Sábado, 9 de Maio de 2009

É assim a música em mim...

(Antes de iniciares a leitura do post, desce até ao final do mesmo, usando o cursor esquerdo do teu rato e, com o mesmo, clica no play, em Mílanó.

Agora, ao som de Mílanó, estás pronto para iniciar a leitura...)

Sentado no meu carro, imóvel, neste início de tarde em que a Primavera promete ficar pela enésima vez, quase que consigo ver os dedos de Georg a tocar nas teclas do piano... O som agudo que elas produzem entranha-se nos meus ouvidos... Suspiro e respiro fundo, abano-me... Olho em redor  e vejo água, muita água, a água que constantemente me chama, feita de mil cores a baloiçar com um barco que há pouco passou. À direita, vejo a mesma ilha de sempre, que teima em não sair dali, pintada de verde e castanho, da cor da água. À esquerda, bem lá ao fundo, na curva do rio, na margem esquerda, a casa nova, o novo rumo do meu olhar quando aqui estou e lá no alto, bem lá no alto, o sol de Maio, poderoso, a trazer luz a este mundo em que tão poucos ainda acreditam e depositam esperança, mas que às vezes consegue ser um local maravilhoso para se viver.

O piano de Georg continua lá e a voz de Jonsí agora também já se ouve, finalmente, a mesma voz de sempre, doce, "falsa", voz de criança que cresceu mas que também ficou algures perdida numa infância construída em sonhos de gelo, crateras de lava e grutas de xisto.

Ouço Mílanó, o grande momento de Takk, o álbum mais luminoso dos Sigur Rós, a obra que inclui Hoppipolla, a música que me fez um dia sonhar alto e não querer partir sem visitar a ilha mais bela que o nosso planeta sustenta... Uma ilha chamada Islândia. Mílanó são dez dos minutos mais belos da história da música; o esplendor total chega perto do 8º minuto quando toda a banda explode em redor de Georg e o piano deste ganha a companhia da guitarra de Jonsí, tocada com um arco de violoncelo, acentuada por um reverb, dando-lhe um efeito flutuante, único e a companhia também da bateria alucinada de Orri. O meu coração sente um aperto, os meus olhos humedecem vertiginosamente e arrepio-me da mesma forma que o faria se neste preciso instante possuisse e amasse o meu Amor como se não houvesse amanhã! Olho de novo para a ilha, para a casa lá ao fundo, na margem esquerda, para a água verde e castanha, para o céu e para dentro de mim e questiono-me... Como é possível o mundo não se comover mais? Como é possível haver quem ainda não tenha ouvido Mílanó? Como é possível haver quem não saiba o que é Ára Bátur? Como é possível a música, seja ela qual for, ainda passar ao lado de tanta gente? Como é possível fazermos tão mal uns aos outros, tantas e tantas vezes, de forma tão irreflectida, todos os dias da nossa vida?

Estes tormentos duram pouco... logo de seguida chega Vid Spilum Endalaust e com ela os 4 minutos mais festivos que conheço da história da música e que tomam conta de mim sem hesitar! Com o piano de Georg de novo a tomar conta de mim, com a bateria de Orri e a voz do Jonsí a não me deixar respirar!

São assim os Sigur Rós...

É assim a música para mim...

Custa-me imenso não dominar melhor o dom da escrita para ser ainda mais concreto nesta descrição que faço, mais apelativo e conciso. Custa-me imenso não conseguir fazer com que mais pessoas me leiam e assim, talvez conseguir que mais ouçam os Sigur Rós, entendam aquilo que sinto e também consigam sentir-se tão felizes como eu quando os ouço.

Um dos meus maiores atributos, dizem, é a generosidade... Se pudesse, dava-me a mim próprio para que o mundo inteiro pudesse partilhar o que sinto quando os ouço aqui, junto a este rio, perto daquela casa à esquerda, bem lá no fundo, na curva do rio, iluminado por este sol, feliz por saber que também sou assim. E também sou feliz por saber que, tal como a voz de Jonsí, também muito daquilo que sou hoje nunca cresceu, está ainda perdido no passado, na ternura da minha infância, no peito de quem de mim sempre cuidou e me ajudou a ser o que sou hoje! E não deixo de sorrir por saber que ao ser assim, por sentir que também consigo parar e ainda ser quando me apetece o miúdo que fui, é que tenho a enorme capacidade de me deixar comover de forma tão intensa e única pelos Sigur Rós e pela sua música.

Ficam Mílanó, Vid Spilum Endalaust e Ára Bátur...

 

 

feeling:
music: Mílanó

autor stipe07 às 14:48
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