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Massive Attack vs Burial – Four Walls / Paradise Circus

Sábado, 26.10.13

Quando uma instituição da música eletrónica como os Massive Attack se junta a um artista em ascensão contínua como Will Bevan, aka Burial, só pode acontecer algo de mágico e significativo. Sem aviso prévio, estes dois nomes importantes colaboraram entre si e daí resultou um single com edição limitada e que, por isso, esgotou rapidamente. Falo de Four walls/Paradise circus, um vinil de doze polegadas, lançado via Vinyl Factory e Inhale Gold, que contém dois temas com o mesmo nome, uma em cada lado do mesmo.

O lado A, com Four Walls, resulta de um efetivo trabalho conjunto entre os Massive Attack e Burial; É um tema longo, mas que não satura, feito com doze minutos de um excelente trip hop, com a presença de Burial a conferir contornos algo sombrios e sinistros, feitos com camadas de efeitos sintéticos em cima de batidas lentas e esporádicas.

Paradise Circus é uma remistura de Burial para um dos destaques de Heligoland, o último disco dos Massive Attack e um dos melhores da carreira do grupo. Tanto uma canção com a outra escutam-se muito bem, principalmente com headphones, são extraordinárias para momentos de puro relaxamento e permitem-nos embarcar numa viagem profunda ao universo musical típico do trip hop e do cardápio sonoro, quer de Burial, quer dos Massive Attack. Espero que aprecies a sugestão... 

Massive Attack vs Burial - Four Walls - Paradise Circus

01. Four Walls
02. Paradise Circus

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publicado por stipe07 às 10:24

Tricky - False Idols

Quinta-feira, 13.06.13

Conforme divulguei em Curtas... LXXXIX, Adrian Thaws aka Tricky está de regresso aos discos com False Idols, álbum lançado no passado dia vinte e oito de maio por intermédio do selo próprio !K7, depois de um fim de uma relação de quase vinte anos com a Domino Records. False Idols é o décimo disco da carreira de um dos fundadores dos Massive Attack e um mergulho de Tricky nas mesmas águas turvas que o levaram às viagens sombrias dos seus primeiros trabalhos. Já agora, Nothing's Changed, o primeiro single extraído do álbum e que conta com a participação especial de Francesca Belmonte está disponível para download gratuito no sitio do músico. Além de Francesca, False Idols conta com as colaborações de Peter Silberman dos The Antlers, Fifi Rong e Nneka.

Denso, sussurrante e com o nervo à flor da pele, é assim False Idols, um álbum mais luminoso e expansivo que os anteriores Mixed Race e Knowle West Boy, ou seja, Tricky regressa à primeira divisão do cenário mundial da música eletrónica e está de volta à fórmula bem sucedida, ao bom e velho trip hop que ajudou a fundar não só nos Massive Attack, mas também em Maxinquaye o seu primeiro disco a solo, lançado já no longínquo ano de 1995.

Em False Idols Tricky manipula os típicos suspiros sensuais que o baixo e as batidas da dub proporcionam e pretende dizer-nos que apesar de algumas deambulações recentes por universos sonoros menos inspirados, onde tentou fugir um pouco de si próprio e do seu som inigualável, continua o mesmo mestre de sempre na arte de manipular os traços caraterísticos e identitários da trip hopNothing‘s changed, I still feel the same, sussurra Tricky em Nothing’s Changed, para que não restem dúvidas. E ainda tem a altivez de nos desafiar pouco depois quando durante a exuberante linha de baixo de Does It questiona o ouvinte se estamos a gostar da audição do álbum (Does it make you feel good?).

Tricky teve sempre outras vozes a colaborar nos seus discos e as femininas assumiram frequentemente forte protagonismo, o que não é excepção em False Idols. Apesar de desta vez não contar com Martina Topley-Bird ou Elizabeth Fraser, com Francesca Belmonte, Fifi Rong e Nneka, há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade das canções que interpretam. Por exemplo, If Only I Knew e Chinese Interlude são dois momentos que trazem as brisas mais aprazíveis ao ouvinte.

Quanto a vozes masculinas, Peter Silberman, dos The Antlers, empresta a sua a Parenthesis, um tema que não soaria desalinhado no conteúdo de Burst Apart, a obra prima do grupo desse músico. Depois também há a já habitual pafernália de samples; em False Idols temos samples de Ghosts dos Japan (a banda de David Sylvian) e Somebody Sins, logo a abrir, é uma versão de Van Morrison, que deambula um pouco pelo lado mais religioso da vivência humana (Jesus died for somebody’s sins, but not mine). Esta faceta espiritual encerra o disco com o tema Passion Of Christ, uma canção que volta a colocar a nú a fase em que Tricky andou um pouco desorientado e à procura de si próprio, antes de voltar novamente aos eixos, mais maduro e consciente das suas limitações e, sobretudo, do seu potencial enquanto criador musical e um dos artistas mais influentes do cenário alternativo atual.

False Idols não trai de forma alguma a anterior herança deste artista britânico, junta o seu passado musical com o presente e antevém bastante sobre o futuro próximo de toda a música eletrónica mais soturna e atmosférica. Há mesmo alguns críticos que consideram que o seu conteúdo supera qualitativamente Maxinquaye, disco considerado por muitos como uma biblia do trip hop. Considerações e opiniões exteriores à parte, pessoalmente False Idols soou-me como algo refrescante e, ao mesmo tempo, incrivelmente retro porque permitiu-me recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e entre o insinuante e o sublime, num anacronismo intrigante, possibilitou-me também descobrir uma nova luz dentro do universo musical que Tricky ajudou a criar e hoje defende como ninguém. Espero que aprecies a sugestão...

01 Somebody’s Sins
02 Nothing Matters
03 Valentine
04 Bonnie & Clyde
05 Parenthesis
06 Nothing’s Changed
07 If Only I Knew
08 Is That Your Life
09 Tribal Drums
10 We Don’t Die
11 Chinese Interlude
12 Does It
13 I’m Ready
14 Hey Love
15 Passion of the Christ

 

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publicado por stipe07 às 21:47

Misophone - Songs from the Cellar- Lost Songs and other relics

Quinta-feira, 30.05.13

Depois de Songs From An Attic, os britânicos Misophone de Bristol, formados pelo multi instrumentista Herbert e por Welsh acabam de divulgar e disponibilizar gratuitamente Songs from the Cellar- Lost Songs and other relics, uma curiosa e extraordinária compilação cheia de diversidade sonora, através da etiqueta Another Record.

Songs from the Cellar- Lost Songs and other relics materializa o remexer no sotão das relíquias perdidas dos Misophone já que compila algumas sobras dos processos de gravação do grupo, samples feitos pela banda e não só, momentos de estúdio que ficaram registados e outras curiosidades que comprovam o leque de instrumentação imenso a que os Misophone nos habituaram desde sempre. Desde sons da natureza, potes e panelas a chocalhar, ruídos de pássaros e arrulhos feitos com trombones, ouve-se de tudo um pouco num grupo que tem no  jazz e na folk tradicional inglesa as maiores referências sonoras.

Esta coleção de instantes sonoros é um verdadeiro carnaval sonoro e até um pouco claustrofóbico e atesta o quanto os Misophone são expressivos e como é difícil balizá-los num estilo concreto, apesar das referências citadas. Entrar no sotão dos Misophone e entendê-lo pressupõe uma enorme predisposição para encarar com o caos e não se ficar chocado por ouvir latidos de cachorros ou um coro de melros e fantasmas a cantarem canções de amor.

Entretanto lá para o final do ano chegará Lost At Sea, um novo álbum de originais da dupla. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 23:11

Gravenhurst – The Ghost In Daylight

Quinta-feira, 10.05.12

Gravenhurst é uma banda, mas também um projeto idealizado pelo músico e compositor Nick Talbot, natural de Bristol, Inglaterra e o veículo que ele utiliza para transportar as suas ideias e sentimentos. Afirma ser um estudioso da obra dos Smiths e dos My Bloody Valentine, apesar do som que elabora ter uma sonoridade um pouco mais folk e clássica, com uma belíssima simplicidade, diga-se.

Os Gravenhurst estrearam-se nos discos em 2004 com Flashlight Seasons, lançaram The Western Lands em 2007 e depois deste hiato de cinco anos regressaram agora em 2012 com The Ghost in Daylight, lançado no passado mês de abril através da Warp Records e um trabalho que nos absorve se estivermos predispostos a receber de braços abertos a visita intimista de dez canções que pedem tempo, atenção e dedicação e de onde destaco Fitzrovia, Carousel, Islands, The Ghost Of Saint Paul e a fabulosa The Prize.

Estas canções apresentadas por Nick Talbot e a sua banda seguem um caminho sereno, pautado, como disse, na folk rock e com as guitarras praticamente desligadas, sendo a já citada The Prize e a sua explosão de guitarra nos instantes finais uma das poucas exceções.

Fitzrovia, The Foundry e Three Fires valorizam muito a voz de Talbot, o acústico, a percussão tímida e as letras melancólicas e contêm efeitos que apenas um bom par de headphones pode captar. É mais um disco que nos vai fornecendo novos detalhes sonoros ao longo de várias audições, apesar de parecer simples e de fácil assimilação.

A escrita de Talbot celebra a capacidade inventiva humana e há uma alquimia delicada nestas preciosas canções porque enquadram com uma intensidade tórrida uma multiplicidade de cores de forma particularmente emocionante, com dramatismo, sem soar demasiado piegas e sentimental, mas graciosamente triunfante.

Por toda a beleza suave e melancólica deste conjunto de canções, onde trasborda em simultâneo uma peculiar atmosfera um pouco compulsiva e transcendente, não custa nada afirmar que Talbot será atualmente um dos segredos mais bem guardados da música contemporânea. 

01. Circadian
02. The Prize
03. Fitzrovia
04. In Miniature
05. Carousel
06. Islands
07. The Foundry
08. Peacock
09. The Ghost Of Saint Paul
10. Three Fires

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publicado por stipe07 às 13:51






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