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Devendra Banhart – Mala

Terça-feira, 26.03.13

Devendra Banhart está de regresso com Mala, o seu oitavo disco lançado recentemente por intermédio da Nonesuch e que interrompe um hiato de quase quatro anos, já que sucede a What Will Be, álbum lançado em 2009 e que replicava novamente a típica sonoridade folk psicadélica e latino americana do músico, razão pela qual todos ansiávamos por um regresso que fosse tudo menos normal e previsível, para que não tívessemos que nos deparar com um Devendra demasiado aobrrecido, previsível e calculista e atirá-lo de vez para a secção das irrelevâncias com as quais não há tempo a perder porque o mundo está demasiado habitado de música e, mais do que nunca, selecionar, é preciso.

Devendra deve ter tido em atenção esta necessidade de inovar quando começou a projetar Mala. Neste novo trabalho do músico mantém-se presente o fascínio pelos ritmos latinos que sempre acompanharam toda a discografia do cantor e compositor texano, porém, nunca de forma tão explícita como agora. Mala está cheio de referências à música construída na América Latina, principalmente os realces que sustentaram a bossa nova e boa parte dos sons brasileiros da década de cinquenta até à explosão da Tropicália. Devendra transforma-se num verdadeiro trovador latino quando interpreta Mi Negrita e cruza a pop solarenga dos Beatles com o glam rock em Won't You Come Over.

Nas suas letras sobressai constantemente um aprimorado jogo entre a gentileza e uma certa agressividade, no seio de canções manchadas pela saudade. Esta dicotomia não é propriamente algo que soe absurdo já que o humor é uma caraterística muito presente na escrita de Devendra e há que não esquecer, nesse apaziguamento, a tal serenidade tropical e o clima latino que banham Mala. Tudo isto cria um composto agridoce e melódico e a própria tristeza é compreendida com um ligeiro sorriso, algo bem patente em Your Fine Petting Duck, um tema que representa bem todo esse sentimento que abastece o álbum, tratando do fim de um relacionamento com nostalgia e com uma certa dose de felicidade.

Mala exala pacatez e honestidade e pressente-se que Devendra se apresenta como é, tão criativo como no começo da carreira e menos próximo do que em alguns momentos parecia ser uma encenação ou um personagem interpretado pelo artista.

Mergulhado em recortes dolorosos de tudo o que o músico viveu nos últimos quatro anos, Mala é atual e um trabalho eminentemente nostálgico. Menos metafórico e muito mais consciente da necessidade de soar íntimo do ouvinte, Devendra Banhart fez de cada tema deste disco um instrumento de aproximação com diferentes públicos, sendo este o álbum mais acessível e encantador da sua carreira. Espero que aprecies a sugestão...

01. Golden Girls
02. Daniel
03. Fur Hildegard Von Bingen
04. Never Seen Such Good Things
05. Mi Negrita
06. Your Fine Petting Duck
07. The Ballad Of Keenan Milton
08. A Gain
09. Won’t You Come Over
10. Cristobal Risquez
11. Hatchet Wound
12. Mala
13. Won’t You Come Home
14. Taurobolium

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publicado por stipe07 às 13:09






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