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Vetiver – Up On High

Quarta-feira, 06.11.19

Andy Cabic, a mente profunda e inspirada que em São Francisco, na solarenga Califórnia, alimenta e dá vida ao projeto Vetiver, está de regresso aos discos, com um trabalho intitulado Up On High, o sétimo da sua carreira, um alinhamento de dez canções que chegou aos escaparates a um de novembro, através das etiquetas Mama Bird Recording Co. (US/World) e Loose Music (UK/EU).

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Andy Cabic assina com exemplar bitola qualitativa um dos projetos mais bonitos da indie folk contemporânea. E não é como dizer isto de outra forma, porque bonito é mesmo um adjetivo feliz para caraterizar o seu catálogo. De facto, cada disco de Vetiver é um regalo para os ouvidos e para a mente de quem aprecia relaxar e viajar para um universo sonoro que seja melodicamente acessível, mas sem deixar de exalar profundidade lírica, um ideário concetual que Cabic sabe plasmar na perfeição através de canções geralmente  sentidas e honestas no modo como partilham sensações e eventos, que até podem ser factos que o autor experimentou em diferentes locais e com diversas pessoas que se foram cruzando na sua vida.

Esta faceta auto biográfica da discografia de Vetiver é um dos seus maiores atributos e Up On High não foge a essa regra, num álbum mágico e em que o autor parece recolher-se muito sobre si próprio, enrolando-se numa espécie de concha onde dança sozinho estas canções, enquanto reflete sobre si e o o seu passado, de modo a viver o presente com altivez e alegria e sem nunca elevar demasiado o tom delicado da sua voz, nem a míriade instrumental que a sustenta.

Assim, se a cândida acusticidade de The Living End, o tema que abre Up On High, tem, desde logo, a generosidade de nos mostrar aquela folk pintada com alguns dos melhores detalhes da chillwave, uma receita que se repete em Filigree e que Vetiver recria melhor que ninguém, To Who Knows Where adensa ainda mais a trama, indo ao âmago da matriz da melhor herança tradicional americana, com nomes como George Harrison ou até o próprio Reed a serem influências mais ou menos nítidas. Tal também sucede em Wanted, Never Asked, outra aconchegante composição, que contém na sua essência a melhor herança da mais genuína folk do outro lado do atlântico, uma canção com um travo de pureza e simplicidade únicos, amena, íntima e cuidadosamente produzida, mas também arrojada no modo como, através da suavidade das cordas e do groove da bateria exala uma enorme elegância e sofisticação. Depois, canções como Swaying, um tratado de indie rock oitocentista que nos traz à memória momentos maiores da discografia de uns The Feelies, Yo La Tengo, Wilco ou os próprios R.E.M., Hold Tight, curiosa no modo como pisca olho ao reggae e All We Could Want, uma composição buliçosa, sorridente e assente numa orgânica percurssiva com um certo travo psicadélico, acabam por dar a indispensável riqueza e diversidade a um alinhamento que é bem capaz de nos dar a mesma força positiva que levou este compositor a criar estas canções com esse vincado propósito individual.

Registo em que se sente à tona uma curiosa e sensação de positivismo, bom humor e crença em dias melhores, Up On High é capaz de nos colocar no rosto aquele nosso sorriso que nunca nos deixa ficar mal, enquanto nos ajuda, por exemplo, a finalmente traçar uma rota sem regresso até aquele secreto desejo que nunca tivemos coragem de realizar. De facto, a música de Vetiver é perfeita para nos fazer descolar da vida real muitas vezes confusa e repleta de precalços, aterrando-nos num mundo paralelo que espicaça as sensações mais positivas e bonitas que alimentam o nosso íntimo e que, entre a luz e a melancolia, realizam-se, provando que Andy sabe como ser um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Espero que aprecies a sugestão...

Vetiver - Up On High

01. The Living End
02. To Who Knows Where
03. Swaying
04. All We Could Want
05. Hold Tight
06. Wanted, Never Asked
07. A Door Shuts Quick
08. Filigree
09. Up On High
10. Lost (In Your Eyes)

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publicado por stipe07 às 17:08

Message To Bears – Constants

Quarta-feira, 24.07.19

Message To Bears é o nome do projeto a solo do cantor, compositor e multi-instrumentista inglês Jerome Alexander. Esta banda de um homem só estreou-se em 2007 com um EP que chamou a atenção pelo conteúdo um pouco confuso, com algumas distorções tímidas, violinos, ecos e susurros. Message To Bears encontrou um rumo mais definido no álbum seguinte, The Soul's Release, com uma sonoridade que passava pela pop atmosférica, a folk e o post rock, com destaque para as canções Joy LeavesCathing Fireflies e principalmente Where the Trees are Painted White. A esta promissora estreia nos álbuns sucedeu, em 2009, Departures, um disco ainda mais sólido, com melhor definição sonora e bastante hipnótico e, três anos depois, Jerome brindou-nos com Folding Leaves, um álbum surpreendente, rústico e orgânico, lançado pela Dead Pilot Records. Nessa altura Jerome mudou-se de Bristol para Londres, lançou mais dois discos, mas resolveu fazer marcha atrás, voltar à terra natal e criar no seu estúdio caseiro Constants, o seu quinto longa duração, um alinhamento de onze canções emocionalmente poderosas e com tudo para ser um marco discográfico do ano dentro do espetro sonoro em que se situa.

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Constants funciona como uma espécie de válvula de escape para o autor, já que no registo exorciza alguns demónios que o período londrino colocou no seu equilíbrio psicológico pessoal e serve para o ouvinte como um confortável e sossegado refúgio, num mundo cada vez mais dominado pela pressãoque é exercida pelos media. Esta é a grande ideia temática de quarenta minutos introduzidos, em On Reflection, por um ternurento piano que logo nos abre de par em par um portal de luz, magia e cor, incomparável a algo que faça parte do mundo concreto em que vivemos.

Saborear Constants tem obrigatoriamente essa permissa de suscitar no ouvinte a necessidade de usar a sua imaginação para melhor percepcionar um universo mágico e que causa impacto por ser complexo e detalhado, mas também (e isso é possível) graciosamente simples. Nele, Jerome combinou em várias canções diversas camadas de cordas, com elementos percurssivos eminentemente orgânicos e melodias sintetizadas únicas e criou assim um ambiente aconchegante, difícil de definir, um som que se constrói ao longo de cada canção e em todo o álbum, com especial destaque para a graciosidade de Raining Whilst She Sleeps, a religiosidade de Rescue, o cariz místico dos violinos que gravitam em Away From You e a esplendorosa emotividade que exala em cada nota e arranjo de Small Light.

Em Bristol, Jerome consegue testemunhar com outra clarividência a constância das estações do ano, os diferentes sons que a natureza tem durante essa roda viva, os odores dos cursos de água, este ciclo da vida e da morte que recorda ao músico quer o efémero da sua existência quer a fragilidade e tantas vezes a insginificância que carateriza a presença de tantos de nós neste mundo. A eletrónica ambiental inspirada de Constants é o tal refúgio, mas também um grito de alerta, um apelo ao desassossego onde estão plasmadas emoções e sugestões sempre de modo humilde, carinhoso, sincero e, obviamente, nada pretensioso. Espero que aprecies a sugestão...

Message To Bears - Constants

01. On Reflection
02. Raining Whilst She Sleeps
03. Pull Apart
04. All We Said
05. Rescue
06. New Air
07. Away From You
08. Small Light
09. Convalescence
10. We All Were Swallowed By Sleep
11. Nowhere

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publicado por stipe07 às 16:21

Work Drugs – Surface Waves EP

Terça-feira, 16.07.19

Os Work Drugs de Benjamin Louisiana e Thomas Crystal são uma dupla de Filadélfia já com um assinalável cardápio e que se mantém bastante ativa e profícua, lançando um disco praticamente todos os anos, além de alguns singles e compilações, desde que se estrearam com Summer Blood, há já quase uma década. Enquanto não chega aos escaparates lá para o final deste ano o sucessor do excelente Holding On To Forever de dois mil e dezoito, têm-se mostrado visíveis e audíveis com a edição em formato EP. Belize foi editado em março e agora acaba de ser divulgado Surface Waves. Ambos compilam não só alguns singles que poderão fazer parte desse novo álbum dos Work Drugs, mas também diversos instrumentais e material nunca antes divulgado e que foi sobrando das sessões de gravação de alguns dos antecessores do futuro trabalho discográfico do projeto.

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Surface Waves contém oito composições perfeitas para saborear estes últimos raios de sol mais quentes, enquanto não chega a longa penumbra outunal e o interminável frio e implacável inverno. Se a melhor herança de Michael Jackson conduz Embers Never Fade e uma bateria eletrónica bastante insinuante sustenta Burned, em L.A. Looks dominam paisagens com uma mais acentuada tonalidade surf rock, enquanto a chillwave de Counterclaims contém um encanto vintage, relaxante e atmosférico, intenso e charmoso.

O resultado final de Surface Waves é um compêndio particularmente eclético, que além de proporcionar instantes de relaxamento, também poderá adequar-se a momentos de sedução e recolhimento, um EP que faz adivinhar um disco tremendamente sensorial e emotivo e que será, sem dúvida, mais um episódio significativo e bem sucedido num já riquíssimo compêndio proporcionado por um dos projetos mais excitantes da pop contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Work Drugs - Surface Waves

01. Embers Never Fade
02. Burned
03. L.A. Looks
04. Counterclaims
05. Reunions
06. Do It Like We Used To Do
07. Counterclaims (Instrumental)
08. Embers Never Fade (Instrumental)

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publicado por stipe07 às 20:55

Lambchop – Everything For You

Segunda-feira, 28.01.19

Lambchop - Everything For You

Depois de FLOTUS, o disco que os Lambchop editaram em dois mil e dezasseis, Kurt Wagner, o grande mentor deste projeto norte-americano sedeado em Nashville e ao qual se juntam atualmente o baixista Matt Swanson e o pianista Tony Crow, fez uma cover para o clássico When You Were Mine de Prince e realizou um mini-documentário em Colónia, onde juntamente com seis músicos alemães reinterpretou temas de FLOTUS.

Quase no ocaso de dois mil e dezoito, os Lambchop começaram a revelar detalhes de This (is what I wanted to tell you), um trabalho que irá ver a luz do dia a vinte e dois de março próximo à boleia da City Slang, em parceria com a Merge Records e que, além do trio, também conta nos créditos com Matt McCaughan, reconhecido pelo seu excelente trabalho percurssivo em projetos como os Hiss Golden Messenger e Bon Iver.

Depois de os Lambchop terem revelado a amostra The December-ish You, canção com uma tonalidade particularmente íntima e a exalar uma desarmante sensibilidade, agora chegou a vez de ficarmos a conhecer Everything For You, o terceiro tema do alinhamento de This (is what I wanted to tell you), uma composição que segue a linha melódica e estilística que tem marcado os últimos registos dos Lambchop, cada vez mais enredados em paisagens onde jazz e eletrónica se misturam com superior elegância.

This (is what I wanted to tell you) é, tecnicamente, o décimo terceiro registo dos Lambchop desde o álbum de estreia em mil novecentos e noventa e quatro, mas está a ser anunciado por Wagner, pelos vistos por uma questão de superstição, como o décimo quarto da carreira do grupo (Like all the other tallest buildings in the world, Lambchop skips No. 13), This (is what I wanted to tell you). Confere Everything For You, canção descrita por Wagner desta forma - a collection of imperfections on the road to a better day - e o espetacular vídeo realizado para o tema da autoria de Jonny Sanders....

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publicado por stipe07 às 13:36

The Drums – Body Chemistry

Domingo, 20.01.19

The Drums - Body Chemistry

Os norte-americanos The Drums lançaram há dois anos Abysmal Thoughts , o último registo deste projeto que se tornou, assumidamente, no trabalho a solo de Jonny Pierce. O ano passado este músico nova iorquino voltou a dar sinais de vida com o tema Meet Me In Mexico e agora, no início de dois mil e dezanove, anuncia finalmente um novo álbum. O próximo longa duração dos The Drums chama-se Brutalism, e vê a luz do dia na próxima primavera, à boleia da ANTI.

Body Chemistry é o primeiro single divulgado de Brutalism, uma canção muito pessoal em que Pierce aborda o modo como lidou com um diagnóstico recente de depressão (Maybe I’m depressed, Maybe I know too much about the world, about myself) e que sonoramente assenta numa curiosa simbiose entre o indie surf rock e a eletrónica chillwave, audível num curioso e bem sucedido jogo de interseções melódicas entre baixo e sintetizadores. Confere Body Chemistry e o alinhamento de Brutalism...

Pretty Cloud
Body Chemistry
626 Bedford Avenue
Brutalism
Loner
I Wanna Go Back
Kiss It Away
My Jasp
Blip Of Joy

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publicado por stipe07 às 15:33

Lambchop – The December-ish You

Sexta-feira, 21.12.18

Lambchop - The December-ish You

Depois de FLOTUS, o disco que os Lambchop editaram em dois mil e dezasses, Kurt Wagner, o grande mentor deste projeto norte-americano sedeado em Nashville, fez uma cover para o clássico When You Were Mine de Prince e realizou um mini-documentário em Colónia, onde juntamente com seis músicos alemães reinterpretou temas de FLOTUS.

Agora, quase no ocaso de dois mil e dezoito, os Lambchop revelam The December-ish You, o primeiro avanço para This (is what I wanted to tell you), trabalho que irá ver a luz do dia a vinte e dois de março do proximo ano à boleia da City Slang, em parceria com a Merge Records. Com uma tonalidade particularmente íntima e a exalar uma desarmante sensibilidade, The December-ish You segue a linha melódica e estilística que tem marcado os últimos registos dos Lambchop, cada vez mais enredados em paisagens onde jazz e eletrónica se misturam com superior elegância.

Tecnicamente o décimo terceiro registo dos Lambchop desde o álbum de estreia em mil novecentos e noventa e quatro, mas anunciado por Wagner, pelos vistos por uma questão de superstição, como o décimo quarto da carreira do grupo (Like all the other tallest buildings in the world, Lambchop skips No. 13), This (is what I wanted to tell you) também já viu o seu alinhamento divulgado. Confere o primeiro single de This (is what I wanted to tell you) e o seu alinhamento...

01 “The New Isn’t So You Anymore”
02 “Crosswords, Or What This Says About You”
03 “Everything For You”
04 “The Lasting Last Of You”
05 “The Air Is Heavy And I Should Be Listening To You”
06 “The December-ish You”
07 “This Is What I Wanted To Tell You”
08 “Flower”

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publicado por stipe07 às 21:31

Zero 7 - Mono

Terça-feira, 27.11.18

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Os britânicos Zero 7 de Henry Binns e Sam Hardaker, um dos projetos fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, já não davam sinais de vida há algum tempo, nomeadamente desde dois mil e quinze quando colaboraram com José González no tema Last Light. Agora, três anos depois dessa composição, eles estão de volta com novidades, um novo single intitulado Mono, que resulta de uma parceria profícua com o cantor Hidden.

Mono tem como grandes atributos, além da performance vocal irreprensível de Hidden, um arquétipo sonoro de forte cariz cinematográfico, num registo muito quente e a apelar à soul, uma canção que exala aquele charme típico da dupla e que reforça o ambiente fashion que sempre caraterizou os Zero 7. Confere...

Zero 7 - Mono

01. Mono (Feat. Hidden)
02. Mono (Feat. Hidden) (Thool Remix)
03. Mono (Thool Remix Instrumental)

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publicado por stipe07 às 08:26

Moby - Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt

Segunda-feira, 12.03.18

Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt é o título do novo álbum Moby, um disco lançado no início deste mês à boleia da Mute e que tem como tema central o nosso mundo e o modo como o homem o tem maltratado. Este registo sucede ao muito recomendável These Systems Are Failing lançado  o ano passado e mostra que este músico e produtor nova iorquino, com nove álbuns só nos últimos dez anos, vive uma das fases mais inspiradas e produtivas de uma já longa e respeitável carreira, que tem feito dele um dos expoentes maiores da eletrónica do novo milénio.

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Com um arranque de carreira memorável à boleia de Play, ainda o melhor disco da sua discografia, é sempre com elevada dose de ansiedade que os seguidores de Moby se preparam para escutar um novo alinhamento do artista, sempre à espera de algo que supere ou pelo menos iguale a elevada bitola qualitativa desse disco de estreia, prestes a fazer vinte anos de vida. Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt ainda não é o tal álbum que destrona Play do pódio do melhor registo do cardápio de Moby, mas é, talvez, aquele que mais se aproxima do seu grau de excelência.

Disco com uma tremenda sensibilidade e cheio de melodias bastante aditivas, Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt transporta consigo um ideário, quer sonoro, quer lírico e poético muito vincado e descrito logo no início desta análise e a verdade é que ao longo das suas doze canções e de alguns dos vídeos já produzidos de promoção aos singles, o autor consegue tocar o ouvinte e deixá-lo a refletir sobre esta contemporaneidade tão conturbada e perigosa que testemunhamos, quer para a nossa espécie quer para o futuro sustentado do planeta em que vivemos.

Assim, e debruçando-me em alguns daqueles que são, na minha opinião, os melhores instantes do registo, se The Tired And The Hurt é um infatigável corpo eletrónico que revela as suas diferentes camadas sonoras enquanto o sagrado e o profano se entrelaçam sem pudor e se Mere Anarchy sustenta-se numa eletrónica de cariz ambiental e progressivo, onde não falta um clima melancólico que dá um aspecto algo sombrio à música, o que combina bem com a escolha do intérprete, um especialista na replicação de ambientes mais negros, já Like A Motherless Child, canção que conta com a participação especial vocal de Raquel Rodriguez, é um verdadeiro assombro orquestral intenso e belo e The Waste Of Suns revela-se uma daquelas canções que constroem um universo quase obscuro em torno de si e que se vão transformando à medida que avançam, surpreendendo em cada nota, timbre ou inflexão ritmíca e melódica.

Daqui em diante ainda há tempo para sentir em The Sorrow Tree um toque de lustro dos anos oitenta, através de um sintetizador que apenas permanece o tempo suficiente para nos preparar para uma batida crua, cheia de loops e efeitos em repetição constante, algo que nos provoca um saudável torpor, que de algum modo apenas é interrompido em The Middle Is Gone, aquela canção que todos os grandes discos têm e que também serve para exaltar a qualidade dos mesmos, principalmente quandonas asas de um piano se desviam um pouco do rumo sonoro geral do trabalho. Nesse tema, os efeitos robóticos carregados de poeira da voz de Moby e aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como um subtil efeito de guitarra colocam-nos na rota certa de um álbum que do tecno minimal ao space rock, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Espero que aprecies a sugestão...

Moby - Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt

01. Mere Anarchy
02. The Waste Of Suns
03. Like A Motherless Child
04. The Last Of Goodbyes
05. The Ceremony Of Innocence
05. The Tired And The Hurt
07. Welcome To Hard Times
08. The Sorrow Tree
09. Falling Rain And Light
10. The Middle Is Gone
11. This Wild Darkness
12. A Dark Cloud Is Coming

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publicado por stipe07 às 21:43

Steven Wilson - To The Bone

Segunda-feira, 21.08.17

Também conhecido pela sua contribuição ímpar nos projetos Porcupine Tree e Storm Corrosion, Steven Wilson tem também já uma profícua carreira a solo, que viu o seu quinto capítulo a dezoito de agosto último com a edição de To The Bone, o seu mais recente registo discográfico. Este é um dos músicos que na atualidade melhor mistura rock progressivo e eletrónica, fazendo-o sempre com grandiosidade e elevado nível qualitativo. Aliás, basta escutar o antecessor Hand. Cannot. Erase.,(2015) ou a obra-prima The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) (2013), para se perceber como Steven Wilson é exímio nessa mescla e como convive confortavelmente com o esplendor e a grandiosidade, não tendo receio de arriscar, geralmente com enorme dinâmica e com uma evidente preocupação pela limpidez sonora.

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Com a participação especial da israelita Ninet Tayeb, que já tinha feito parte dos créditos de Perfect Life e Routine, dois dos melhores temas de Hand. Cannot. Erase., Pariah foi o primeiro single divulgado de To The Bone, uma canção que impressiona pela riqueza melódica e por uma assertiva conexão entre belas paisagens acústicas e instantes de fulgor progressivo, enquanto se debruça sobre alguns dos medos e paranóias do mundo moderno e a dependência que todos sentimos da tecnologia, duas ideias transversais ao restante alinhamento do disco, conforme confessou o autor recentemente (My fifth record is in many ways inspired by the hugely ambitious progressive pop records that I loved in my youth. Lyrically, the album’s eleven tracks veer from the paranoid chaos of the current era in which truth can apparently be a flexible notion, observations of the everyday lives of refugees, terrorists and religious fundamentalists, and a welcome shot of some of the most joyous wide-eyed escapism I’ve created in my career so far.)

E na verdade, logo no esplendoroso e altivo tema homónimo as intenções conceptuais do disco ficam claras e percebe-se que este é um alinhamento recheado de momentos instrumentais extraordinários, que assentam quase sempre em riffs de guitarra viscerais e em batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e sintetizadores muito direcionados não só para o krautrock, mas também para um experimentalismo progressivo minuciosamente pensado e peculiar, porque contém uma marca indistinta fornecida por um dos produtores mais inspirados e influentes do cenário musical britânico contemporâneo.

A partir daí não há como ficar indiferente à espiral emotiva sempre crescente que sustenta a nostalgia retro progressiva de Refuge, ao piscar de olhos à pop oitocentista com um certo travo punk que exala das teclas e do baixo da inebriante Permanating e também ao implícito folk rock fornecido por uma linha de guitarra em The Same Asylum As Before, com a particularidade de, nesta composição, essas cordas atingirem um nível de distorção algo incomum no cardápio de Wilson, uma sensação atenuada pelo afago que recebem do piano e por uma forte emotividade vocal. No entanto, a curiosa abordagem vocal a alguns dos cânones que definem o trip-hop de cariz mais ambiental em Song Of I e a luminosidade dos teclados de Nowhere Now, canção feita com um intenso rock progressivo, acabam por ser sonoramente os meus grandes destaques deste álbum, com Detonation a ser também suportada por belos arranjos que lhe conferem uma toada épica muito intensa.

A audição de To The Bone não é apenas um mero exercício de contacto auditivo com um disco pop, mas uma experiência mais alargada, por que é também visual e sonora e que confirma Steven Wilson como um guru do post rock experimental, já que ele prova em cada canção, de modo distinto, criativo e envolvente, que é atualmente um nome fundamental e incontornável do universo sonoro em que se insere. Espero que aprecies a sugestão...

Steven Wilson - To The Bone

01. To The Bone
02. Nowhere Now
03. Pariah
04. The Same Asylum As Before
05. Refuge
06. Permanating
07. Blank Tapes
08. People Who Eat Darkness
09. Song Of I
10. Detonation
11. Song Of Unborn

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publicado por stipe07 às 14:16

DRLNG - Black Blue

Quarta-feira, 09.08.17

Foto de Drlng Band.

Depois do extraordinário EP Icarus, editado em 2014, os DRLNG, uma banda de Boston formada por Eliza Brown (voz), Martin Newman (guitarras) e James Newman (baixo) das cinzas dos míticos Plumerai, têm lançado uma série de temas em formato single, sendo o mais recente Black Blue, uma canção que conta com as participações especiais de Danny Chavis nas guitarras e Hayato Nakao na programação, membros dos nova iorquinos The Veldt.
Black Blue são pouco mais de cinco minutos que apostam numa fusão do indie rock mais melancólico e sombrio com alguns detalhes da folk americana e da pop. A voz pura e límpida de Eliza é um trunfo explorado positivamente até à exaustão e que ganha um realce ainda maior quando as guitarras algo turvas de Martin têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz de Eliza, como também, no fundo, à própria mensagem da canção.
Nesta composição conseguimos dissecar diferentes vias e infuências, já que, ao mesmo tempo que há uma paisagem sonora que transparece calma e serenidade, também existe na guitarra uma tensão constante, numa melodia amigável e algo psicadélica, que se arrasta até ao final num longo diálogo entre o efeito metálico e diferentes dinâmicas percussivas.
Quer Black Blue, quer os dois singles já editados antes deste, See It All e Cobra, estão disponíveis para audição e download na plataforma bandcamp do projeto.Confere...

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publicado por stipe07 às 02:16






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