Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

Josh Rouse – The Happiness Waltz

Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso em 2013 com The Happiness Waltz, disco lançado no passado dia dezanove de março por intermédio da Yep Roc Records. O álbum foi produzido por Brad Jones, que já havia trabalhado com o cantor em 1972 e em Nashville e foi gravado em Valência, Espanha, no estúdio do artista, chamado Rio Bravo.

 

Songwriting for me is something I have to do to stay on the sunny side of life. It’s my therapy. I pick up a guitar from time to time and it spills out. I feel lucky in that, after years of being blessed by their presence, the song spirits are still moving through me

 

Quinze anos depois de este músico natural dos subúrbios de Nashville, no Tennessee e cinco anos após ter trocado, por amor, essa Nashville por Valência, na espanha, Josh Rouse não perdeu o espírito nostálgico e sentimental da sua escrita e composição, já que The Happiness Waltz é um trabalho cheio de letras pessoais, que falam da sua experiência recente como marido e pai e que, também por isso, conjuga tudo aquilo que de bom tem a sua fantástica carreira.

No início da sua carreira Josh terá sido fortemente influenciado pela pop britânica dos anos oitenta, feita por nomes tão consagrados como Echo And The Bunnymen e os The Smiths. Os belíssimos arranjos de cordas que ele propunha e ainda cria e reproduz, tornaram-se logo numa imagem de marca e o seu disco de estreia Dressed Up Like Nebraska, de 1998, é hoje, um disco fundamental da música popular norte americana do final do século passado. Depois, Chester, o EP que Rouse gravou com o cérebro por trás dos Lambchop, Kurt Wagner, foi mais uma prova de que ele era uma boa aposta para o futuro.

Com o novo século chega o reconhecimento mundial obtido com os clássicos Under The Cold Blue Stars em 2002, 1972 em 2003 e Nashville em 2005. Com essa tríade Josh provou definitivamente ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Nashville, o meu disco preferido de Josh Rouse, acabou por ser uma marco na sua carreira já que foi o clímax de toda uma época em que se dedicou a cantar sobre a sua herança de menino filho de militares que viveu em várias cidades e os sofrimentos amorosos que teve, nos quais se inclui um divórcio atribulado; Canções como Street Lights, Winter In The Hamptons e outras, mostram a fina fronteira que existe muitas vezes entre dor e redenção e indicavam que daí para a frente nada mais seria igual e que nos próximos álbuns o músico teria de se reinventar.

Em 2006 Josh foi morar na cidade de Villa de Santa Maria, próximo de Valencia, no sul da Espanha e aí inicia uma nova vida e, musicalmente, uma nova fase da sua carreira. Os discos posteriores a essa mudança mantêm o espírito e as habilidades de composição de Josh, mas procuram transmitir uma sonoridade mais extrovertida e luminosa, fruto também de um novo amor, agora com a espanhola Paz Suay, cantora com quem Josh entretanto casou. Assim, Subtitulo (2006) tem canções mais leves, como Quiet Town, Summertime, Givin' It Up e a exceção, a autobiográfica, The Man Who Doesn't Know How To Smile, que já conta com a voz de Paz. Logo de seguida, Josh e Paz editam o EP She's Spanish, I'm American, dando como oficial a também união artística do casal.

Os trabalhos seguintes, Country Mouse, City House (2007), El Turista (2010) e The Long Vacations (2011), foram incorporando elementos melódicos espanhóis na música de Rouse, inclusive nas letras que levam Josh a cantar numa língua que nem sempre domina na perfeição, como se percebe, por exemplo, em Bienvenido ou Las Voces. Em 2011, Josh Rouse And The Long Vacations, é uma tentativa do músico de, mantendo a mesma proposta sonora alegre e festiva, partir até aos anos setenta e à costa oeste dos Estados Unidos.

Agora, The Happiness Waltz é a assumida tentativa de, como referi acima, tentar fazer uma espécie de súmula da carreira e uma simbiose das duas grandes fases da sua carreira, a tristeza por algo ou alguém que se foi, com a certeza do sol quente do mediterrâneo peninsular. O disco começa com Julie (Come Out Of The Rain), uma bela canção devido à voz e ao timbre da guitarra; Depois segue-se Simple Pleasure um tema simples e feliz, com uma sonoridade muito colada aos The Smiths, assim como It's Good To Have You, onde Josh assume estar feliz com a sua nova família. Esta temática familiar volta a estar presente em This Movie's Way To Long.

City People, City Things acena novamente aos anos setenta, assim como Our Love, um dos destaques do álbum por ter um ritmo parecido com uma valsa e travos de soft rock do início dos anos 70. A Lot Like Magic acena à pop britânica dos anos oitenta e casa-a com as melodias americanas dos anos setenta e com a própria pop soul típica da Motown. Em Start A Family, Josh regressa aos climas hispânicos e a percussão e o baixo de Western Islands recordam Winter In The Hamptons, um dos destaques de Nashville.

Nos últimos três temas de The Happinezz Waltz o ritmo abranda um pouco; Purple And Beige é um belíssima balada, feita com notáveis arranjos de cordas e onde Rouse recorda tempos distantes. The Ocean  fala sobre a mudança do músico do interior americano para o mediterrâneo e o tema homónimo é um final perfeito para um disco único, devido à mistura instrumental que congrega. Espero que aprecies a sugestão...

 

I can’t wait another moment to see those eyes

Lately all I care about is you and me

And the future that looks so bright

It feels good to have you in my life

01. Julie (Come Out Of The Rain)
02. Simple Pleasure
03. It’s Good To Have You
04. City People, City Things
05. This Movie’s Way Too Long
06. Our Love
07. A Lot Like Magic
08. Start Up A Family
09. The Western Isles
10. Purple And Beige
11. The Ocean
12. The Happiness Waltz


autor stipe07 às 22:42
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