Domingo, 1 de Abril de 2018

Fujiya And Miyagi – Subliminal Cuts

Fujiya And Miyagi - Subliminal Cuts

Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, meia dúzia de discos depois, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os Fujiya And Miyagi resolveram em 2018 revisitar Transparent Things, o disco que editaram há uma dúzia de anos e que os lançou para o estrelato. E para comemorar essa efeméride lançaram também um novo single intitulado Subliminal Cuts, inspirado na série televisiva policial Columbo, uma canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que também impressiona pelo jogo que se estabelece entre o baixo e as guitarras no meio das batidas.

Em 2006, com rock britânico em crise acentuada devido ao resurgimento do outro lado atlântico do punk rock (Interpol, The Strokes, Liars) e da underground dance nova iorquina (LCS Soundsystem, Yeah, Yeah, Yeahs, Radio 4), Transparent Things era um trabalho que apostava numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências mais contemporâneas da pop movida a sintetizadores, sem nunca descurar a presença do baixo e da guitarra no processo de criação. O disco continha clássicos do calibre de Ankle Injuries, Collarbone ou Photographer e foi um sucesso imediato que é possível agora revisitar, numa reedição em vinil. A mesma contém como bónus um tema intitulado Different Blades From The Same Pair Of Scissors, uma canção cuja versão original viu a luz do dia em 2008 para a iniciativa Nike Running Series, sendo a versão integral das seis canções que juntas compôem o tema. São quarenta e três minutos que acabam por ser uma junção de várias composições, todas elas assentes num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos e que remetem-nos, essencialmente, para a sintetização oitocentista, mas também para a melhor herança da eletrónica alemã. Confere...


autor stipe07 às 18:19
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Segunda-feira, 12 de Março de 2018

Moby - Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt

Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt é o título do novo álbum Moby, um disco lançado no início deste mês à boleia da Mute e que tem como tema central o nosso mundo e o modo como o homem o tem maltratado. Este registo sucede ao muito recomendável These Systems Are Failing lançado  o ano passado e mostra que este músico e produtor nova iorquino, com nove álbuns só nos últimos dez anos, vive uma das fases mais inspiradas e produtivas de uma já longa e respeitável carreira, que tem feito dele um dos expoentes maiores da eletrónica do novo milénio.

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Com um arranque de carreira memorável à boleia de Play, ainda o melhor disco da sua discografia, é sempre com elevada dose de ansiedade que os seguidores de Moby se preparam para escutar um novo alinhamento do artista, sempre à espera de algo que supere ou pelo menos iguale a elevada bitola qualitativa desse disco de estreia, prestes a fazer vinte anos de vida. Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt ainda não é o tal álbum que destrona Play do pódio do melhor registo do cardápio de Moby, mas é, talvez, aquele que mais se aproxima do seu grau de excelência.

Disco com uma tremenda sensibilidade e cheio de melodias bastante aditivas, Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt transporta consigo um ideário, quer sonoro, quer lírico e poético muito vincado e descrito logo no início desta análise e a verdade é que ao longo das suas doze canções e de alguns dos vídeos já produzidos de promoção aos singles, o autor consegue tocar o ouvinte e deixá-lo a refletir sobre esta contemporaneidade tão conturbada e perigosa que testemunhamos, quer para a nossa espécie quer para o futuro sustentado do planeta em que vivemos.

Assim, e debruçando-me em alguns daqueles que são, na minha opinião, os melhores instantes do registo, se The Tired And The Hurt é um infatigável corpo eletrónico que revela as suas diferentes camadas sonoras enquanto o sagrado e o profano se entrelaçam sem pudor e se Mere Anarchy sustenta-se numa eletrónica de cariz ambiental e progressivo, onde não falta um clima melancólico que dá um aspecto algo sombrio à música, o que combina bem com a escolha do intérprete, um especialista na replicação de ambientes mais negros, já Like A Motherless Child, canção que conta com a participação especial vocal de Raquel Rodriguez, é um verdadeiro assombro orquestral intenso e belo e The Waste Of Suns revela-se uma daquelas canções que constroem um universo quase obscuro em torno de si e que se vão transformando à medida que avançam, surpreendendo em cada nota, timbre ou inflexão ritmíca e melódica.

Daqui em diante ainda há tempo para sentir em The Sorrow Tree um toque de lustro dos anos oitenta, através de um sintetizador que apenas permanece o tempo suficiente para nos preparar para uma batida crua, cheia de loops e efeitos em repetição constante, algo que nos provoca um saudável torpor, que de algum modo apenas é interrompido em The Middle Is Gone, aquela canção que todos os grandes discos têm e que também serve para exaltar a qualidade dos mesmos, principalmente quandonas asas de um piano se desviam um pouco do rumo sonoro geral do trabalho. Nesse tema, os efeitos robóticos carregados de poeira da voz de Moby e aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como um subtil efeito de guitarra colocam-nos na rota certa de um álbum que do tecno minimal ao space rock, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Espero que aprecies a sugestão...

Moby - Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt

01. Mere Anarchy
02. The Waste Of Suns
03. Like A Motherless Child
04. The Last Of Goodbyes
05. The Ceremony Of Innocence
05. The Tired And The Hurt
07. Welcome To Hard Times
08. The Sorrow Tree
09. Falling Rain And Light
10. The Middle Is Gone
11. This Wild Darkness
12. A Dark Cloud Is Coming


autor stipe07 às 21:43
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

Montero – Performer

É inegável que com o virar do século a Austrália tornou-se, por razões nem sempre fáceis de destrinçar, um viveiro para o germinar de projetos sonoros que misturando rock, pop e psicadelia de forte travo glam vintage, acabaram por conquistar ouvintes além fronteiras e, em certos caso, o estrelato mundial. Os Tame Impala são, obviamente, o grupo mais bem sucedido, mas os POND, os King Gizzard and the Lizard Wizard de Stu Mackenzie, os The Jungle Giants, Jagwar Ma, Underground Lovers, The Ocean Party ou os Coloured Clocks, entre outros, também merecem destaque, sendo agora acompanhados por Montero, um projeto da autoria do aclamado artista Bjenny Montero, de regresso aos discos com Performer depois do enorme sucesso conseguido com o seu disco de estreia The Loving Gaze (2013), que continha o single Adriana, um dos temas com maior airplay esta década nas rádios australianas.

Perennial "Performer" Montero returns with new album, Performer (ta-dah!), out next month on Chapter Music

Escrito entre Londres e Atenas e produzido por Joey Watason (POND, Tame Impala), Performer está impregnado com uma tremenda sensibilidade pop e recheado de temas com uma epicidade incomum e um fulgor que instiga e faz mover quase de modo instintivo quem se predispõe à escuta dedicada. É um alinhamento de dez temas que se assume como uma espécie de ode ao melhor revivalismo neopsicadélico, sendo bons exemplos dessa permissa o aurea dos sintetizadores que abastecem Montero Airlines e a majestosa Tokin’ The Night Away e o intenso downgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente do tema homónimo, mas também a vibe etérea tremendamente lisérgica de Aloha, o clima vibrante de Runnign Race, a amplitude e a luminosidade cósmica de Caught Up In My Own World, e o charme luxuriante de Vibrations, sendo estes apenas alguns exemplos do modo como este registo é exímio a confundir-nos com um celebração indulgente e inspirada dos melhores sons do passado sem ousar afastar-se do melhor clima indie do pop rock atual.

Performer impressiona pela alegria e pelo tom poético, corajoso, denso e sofisticado de canções com uma beleza ímpar e até certo ponto onírica. No seu todo, assume-se como um agregado coeso e inspirado de composições que, num misto de pop, eletrónica e pequenas experimentações próximas do rock, transmitem um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa. Através dele Montero enche-nos com um espaço sonoro pleno de texturas e fôlegos e onde é transversal uma sensação de experimentação nada inócua e que espelha o cimento das coordenadas que se apoderaram do departamento de inspiração deste músico, compositor e cartoonista, sendo o resultado da ambição do mesmo em se rodear com uma áurea resplandecente e inventiva e de se mostrar ainda mais heterogéneo e abrangente do que na estreia. Espero que aprecies a sugestão...

Montero - Performer

01. Montero Airlines
02. Aloha
03. Caught Up In My Own World
04. Running Race
05. Performer
06. Quantify
07. Vibrations
08. Tokin’ The Night Away
09. Destiny
10. Pilot


autor stipe07 às 13:51
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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2018

Helado Negro – Island Universe Story Four

Helado Negro é um projeto liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos radicado nos Estados Unidos e que também encabeça o projeto Ombre. Depois de no início de 2013 ter lançado Invisible LifeHelado Negro dedicou-se à publicação de uma série de compêndios denominados Island Universe Story, trabalhos que dão vida a uma série de publicações discográficas com esse formato e que contêm momentos mais experimentais do músico, ajudado por alguns convidados especiais. A primeira parte desta série foi publicada em 2012 e chama-se Island Universe Story One, o tomo Island Universe Story Two chegou no final do verão do ano seguinte, Island Universe Story Three em maio de dois mil e catorze e agora, três anos e meio depois, chegou a vez de Island Universe Story Four, disponível para audição no bandcamp do autor.

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Roberto Carlos gosta de afirmar que estas Island Universe Stories não são compilações de lados b ou temas que vão ficando de fora dos seus discos, mas antes cancões com muito valor, que merecem o seu próprio espaço e destaque, apesar de serem quase todas instrumentais que resultam normalmente de descontraídas jam sessions. Mas a sua voz também surge algumas vezes, com destaque e, como acontece quase sempre neste tipo de álbuns, o alinhamento acaba por incluir verdadeiras pérolas sonoras. Delas, o meu maior destaque é Come Be Me. São canções que resultam de momentos em que o músico toca sem sentir o peso da vertente comercial, o que faz com que possa mais genuinamente compôr a música que realmente gosta e com os arranjos que mais aprecia. O trabalho em estúdio de um músico não é apenas o resultado final do que se escuta em disco; Muitas vezes esse alinhamento é uma ínfima parte daquilo que ele produziu. E a propósito disso Roberto Carlos afirma: This is more of what I do. I’m really making music every day.

Island Universe Story Four tem, à semelhança dos outros três capítulos, uma sonoridade essencialmente etérea e introspetiva, com Guardar Our Are a ser, dentro dessa filosofia, uma pérola sonora que se espraia nos nossos ouvidos com íntimo deleite. Mas o groove latino e luminoso da já referida Come Be Me e o electrofuzz caliente de Glow You dão ao registo um ar festivo e mais expansivo. Esta exploração muito subtil de dois mundos sonoros aparentemente opostos é algo muito habitual na sonoridade deste músico.

Ao longo desta sequência de Island Universe Stories Lange contou com a participação de outros músicos e o autor considera muito importantes estes e outros contributos que tem recebido e admite que isso ajudou-o imenso a progredir musicalmente. Diz Lange sobre estes contributos: They are wildly free, and some of them are very structured and have a large amount of direction. It’s widely variable in terms of what freedoms are given and what control is taken. (...) I like the idea of process, and then what happens on the other side, too. Both are important to me.

É esta interação experimental frutuosa entre um musico equatoriano e alguns amigos que carateriza esta coleção, mais um capítulo da história musical de uma espécie de fantasma latino-americano que compila música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que transitam entre dois mundos que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Helado Negro - Island Universe Story Four

01. Come Be Me
02. ECHO 2
03. Source One
04. Mist Universe
05. Glow You
06. QWERTY
07. For A Time
08. Who Knows
09. Guardar Our Are
10. Makes Up Meditation
11. For Details


autor stipe07 às 15:30
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2018

MGMT – Little Dark Age

Pouco mais de quatro anos depois de um homónimo, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, está de regresso aos discos com Little Dark Age, o quarto trabalho destes já veteranos do indie rock psicadélico, que desde o espetacular disco de estreia Oracular Spectacular nos habituaram a uma espécie de rock psicadélico algures entre os Pink Floyd das décadas de sessenta e setenta e uns mais contemporâneos Flaming Lips, mas também com os olhos e ouvidos postos em projetos mais atuais e até, de algum modo, concorrentes.

Do ambiente sonoro algo cinzento e eminentemente sintético de Little Dark Age, a canção homónima do trabalho, inspirada no choque causado pela eleição de Trump, até aos sons poderosos que esculpem When You Die e a toada luminosa, cheia de sons etéreos e efeitos lisérgicos adornados por sintetizadores flutuantes de Hand It Over, em Little Dark Age escutamos mais um álbum que mostra com elevado nível de criatividade e engenho o cardápio instrumental e o rigor estilístico bastante diversificado deste projeto. De facto, os MGMT continuam a chegar ao estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar músca, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes abafadas, deliciosamente replicadas no retro groove oitocentista que carateriza Me and Michael, uma das melhores canções de Little Dark Age.

Gravado nos estúdios Tarbox Road Studios em Cassadaga, Nova Iorque e produzido pelos próprios MGMT e por Patrick Wimberly e Dave Fridmann, um colaborador de longa data da dupla, Little Dark Age eleva o grupo a um patamar superior de sapiência e rigor interpretativo através de uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, sempre carregadas de ácidos consumidos por uma dupla que sabe melhor do que ninguém como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no chamado electropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

MGMT - Little Dark Age

01. She Works Out Too Much
02. Little Dark Age
03. When You Die
04. Me and Michael
05. TSLAMP
06. James
07. Days That Got Away
08. One Thing Left To Try
09. When You’re Small
10. Hand It Over


autor stipe07 às 18:32
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Sábado, 3 de Fevereiro de 2018

Moby - Mere Anarchy

Moby - Mere Anarchy

Everything Was Beautiful, and Nothing Hurt é o título do álbum que Moby se prepara para lançar em 2018 à boleia da Mute e que parece ter como tema central o nosso mundo e o modo como o homem o tem maltratado. Já tinha passado por este espaço, no passado mês de dezembro, Like A Motherless Child, o primeiro single divulgado do registo. Agora, algumas semanas depois, já é conhecida a segunda canção do alinhamento. Intitula-se Mere Anarchy e sustenta-se numa eletrónica de cariz ambiental e progressivo, onde não falta um clima melancólico que dá um aspecto algo sombrio à música, o que combina bem com a escolha do intérprete, um especialista na replicação de ambientes mais negros.

Este tema já tem direito a um apocalítico video, realizado por Rob Gordon Bralver, que expora através de imagens a preto de vários locais do nosso planeta, a devastação que o assola até a um ponto de não retorno. Confere...


autor stipe07 às 15:48
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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2018

Django Django - Marble Skies

Os Django Django de Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon acabam de desvender todo o conteúdo de Marble Skies, o novo registo de originais desta banda escocesa natural de Edimburgo e que contém, como seria de esperar, dez canções feitas com uma pop angulosa proposta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual.

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Com as participações especias de Rebecca Taylor (Slow Club) e de Anna Prior (Metronomy), Marble Skies expõe com ainda maior ênfase as referências do house mais ácido noventista, numa espécie de continuidade relativamente a Born Under Saturn, mas ainda mais festiva. Esta confirmação de uma estética sonora bem definida é  uma coerência que de certo modo se saúda, principalmente no seio de quem, como eu, considerou há pouco mais de meia década este quarteto inglês como uma verdadeira lufada de ar fresco no universo sonoro regido pela pop de cariz mais eletrónico.

Mas não é só de pop eletrónica que vive Marble Skies. O disco é, na verdade, uma verdaderia amálgama e o caldeirão mantém-se bastante ativo como se percebe logo no início do alinhamento. Se o frenético e cósmico tema homónimo e a alegoria percurssiva e tribal de Tic Tac Toe e de In Your Beat obedecem à nuance sonora comum e intrinseca ao grupo, o spaghetti rock de Champagne e o elevado acerto melódico do piano de Sandials embrenham-nos em ambientes menos agitados e mais intrincados, numa mistura perfeita de géneros que serve para encontrar praias enterradas debaixo de edifícios de cimento e que vicia o ouvinte, convidando-a a repetidas audições.

Ao terceiro disco os Django Django apostam todas as fichas na sua notável capacidade para nos colocar a dançar, mesmo que haja uma relutância em relação ao constante apelo, nem que seja para um quase implícito abanar de ancas e aprimoram a sua cartilha sonora feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art popart rock ou ainda beat pop, acompanhada por guitarras que parecem ter saído do farwest antigo e por efeitos sonoros futuristas. Nele a banda cumpre cabalmente a função lúdica de apelo ao lado mais físico do ouvinte, mesmo num tempo em que parece existir uma clara obsessão em encontrar paralelismos e pontos de encontro no universo sonoro alternativo, entre a eletrónica mais progressiva e a comercial, para que um projeto mereça sentar-se  mesa dos nomes fundamentais da música de dança atual. Espero que aprecies a sugestão...

Django Django - Marble Skies

01. Marble Skies
02. Surface To Air (Feat. Self Esteem)
03. Champagne
04. Tic Tac Toe
05. Further
06. Sundials
07. Beam Me Up
08. In Your Beat
09. Real Gone
10. Fountains


autor stipe07 às 18:02
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Sábado, 13 de Janeiro de 2018

Panda Bear – A Day With The Homies EP

Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira a solo de Noah Lennox, aka Panda Bear, um músico natural de Baltimore, no Maryland e com residência em Lisboa, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam o antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que, para Bear, o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental, estranhamente aproximou-se da pop. Agora, quase três anos depois do aclamado Panda Bear Meets The Grim Reaper, Lennox dá um novo significado a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco no conteúdo de A Day With The Homes, um EP de cinco canções onde encontramos uma sequência de primorosas e ainda atrativas experimentações, com o nível de desordem sonora a mostrar-se sempre acessível ao ouvinte e o disco a fluir dentro de limites bem definidos.

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Neste A Day With The Homies as canções sucedem-se articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea. É a materialização de um universo muito próprio e algo peculiar e até colorido, uma impressão obtida logo noinício com a batida animada de Flight a surpreender pelo seu nível de humor e de acessibilidade.

O EP avança e quer no clima kraut algo subversivo de Parth Of The Math ou nos flashes e ruídos que correm impecavelmente atrás de uma percussão orgânica e bem vincada que, em Shepard Tone, nos faz transpor quase instantaneamente uma espécie de portal, para um universo de pendor mais psicadélico, escutamos dois temas com uma filosofia diferente e menos imediata do que a da canção incial e que nos deixam a impressão que Lennox quis, desta vez, trazer à tona sons, efeitos e melodias que estavam guardadas e à espera do momento certo para ganharem vida, porque o autor considerava que antes não se encaixavam no perfil sonoro dos seus alinhamentos, ou porque ainda não tinham sido objeto do trabalho de produção merecido. 

O ocaso do EP chega mais depressa do que gostaríamos com o clima etéreo de Noad To The Folks, canção onde as batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem em demasiado ao restante conteúdo sonoro, assente em elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um efeito aquático com um volume crescente e com um piscar de olhos sintético a sonoridades mais negras em Sunset, mais duas canções que justificam o modo como A Day With The Homies pode ser descrito como extraordinário. Naturalmente corajoso, complexo e encantador, além de não renegar a identidade sonora distinta de Panda Bear, ainda a eleva para um novo patamar de diferentes cenários e experiências instrumentais, onde exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário sonoro desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, mas repleta de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - A Day With The Homies

01. Flight
02. Part Of The Math
03. Shepard Tone
04. Nod To The Folks
05. Sunset


autor stipe07 às 16:44
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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2018

MGMT - Hand It Over

MGMT - Hand It Over

Pouco mais de quatro anos depois de um homónimo, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, está prestes a regressar aos discos com Little Dark Age, o quarto trabalho destes já veteranos do indie rock psicadélico, que desde o espetacular disco de estreia Oracular Spectacular nos habituaram a uma espécie de rock psicadélico algures entre os Pink Floyd das décadas de sessenta e setenta e uns mais contemporâneos Flaming Lips, mas também com os olhos e ouvidos postos em projetos mais atuais e até, de algum modo, concorrentes.

Depois do ambiente sonoro algo cinzento e eminentemente sintético de Little Dark Age, a canção homónima do trabalho, divulgada em outubro último e dos sons poderosos que esculpiam When You Die, já é conhecido o terceiro single do disco. É uma canção intitulada Hand It Over e contém uma toada luminosa, cheia de sons etéreos e efeitos lisérgicos adornados por sintetizadores flutuantes e com direito a um video bastante curioso, comparável com uma pintura em movimento e realizado em parceria por Old Man Future e Shively Humperdink. Confere...


autor stipe07 às 17:59
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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

MGMT - When You Die

MGMT - When You Die

Pouco mais de quatro anos depois de um homónimo, a dupla norte-americana MGMT formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, está prestes a regressar aos discos com Little Dark Age, o quarto trabalho destes já veteranos do indie rock psicadélico, que desde o espetacular disco de estreia Oracular Spectacular nos habituaram a uma espécie de rock psicadélico algures entre os Pink Floyd das décadas de sessenta e setenta e uns mais contemporâneos Flaming Lips, mas também com os olhos e ouvidos postos em projetos mais atuais e até, de algum modo, concorrentes, nomeadamente os Tame Impala ou os Animal Collective.

Depois do ambiente sonoro algo cinzento e eminentemente sintético de Little Dark Age, a canção homónima do trabalho, divulgada em outubro último, When You Die é o mais recente tema conhecido do registo, uma canção com uma toada mais luminosa e cheia de sons poderosos adornados por sintetizadores flutuantes e com direito a um video bastante curioso. Protagonizado por Alex Karpovsky e Lucy Kaminski mostra um mágico que dia apósdia repete a sua paresentação num bar, uma cena que dia após dia se torna numa experiência verdadeiramente surreal. Confere..


autor stipe07 às 21:50
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