mil e vinte e dois com o registo Canary Yellow, o projeto Soft Kill manteve-se extremamente ativo e profícuo, lançando mais dois discos desde então. Em dois mil e vinte e três incubaram o registo Metta World Peace, que foi cuidadosamente dissecado pela nossa redação e na primavera do ano passado um alinhamento de treze canções intitulado Escape Forever.

Ainda em dois mil e vinte e quatro e algumas semanas depois do lançamento desse oitavo álbum da carreira da banda liderada por Tobias Grave, o projeto sedeado em Portland, mas natural de Chicago, no Ilinois, surpreendeu-nos com uma versão de In The Town Where I Was Born, um original que fazia parte do registo The Pain And The Pinkerton Thugs, que a banda The Pinkerton Thugs lançou em mil novecentos e noventa e sete. Se o original era uma canção de elevado pendor acústico e intimista, a versão assinada pelos Soft Kill colocou todas as fichas num perfil sonoro eminentemente pop, com o timbre metálico enleante de uma guitarra a suportar um shoegaze cósmico repleto de têmpora e invulgarmente luminoso.
Agora, quase no ocaso de dois mil e vinte e cinco, os Soft Kill estão de regresso ao nosso radar devido a um novo single intitulado Feel This High, que tem como b) side o tema Cullerton Girls., ambos produzidos e masterizados por Trey Frye e com direito a uma edição física limitada e em formato maxi-single de 12'', com trezentos exemplares.
Feel this High é uma canção vibrante, um tema com as portas e as janelas escancaradas para um post punk bastante imersivo e exemplarmente nostálgico. O registo ecoante das guitarras, a robustez do baixo e o frenesim dos teclados, aprimoram essa filosofia estilística ímpar e com um adn muito próprio que, no caso dos Soft Kill, acaba por mover-se também nas areias movediças de uma psicadelia lisérgica particularmente narcótica. Confere...

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Saccades – Between Two Bodies Of Water
Os londrinos The KVB, formados pela dupla Nicholas Wood e Kat Day, construiram na última década um firme reputação que permite afirmar, com toda a segurança, que são, atualmente, uma das melhores bandas a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta.

No entanto, não é só dos The KVB, que se faz a carreira musical destes artistas. Wood tem também um projeto a solo que batizou com o nome Saccades, com vários singles já editados e disponíveis na plataforma bandcamp do músico.
Assim depois de no início de outubro último, Saccades ter causado mossa na nossa redação com Greek Fire, um tema com um perfil sonoro bastante solarengo e intimista, mas igualmente imponente e enleante, agora volta a fazê-lo à boleia de uma outra composição. Trata-se de Between Two Bodies Of Water, tema inspirado numa canção com o mesmo nome assinada pelo guitarrista espanhol Paco de Lucia.
Solarenga, charmosa e intimista, Between Two Bodies Of Water impressiona pela riqueza de entalhes e detalhes sintéticos que adornam uma composição com um elevado travo cósmico e com um perfil enleante e aconchegante. É uma canção em que o registo vocal ecoante de Wood, a subtileza das guitarras e a exuberância dos teclados se fundem e se confundem com minúcia e cálculo milimétrico, num resultado final que espreita perigosamente, e ainda bem, uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia. Confere...

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Wintersleep – I Got A Feeling
Os canadianos Wintersleep estão a comemorar quase década e meioa de carreira e, depois do registo In The Land Of, lançado em dois mil e dezanove, vão regressar ao formato longa duração a vinte e sete de março do próximo ano com Wishing Moon, o oitavo álbum da carreira deste projeto liderado pelo guitarrista e vocalista Paul Murphy, atualmente acompanhado pelo guitarrista Tim D’Eon, o teclista Jon Samuel, o baixista Chris Bell e o baterista Loel Campbell.

Com um alinhamento de doze canções, Wishing Moon foi gravado nos estúdios de Nicolas Vernhes, que também produziu o disco, perto de Pioneertown, nos arredores do deserto do Majoave e terá a chancela da Dine Alone Records.
I Got A Feeling é o mais recente single retirado do alinhamento de Wishing Moon em formato single. É uma vigorosa canção, com um andamento frenético e impetuoso, sustentado por um baixo imponente, riffs de guitarras incandescentes e um espírito interpretativo que, entre o emo rock colegial e o garage, nos oferece quase três minutos e meio plenos de tensão, de energia e de majestosidade, sempre com um sentido emotivo muito pronunciado. Confere I Got A Feeling e o artwork e o alinhamento de Wishing Moon...


01 Wishing Moon
02 Stranger Now
03 I Got A Feeling
04 Wait For The Tide
05 My Mind Always
06 Gale
07 After You
08 Abyss
09 Redrawn
10 You & I
11 All Eyes
12 Like A God
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Into It. Over It. – Hypernormalisation
Meia década depois do registo Figures, que à época sucedeu ao álbum Standards, de dois mil e dezasseis, o projeto norte-americano Into It. Over It., liderado por Evan Thomas Weiss, está a preparar um novo disco para dois mil e vinte e seis, um novo alinhamento de canções que ainda não tem nome divulgado, mas já com um tema revelado, intitulado Hypernormalisation.

Este novo single do grupo de Chicago personifica uma clara tentativa dos Into It. Over It. em conseguirem abranger novos campos sonoros que não se restrinjam apenas ao típico emo rock que tem marcado, desde sempre, o ADN do projeto. Há na distorção das guitarras de Hypernormalisation, um indesmentível travo grunge, que o andamento algo imparável da bateria ajuda a amplificar.
O resultado final de Hypernormalisation contém um perfil tremendamente nostálgico, levando-nos até à melhor herança de um subgénero do rock que marcou de modo indelével e bastante impressivo a última década do século passado, mas que ainda, pelos vistos, pode ser objeto de renovação, sem colocar em causa aquela toada eminentemente comercial e virada para o airplay fácil, que os Into It. Over It. nunca descuram. Confere...
