Sábado, 23 de Março de 2013

EELS – Wonderful, Glorious

Os Eels de Mark Oliver Everett, aka Mr. E, uma das minhas bandas preferidas, estão de regresso aos discos com Wonderful, Glorious, um trabalho com treze temas e inteiramente gravado nos estúdios do músico em Los Feliz, nos arredores de Los Angeles, construídos de raíz para a ocasião. Este álbum foi lançado a quatro de fevereiro por intermédio da Vagrant Records; É o décimo disco dos Eels e interrompe um hiato de quase três anos após um período bastante profícuo da banda e que deu origem à triologia Hombre Lobo (2009), End Times (2010) e Tomorrow Morning (2010).

Para quem, como eu, acompanha com atenção a carreira dos Eels praticamente desde o início, o primeiro single de Wonderful, Glorious não surpreendeu quem já está habituado a constantes e felizes quebras na conduta sonora deste grupo norte americano; Após a introspeção latente em End Times, a agressividade punk de Peach Blossom encontra paralelo na transformação sonora que no virar do século operaram de Daisies Of The Galaxy (2000) para Souljacker (2001). Oliver Everett gosta de surpreender e sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo.
A temática das canções de Wonderful, Glorious é variada e, como sempre, há uma forte componente autobiográfica na escrita de Mr. E. Sonoramente, a agressividade de canções como Kinda FuzzyOpen My PresentStick Together e New Alphabet, não é gratuíta, digamos assim, ou seja, é feita com algum controlo e com uma instrumentação apelativa, que combina muito bem com a típica rouquidão vocal de Everett. Na triologia citada, Mark cantou sobre algumas mazelas que certamente o atormentavam nesse período e agora, em Wonderful, Glorious, o músico sai de novo de uma espécie de clausura emocional e introspetiva, para se libertar e mostrar, sem receio, a sua faceta mais rebelde e divertida, não havendo agora lugar para sentimentos obscuros e lamentações.
Wonderful, Glorious nunca será o disco do tudo ou nada dos Eels, porque estamos na presença de uma banda que já carimbou, com legitimidade, o seu lugar no historial mais ilustre e fundamental do rock alternativo, devido a mais de duas décadas de uma imaculada carreira. Mas sente-se que é um implícito grito de revolta, por parte de um grupo que ciente de tudo isto, talvez esteja cansado da indiferença e de, injustamente, ter vivido todo este tempo numa inexplicável penumbra mediática. Em Bombs Away os Eels assumem a intenção de causar estragos e o groove invulgar de Kinda Fuzzy e a emoção latente na folk da belíssima On The Ropes, servem para provar que há uma míriade sonora notável no cardápio sonoro do grupo e que, no caso da última canção, ao comparar-se com um pugilista, Mr E. assume que não está KO e que quer lutar pelo seu justo lugar no estrelato. Em The Turnaround, no meio de uma certa tensão, Mark prova que sabe aproveitar o seu potencial criativo e assume que pode haver reviravoltas no combate, mas o crescendo da canção sustenta que ele está pronto, uma vez mais, para enfrentar as adversidades e continuar a sua caminhada.

Wonderful, Glorious pode não mudar muita coisa no universo musical dos Eels devido à riqueza do mesmo, mas depois da tal triologia, a liberdade deste disco acaba por ser uma lufada de ar fresco. A dinâmica do sucesso é difícil de prever, mas Everett e companhia merecem elogios de um público maior do que aquele que o conhece e produziram aqui um punhado de canções marcantes que podem realmente leva-los mais além. Oxalá eles alcancem a fama e o reconhecimento público que tanto reclamam em Wonderful, Glorious, porque bem o merecem. Espero que aprecies a sugestão...

01. Bombs Away
02. Kinda Fuzzy
03. Accident Prone
04. Peach Blossom
05. On The Ropes
06. The Turnaround
07. New Alphabet
08. Stick Together
09. True Original
10. Open My Present
11. You’re My Friend
12. I Am Building A Shrine
13. Wonderful, Glorious


autor stipe07 às 19:55
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