Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

Mimicking Birds – Layers Of Us

Quase quatro anos depois do excelente Eons, os Mimicking Birds, de Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, estão de regresso com Layers Of Us, um trabalho editado no início deste ano através da Glacial Pace Records, estando disponivel para audição e aquisição na página bandcamp do projeto.

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O efeito da guitarra e os efeitos rugosos do tema que dá nome ao disco e a melodia cinematográfica que sustenta o tema, são detalhes únicos que, abrindo o disco, preparam-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nu, sem truques, no ritmo frenético e no clima rugoso de Another Time e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que divagam pela canção. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muito bem interpretar, na senda de alguns nomes que sustentam a melhor herança norte americana deste universo sonoro tão peculiar e com raízes tão profundas no outro lado do atlântico.

Layers Of Us é um trabalho que cresce audição após audição; Mesmo não estando na lniha da frente do processo de criação melódica, os sintetizadores conseguem conciliar a efervescência dos efeitos que debitam, com a indispensável dinâmica que constroem com as guitarras, um abraço instrumental que conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem expansivo e épico, mas também com uma intimidade muito própria e familiar.

Um dos aspetos mais interessantes de Layers Of Us é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração. Se a acusticidade orgânica de Island Shore não é beliscada pela eletrificação da guitarra, o baixo e a percussão também são elementos estruturalmente dominantes em várias canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em A Part e no rock de One Eyed Jack, à abordagem mais eletrónica de Great Wave, ou da mais ambiental Belongings, Layers Of Us está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Sunlight Daze e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite.

No epílogo de Layers Of Us percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Layers Of Us

01. Dust Layers
02. Another Time
03. Sunlight Daze
04. Island Shore
05. Great Wave
06. A Part
07. Belongings
08. Lumens
09. Time To Waste
10. One Eyed Jack


autor stipe07 às 21:21
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2018

Cœur De Pirate – En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé.

Conhecida pela sua escrita impressiva, quase sempre na primeira pessoa e pela arrebatadora sinceridade e doce luminosidade da sua música, a canadiana Béatrice Martin comemora em 2018 dez anos de carreira à frente do seu projeto Cœur De Pirate e fá-lo com a edição de um álbum intitulado En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé. Esse novo registo de originais desta lindíssima artista oriunda do Quebeque canadiano chegou aos escaparates já no início deste mês através da Dare To Care Records e não é necessário ser um génio na língua francesa para se entender toda a teia emocional destas dez canções que, até no próprio duplo sentido do título do disco, num misto de cautela e turbulência, explícita toda a teia sentimental que descreve a pessoalidade de uma mulher madura, mas também tremendamente humana e já bastante vivida.

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Gravado maioritariamente em Paris e produzido por Cristian Salvati, En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé é uma deliciosa narrativa sobre o poder do amor, o modo como essa força se ajusta aos diferentes ritmos e vivências de uma relação e como a desregulação desse sentimento pode provocar, no seio da mesma, situações menos felizes e saudáveis que, em última instância, podem colocar em causa a senilidade dos intervenientes.

Escuta-se Somnambule, um dos momentos altos do registo que também teve forte influência da obra ficcional do escritor René Barjavel e percebe-se claramente toda esta trama acima descrita, numa canção que foi composta num estágio superior de sapiência, um estado de alma que permitiu à autora utilizar o seu habitual espírito acústico e orgânico ao piano para se colocar também à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar-nos assim mais uma história que a materializa na forma de uma conselheira espiritual sincera e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, neste caso do tal amor, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Depois, na pop efervescente de Prémonition, na luminosidade e no positivismo feliz de Amour D'un Soir e nos belíssimos arranjos que divagam por De Honte Et De Pardon, percebemos o modo como este disco acabou por funcionar como um bem sucedido escape emocional para alguém que incubou este alinhamento num momento complicado da sua vida pessoal, de exaustão e de necessidade de isolamento, mas que, talvez inconscientemente, acabou por dar vida a um dos discos mais pessoais e intimistas do ano. Espero que aprecies a sugestão...

Cœur De Pirate - En Cas De Tempête, Ce Jardin Sera Fermé.

01. Somnambule
02. Prémonition
03. Je Veux Rentrer
04. Dans Les Bras De L’autre
05. Combustible
06. Dans La Nuit (Feat. Loud)
07. Amour D’un Soir
08. Carte Blanche
09. Malade
10. De Honte Et De Pardon


autor stipe07 às 21:08
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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

Jorge Ferraz - Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?

Numa edição da sempre muito recomendável Cobra Discos, já viu a luz do dia Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, o novo capítulo discográfico de Jorge Ferraz, um consagrado músico e guitarrista que embora trabalhe com muito equipamento electrónico e digital, tem na guitarra a sua grande obsessão. Este compositor e produtor, fundou e liderou algumas bandas portuguesas underground desde o início dos anos oitenta, com destaque para Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, um projeto cujo primeiro registo foi considerado em 1998, num trabalho conjunto do Público e da FNAC, um dos melhores discos da música popular portuguesa de 1960 a 1997. Ezra Pound e a Loucura, ou Fatimah X, foram outros projetos em que se envolveu, tendo sido também cofundador da efémera banda João Peste & o Acidoxibordel que reuniu, entre outros, músicos dos Pop Dell’Arte e dos Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre!, bem como o saxofonista Rodrigo Amado.

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Em 2006 Jorge Ferraz passou a trabalhar em nome próprio, tendo publicado, desde então, dois álbuns, um em dois mil e oito e outro em dois mil e dez. Foi produtor dos seus discos a solo e de grande parte das edições das bandas que integrou, tendo ainda desempenhado essas funções com os Pop Dell’Arte e os The Great Lesbian Show. Publicou também poesia e ensaio em revistas como Vértice e Bumerangue, bem como um livro de contos, Telescópio Quebrado Scanner Descontínuo, na Black Sun Editores. Desde 2013 que é igualmente membro fundador do colectivo multimédia Cellarius Noisy Machinae.

No que concerne ao conteúdo de Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, o registo contém dezasseis canções que são compêndios de poesia-ruído assumidamente radicais, serenamente aquáticas e borbulhantes e/ou violentas e distorcidas, organizadas em quatro movimentos/partes - talvez pseudo-géneros musicais distintos - com uma duração de cerca de 40 min. Um caminho que vai de infantis melodias de adeus a súbitas atonalidades intrometidas, num sempre aberto jogo de manipulação analógica e digital de tempos, “pitches” e “loops” que resulta do confronto entre a guitarra e outras máquinas. Um vaivém entre o interventivo e o contemplativo, a ruptura activa e a desistência, o rigor maníaco e a displicência ladina, o romântico e o desencantamento irónico. Música e temas onde também se pergunta o que é a identidade de um artista e criador e de onde vem. Qual é a sua liberdade e onde reside a sua coerência? Um romantismo derrotado... de que nunca se desiste.

Rock , eletrónica e jazz são, de certo modo, os grandes eixos orientadores da filosofia sonora deste Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?, disco onde tudo aquilo que se escuta sabe a uma verdadeira e inspirada ode ao improviso, numa busca constante de sons e melodias que de anárquico terão muito pouco. Assim, do jazz funk de Beirut, the policeman said, versão de uma música incubada no seio dos Santa Maria, Gasolina em teu Ventre!, ao travo eminentemente jazzístico do rock que sustenta Free Rock Songs for Losers and Romantics, que se repete de modo mais subversivo e caricatural em Sax Bitch e que assume uma toada mais abrasiva em Fake-Jazzy Adventures with Alien Breakdowns and Broken Instruments até ao travo pop e de certo modo mais radiofónico de  There is No Second Time and I Feel Fine, este é um disco que procura unificar, através daquilo que o autor apelida de guitartrónica pessoal, toda a miríade de ruídos, ritmos, cadências e pulsares que o  inspiram, mas também o inquietam. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:52
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2018

The Wave Pictures – Brushes With Happiness

Uma das bandas mais profícuas e queridas do cenário indie britânico são os The Wave Pictures de David Tattersall, Franic Rozycki e Johnny 'Huddersfield' Helm, nestas andanças há uns doze anos, mas que estrearam uma segunda vida discográfica em 2011 com Beer In The Breakers e que têm habituado os seus seguidores a pelo menos um lançamento discográfico de relevo por ano. Em 2018 elevam a fasquia e editam dois compêndios, sendo o primeiro Brushes With Happiness, nove canções gravadas espontaneamente pelo trio em apenas um dia de janeiro, num pequeno estúdio caseiro, abrigadas à sombra da Moshi Moshi Records e que, conforme explica Dave Tattersall, o líder da banda, têm um lado muito espiritual e sentimental; We recorded this album live in a small room to tape on one night in January, playing music into the wee hours. Listening to the album feels like being in a ceremony. It takes you to that place. This is music that emanates from one group of people in one place in space and time. Listening to it is like being let in on a secret. Depois deste Brushes With Happiness, chegará em outubro aos escaparates Look Inside Your Heart, um disco menos intuitivo e mais elaborado e refletido, o que não significa automaticamente que venha a ser qualitativamente superior. Veremos.

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Brushes With Happiness mostra o lado mais contemplativo e cru dos The Wave Pictures. É um registo eminentemente acústico onde canções como The Little Window, que mistura blues e folk com uma certa psicadelia, ou a mais orgânica Jim, assim como as nuances classicistas do rock que abastece o tema homónimo, são excelentes instantes sonoros para se perceber o modo como o processo de composição do trio assenta, acima de tudo, na mente criativa de Dave Tatterstall e na sua guitarra. Esse instrumento é o eixo orientador do processo melódico e rítmico das canções, que segue muitas vezes pelo caminho mais simples e minimal no processo de criação, uma aparente ligeireza que acaba por dar um ar mais familiar e ligeiro às canções, o que faz com que o disco flua com enorme prazer.

Os The Wave Pictures não gostam muito de obedecer a convenções e acima da perfeição colocam o seu talento tipicamente indie ao serviço do gozo que lhes dá criarem composições que toquem no âmago pela tal familiariedade que exalam, mas que também tenham uma tonalidade acessível e otimista. A longa Laces é um excelente exemplo da facilidade com que os The Wave Pictures modelam canções que, pela sua duração poderiam ser aborrecidas, mas que, devido neste caso à toada blues que a sustenta, tornam-se em instantes de elevado prazer.

O disco terá nascido, naturalmente, com processos eminentemente analógicos, normais num ambiente bastante intimista; Este toque algo vintage acaba por conferir ao trabalho um certo charme algo indisfarçável. E ao longo das nove canções Tattersall revela-se, mais uma vez, um brilhante escritor de canções, nas quais escreve imensas vezes na primeira pessoa e referindo-se certamente a ele próprio. Mas o que mais impressiona na sua escrita é a combinação recorrente entre a sinceridade e o sarcasmo e o detalhe com que pinta determinados cenários que quase conseguimos visualizar.

Brushes With Happiness é uma aparente repetição mais intimista de uma fórmula que tem sido muito bem sucedida num projeto já com uma extensa discografica, mas que não completou ainda uma década de carreira no regresso à ribalta, mas é mais uma acha certeira para a fogueira do culto que esta banda já usufrui, principalmente em terras de Sua Majestade, alimentada em grande parte por uma fórmula sonora que nos mostra que na música são os prazeres mais simples, aqueles que melhor recompensam o ouvinte. Espero que aprecies a sugestão...

The Wave Pictures - Brushes With Happiness

01. The Red Suitcase
02. Rise Up
03. Jim
04. Laces
05. The Little Window
06. Crow Jane
07. The Burnt Match
08. Brushes With Happiness
09. Volcano


autor stipe07 às 23:22
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2018

Animal Flag – Void Ripper

Boston, Massachussets, é o poiso do projeto norte americano Matthew Politoski, o grande responsável pelo projeto Animal Flag, de regresso aos lançamentos discográficos com Void Ripper, nove canções que viram a luz do dia em plena primavera passada e disponíveis para audição e possibilidade de doação de um valor pelas mesmas na plataforma bandcamp. Gravado entre 2014 e 2017, em estúdios de Denvers e Boston, no Massachussets, em Void Ripper Matthew contou com a ajuda de Sai Boddupalli nas guitarras, Alex Pickert na bateria, Zach Weeks no baixo e vários intervenientes nas vozes, nomeadamente Sydney Amanuel, Paige Chaplin, Dary Valentina Dominguez, Olivia Laratta e Michi Tassey.

O indie rock que pisca o olho a ambientes particularmente progressivos e com um pendor melódico algo contemplativo e reflexivo é a pedra de toque deste cardápio de temas, uma descrição algo generalista, até porque são temas que merecem audição atenta e que palsma diversas nuances, mas que o tema homónimo claramente exemplifica. Se Candance não foge a esta bitola, com mais ritmo e uma maior amplitude na distorção da guitarra, um rugoso timbre do baixo e algumas variações rítmicas, conferem a esta canção um ambiente ainda mais épico e impulsivo, que mostra o quanto Animal Flag é um projeto particularmente íntimo de uma monumentalidade muito vincada.

À medida que avançamos na audição de Void Ripper vai-se tornando evidente que Matthew e a vasta miríade de convidados que agregou à sua volta para gravar estes temas, não recearam, em nenhum instante, convocar alguns detalhes clássicos que alimentaram os primordios do rock alternativo, sem descurar o compromisso com uma estética muito própria e que, no fundo, não deixando de conter a contemporaneidade e o ideal de inovação, conseguem uma mistura feliz entre estes dois opostos. O piscar de olhos aos Placebo em Stray e aos Bush em Fair, por exemplo e a acusticidade experimental de Lord Of Pain, atingem o louvável intuíto de nos fazer regressar ao passado, enquanto nos entregam sensações auditivas perfumadas por uma herança que nos diz muito.

Se o prazer de escutar estes Animal Flag faz-nos sentir fiéis a um outro tempo que, pelos vistos, não conhece fronteiras temporais, é também a indisfarçável modernidade deste projeto que faz com que esta coleção de canções de fortes inspirações noventistas, possa e deva ser apreciada com a relevância e o valor que, por direito, merece. Espero que aprecies a sugestão...

Animal Flag - Void Ripper

01. Morningstar
02. Void Ripper
03. Candace
04. Stray
05. Fair
06. Lord Of Pain
07. I Can Hear You Laugh
08. Why
09. Five


autor stipe07 às 20:57
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

Typhoon – Offerings

Foi no início deste ano que viu a luz do dia Offerings, o quarto álbum dos norte-americanos Typhoon, um coletivo de Portland, no Oregon, que faz parte do catálogo da Roll Call Records, tendo sido este o segundo disco do grupo com a chancela desta etiqueta. Registo conceptual, em quase setenta minutos de música Offerings disserta sobre a vida de um homem que está lentamente a perder a sua memória e oferece aos Typhoon o disco mais dinâmico, ambicioso e impressivo da carreira do projeto até à data.

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Offerings é um daqueles discos que requer tempo e paciência para ser absorvido e contemplado como merece, mas essa é uma tarefa recompensadora, não só porque nos permite conhecer composições sonoras impregnadas com um indie rock orquestral de elevada bitola qualitativa, mas também porque nos faz refletir sobre uma temática que muitas vezes temos receio de encarar de frente, mas com a qual poderemos ter, direta ou indiretamente, de lidar, mais cedo ou mais tarde.

Não é em vão que listen é a primeira palavra que se ouve no disco, com Wake a explicar-nos que a perca dessa faculdade, a audição, é dos eventos mais tristes que pode suceder nas nossas vidas e que, para que tal suceda, não é preciso que fiquemos surdos. Muitas vezes recusamo-nos a ouvir, mesmo que a nossa audição esteja, ainda, em excelente estado, como bem sabemos.

Kyle Morton, o vocalista da banda e responsável por grande parte da lírica das canções, é muito contundente no modo como aborda e crítica a nossa propensão humana para a seleção, já que preterimos muito, na relação com o próximo, aquilo que nos incomoda, dando geralmente primazia no aproveitamento que fazemos da relação, áquilo que podemos beneficiar com a mesma. E, de acordo com Kyle, num homem que está lentamente a perder a memória, essa dificuldade em destrincar o que realmente importa, quer no outro, quer no que nos preenche, é algo ainda mais premente, com cada uma das canções a representar diversos estados de alma que personificam diferentes estádios de degradação da capacidade de reconhecimento dessa personagem. Desse modo, Offerings confronta-nos com o nosso âmago e, por isso, torna-se, no imediato, algo repulsivo, mas os desafios que as suas quase duas mil e trezentas palavras nos colocam, as referências literárias que contém e que vão da filosofia à religião e o modo como nos seduz e convida à auto reflexão, faz dele um álbum extremamente cativante e ao qual acaba por ser difícil resistir.

Em suma, das guitarras efusivas de Chiaroscuro, até ao clima sonoro mais direto e intuitivo das cordas de Algernon, um excelente tema para nos elucidar acerca desta trama, passando pelas referências ao clássico cinemtatográfico de 1963 da autoria de Federico Fellini  ou como os arranjos de White Lighter catapultam o foco do som Typhoon para um experimentalismo psrticlarmente salutar, Offerings reforça a reputação que este projeto tem vindo a ganhar de ser um potencial candidato a tornar-se referência obrigatória no espetro sonoro em que se insere. Mesmo nos momentos mais escuros e lo-fi, há paisagens com alguma luminosidade e cor, ideais para a personagem criada pela banda se esconder enquanto nos confrontamos com os seus dilemas. Nesses instantes ela encarna aquele sorriso que muitas vezes conseguimos vislumbrar num rosto que já não tem vida. Espero que apreces a sugestão...

Typhoon - Offerings

01. Wake
02. Rorschach
03. Empiricist
04. Algernon
05. Unusual
06. Beachtowel
07. Remember
08. Mansion
09. Coverings
10. Chiaroscuro
11. Darker
12. Bergeron
13. Ariadne
14. Sleep


autor stipe07 às 21:48
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Sábado, 16 de Junho de 2018

Hooded Fang – Dynasty House EP

Já chegou aos escaparates à boleia da DAPS Records Dinasty House, o novo EP dos canadianos Hooded Fang, uma banda natural de Toronto, formada por April Aliermo, Daniel Lee, D. Alex Meeks e Lane Halley e que do blues dos anos sessenta, ao punk setentista, passando pelo rock experimental e de garagem, são competentes na forma como abordam diferentes estilos e tendências dentro do universo sonoro mais alternativo. Este EP sucede ao aclamado álbum Venus On Edge, editado há pouco mais de dois anos, um alinhamento que chamou ainda mais a atenção da crítica para o grupo e com temas que chegaram a fazer parte da banda sonora de vários anúncios comerciais em televisões europeias e em programas de televisão norte-americanos, tais como The Flash, Parenthood e CSI New York.

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Este quarteto tem vindo a apresentar, registo após registo, um som cada vez mais adulto e intrincado, com uma forte tonalidade urbana e típica dos subúrbios. O baixo e a guitarra abrasiva de Nene Of The Light, o single entretanto extraído de Dinasty House, é uma boa amostra desta evolução e os desvios rítmicos percussivos dessa canção, clarificam um trabalho exploratório que tem feito sempre parte do adn dos Hooded Fang que, sem colocarem de lado a essência pop dos anos sessenta e setenta, usam uma impressiva veia experimentalista para piscarem com cada vez maior confiança o olho a um universo ainda mais progressivo e sombrio.

Embrenhamo-nos corajosamente em Dinasty House e, ainda sem sabermos que, lá mais para o ocaso, o solo do baixo de Mama Pearl vai convencer definitivamente os mais cépticos acerca da excelência criativa destes Hooded Foang, a distorção metálica e as insinuantes cadências rítmicas de Queen Of Agusan Del Norte e o devaneio fortememente etílico que transborda do andamento punk de Sister And Suns, são bons exemplos de duas canções que poderiam estar esquecidas algures numa cassete legendada com uma banda lá do bairro, que apesar de nunca ter saído de um sala de ensaios que também servia de destilaria, tinha todo o potencial para poder chegar a um universo sempre ávido de sonoridades inéditas, como parece ser o caso destes Hooded Fang, já merecedores de uma posição de relevo na esfera indie punk rock internacional

Os Hooded Fang são canadianos, mas é o rock americano, com uma produção forte e notoriamente agressiva e progressiva que se torna no verdadeiro cavalo de batalha do seu som, montado numa crueza lo fi e rugosa, muitas vezs algo inquietante, mas sempre sedutora, até porque este verdadeiro caldeirão insinuante de ruído é ordenado e feito com propósito, num grupo que, lançamento após lançamento, tem aperfeiçoado a sua linguagem sonora. Espero que aprecies a sugestão...

Hooded Fang - Dynasty House

01. Queen Of Agusan Del Norte
02. Sister And Suns
03. Nene Of The Light
04. Paramaribo Prince
05. Doñamelia
06. Mama Pearl


autor stipe07 às 12:05
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2018

Mating Ritual – Light Myself On Fire

Mating Ritual é o projeto a solo do músico californiano Ryan Marshall Lawhon, que tem a sua própria editora, a Smooth Jaws, através da qual acaba de editar Light Myself On Fire, o seu segundo registo de originais, álbum que sucede ao aclamado registo de estreia, intitulado How You Gonna Stop It?, lançado à cerca de um ano, também através da sua etiqueta.

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Mating Ritual é um artista de várias facetas, já que dentro de um espetro bem delimitado, o rock oitocentista, procura abraçar os diversos subgéneros de um espetro sonoro que está sempre muito presente no nosso imaginário e que é, nos dias de hoje, fonte de inspiração para imensos projetos, com origem, especialmente, do outro lado do atlântico. Logo a abrir o alinhamento de Light Myself On Fire, a excelente melodia do teclado e o swing das guitarras do tema homónimo e, depois, a imponência orquestral do edifício melódico que envolve U + Me Will Never Die, uma canção com um refrão avassalador, percebe-se que Ryan dá primazia a uma faceta algo sonhadora e romântica, que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada que, nunca disfarçando a intensidade e o vigor elétrico, também demonstra uma atitude corajosa de querer evitar ao máximo que a limpidez e a capacidade de airplay radiofónico dos temas possam castrar a extraordinária capacidade criativa que o músico demonstra possuir, sempre com a objetiva direcionada para o universo sonoro já referido. Depois, a percurssão trememendamente intuitiva e ritmada de Heaven's Lonely e, ainda nesse tema, as guitarras efusiantes e diversificadas em termos de efeitos e o baixo imponente aliado a sintetizadores de elevado cariz retro, com efeitos que disparam em diferentes direções, além do timbre sintético na voz que dá a Ryan uma toada que tem tanto de sexy como de robótico, clarificam-nos, ao terceiro tema que este Light Myself On Fire é a banda sonora perfeita para uma odisseia espacial, congeminada algures no início da década de oitenta e do período aúreo do disco sound.

Assim, é verdade que ao longo do alinhamento do registo abundam os flashes de efeitos vários, mas é o indie rock quem mais ordena, feito com guitarras acomodadas em diversas camadas e melodias orelhudas que tanto nos levam, no caso de Stop Making Sense, para ambientes mais climáticos, mas com uma pinta de epicidade, como para aquela pop efusiante, expansiva, radiofónica e luminosa, exemplarmente retratada em Low Light, um verdadeiro e imenso hino indie rockA viagem interestelar continua em Spliting In Two e depois nas variações rítmicas de Monster e na encantadora tonalidade reflexiva de Lust + Commitment, o autor confere um ambiente ainda mais negro e místico ao disco, ampliando, assim, o seu cariz sonoro abrangente e múltiplo.

Em suma, ao segundo disco Mating Ritual continua a dar vida à fusão única que alimenta entre o talento musical que possui e a nostalgia que sente relativamente a um período musical que o terá marcado profundamente, propondo mais um punhado de canções que exploram a eletrónica e o indie rock de modo a serem simultaneamente abrangentes, versáteis e acessíveis ao grande público, sempre com as pistas de dança debaixo de olho. Espero que aprecies a sugestão...

Mating Ritual - Light Myself On Fire

01. Light Myself On Fire
02. U + Me Will Never Die
03. Heaven’s Lonely
04. Stop Making Sense
05. Low Light
06. Splitting In Two
07. Monster
08. Lust + Commitment
09. I Know So Much Less Than I Thought I Did


autor stipe07 às 10:37
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Quarta-feira, 13 de Junho de 2018

Wooden Shjips – V.

Editado recentemente pela Thrill JockeyV. é o novo disco dos Wooden Shjips, uma banda natural de São Franscisco, na costa oeste dos Estados Unidos, que toca um rock de garagem influenciado pela psicadelia dos anos sessenta e o krautrock da década seguinte. V. sucede ao aclamado Back To Land, disco dos Wooden Shjips editado em 2013 e marca o regresso aos lançamentos discográficos de Ripley Johnson com os Wooden Shjips, um guru do rock psicadélico que também é cabeça de cartaz dos extraordinários Moon Duo, banda que partilha com Sanae Yamada. Quanto aos Wooden Shjips, neste grupo Ripley Johnson tem a companhia de Omar Ahsanuddin, Dusty Jermier e Nash Whalen.

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A sugestiva capa de V., representando de modo expressivo o título do registo e o ambiente colorido de uma espécie de utopia tropical, personifica, de modo feliz, o conteúdo de um registo que é uma verdadeira trip de rock psicadélico, algo que os Wooden Shjips fazem com mestria. Assim, e como convém a um projeto que aposta numa espécie de hipnose instrumental, escutam-se em V. guitarras, baterias e sintetizadores em catadupa, um arsenal instrumental que nos leva numa viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose. Já agora, confesso que sempre admirei a capacidade que algumas bandas têm de construirem canções assentes numa multiplicidade de instrumentos e são imensos os casos divulgados e exaltados por cá. Como não podia deixar de ser, no caso dos Wooden Shjips a fórmula selecionada é muito simples e aquilo que sobressai acaba por ser a genialidade e a capacidade de execução de dois verdadeiros mestres do improviso psicadélico, uma estratégia que melodicamente, cria atmosferas nostálgicas e hipnotizantes capazes de nos transportar para uma outra galáxia, que terá muito de etéreo, mas também uma imensa aúrea crua e visceral e, como já foi referido, eminentemente sessentista.

Aliás, os Wooden Shjips são uma banda perfeita para nos recordar aquele som de protesto e incendiário que teve o seu auge na ressaca de Woodstock e que contém muitos dos pilares fundamentais que são ainda, meio século depois, a nossa contemporaneidade cultural. No fuzz constante da guitarra de Eclipse e no teclado que amiúde plana sobre a melodia de In The Fall percebe-se, com nitidez, como ainda é possível, várias décadas depois, este som ainda ser recriado com elevado grau de inedetismo e de acessibilidade, apesar de muitos projetos insistirem em servir-se dessa herança para criar instantes sonoros muitas vezes amorfos e  despidos não só de qualidade mas, principalmente, de um conceito que os justifique. Depois, nas cordas vibrantes e luminosas de Already Gone, para mim o momento maior deste caldo que é V. e no cósmico clima entorpecedor de Staring At The Sun e no travo hindu de Golden Flower, sentimos facilmente uma outra mais valia dos Wooden Shjips, a sua subtil capacidade para nos fazer deambular entre diferentes mundos, inclusive da própria da world music, uns com mais groove e outros mais relaxantes, sempre com o tal experimentalismo na linha da frente e sem se perderem em exageros desnecessários. Espero que aprecies a sugestão... 

Wooden Shjips - V.

01. Eclipse
02. In The Fall
03. Red Line
04. Already Gone
05. Staring At The Sun
06. Golden Flower
07. Ride On


autor stipe07 às 11:40
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Terça-feira, 12 de Junho de 2018

Blossoms - Cool Like You

Já viu a luz do dia Cool Like You, o segundo álbum do quinteto Blossoms, um registo que sucede ao disco homónimo de estreia editado no verão de 2016, um trabalho que à época causou forte impacto na crítica generalizada, muito por culpa de canções como Charlemagne, Honey Sweet ou Getaway. Este Cool Like You foi produzido por James Skelly e reforça o percurso ascendente de um projeto que está a tornar-se um caso sério de popularidade em terras de Sua Majestade, muito por causa de uma perspicaz simbiose entre guitarras certeiras e teclados incisivos, mescla que resulta numa synthpop muito aditiva e orelhuda.

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Os Blossoms são oriundos de Stockport, nos arredores de Manchester e, provavelmente, a proximidade a essa cidade mítica do indie punk rock fez com que adoptassem alguns dos detalhes mais significativos da sonoridade típica da geografia que os delimita fisicamente, mas também com o intúito de dar a esse arquétipo sonoro uma aurea refrescante e contemporânea. Assim, I Can't Stand It, o primeiro single que foi divulgado deste Cool Like You e uma opção nada inocente, capta os Blossoms no ponto que definiu o clima sonoro do disco anterior, ampliando-o com o groove intuitivo da batida, um baixo subtil mas convincente e vários efeitos sintetizados de uma canção que nos emerge, sem apelo nem agravo, no clima enérgico da pop novecentista mais luminosa e efervescente.

Com esse single a aumentar enormemente as expetativas dos ouvintes realtivamente ao disco, a verdade é que o restante conteúdo não defrauda, com o amor e o modo como nos relaiconamos com o outro a serem o ponto de partida para um alinhamento com um som ainda mais encorpado, dançante e rico que o do álbum anterior. Stranger Still é outra canção que comprova este input de maturidade, numa junção subtil de psicadelia com alguns dos aspetos fundamentais da pop de final do século passado, assim como Love Talk, uma canção mais intimista e que acaba por mostrar um outro lado deste espetro sonoro, menos direto e mais intrincado e apontar novas nuances ao futuro discográfico dos Blossoms.

Disco coeso e com vários singles em potência, Cool Like You é um promissor rasgo de melodias acessíveis e letras carregadas de encanto, num alinhamento como uma qualidade instrumental que ultrapassa o comum, oferecendo-nos uns Blossoms moderadamente enérgicos, mais amadurecidos e com uma assinalável vitalidade. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 10:00
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