Quarta-feira, 9 de Maio de 2018

Luke Sital-Singh – Weight Of Love EP

Depois da edição de Time Is A Riddle, o se último álbum, Luke Sital-Singh fez as malas, pegou no passaporte e embarcou numa viagem solitária por vários destinos do mundo, durante a qual escutou uma banda-sonora muito pessoal, composta por temas e artistas da sua eleição. Uma das canções presentes nesse alinhamento que Luke escutou nessa road trip sonora foi Thirteen, um clássico original de mil novecentos e setenta e dois dos Big Star, já revisitado por nomes tão proeminentes como os Wilco ou Elliot Smith e que acabou por ser também cantado por Luke, numa versão divulgada no início do ano e que era fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico e ao misticismo a à inocência que a própria canção, na sua génese, transbordava, nomeadamente da sua letra. Agora, alguns meses depois, Luke prepara-se para editar Weight Of Love, um EP com quatro canções, que verá a luz do dia já a um de junho através da Dine Alone Records.

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Depois de ter sido revelado o tema Afterneath, que abre o alinhamento do EP, agora chegou a vez de podermos escutar a canção homónima do mesmo, que mantém a filosofia sonora e filosófica subjacente à primeira composição divulgada, um clima que acaba por ser transversal a todo o alinhamento, que já escutei na íntegra. Falo, portanto, de canções sonora e liricamente profundamente reflexivas e intimistas, conduzidas por cordas inspiradas e que nos convidam à introspeção momentânea no meio destes dias agitados e sempre corridos, conforme admite o próprio autor: This song was inspired by those moments when I lose perspective on my life and my dreams and I just need to shake myself out of the mundane day to day to refresh and re-energize. For me, that’s by getting to a beach and breathing in the ocean air or climbing high up on a mountain looking down at all the noise below. Já agora, os outros dois temas, que já tive a oportunidade de escutar, transportam-nos, no caso de Mirrorball, para um clima sonoro algo sinistro, mas com o inconfundível registo vocal de Luke a facultar à música a suavidade melancólica que a equilibra e a lindíssima balada Loving You Well plasma todos os predicados que este músico britânico possui para criar composições profundamente emotivas e sofisticadas, apenas, neste caso, com uma linha de guitarra e a sua voz. Confere Weight Of Love, o tema homónimo deste novo EP de Luke Sital-Singh e o alinhamento do registo...

Luke Sital-Singh - Weight Of Love

Afterneath

Weight of Love

Mirrorball

Loving You Well


autor stipe07 às 18:17
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2018

Florence And The Machine – Sky Full Of Song

Florence And The Machine - Sky Full Of Song

Dois anos depois do seu último registo de originais, Florence Welsh está de regresso às canções com o seu projeto Florence and The Machine à boleia de Sky Full Of Song, tema que deverá fazer parte do seu próximo registo de originais, o quarto da carreira.

A canção vai ver a luz do dia em formato vinil de sete poelgadas no próximo Record Store Day, uma efeméride anual amplamente publicitada neste espaço e que é marcada pela chegada de vários álbuns e singles em edição limitada às lojas de discos, um pouco por todo o mundo.

A sonoridade intimista e minimal deste tema Sky Full Of Song recorda-me uma espécie de mistura entre Kate Bush e os The Knife, num som um pouco escuro, mas com uma tonalidade épica e constituido por diferentes texturas, quase sempre feitas com recurso a instrumentos sintetizados. Confere...


autor stipe07 às 17:58
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2018

Editors - Violence

Finalmente In Dream, o aclamado álbum que os Editors de Tom Smith editaram em 2015, já tem sucessor. O sexto álbum de estúdio desta banda britânica oriunda de Birmingham viu a luz do dia a nove de março à boleia da Play It Again Sam e chama-se Violence. Nele é possível escutar nove canções forjadas por uma banda que se mantém apostada em se assumir definitivamente como um grupo de massas e deixar de vez o universo mainstream para fazer parte da primeira liga do campeonato mundial do indie rock.

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Os Editors são donos de uma discografia conduzida pela típica intensidade emocional da escrita de Tom Smith e pelo carisma do seu tímbre vocal grave único, ao qual se juntam as habituais guitarras angulares, sintetizadores progressivos e um baixo imponente. Estas são, no fundo, as principais matrizes identitárias deste grupo que nunca tendo conseguido ser consensual no universo sonoro alternativo, apesar de The Back Room, o disco de estreia, ser, quanto a mim, um marco no género pós punk, acabou por manter uma assinalável coerência ao longo de quase duas décadas, um trajeto que parece agora querer piscar o olho a latitudes sonoras mais consentâneas com as tendências atuais do espetro sonoro em que os Editors se movimentam.

Assim, com a eletrónica em cada vez maior plano de destaque no seio dos Editors, Violence não renega a habitual atmosfera algo sombria impressiva que confere um charme inconfundível a este projeto, mas há aqui um refinamento dessa demanda, com a procura de territórios mais dançantes e, por isso, também mais festivos e otimistas. Em temas como a radiofónica Cold, na atmosfera intrigante de Nothingness ou no travo vintage oitocentista da homónima Violence, os sintetizadores debitam efeitos e melodias rugosas e texturalmente profundas e algo negras, mas há depois no ritmo e em algumas nuances do reverb das guitarras detalhes que dão aos temas um balanço e uma expressão mais colorida e sorridente do que o habitual. Para cimentar ainda mais esta filosofia subjacente ao registo, a imponência orquestral do edifício melódico que envolve o single Magazine, canção com um refrão avassalador, a toada pop e o charme luminoso de Darkness At The Door e o piano cintilante de No Sound But The Wind, são outras canções que, tomando como ponto de partida o já referido referencial sonoro que tipifica os Editors, acrescentam e ampliam o adn que sustenta o historial da banda.

Pleno de dramatismo e particularmente incisivo no modo como aborda alguns dos grandes dilemas da atualidade, Violence acaba por ser um título simultaneamente feliz e enganador para um alinhamento de canções que podem, na sua esmagadora maioria, servir para justificar esta ideia contraditória e oposta, já que, não deixando de navegar nas habituais águas lúgubres em que os Editors se sentem como peixes, este é um álbum que também exala uma faceta algo sonhadora e romântica, o que naturalmente se aplaude. Espero que aprecies a sugestão...

Editors - Violence

01. Cold
02. Hallelujah (So Low)
03. Violence
04. Darkness At The Door
05. Nothingness
06. Magazine
07. No Sound But The Wind
08. Counting Spooks
09. Belong


autor stipe07 às 21:00
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Domingo, 1 de Abril de 2018

Fujiya And Miyagi – Subliminal Cuts

Fujiya And Miyagi - Subliminal Cuts

Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, meia dúzia de discos depois, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os Fujiya And Miyagi resolveram em 2018 revisitar Transparent Things, o disco que editaram há uma dúzia de anos e que os lançou para o estrelato. E para comemorar essa efeméride lançaram também um novo single intitulado Subliminal Cuts, inspirado na série televisiva policial Columbo, uma canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que também impressiona pelo jogo que se estabelece entre o baixo e as guitarras no meio das batidas.

Em 2006, com rock britânico em crise acentuada devido ao resurgimento do outro lado atlântico do punk rock (Interpol, The Strokes, Liars) e da underground dance nova iorquina (LCS Soundsystem, Yeah, Yeah, Yeahs, Radio 4), Transparent Things era um trabalho que apostava numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências mais contemporâneas da pop movida a sintetizadores, sem nunca descurar a presença do baixo e da guitarra no processo de criação. O disco continha clássicos do calibre de Ankle Injuries, Collarbone ou Photographer e foi um sucesso imediato que é possível agora revisitar, numa reedição em vinil. A mesma contém como bónus um tema intitulado Different Blades From The Same Pair Of Scissors, uma canção cuja versão original viu a luz do dia em 2008 para a iniciativa Nike Running Series, sendo a versão integral das seis canções que juntas compôem o tema. São quarenta e três minutos que acabam por ser uma junção de várias composições, todas elas assentes num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos e que remetem-nos, essencialmente, para a sintetização oitocentista, mas também para a melhor herança da eletrónica alemã. Confere...


autor stipe07 às 18:19
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Quarta-feira, 14 de Março de 2018

Pete Astor - One For The Ghost

Há algumas semanas chegou aos escaparates One For The Ghost, o novo registo de originais do britânico Pete Astor, músico já veterano nestas andanças, tendo ao longo da sua carreria dado a cara por bandas tão proeminentes como os The Loft ou os The Weather Prophets. Aposta recente da Tapete Records,  Pete Astor oferece-nos neste One For The Ghost dez canções que encarnam uma excelente opção para quem aprecia aquela sonoridade pop folk algo cósmica e luminosa e ligeiramente lo fi.

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Em pouco mais de meia hora One For The Ghost enche os nossos ouvidos com a simplicidade óbvia de belíssimas melodias conduzidas por cordas, ora acústicas ora eletrificadas, cujo dedilhar, seja qual for a opção selecionada, é sempre inspirado. Excelente guitarrista, Pete Astor mostra neste registo toda a sua destreza com a viola e a guitarra e a capacidade inata que possui para criar música conseguindo abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria.

Logo no início do registo percebe-se esse alargado leque já que, se Walker contem aquela soul assente num ritmo muito contemplativo e melodicamente muito sensível, Water Tower aposta num registo mais folk e a distorção da guitarra e o baixo encorpado de Golden Boy proporcionam ao tema o toque perfeito de modernidade que oferece ao autor a tal abrangência, neste caso até territórios mais próximos do rock psicadélico.

Daí em diante, todo este indie appeal genuíno vai-se repetindo em canções tão bem conseguidas como Injury Time, a animada e solarenga Only Child e a mais reservada Tango Uniform, num resultado final subtil e onde da luminosidade das guitarras aos sons percurssivos que suportam alguns arranjos, tudo serve para chegar às várias preferências mais etéreas que o destaque dado às cordas no processo de composição geralmente consegue e assim dar vida a um trabalho que algures entre os Wilco e Lou Reed, contém uma urbanidade e um charme minimalista que cativa e só surpreende os mais distraídos.  Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:35
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Sábado, 10 de Março de 2018

Gengahr – Where Wildness Grows

Depois da promissora estreia com o excelente A Dream Outside, os britânicos Gengahr de Felix, Danny, John e Hugh estão de regresso com mais um delicioso alinhamento de canções impregnadas com aquela indie pop de pendor mais psicadélico, com nomes tão importantes como os MGMT, Tame Impala ou os Unknown Mortal Orchestra a servirem como referências óbvias para um projeto que tem o poder de nos descolar da realidade, oferecendo-nos, de modo sonhador, aventureiro e alucinogénico, um quadro sonoro fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo, que nos emerge num mundo fantástico e que tem a curiosidade de facilitar aquela sensação estranha mas que todos já vivenciámos de resgatar algumas daquelas histórias que preencheram a nossa infância.

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Uma pop futurista com o ritmo e cadência certas, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo é a pedra de toque da filosofia estilística destes Gengahr que também têm como importante trunfo a forma como o falsete da voz de Felix se entrelaçava com as melodias, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilam orgulhosas e altivas, numa parada de cor, festa e alegria, onde todos os músicos certamente comungam mais o privilégio de estarem juntos, do que propriamente celebrarem o modo como incubam um agregado de sons no formato canção. E esse é, em suma, o travo geral de Where Wildness Grows, um titulo feliz e apropriado para um disco que escreve sobre tudo aquilo que pode povoar o nosso imaginário e que até podendo ser criaturas horripilantes e desprezíveis, retratadas pelos Gengahr quase que poderiam ser o nosso animal de estimação predilecto.

Assim, quer no sintetizador e na batida sintética de Before Sunrise, mas também na guitarra efusiva de Mallory, na folk luminosa das cordas de I'll Be Waiting e nas asas doce feito que baloiça em redor da épica melodia que sustenta Is This How You Love nunca nos abandona aquela perceção de estarmos a escutar uma clara ode ao fantástico particularmente colorida e deslumbrante e até ao ocaso do registo essa sensação raramente esmorece, mesmo quando no tema homónimo somos conforntados com um retrato sonoro mais rugoso e depressivo.

À boleia de guitarras plenas de reverb, falsetes sedutores e uma percussão animada e luminosa, canções frenéticas ou outras mais contemplativas e ainda outras com abordagens certeiras a um clima pop mais comercial, Where Wildness Grows demonstra uma formatação já adulta nestes Gengahr, assertivos no modo como reinventam, reformulam ou simplesmente replicam o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que se inserem e que fazem da simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, o seu cavalo de batalha. Espero que aprecies a sugestão...

Gengahr - Where Wildness Grows

01. Before Sunrise
02. Mallory
03. Is This How You Love
04. I’ll Be Waiting
05. Where Wildness Grows
06. Blind Truth
07. Carrion
08. Burning Air
09. Left In Space
10. Pull Over (Now)
11. Rising Tides
12. Whole Again


autor stipe07 às 15:38
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Terça-feira, 6 de Março de 2018

The Kills – List Of Demands (Reparations) vs Steppin' Razor

The Kills - List Of Demands (Reparations)

Ainda sem sucessor anunciado para o aclamado Ash & Ice de 2016, os britânicos The Kills de Jamie Hince e Alison Mosshart acabam de revelar duas novas canções contidas num single de sete polegadas de edição limitada. Os temas são duas versões, a primeira List of Demands (Reparations), um original de Saul Williams e segunda uma revisitiação do clássico Steppin’ Razor, de Peter Tosh.

A potente primeira versão, assente no fuzz de umas cordas eletrificadas e na emotividade e pujança vocal de Alison, inspira-se no sentido de urgência que a dupla sente em relação a alguns problemas do mundo atual, uma canção que não foi fácil de abordar, conforme confessa Mosshart, apesar da satisfação da dupla relativamente ao resultado final: It was one of those songs you’re almost scared to cover, because it carries so much respect. It wasn’t a straight up love song or a drug song. It was defined, serious, and perfect already. With certain songs, you feel like an intruder trying to sing them, but this one felt like my own. Já a segunda é uma curiosa e inesperada revisitação a uma tema do universo reggae, com um resultado final verdadeiramente enleante e que mantém intocável o charme inconfundível de uma dupla única e sem paralelo no universo alternativo atual. Confere os dois temas e o video de List Of Demands (Reparations) dirigido por Ben Strebel...


autor stipe07 às 19:38
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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2018

Insecure Men – Insecure Men

O ano de 2015 estava a ser complicado para Saul Adamczewski, fruto de uma espiral errática de comportamentos relacionados com o consumo de substâncias psicotrópicas que lhe fizeram perder ou colocar em causa, entre outras coisas, o lugar de guitarrista nos carismáticos Fat White Family. A viver em Londres no apartamento de um amigo, acabou por encontrar a salvação num conjunto de canções que foi compondo e que agora vêem a luz do dia através da Fat Possum, através do projeto Insecure Men, que partilha com Ben Romans-Hopcraft, seu amigo de infância e líder dos Childhood.

Insecure Men tem como principal atributo esse curioso travo a uma altiva alienação lisérgica, muito marcada não só nas vocalizações de Saul, mas também, e principalmente, na pafernália de arranjos e efeitos que vão pairando em redor de onze canções que se sustentam, ora nas cordas ora nas teclas, sempre com aquela necessária dose de exotismo que exigem composições sonoras que pretendem homenagear aquela pop vintage de início da segunda metado do século passado e que tanto inspira esta dupla.

Canções como a intimista Subaru Nights ou a vibrante e solarenga Teenage Toy estão repletas de inspirados arranjos, distorções enleantes e de toda uma pafernália de detalhes e efeitos, qur orgânicos quer sintéticos, que conferem ao clima inicial de Insecure Men uma toada bastante impressiva e cativante. Depois, quer no exercício narcisista de Saul em I Don’t Wanna Dance (With My Baby), quer no intimismo falsamente(?) confessional de All Women Love Me, deliciamo-nos com uma inspirada ode à capacidade que cada um de nós tem, caso queira, de exalar aquele charme que não deixa ninguem indiferente à nossa passagem. Depois, em Cliff Has Left The Building, Mekong Glitter e Whitney Houston & I, os Insecure Men inspiram-se diretamente em alguns ícones da cultura pop contemporânea, nomeadamente Cliff Richard, Gary Glitter e Whitney houston, como parece ser óbvio, não só para homenagear, mesmo que seja com uma elevada dose satírica, mas também para provarem que se mantém particularmente vincada a capacidade de Saul em apresentar os seus pontos de vista, de modo livre e divertido, sem ser ofensivo, sobre outras personagens tão ou mais controversas que ele, mesmo que isso possa ferir algumas suceptibilidades mais puristas. Curiosamente, Heathrow e Saddest Man In Penge acabam por ser a cereja no topo do bolo desta filosofia de abordagem incisiva ao universo que rodeia os Insecure Men, já que a primeira satiriza aquele modo de ser british que sempre marcou a classe média inglesa e a segunda inspira-se no período em que Saul viveu com a sua mãe, gastando tudo aquilo que ganhava no seu emprego da altura com a já referida adição a substâncias menos lícitas.

Instrumentalmente habilidoso e repleto de sons modulados e camadas sonoras sintetizadas que lhe conferem uma toada geral bastante espectral, Insecure Men consegue transmitir, com uma precisão notável, sentimentos que frequentemente são um exclusivo dos cantos mais recônditos da alma de muitos de nós e que Saul não tem receio de expôr. Aqui fá-lo através de uma fresca coleção de canções pop, que além de explanarem a sua pessoal inclinação quase genética para o confronto inofensivo, demonstram a sua enorme capacidade criativa e de auto exaltação algo enganadora, porque não serve um propósito narcisista, mas de crítica ao mainstream. A capa propagandística do álbum, que retrata o músico como uma espécie de líder norte-coreano, é um excelente exemplo e uma boa ilustração de todo este modus operandi. Espero que aprecies a sugestão...

Insecure Men - Insecure Men

01. Subaru Nights
02. Teenage Toy
03. All Women Love Me
04. Mekong Glitter
05. Heathrow
06. I Don’t Wanna Dance (With My Baby)
07. The Saddest Man In Penge
08. Ulster
09. Cliff Has Left The Building
10. Whitney Houston And I
11. Burried In The Bleak


autor stipe07 às 18:43
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018

The Monochrome Set - Maisieworld

Já com um percurso de quatro décadas, os The Monochrome Set liderados pelo cantor de origem indiana Bid (pseudónimo de Ganesh Seshadri), ao qual se juntam o guitarrista Lester Square e o baixista Andy Warren, são uma das bandas mais subestimadas da história da música britânica. Nasceram nos início dos anos setenta do século passado e começaram a ganhar fama no final da era punk, optando, sonoramente, por uma vertente eminentemente arty dentro daquele rock de cariz mais nostálgico e sombrio. O nome do grupo inspira-se nas pinturas monocromáticas de Yves Klein e alguns dos títulos das suas músicas mais emblemáticas, como Alphaville e Eine Symphonie des Grauens, sugerem uma ligação a grandes obras primas de Jean-Luc Godard e F. W. Murnau). Em mil novecentos e setenta e nove lançaram uma série de singles pela Rough Trade que são agora peças de colecionador, seguidos pelas primeiras obras primas, Strange Boutique (1980) e Love Zombies (1980). Três anos depois mudaram para a Cherryl Red Records onde lançaram Eligible Bachelors (1982) e “The Lost Weekend” (1985). Agora, mais de três décadas depois, editam uma súmula desse período intitulada 1979 – 1985: Complete Recordings, o documento perfeito do capítulo inicial da história dos The Monochrome Set, que teve sequência com mais quatro discos na década de noventa e outros dois já no novo século. Juntamente com essa súmula, o trio acaba também de editar, à boleia da Tapete Records, um novo registo de originais intitulado Maisieworld, sucessor de Platinum Coils (2012) e Super Plastic City (2013), um registo sobre o qual me debruçarei já de seguida.

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Intemporais e merecedores de rasgados elogios, sendo fonte de inspiração para nomes como Graham Coxon, os Franz Ferdinand ou Edwin Collins, os The Monochrome Set continuam amostrar-se paicularmente incisivos no modo comose servem da clássic tríade guitarra, baixo e bateria para esculpir canções que mostram ser verdadeiras espirais sonoras ora rugosas e algo climáticas, ora dançantes e capazes de fazer sobressair o nosso lado mais festivo e exaltante. Assim, Maisieworld apresenta-se como um verdadeiro frenesim rock que encontra continuidade segura da melhor herança da banda no groove cósmico dos efeitos da guitarra e do ritmo intermitente da bateria de Shallow, na solenidade pop dos arranjos de sopros e das cordas distorcidas de Cyber Son, no punk vigoroso do baixo que abastece Mrs Robot e na toada new wave da guitarra e dos metais de Give Me Your Youth, só para citar alguns dos momentos mais inspirados e inebriantes de uma sucessão de músicas que, conforme descreve o press release do lançamento, destacam a natureza volátil, caprichosa e instável de The Monochrome Set. Novas portas conduzem a corredores até agora inexplorados com saxofones, trombones e trombetas, onde estranhos órgãos deslizam sobre nós, em que um grunhido baixo surge nos nossos tornozelos e um banjo deformado atravessa-se no nosso caminho. Vozes divertidas cantam a natureza orgânica frágil, os sonhos e esperança tristes que nos entretém e as sombrias decisões que tomamos. Cenas de uma imaginação diferente rasga-nos e refaz o nosso retrato na fantasia de outro. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:19
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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2018

The Wombats - Beautiful People Will Ruin Your Life

Os ingleses The Wombats estão de regresso aos discos depois do excelente Glitterbug de 2015, um disco que se notabilizou por oferecer canções cheias de guitarras aceleradas, inflamadas com letras divertidas, sempre com um audível elevado foco na componente mais new wave do indie rock. O novo álbum desta banda de Liverpool formada por Matthew Murphy, Daniel Haggis e Tord Øverland-Knudsen chama-se Beautiful People Will Ruin Your Life e viu a luz do dia a nove de fevereiro último, confirmando tais expetativas e com elevada bitola qualitativa.

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Liricamente deliciosamente inspirado na relação de Murphy com a sua esposa e sonoramente mais distante daquele rock que pisca o olho à eletrónica através do sintetizador, um instrumento desta vez menos audível, Beautiful People Will Ruin Your Life é um registo com uma forte aurea classicista, dentro daquilo que o rock tem de mais genuíno. Assim, abundam ao longo das onze canções do alinhamento solos de guitarra preenchidos com riffs inspirados e frequentemente escuta-se o baixo e a bateria a conduzirem o ritmo e muitas vezes a melodia de alguns temas, fazendo-o de modo particularmente audacioso e vincado em Out Of My Mind, com a vertente mais sintética neste e noutros temas a servir apenas para florear ou adicionar pequenas nuances ao grosso do arquétipo das canções. Exemplos disso são o refrão de Lemon to a Knife Fight, uma canção sobre aquilo que de mais conturbado pode ter uma relação a dois e que sem renegar a luminosidade das cordas, aprofunda uma relação da banda cada vez mais próxima do trio com a pop mais radiofónica, ou no início inspirado de Lethal Combination, uma das composiçoes mais divertidas e luminosas do disco. Depois, nas oscilações de intensidade que o piano, mas também as cordas e a percurssão  mostram em I Only Wear Black, na rugosidade das guitarras de Ice Cream ou na energia contagiante de White Eyes, desfila um álbum surpreendentemente assertivo, bem estruturado e instrumentalmente sonante, repleto de poemas que retratam com acerto situações e sentimentos que podem ser adotados e adaptados ao quotidiano de qualquer um de nós.

Na segunda década deste século os The Wombats cresceram e nesse processo de mutação natural continuam a amadurecer e a sair com limpeza daquele estado algo ébrio que mostraram no início da carreira rumo a um novo acordar mais sério e sóbrio que os faz ver a vida de um modo mais decidido e realista, não tendo vindo a dar-se nada mal com essa mudança. Espero que aprecies a sugestão...

The Wombats - Beautiful People Will Ruin Your Life

01. Cheetah Tongue
02. Lemon To A Knife Fight
03. Turn
04. Black Flamingo
05. White Eyes
06. Lethal Combination
07. Out Of My Head
08. I Only Wear Black
09. Ice Cream
10. Dip You In Honey
11. I Don’t Know Why I Like You But I Do


autor stipe07 às 21:06
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