Quinta-feira, 21 de Junho de 2018

Spiritualized – I’m Your Man / A Perfect Miracle

Spiritualized - I'm Your Man - A Perfect Miracle

Será a sete de setembro próximo e à boleia da Fat Possum que irá ver a luz do dia And Nothing Hurt, disco que quebra um hiato de seis anos dos britânicos Spiritualized e que sucede ao muito aclamado Sweet Heart Sweet Light, um dos álbuns que mais rodou na nossa redação em 2012. And Nothing Hurt será o oitavo disco da carreira dos Spiritualized e foi gravado na íntegra por Jason Pierce, a.k.a. J. Spaceman, líder do projeto, numa pequena divisão da sua casa, contendo nove canções que, num processo contínuo de tentativa vs erro, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do adn do projeto.

Como primeira amostra do álbum, os Spiritualized acabam de divulgar duas das nove canções do seu alinhamento, os temas, A Perfect Miracle e I’m Your Man. As duas canções assentam em guitarras que escorrem  pelas melodias com o habitual travo lisérgico de Pierce, exemplarmente preenchidas por arranjos de cordas, orquestrações, efeitos e vozes, uma receita onde tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração de cada canção tivesse um motivo para ser audível dessa forma. Confere...


autor stipe07 às 19:05
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2018

Animal Flag – Void Ripper

Boston, Massachussets, é o poiso do projeto norte americano Matthew Politoski, o grande responsável pelo projeto Animal Flag, de regresso aos lançamentos discográficos com Void Ripper, nove canções que viram a luz do dia em plena primavera passada e disponíveis para audição e possibilidade de doação de um valor pelas mesmas na plataforma bandcamp. Gravado entre 2014 e 2017, em estúdios de Denvers e Boston, no Massachussets, em Void Ripper Matthew contou com a ajuda de Sai Boddupalli nas guitarras, Alex Pickert na bateria, Zach Weeks no baixo e vários intervenientes nas vozes, nomeadamente Sydney Amanuel, Paige Chaplin, Dary Valentina Dominguez, Olivia Laratta e Michi Tassey.

O indie rock que pisca o olho a ambientes particularmente progressivos e com um pendor melódico algo contemplativo e reflexivo é a pedra de toque deste cardápio de temas, uma descrição algo generalista, até porque são temas que merecem audição atenta e que palsma diversas nuances, mas que o tema homónimo claramente exemplifica. Se Candance não foge a esta bitola, com mais ritmo e uma maior amplitude na distorção da guitarra, um rugoso timbre do baixo e algumas variações rítmicas, conferem a esta canção um ambiente ainda mais épico e impulsivo, que mostra o quanto Animal Flag é um projeto particularmente íntimo de uma monumentalidade muito vincada.

À medida que avançamos na audição de Void Ripper vai-se tornando evidente que Matthew e a vasta miríade de convidados que agregou à sua volta para gravar estes temas, não recearam, em nenhum instante, convocar alguns detalhes clássicos que alimentaram os primordios do rock alternativo, sem descurar o compromisso com uma estética muito própria e que, no fundo, não deixando de conter a contemporaneidade e o ideal de inovação, conseguem uma mistura feliz entre estes dois opostos. O piscar de olhos aos Placebo em Stray e aos Bush em Fair, por exemplo e a acusticidade experimental de Lord Of Pain, atingem o louvável intuíto de nos fazer regressar ao passado, enquanto nos entregam sensações auditivas perfumadas por uma herança que nos diz muito.

Se o prazer de escutar estes Animal Flag faz-nos sentir fiéis a um outro tempo que, pelos vistos, não conhece fronteiras temporais, é também a indisfarçável modernidade deste projeto que faz com que esta coleção de canções de fortes inspirações noventistas, possa e deva ser apreciada com a relevância e o valor que, por direito, merece. Espero que aprecies a sugestão...

Animal Flag - Void Ripper

01. Morningstar
02. Void Ripper
03. Candace
04. Stray
05. Fair
06. Lord Of Pain
07. I Can Hear You Laugh
08. Why
09. Five


autor stipe07 às 20:57
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Terça-feira, 19 de Junho de 2018

Emma Louise – Wish You Well

Emma Louise - Wish You Well

Natural de Brisbane, na Austrália, a cantora e compositora Emma Louise prepara-se para lançar Lilac Everything; A Project by Emma Louise, o seu novo registo de originais que, sendo já o quarto da carreira, começou, curiosamente, a ser incubado logo em 2011 durante as gravações de Full Hearts And Empty Rooms, o seu EP de estreia, algo que a autora confessou recentemente numa rede social (The seed of this project was planted about 5 years ago when I was recording my first album. I heard my vocals slowed down on tape and fell in love with this character. I called the voice Joseph and said I’d one day do a full album with his vocals). 

Lilac Everything; A Project by Emma Louise irá, portanto, marcar uma inflexão na habitual trajetória sonora da cantora, que vai no novo disco dar um maior ênfase à sua prestação vocal, procurando um registo com um grau de dramatismo e de epicidade particularmente vincados, de modo a dar vida ao tal Joseph que ela idealizou. O canadiano Tobias Jesso Jr., produtor do álbum, é também parte fundamental da engrenagem, tendo sido uma das vozes mais encorajadoras para que Emma colocasse finalmente em prática esta sua antiga ambição. O cândido piano e a voz suave de Wish You Well, o primeiro single que acaba de ser divulgado do registo e que foi escrito no México e gravado nos estúdios Bear Creek, em Seattle por Jesso e pelo engenheiro de som Shawn Everett, vencedor de um Grammy,  são nuances que vão claramente ao encontro desse objetivo conceptual. Confere...


autor stipe07 às 15:40
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

Typhoon – Offerings

Foi no início deste ano que viu a luz do dia Offerings, o quarto álbum dos norte-americanos Typhoon, um coletivo de Portland, no Oregon, que faz parte do catálogo da Roll Call Records, tendo sido este o segundo disco do grupo com a chancela desta etiqueta. Registo conceptual, em quase setenta minutos de música Offerings disserta sobre a vida de um homem que está lentamente a perder a sua memória e oferece aos Typhoon o disco mais dinâmico, ambicioso e impressivo da carreira do projeto até à data.

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Offerings é um daqueles discos que requer tempo e paciência para ser absorvido e contemplado como merece, mas essa é uma tarefa recompensadora, não só porque nos permite conhecer composições sonoras impregnadas com um indie rock orquestral de elevada bitola qualitativa, mas também porque nos faz refletir sobre uma temática que muitas vezes temos receio de encarar de frente, mas com a qual poderemos ter, direta ou indiretamente, de lidar, mais cedo ou mais tarde.

Não é em vão que listen é a primeira palavra que se ouve no disco, com Wake a explicar-nos que a perca dessa faculdade, a audição, é dos eventos mais tristes que pode suceder nas nossas vidas e que, para que tal suceda, não é preciso que fiquemos surdos. Muitas vezes recusamo-nos a ouvir, mesmo que a nossa audição esteja, ainda, em excelente estado, como bem sabemos.

Kyle Morton, o vocalista da banda e responsável por grande parte da lírica das canções, é muito contundente no modo como aborda e crítica a nossa propensão humana para a seleção, já que preterimos muito, na relação com o próximo, aquilo que nos incomoda, dando geralmente primazia no aproveitamento que fazemos da relação, áquilo que podemos beneficiar com a mesma. E, de acordo com Kyle, num homem que está lentamente a perder a memória, essa dificuldade em destrincar o que realmente importa, quer no outro, quer no que nos preenche, é algo ainda mais premente, com cada uma das canções a representar diversos estados de alma que personificam diferentes estádios de degradação da capacidade de reconhecimento dessa personagem. Desse modo, Offerings confronta-nos com o nosso âmago e, por isso, torna-se, no imediato, algo repulsivo, mas os desafios que as suas quase duas mil e trezentas palavras nos colocam, as referências literárias que contém e que vão da filosofia à religião e o modo como nos seduz e convida à auto reflexão, faz dele um álbum extremamente cativante e ao qual acaba por ser difícil resistir.

Em suma, das guitarras efusivas de Chiaroscuro, até ao clima sonoro mais direto e intuitivo das cordas de Algernon, um excelente tema para nos elucidar acerca desta trama, passando pelas referências ao clássico cinemtatográfico de 1963 da autoria de Federico Fellini  ou como os arranjos de White Lighter catapultam o foco do som Typhoon para um experimentalismo psrticlarmente salutar, Offerings reforça a reputação que este projeto tem vindo a ganhar de ser um potencial candidato a tornar-se referência obrigatória no espetro sonoro em que se insere. Mesmo nos momentos mais escuros e lo-fi, há paisagens com alguma luminosidade e cor, ideais para a personagem criada pela banda se esconder enquanto nos confrontamos com os seus dilemas. Nesses instantes ela encarna aquele sorriso que muitas vezes conseguimos vislumbrar num rosto que já não tem vida. Espero que apreces a sugestão...

Typhoon - Offerings

01. Wake
02. Rorschach
03. Empiricist
04. Algernon
05. Unusual
06. Beachtowel
07. Remember
08. Mansion
09. Coverings
10. Chiaroscuro
11. Darker
12. Bergeron
13. Ariadne
14. Sleep


autor stipe07 às 21:48
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Domingo, 17 de Junho de 2018

Birds Are Indie - Messing With Your Mind

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Os conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, transmitem com as suas composições sonoras um rol de emoções e sensações únicas, sempre com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e geralmente com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa. Para nosso deleite, eles regressaram esta primavera aos discos, à boleia da Lux Records de Rui Ferreira, com Local Affairs, quinze solarengas canções que carimbam um passo consistente no percurso de um projeto que foi habituando os seus seguidores e críticos a algumas inflexões, mas sempre atento às novas tendências, dentro daquela indie folk assente em cordas exuberantes, melodias aditivas e arranjos inspirados, uma fórmula que cria um ambiente emotivo e honesto e que nunca descura um elevado espírito nostálgico e sentimental, duas caraterísticas bastante presentes na escrita e na composição do grupo.

Messing With Your Mind é o mais recente avanço divulgado desse novo alinhamento de temas do trio, uma luminosa, contagiante e animada canção que conta com a participação especial de João Jorri Silva (a Jigsaw, The Parkinsons) na guitarra-baixo e com um vídeo a condizer. Editado pela própria banda, o filme tem como personagens um conjunto de bailarinos muito peculiares, aos quais se juntam diversos elementos gráficos, quase hipnóticos.

Confere Messing With Your Mind e as datas dos próximos concertos de promoção ao novo disco que os Birds Are Indie já marcaram. Se andarem perto de ti não desperdices a oportunidade.

23 Junho // COIMBRA // Teatro da Cerca de São Bernardo

06 Julho // PONTE DE LIMA // Festival Percursos da Música

07 Julho // OVAR // Casa do Povo

08 Julho // VILA DAS AVES // Chinfrim

19 Julho // ZARAGOZA (ES) // La Lata de Bombillas

20 Julho // MALGRAT DE MAR (ES) // [a anunciar]

21 Julho // BARCELONA (ES) // Niu

22 Julho // MONTGAT (ES) // Panoràmic

23 Julho // MADRID (ES) // secret show

23 Agosto // VILA REAL // [a anunciar]

08 Setembro // RONFE // Salão Paroquial - ExcentriCidade

19 Outubro // SETÚBAL // Casa da Cultura

14 Dezembro // FIGUEIRA DA FOZ // Centro de Artes e Espectáculos


autor stipe07 às 13:19
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Sábado, 16 de Junho de 2018

Hooded Fang – Dynasty House EP

Já chegou aos escaparates à boleia da DAPS Records Dinasty House, o novo EP dos canadianos Hooded Fang, uma banda natural de Toronto, formada por April Aliermo, Daniel Lee, D. Alex Meeks e Lane Halley e que do blues dos anos sessenta, ao punk setentista, passando pelo rock experimental e de garagem, são competentes na forma como abordam diferentes estilos e tendências dentro do universo sonoro mais alternativo. Este EP sucede ao aclamado álbum Venus On Edge, editado há pouco mais de dois anos, um alinhamento que chamou ainda mais a atenção da crítica para o grupo e com temas que chegaram a fazer parte da banda sonora de vários anúncios comerciais em televisões europeias e em programas de televisão norte-americanos, tais como The Flash, Parenthood e CSI New York.

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Este quarteto tem vindo a apresentar, registo após registo, um som cada vez mais adulto e intrincado, com uma forte tonalidade urbana e típica dos subúrbios. O baixo e a guitarra abrasiva de Nene Of The Light, o single entretanto extraído de Dinasty House, é uma boa amostra desta evolução e os desvios rítmicos percussivos dessa canção, clarificam um trabalho exploratório que tem feito sempre parte do adn dos Hooded Fang que, sem colocarem de lado a essência pop dos anos sessenta e setenta, usam uma impressiva veia experimentalista para piscarem com cada vez maior confiança o olho a um universo ainda mais progressivo e sombrio.

Embrenhamo-nos corajosamente em Dinasty House e, ainda sem sabermos que, lá mais para o ocaso, o solo do baixo de Mama Pearl vai convencer definitivamente os mais cépticos acerca da excelência criativa destes Hooded Foang, a distorção metálica e as insinuantes cadências rítmicas de Queen Of Agusan Del Norte e o devaneio fortememente etílico que transborda do andamento punk de Sister And Suns, são bons exemplos de duas canções que poderiam estar esquecidas algures numa cassete legendada com uma banda lá do bairro, que apesar de nunca ter saído de um sala de ensaios que também servia de destilaria, tinha todo o potencial para poder chegar a um universo sempre ávido de sonoridades inéditas, como parece ser o caso destes Hooded Fang, já merecedores de uma posição de relevo na esfera indie punk rock internacional

Os Hooded Fang são canadianos, mas é o rock americano, com uma produção forte e notoriamente agressiva e progressiva que se torna no verdadeiro cavalo de batalha do seu som, montado numa crueza lo fi e rugosa, muitas vezs algo inquietante, mas sempre sedutora, até porque este verdadeiro caldeirão insinuante de ruído é ordenado e feito com propósito, num grupo que, lançamento após lançamento, tem aperfeiçoado a sua linguagem sonora. Espero que aprecies a sugestão...

Hooded Fang - Dynasty House

01. Queen Of Agusan Del Norte
02. Sister And Suns
03. Nene Of The Light
04. Paramaribo Prince
05. Doñamelia
06. Mama Pearl


autor stipe07 às 12:05
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Terça-feira, 12 de Junho de 2018

Blossoms - Cool Like You

Já viu a luz do dia Cool Like You, o segundo álbum do quinteto Blossoms, um registo que sucede ao disco homónimo de estreia editado no verão de 2016, um trabalho que à época causou forte impacto na crítica generalizada, muito por culpa de canções como Charlemagne, Honey Sweet ou Getaway. Este Cool Like You foi produzido por James Skelly e reforça o percurso ascendente de um projeto que está a tornar-se um caso sério de popularidade em terras de Sua Majestade, muito por causa de uma perspicaz simbiose entre guitarras certeiras e teclados incisivos, mescla que resulta numa synthpop muito aditiva e orelhuda.

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Os Blossoms são oriundos de Stockport, nos arredores de Manchester e, provavelmente, a proximidade a essa cidade mítica do indie punk rock fez com que adoptassem alguns dos detalhes mais significativos da sonoridade típica da geografia que os delimita fisicamente, mas também com o intúito de dar a esse arquétipo sonoro uma aurea refrescante e contemporânea. Assim, I Can't Stand It, o primeiro single que foi divulgado deste Cool Like You e uma opção nada inocente, capta os Blossoms no ponto que definiu o clima sonoro do disco anterior, ampliando-o com o groove intuitivo da batida, um baixo subtil mas convincente e vários efeitos sintetizados de uma canção que nos emerge, sem apelo nem agravo, no clima enérgico da pop novecentista mais luminosa e efervescente.

Com esse single a aumentar enormemente as expetativas dos ouvintes realtivamente ao disco, a verdade é que o restante conteúdo não defrauda, com o amor e o modo como nos relaiconamos com o outro a serem o ponto de partida para um alinhamento com um som ainda mais encorpado, dançante e rico que o do álbum anterior. Stranger Still é outra canção que comprova este input de maturidade, numa junção subtil de psicadelia com alguns dos aspetos fundamentais da pop de final do século passado, assim como Love Talk, uma canção mais intimista e que acaba por mostrar um outro lado deste espetro sonoro, menos direto e mais intrincado e apontar novas nuances ao futuro discográfico dos Blossoms.

Disco coeso e com vários singles em potência, Cool Like You é um promissor rasgo de melodias acessíveis e letras carregadas de encanto, num alinhamento como uma qualidade instrumental que ultrapassa o comum, oferecendo-nos uns Blossoms moderadamente enérgicos, mais amadurecidos e com uma assinalável vitalidade. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 10:00
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Quinta-feira, 7 de Junho de 2018

We Are Scientists - Megaplex

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos em 2018 com Megaplex, o sexto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual. Sucessor do excelente Helter Seltzer, este novo trabalho dos We Are Scientists viu a luz do dia a vinte e sete de abril através da Grönland Records e foi produzido por Max Hart.

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Escuta-se os últimos discos dos We Are Scientists e a sensação que muitas vezes fica é que estamos na presença de uma daquelas bandas que não quer ser levada muito a sério. Não indo mais longe, basta pensar no antecessor deste Megaplex, o disco Helter Seltzer, título que resultou de um trocadilho entre uma conhecida marca de águas internacional e o clássico dos The Beatles Helter Skelter, para ficar expressa a habitual boa disposição de uma banda que, apesar de já amealhar na sua herança alguns pergaminhos sonoros que apesar de inapelavelmente fazerem alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos e as t-shirts coloridas e convidarem a que se ponha o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa, também são verdadeiros marcos sonoros, já que temas como Nobody Move, Nobody Get Hurt ou The Great Escape e Impatience, são hinos não só de uma geração mas de todos aqueles que acompanham com particular devoção o universo sonoro dominado pelo rock alternativo.

Sendo assim, uma das primeiras impresões que fica após a audição deste portento sonoro chamado Megaplex é que a habitual banda sonora destes We Are Scientists firmada no velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos e carregado de decibeis, um rock algo inofensivo e que aqui, em canções como Notes In A Bottle ou a rugosa Your Heart Has Changed se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto, não foi colocado inteiramente de parte, mas houve, desta vez uma clara preocupação em olhar para uma faceta mais synthpop e até retro, como demonstram, desde logo, os sintetizadores e a toada épica de forte cariz oitocentista de One In One Out. Para que esta opção resultasse de modo tão eficaz houve certamente uma elevada dose de responsabilidade do produtor Max Hart, que orientou um trabalho de produção e mistura que não descurou quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabaram por adornar e dar mais brilho e cor à maioria das composições. Lá mais para o meio do disco, em No Wait At Five Leaves, esta abordagem mais sintética ganha ainda um maior fulgor ao encostar-se a alguns tiques do punk nova iorquino de início deste século, com os Interpol a serem, quanto a mim, uma influência declarada não só neste tema mas em outros momentos de Megaplex.

Cada uma destas novas dez músicas que os We Are Scientists propôem, reflete, portanto, um sustentado crescimento da banda, ao mesmo tempo que fornecem mais uma coleção de composições que vão cair facilmente no goto de todos aqueles que apreciam quer o género, quer o grupo e que perceberão certamente o grau de inedetismo deste Megaplex. O grande segredo dos We Are Scientists reside exatamente na capacidade que demonstram de se renovarem e exerimentarem coisas novas e, ao mesmo tempo, não quererem complicar. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:15
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2018

Gaz Coombes – World’s Strongest Man

Quem esteve atento à luta fraticida pelo domínio da brit pop durante a década de noventa, recorda-se imediatamente da dupla Blur vs Oasis e depois acrescenta-lhe os Suede e os Pulp, os The Charlatans e talvez os Spiritualized e os Supergrass, este, sem dúvida, o grupo britânico mais negligenciado nessa altura. Gaz Coombes, antigo líder desta banda britânica, estreou-se numa carreira a solo em 2012 e em boa hora o fez com o fabuloso Here Come The Bombs. Pouco mais de dois anos depois desse início prometedor, Coombes regressou mais uma vez à boleia da Hot Fruit Recordings, com Matador, um disco produzido pelo próprio autor e gravado no seu estúdio caseiro em Oxford. Agora foi a vez de nos revelar World's Strongest Man, mais onze canções idealizadas por uma das personalidades mais criativas da indie britânica e que se inspirou, neste seu terceiro registo, no concurso anual World's Strongest Man, um enorme sucesso televisivo em Inglaterra, um talkshow passado numa qualquer ilha das Caraíbas e que escolhe, após várias provas, aquele que é supostamente o homem mais forte do mundo.

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De facto, World's Strongest Man é a reflexão individual de Coombes acerca do que é ser o homem mais forte do mundo em 2018. Não sendo a primeira vez que o autor se foca nas noções de masculinidade (Matador tinha várias referências a esse assunto), a verdade é que desta vez ele fá-lo com maior profundidade, tendo também sido determinante para essa influência, além do programa televisivo referido, a leitura dedicada que Gaz fez de The Descent Of Man, um romance do aclamado escritor Grayson Perry e que se debruça sobre o dia-a-dia de um homem que tem como profissão escrever canções, além de uma vida familiar bastante preenchida, onde se incluem três filhos. Um super homem, portanto.

Assim, a mensagem que Gaz Coombes nos quer fazer passar com este World's Strongest Man é que o homem mais poderoso do mundo não é aquele que é fisicamente mais forte e musculado, mas sim aquele homem que tem uma vida preenchida e consegue, dentro dos habituais arquétipos de masculinidade que a contemporaneidade institui, dar conta do recado e atender a todas as solicitaçõe diárias, pessoais e profissionais, de modo profícuo e recompensador. Portanto, este também é um disco que fala de fraquezas, vulnerabilidades e dores emocionais, ou seja, de escolhas difíceis e que um homem forte é aquele que estando sujeito a elas todos os dias, consegue ter o discernimento para optar por aquilo que mais o preenche, ao mesmo tempo que faz feliz quem o rodeia e com ele interage. Wounded Egos, uma das canções mais reveladoras do disco, fala exatamente das consequências de uma vivência oposta a esta, do individualismo e do egoísmo, enquanto o tema homónimo ensina-nos que nunca devemos recear a partilha das nossas fragilidades e receios com quem nos pode orientar e acrescentar algo de positivo, nem que seja, como refere The Oaks, com as árvores que plantámos um dia no jardim lá de casa, porque até elas, se estivermos atentos, comunicam connosco.

Sonoramente, World's Strongest Man é um disco cheio de influências. Gaz Coombes confessou, numa entrevista recente de promoção do álbum, que Frank Ocean foi uma grande influência, nomeadamente na sua prestação vocal, mas nota-se a influência de outras bandas e artistas num alnhamento sonicamente rico e heterogéneo. Se a guitarra de Deep Pockets exala Black Rebel Motorcycle Club por todos os poros, o sintetizador e a batida de Shit (I’ve Done It Again) recordam Daft Punk, com o reverb das cordas e o suspiro minimal do teclado de Walk The Walk a levarem-nos diretamente ao cerne do cardápio de Beck e o já referido tema homónimo a apresentar muitas nuances habituais nos conterrâneos Radiohead, numa canção que mostra uma relação pouco vista entre eletrónica e rock progressivo, sem descurar um intenso sentido melódico. Seja como for, tudo isto não é sinal de plágio ou de falta de inspiração, mas antes uma forma nobre de aceitar influências que acrescentam, claramente, mais valias ao adn sonoro de Coombes que, a solo, liberto das amarras conceptuais que o formato banda muitas vezes impôe, tem a possibilidade de deixar fluir livremente o seu apurado sentido estético, com um interessante grau de criatividade e de inedetismo, até.

World's Strongest Man é, em suma, um disco idealizado por um artista homem que parece viver uma fase da sua existência em que repara atentamente na problemática e nas discussões sobre a igualdade de género que abundam na sociedade ocidental, fazendo-o não como alguém que apresenta uma solução para essas questões, mas com a preocupação principal de servir-se destas canções para provar a si próprio que fazer música é algo que o faz muito feliz e que toca os outros e que por isso. merece ser incluido na lista dos melhores do seu género. Espero que aprecies a sugestão...

Gaz Coombes - World's Strongest Man

01. World’s Strongest Man
02. Deep Pockets
03. Walk The Walk
04. Shit (I’ve Done It Again)
05. Slow Motion Life
06. Wounded Egos
07. Oxygen Mask
08. In Waves
09. The Oaks
10. Vanishing Act
11. Weird Dreams


autor stipe07 às 20:39
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Terça-feira, 5 de Junho de 2018

Father John Misty - God's Favourite Costumer

Depois do excelente Pure Comedy, lançado na primavera do ano passado e que teve posição de destaque na lista dos melhores álbuns desse ano para esta redação, além de ter valido um Grammy para o autor, os fãs nacionais de Father John Misty têm mais motivos para se regozijar em 2018, já que este músico norte-americano acaba de editar um novo álbum intitulado God's Favourite Customer, cujo conteúdo nos oferece um Josh Tillman ainda mais absorvido nos seus dilemas, vulnerabilidades e inquietações pessoais, enquanto ensaia uma abordagem tremendamente empática e próxima com o ouvinte, sem se deslumbrar e perder a sua capacidade superior de criar canções assentes num luminoso e harmonioso enlace entre cordas e teclas, que dão vida a temas carregados de ironia e de certo modo provocadores. Bom exemplo disso é o single Mr Tillman, canção cuja letra, flutuando sobre um memorável piano, nos coloca na perspetiva de um empregado de hotel que questiona o comportamento algo excêntrico do próprio Misty durante uma estadia de dois meses num hotel nova iorquino, onde lidou com o uso abusivo de substâncias psicotrópicas e as dificuldades do seu matrimónio, entre outras questões pessoais.

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God's Favourite Customer é, claramente, um constante diálogo de Josh consigo próprio, uma forma de exorcizar tudo aquilo que o consome e de conseguir obter uma saída airosa para o labirinto em que a sua vida se parece ter tornado. Ao perguntar a uma entidade divina, em Hangout At The Gallows, o quê e o porquê das coisas, num tema que faz o autor regressar aquela folk mais agreste em que se tornou mestre superior, ao dissertar sobre a dificuldade que tem em avançar em frente nos momentos de maior dor em Just Dumb Enough To Try, ao demonstrar em The Palace o medo que sente de sair do quarto de hotel referido em Mr Tillman, ao colocar-se na pele da esposa em Please Don’t Die, tentanto adivinhar o que ela sente por ver o marido em sofrimento quase permanente e ao encerrar os quase trinta e nove minutos do disco com uma canção em que, como o seu título indica, é a imperfeição da nossa inevitabilidade humana que muitas vezes nos leva ao sofrimento, mas que isso não deverá ser mais forte do que a nossa propensão natural para a busca da felicidade e do sentido da vida, fica plasmado este cenário auto reflexivo, mas que pelo modo como é musicado acaba também por ser, por incrivel que pareça, um tónico que nos deixa acreditar que pode ser possível confiar que o nosso modus operandi para a obtenção dos melhores caminhos e atalhos principais e secundários para a suprema felicidade ou, como ponto de partida, para a redenção pessoal. E Father John Misty leva a cabo esta demanda com um elevado sentido críptico e desafiante, já que não é óbvia, em alguns instantes, a descodificação célere e intuitiva das suas reais intenções.

Num disco preenchido então com canções bonitas e sentidas, repletas de orquestrações opulentas e com um grau de refinamento classicista incomensuravelmente belo, chega a ser inquietante o modo impressivo e realista como Joshua Tillman se senta ao piano ou coloca a viola no regaço e toca e canta emotivamente sobre as agruras, anseios, inquietações inerentes à condição humana, mas também as motivações e os desejos de quem usa o coração como veículo privilegiado de condução, orientação e definição de algumas das metas imprescindíveis na sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

Father John Misty - God's Favorite Customer

01. Hangout At The Gallows
02. Mr. Tillman
03. Just Dumb Enough To Try
04. Date Night
05. Please Don’t Die
06. The Palace
07. Disappointing Diamonds Are The Rarest Of Them All
08. God’s Favourite Customer
09. The Songwriter
10. We’re Only People (And There’s Not Much Anyone Can Do About That)


autor stipe07 às 16:15
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