Quarta-feira, 9 de Maio de 2018

Luke Sital-Singh – Weight Of Love EP

Depois da edição de Time Is A Riddle, o se último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Uma das canções presentes nesse alinhamento que Luke escutou nessa road trip sonora foi Thirteen, um clássico original de mil novecentos e setenta e dois dos Big Star, já revisitado por nomes tão proeminentes como os Wilco ou Elliot Smith e que acabou por ser também cantado por Luke, numa versão divulgada no início do ano e que era fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a própria canção, na sua génese, transbordava, nomeadamente da sua letra. Agora, alguns meses depois, Luke prepara-se para editar Weight Of Love, um EP com quatro canções, que verá a luz do dia já a um de junho através da Dine Alone Records.

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Depois de ter sido revelado o tema Afterneath, que abre o alinhamento do EP, agora chegou a vez de podermos escutar a canção homónima do mesmo, que mantém a filosofia sonora e filosófica subjacente à primeira composição divulgada, um clima que acaba por ser transversal a todo o alinhamento, que já escutei na íntegra. Falo, portanto, de canções sonora e liricamente profundamente reflexivas e intimistas, conduzidas por cordas inspiradas e que nos convidam à introspeção momentânea no meio destes dias agitados e sempre corridos, conforme admite o próprio autor: This song was inspired by those moments when I lose perspective on my life and my dreams and I just need to shake myself out of the mundane day to day to refresh and re-energize. For me, that’s by getting to a beach and breathing in the ocean air or climbing high up on a mountain looking down at all the noise below. Já agora, os outros dois temas, que já tive a oportunidade de escutar, transportam-nos, no caso de Mirrorball, para um clima sonoro algo sinistro, mas com o inconfundível registo vocal de Luke a facultar à música a suavidade melancólica que a equilibra e a lindíssima balada Loving You Well plasma todos os predicados que este músico britânico possui para criar composições profundamente emotivas e sofisticadas, apenas, neste caso, com uma linha de guitarra e a sua voz. Confere Weight Of Love, o tema homónimo deste novo EP de Luke Sital-Singh e o alinhamento do registo...

Luke Sital-Singh - Weight Of Love

Afterneath

Weight of Love

Mirrorball

Loving You Well


autor stipe07 às 18:17
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2018

The Tallest Man On Earth – Somewhere In The Mountains, Somewhere In New York

The Tallest Man On Earth - Somewhere In The Mountains, Somewhere In New York

O sueco Kristian Matsson, que assina a sua música como The Tallest Man On Earth, acaba de divulgar Somewhere In The Mountains, Somewhere In New York, uma nova canção que é mais uma etapa evolutiva na carreira de um músico que desde a estreia, em 2008, com Shallow Grave, até a Dark Bird Is Home, o último disco de Matsson, editado em 2015, cresceu sempre de modo sustentado e com cada vez maior aceitação e reconhecimento público.

O novo projeto do músico sueco é um EP intitulado When the Bird Sees the Solid Ground, que tem vindo a ser divulgado de um modo bastante curioso e quse novelístico. O registo contém cinco canções, estão a ser mostradas ao mundo uma por uma e no video de Somewhere In The Mountains, Somewhere In New York, a tal nova canção e que faz parte do EP, além da interpretação do tema, conferimos segmentos interpretados por Matsson, em que, olhando diretamente para a câmara ele descreve o modo como a composição foi escrita e idealizada. É como se recebessemos uma mensagem de vídeo de um amigo que nos quer mostrar como concebeu esta lindíssima canção assente num minimalismo acústico e eminentemente folk pleno de sentimentalismo, havendo algo de aboslutamente profundo e perene na mesma e no modo como ela catapulta The Tallest Man On Earth para um patamar superior de exuberância, quer sonora quer lírica. Confere...


autor stipe07 às 13:11
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2018

Birds Are Indie - Local Affairs

Os conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, transmitem com as suas composições sonoras um rol de emoções e sensações únicas, sempre com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e geralmente com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa. Para nosso deleite, eles acabam de regressar aos discos, à boleia da Lux Records de Rui Ferreira, com Local Affairs, quinze solarengas canções que carimbam um passo consistente no percurso de um projeto que foi habituando os seus seguidores e críticos a algumas inflexões, mas sempre atento às novas tendências, dentro daquela indie folk assente em cordas exuberantes, melodias aditivas e arranjos inspirados, uma fórmula que cria um ambiente emotivo e honesto e que nunca descura um elevado espírito nostálgico e sentimental, duas caraterísticas bastante presentes na escrita e na composição do grupo.

Quarto disco da carreira dos Birds Are Indie, Local Affairs tem um propósito concreto de criar canções pop que transmitam uma certa sofisticação, mas sem colocarem em causa a identidade de um projeto que gosta de fazer canções acessíveis, orelhudas, espontâneas, descontraídas e que provoquem sorrisos imediatos no ouvinte. Depois, há também o objetivo de compôr temas com os quais o ouvinte se identifique, como é o caso do single Come into the water, uma luminosa, contagiante e animada canção que conta com a participação especial de João "Jorri" Silva (a Jigsaw, The Parkinsons) na guitarra-baixo e que tematicamente debruça-se sobre alguém muito friorento que quer ganhar coragem para dar um mergulho. A tal sofisticação relativamente aos trabalhos antecessores acaba por ser o maior cuidado nos arranjos, nomeadamente na bateria, mais impulsiva e com uma cadência que convida, tema após tema, quase sem exceção, a abanar a anca e a bater o pé.

A simplicidade com que os Birds Are Indie transmitem um rol sensações particularmente vasto e sem se preocuparem com o modo como possam ser catalogados, visto movimentarem-se dentro de um espetro sonoro muito em voga, quer no panorama nacional, quer no panorama internacional, é, talvez, o maior atributo deste grupo que nos oferece neste Local Affairs uma inebriante viagem, onde é rara a graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção. Muitas vezes parece um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas acaba por ser bem sucedido porque, entre a pop luminosa de Close, but no cigar ou a lamechice de Pitch black infinite sky, além do rock vintage sessentista de Work it out e o de cariz mais alternativo audível nas guitarras que conduzem I Never Wanted That, sem descurar alguns aspetos essenciais do american rock, claramente esplanados em Let's get on with taking off your dress e na inebriante e corrosiva Messing with your mind, somos presenteados com diversos piscares de olho à história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:18
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Domingo, 29 de Abril de 2018

Kristoffer Bolander - What never was will always be

I dream of cities – endless cities where I will die alone...

O cantautor sueco Kristoffer Bolander, abrigado pela Tapete Records, está de regresso aos discos com What never was will always be, um registo com doze audazes canções e que sucede ao excelente I Forgive Nothing de 2015. Bolander tratou sozinnho dos arranjos de todos os temas deste seu novo trabalho e foi Daniel Johansson quem o produziu, num resultado final distinto, em que cada música tem a sua própria identidade, com a mestria instrumental de Daniel e a expressividade da voz de Bolander a assumirem-se como os grandes trunfos de um álbum que é para ser ouvido mas também contemplado com o cuidado e a devoção que merece.

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Um aspecto que é bastante audível neste tratado de folk pop que é What never was will always be é o cuidado que o autor teve com o detalhe. Todos os sons que se escutam, orgânicos ou sintéticos, posicionam-se, claramente, com um propósito bem definido e não é preciso ser um expert para se perceber essa filosofica interpretativa, bastando o charme das canções para nos elucidar, intuitivamente, acerca dessa permissa.

Aquela complacência que se espraia no momento certo à boleia das cordas de Untraceable, a subtil descontinuidade rítmica de Cities, a aura melancólica e mágica da guitarra que conduz Heat, a comovente fragilidade que exala do belíssimo poema que flutua nas cordas de To Come Back, o ambiente desassossegado em que se move The Liar e a espiral progressiva que firma Florian's Dream, são bons exemplos do ambiente contemplativo fortemente consistente do trabalho e depois, na pop dançável de Animals e no intimismo folk de True Romance revelam-se os dois opostos entre os quais Bolander navega para reproduzir um disco perfeito para ser escutado no refúgio dos últimos sobreviventes de uma catástrofe climática global. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:58
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2018

Josh Rouse – Love In The Modern Age

Natural de Nashville, no Nebraska, Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso com Love In The Modern Age, disco lançado por intermédio da Yep Roc Records e já o décimo segundo da carreira de um dos músicos e compositores mais aclamados das últimas duas décadas. O álbum é mais um passo consistente no percurso de um artista que foi habituando os seus seguidores e críticos a algumas inflexões, passando pela folk mais intimista de início da carreira, a um período mais solarengo, fruto da sua mudança para o sul de Espanha, no início do século, depois de se ter casado com Paz Suay e agora olhando com uma certa gula, que de certo modo já se adivinhava num músico que se foi revelando sempre atento às novas tendências, para aquela pop mais sintética que fez escola nos anos oitenta.

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Love In The Modern Age representa, talvez, o disco de maior ruptura com um trabalho antecessor na carreira de Rouse, neste caso o bem sucedido The Embers Of Time (2015), um álbum que tinha sido gravado entre o seu estúdio em Valência e Nashville e que sustentava-se no esplendor das cordas e nos arranjos típicos da folk sulista norte americana, que davam as mãos para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música e os discos deste cantautor que nunca perdeu o espírito nostálgico e sentimental que carateriza a sua escrita e composição. Ora, se agora, três anos depois, em Love In The Modern Age esta última caraterística mantém-se intacta, a abordagem sonora acaba por ser um pouco diferente, como se percebe logo em Salton Sea, na linha do baixo, na batida, nos arranjos sofisticados, fornecidos por um teclado de forte cariz oitocentista e no efeito vocal. Mesmo qu,e logo depois, em Ordinary People, Ordinary Lives, pareça que Josh vai fazer marcha atrás e regressar ao som que o tipifica, logo nos saxofones, na segunda voz feminina e no ambiente luminoso e polido do tema homónimo percebe-se que há realmente um propósito claro de criar um alinhamento mais sofisticado, uma impressão que se torna ainda mais inquestionável nas teclas da fleetwoodiana Businessman, canção que conta com a participação especial vocal de Wendy Smith dos Prefab Sprout. Pouco depois, em Tropic Moon, Rouse faz certamente referência (sleeping under stars) a um dos seus primeiros discos, Under Cold Blue Stars e num outro verso do mesmo tema, quando refere estar right where he wants to be ninguém duvida dessa sua certeza. O grande momento do disco acaba por estar guardado para Hugs and Kisses, uma lindíssima balada onde torna-se impossível não olhar para o nosso íntimo e não sentirmos inspiração suficiente para enfrentarmos de frente alguns dos nossos maiores dilemas enquanto descobrimos na composição a solução para certas encruzilhadas, uma resposta que estava mesmo ali, dentro do nosso peito, à espera desta canção para se revelar em todo o seu esplendor.

A mudança de direção que Josh Rouse operou nestas nove canções de Love In The Modern Age foi, quanto a mim, bem sucedida, já que se nos oferece um ambiente sonoro distinto no seu catálogo, o mesmo não coloca em causa aqueles que são alguns pilares identitários essenciais de um músico que parece ser capaz de entrar pela nossa porta com uma garrafa numa mão e um naco de presunto na outra e o maior sorriso no meio, como se ele fosse já da casa, já que consegue sempre revelar-se, nas suas canções, como um grande parceiro, confidente e verdadeiro amigo, um daqueles que não complicam e com o qual se pode sempre contar. Josh Rouse é único e tem um estilo inconfundível no modo como dá a primazia às cordas, seja qual for o instrumento de que elas se servem e agora também às teclas, sem descurar o brilho dos restantes protagonistas sonoros e, principalmente, sem se envergonhar de colocar a sua belíssima voz na primeira linha dos principais fatores que ainda tornam a sua música tão tocante e inspiradora. Espero que aprecies a sugestão...

Josh Rouse - Love In The Modern Age

01. Salton Sea
02. Ordinary People, Ordinary Lives
03. Love In The Modern Age
04. Businessman
05. Women And The Wind
06. Tropic Moon
07. I’m Your Man
08. Hugs And Kisses
09. There Was A Time

Website
[mp3 320kbps] rg tb zs uc


autor stipe07 às 21:39
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Terça-feira, 17 de Abril de 2018

Cœur De Pirate – Somnambule

Cœur De Pirate - Somnambule

Conhecida pela sua escrita impressiva, quase sempre na primeira pessoa e pela arrebatadora sinceridade e doce luminosidade da sua música, a canadiana Béatrice Martin comemora em 2018 dez anos de carreira à frente do seu projeto Cœur De Pirate e fá-lo com a edição de um álbum intitulado En cas de tempête, ce jardin sera fermé. Esse novo registo de originais desta lindíssima artista oriunda do quebeque canadiano chega aos escaparates já nesta primavera e Somnambule é o primeiro tema divulgado do seu alinhamento.

Escuta-se Somnambule e percebe-se que esta é uma daquelas canções composta num estágio superior de sapiência que permite à autora utilizar o seu habitual espírito acústico e orgânico ao piano para se colocar também à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar-nos assim mais uma história que a materializa na forma de uma conselheira espiritual sincera e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, neste caso do amor, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Para acompanhar o lançamento deste singleCœur De Pirate gravou uma versão ao vivo em França na igreja Saint-Jean-Baptiste, em Neuilly-sur-Seine. Confere...


autor stipe07 às 18:28
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2018

EELS – The Deconstruction

Depois de uma espera de quatro anos, os Eels de E (Mark Oliver Everett), Kool G Murder e P-Boo estão de regresso com um novo álbum gravado na sua maioria em Pasadena, na Califórnia. O novo trabalho deste grupo norte-americano chama-se The Deconstruction, é o décimo segundo da carreira deste projeto liderado pelo carismático Mark Everett e, sucedendo ao já longínquo The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett, foi produzido pelo próprio Everett e por Mickey Petralia, um nome que já trabalha com os Eels desde o fabuloso Electro-Schock Blues (1998), o melhor disco da banda, prestes a comemorar vinte anos de existência.

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Para quem, como eu, acompanha com atenção a carreira dos Eels praticamente desde o seu início, The Deconstruction, o primeiro tema do alinhamento deste disco com o mesmo nome surpreende pelo modo como nos remete para o início da carreira do projeto. Esta seria uma canção que encaixaria claramente no meio de Beautiful Freak, com a sua sonoridade algo rugosa e assente num rock orquestral bastante experimental, onde as cordas dominam, mas onde é também possível escutar arranjos de sopros e percussivos bastante peculiares e distintivos e o timbre vocal inédito de Everett. Essas mesmas cordas que não deixam de encontrar as suas raízes no banjo foram uma imagem de marca dos Eels em tempos, assim como a vasta miríade de efeitos metálicos presentes na percurssão e que cruzam Bone Dry, o segundo tema e single do disco, sem complacência. Nesse tema a guitarra distorce-se, as variações rítmicas também habituais nos Eels fazem a sua aparição e a partir daí somos sugados, sem mercê, para um disco que acaba por fazer uma espécie de súmula de uma vasta e gloriosa carreira de mais de duas décadas de um dos melhores e mais peculiares grupos de rock alternativo da nossa contemporaneidade.

Oliver Everett gosta de surpreender e sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo. E, pelos vistos, por muito que se atreva a prescutar teritórios mais agressivos ou, em oposição, mais introspetivos e cândidos, algo que fez aqui, com superior delicadeza, na lindíssima canção Premonition, é mesmo no campo daquele pop rock lo fi que pisca o olho à indie folk que o autor se sente mais confortável e onde consegue, com particular mestria, criar momentos de sincera e sentida emoção sonora. Assim, se essa Premonition e se o dedilhar e os violinos de Sweet Scorched Earth são, sem dúvida, temas que comprovam o feliz regresso dos Eels à folk eminentemente acustica, melancólica e introspetiva e se a ternurenta balada nostálgica Rusty Pipes, com notáveis arranjos de cordas e uma percussão bastante aditiva, tem o mesmo efeito, espelhando com notável acerto aquelas saudosistas caraterísticas sonoras que impressionarem todos aqueles que há vinte anos olharam com admiração para este grupo norte americano, já a luminosidade sorridente e feliz de Today Is The Day e, de um modo com mais elétrico, o fuzz de You Are The Shining Light, são canções capazes de nos fazer encher o peito e de abrir o nosso sorriso de orelha a orelha, espelhando aquele universo mais divertido e optimista que os Eels também gostam de expressar sonoramente.

Tematicamente, E mantém-se lúcido no modo como aborda o amor, um campo lexical e uma área vocabular onde sempre se sentiu inspirado, principalmente quando confessa o desconforto e a desilusão que esse sentimento tantas vezes causou na sua vida, estando numa fase em que sente necessidade de olhar para o seu percurso pessoal e perceber as falhas e os instantes em que algo correu mal e as pontas que ainda estão por fixar. É explícita uma espécie de narrativa que em The Epiphany, vai servindo para E confessar dores e arrependimentos e desejar que ainda haja um futuro risonho à sua espera, fazendo-o em Be Hurt, canção onde o músico admite falhas e o desejo de poder ainda vir a ser recompensado pela boa pessoa que é, ou, pelo menos, julga ser.

Cheio de melodias orelhudas e que nos embalam e fazem partilhar algumas das angústias e desejos plasmados, The Deconstruction é um disco que transborda uma profunda sinceridade confessional por todos os acordes e torna-se fácil simpatizar automaticamente com a história de vida desta personalidade fundamental para a descrição de alguns dos mais bonitos momentos sonoros do universo indie das duas últimas décadas, que estará por cá, nos Nos Alive, no dia treze de julho. e que ainda procura, com uma ansiedade controlada e natural, a verdadeira felicidade. Espero que aprecies a sugestão...

EELS - The Deconstruction

01. The Deconstruction
02. Bone Dry
03. The Quandary
04. Premonition
05. Rusty Pipes
06. The Epiphany
07. Today Is the Day
08. Sweet Scorched Earth
09. Coming Back
10. Be Hurt
11. You Are the Shining Light
12. There I Said It
13. Archie Goodnight
14. The Unanswerable
15. In Our Cathedral


autor stipe07 às 17:34
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Sábado, 31 de Março de 2018

daguida - Passageiro

Yuran, João Pedro e António Serginho são os daguida, um trio oriundo de Santa Maria de Lamas e já com dezoito anos de história. Depois de todo este tempo, apresentam-se finalmente ao grande público, com a sua primeira publicação oficial nas redes digitais, um tema intitulado Passageiro e o respetivo vídeo de promoção, realizado pela produtora Dawn Pictures. O passo seguinte será a edição deste single em vinil e depois virá o álbum de estreia, lá para 2019, estando prevista a abertura de uma campanha de crowdfunding para financiar a sua gravação.

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Edição de autor com o apoio da Revolução d’Alegria Associação, produzido por Mário Barreiros e gravado em Amarante, no Estúdio Fridão Natura Recording, Passageiro é um tema com fortes raízes na nossa música tradicional. Luminoso e exuberante nas cordas e escorreito na melodia, Passageiro alerta, de acordo com os daguidapara o valor daquilo que não tem preço, estando o tema liricamente coberto por uma aurea satírica, irónica e alegre, aspetos muito presentes nos concertos do trio e que representam a vontade de quebrar barreiras e preconceitos. Entre a beleza e o degredo abordam sem medo o quanto nos pesa este enredo. Do troiano ao grego, do velho ao novo, tudo é sempre novo.

Hoje mesmo, a partir da meia-noite, no Bar Galeria de Paris, no Porto, os daguida apresentam ao vivo esta canção e muitos dos temas que vão registar no seu primeiro álbum. Confere...

Manifesto daguida

 Algures entre Ovar e Contumil

daguida nasceu no inverno de 2000

Vestem seus pijamas, abanam suas canas

A terra é Santa Maria de Lamas

 

Passaram 18 anos

Há que limpar os canos

Será a primeira vez

Já muito perdemos os três

 

E vamos embora gente

daguida vai prá frente

Podes sempre dar algum

Podes ouvir sem dar nenhum

 

Muito sinceramente

Que fique bem assente

daguida anda por cá

Até que a bolha rebente


autor stipe07 às 15:21
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Quinta-feira, 22 de Março de 2018

Beautify Junkyards - The Invisible World of Beautify Junkyards

Foi a nove de março último, à boleia da inglesa Ghost Box , que viu a luz do dia The Invisible World of Beautify Junkyards, a nova coleção de canções dos Beautify Junkyards. É o terceiro disco deste coletivo formado por João Branco Kyron (sintetizadores e voz), Rita Vian (voz), João Pedro Moreira (viola, sintetizadores), Helena Espvall (violoncelo e viola), Sergue (baixo) e António Watts (bateria e percussões) e que assume de uma vez por todas querer estar na linha da frente do panorama sonoro nacional, através de uma inédita mas convincente folk cósmica, particularmente lisérgica e esplendorosa.

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Primeira aposta internacinal da Ghost Box, The Invisible World of Beautify Junkyards foi misturado por Artur David (Orelha Negra, Mão Morta e Cool Hipnoise), masterizado por Jon Brooks e tem um título feliz já que logo no forte cariz impressivo da melodia que nos hipnotiza em Ghost Dance percebe-se a declarada intenção do projeto em transportar o ouvinte para um universo paralelo ao nosso. Fazem-no mergulhados num mundo controlado por cordas inebriantes e sintetizadores plenos de exotismo, uma eletrónica eminentemente ambiental misturada com folk, que cria melodias que quer claramente levar-nos a passear pelo mundo dos sonhos. Depois, as letras parecem que dançam nos nossos ouvidos e, para culminar a eficaz receita, a voz da Rita, amiúde acompanhada pelo João, cresce, tema após tema, num misto de euforia, subtileza e entrega, bastanto escutá-la em Sybil's Dream para se ficar plenamente convencido da sua superior capacidade interpretativa.

Resultado de várias sessões de improviso particularmente inspiradas, The Invisible World of Beautify Junkyards é, conforme refere o press release do lançamento, um registo mais atmosférico e emocional que os anteriores e a verdade é que está cheio de momentos que configuram um passeio por um universo feito de exaltações melancólicas, que são nada mais nada menos do que um retrato sombrio do estranho quotidiano que sustenta a vida adulta. O clima matinal e agridoce de Prism, a exuberância pueril de Golden Apples Of The Sun e o impressionismo dos detalhes e efeitos de Manha Tropical e, na sequência, do single Aquarius, uma canção assente num extraordinário diálogo percurssivo entre a pafernália instrumental que a sustenta, acordam-nos lentamente daquele estágio letárgico em que entrámos no início do registo, já que são canções menos festivas e que de certo modo nos ajudam à compreensão da nossa maturidade e da depressão que a mesma pode em nós criar, rompendo com essa antiga lógica inicial de que este mundo paralelo dos Beautify Junkyards é apenas festivo e exaltante. Por mais encantadoras que sejam as melodias abordadas pela obra, está latente em alguns instantes uma dor profunda que parece em determinados instantes afogar-nos. O amor, a solidão, o abandono, a vida e a morte, tudo parece servir como assunto, conceitos que pouco têm a ver com o universo das histórias infantis, mas antes com a crueza da realidade em que vivemos.

Com artwork da autoria do designer Julian House, que já elaborou capas de discos dos Oasis, Broadcast e Primal Scream, The Invisible World of Beautify Junkyards merece audição atenta, mais que não seja para destrincar no âmago da sua enorme beleza as pequenas contradições intencionais que encerra, um misto de maturidade e infantilidade, como se a mente deste coletivo se perdesse no tal mundo que ele mesmo criou. Essa saudável loucura acaba por ser o fio condutor de um alinhamento que merece ser tratado como um referencial que flutua constantemente entre a metáfora e a realidade, através de letras corroídas pelo medo de encarar o quotidiano adulto, entrelaçadas com as melodias ascendentes e alegres do disco e as contrárias a essas, uma simbiose que faz dele uma obra prima e que nos deixa com um enorme sorriso nos lábios quando somos confrontados com toda esta beleza melódica. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:19
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Segunda-feira, 19 de Março de 2018

The Decemberists – I’ll Be Your Girl

Três anos depois do excelente What A Terrible World, os The Decemberists de Colin Meloy estão de regresso com I'll Be Your Girl, o oitavo disco de uma bem sucedida carreira de quase duas décadas de uma das bandas essenciais para o relato da história do indie rock de travo eminentemente folk do percurso musical norte-americano mais recente. Lançado à boleia da Capitol Records, I'll Be Your Girl contém onze canções que mais uma vez concentram toda a destreza musical deste grupo oriundo de Portland, que é igualmente exímio a criar composições grandiosas e crescentes, mas também instantes sonoros intimistas e melancólicos, com a grande novidade desta vez a ser um efusivo piscar de olhos à pop de cariz mais sintético e retro que fez escola na década de oitenta do século passado, uma nuance nova no grupo e que faz com que tenha a possibilidade de agradar a um espetro ainda mais alargado de ouvintes.

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É a mais genuína herança sonora da América profunda que continua a preencher o código genético dos The Decemberists, até agora abastecidos essencialmente por cordas, que foram servindo como um veículo privilegiado de expressão da criatividade e de manifestação de sentimentos e emoções. Assim, ao longo da sua distinta carreira, este coletivo mergulhou fundo na psicadelia folk, mas mais do que se aproximar de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, deixaram-se consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorreram o adn de praticamente toda a discografia anterior a este I'll Be Your Girl. Agora, ao oitavo disco, sem descurarem a habitual aproximação com o cancioneiro norte americano, estratégia que o ambiente acústico de Cutting Stone e Starwatcher, o piano de Rusalka, Rusalka / The Wild Rushes, uma tensa e dramática narrativa baseada numa antiga parábola eslava, a luminosidade do dedilhar de Once In My Life ou a pronúncia grave e rugosa das notas e dos arranjos de Your Ghost denunciam de forma declarada, os The Decemberists colocam esse travo a ruralidade no plano secundário e oferecem uma paleta de sons inédita mais urbana e contemporânea ao projeto, com um espectro mais virado para a electrónica e para o synthpop, estilos que seduziram e captaram a alma do grupo. Canções como o single Severed, um oásis de sintetizadores cheios de batidas e efeitos cósmicos, com aquele travo punk new wave tão peculiar e o baixo e o efeito robotizado da voz e da guitarra de We All Die Young são exímias no modo como nos mostram o quanto foi feliz esta opção dos The Decemberists em sairem da sua habitual zona de conforto e divagarem por territórios a que estavam menos habituados. Para isso foram fatores decisivos dois fatores; a entrada do coletivo num novo estúdio e, principalmente, a companhia de um produtor diferente, com Tucker Martine, colaborador de longa data dos The Decemberists, a dar o lugar a John Congleton, uma referência da indie norte americana e camaleónico no modo como consegue navegar e tocar todos os extremos desse universo sonoro, muitas vezes na mesma composição. O facto de estas novas matrizes passarem para a linha da frente do processo criativo que norteou este álbum, foi uma opção bastante ponderada, algo que o vocalista Colin Meloy confirmou recentemente (When you’ve been a band for 17 years, inevitably there are habits you fall into. So our ambition this time was really just to get out of our comfort zone. That’s what prompted working with a different producer and using a different studio. We wanted to free ourselves from old patterns and give ourselves permission to try something different).

Há em I'll Be Your Girl uma capacidade subtil dos The Decemberists de incorporar um sentimento universal e quase filosófico de crença em algo novo, diferente e, por isso, substancialmente melhor. O grupo continua a manter a habitual postura quase religiosa que os carateriza, mas torna-se mais eclético, abrangente e por isso mais intenso e sedutor, com muitas das canções a refletirem sobre fé e crenças, mas também sobre o amor, o bucólico e o nostálgico. Espero que aprecies a sugestão...

The Decemberists - I'll Be Your Girl

01. Once In My Life
02. Cutting Stone
03. Severed
04. Starwatcher
05. Tripping Along
06. Your Ghost
07. Everything Is Awful
08. Sucker’s Prayer
09. We All Die Young
10. Rusalka, Rusalka / The Wild Rushes
11. I’ll Be Your Girl


autor stipe07 às 21:19
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