Sedeados em Lambeth, nos arredores de Londres, Os Palma Violets são uma das novas coqueluches do cenário musical indie britânico devido a 180, o disco de estreia deste grupo, editado a vinte cinco de fevereiro pela Rough Trade. 180 é o número da porta do local onde decorreram várias festas onde os Palma Violets deram os seus primeiros espetáculos. No alinhamento do disco está Best Of Friends, canção que foi votada pelos leitores da New Musical Express como a Best Tracks of 2012. A propósito disso, Chili Jesson, membro dos Palma Violets afirmou: That's amazing, that's fucking cool. It's such a rough, raw song. We wrote it one day and recorded it the next, so it was all pretty quick. That song is at its freshest point. Every note we're hitting, like, no one really knows what they're playing. It's tongue-in-cheek.

Este troféu conseguido numa votação dinamizada por tão distinta publicação acabou por provocar um enorme falatório em redor dos Palma Violets, razão pela qual, a crítica local, uma máquina trituradora com os holofotes sempre apontados e àvida de novidades, aguardava com uma pouco habitual ansiedade a chegada aos escaparates de 180. E de de certa forma já nascidos num berço de ouro e com uma bitola tão elevada, o difícil seria analisar o álbum sem qualquer tipo de expetativa em relação ao conteúdo sonoro do mesmo. No entanto, não querendo achar que sou melhor comentador musical que a maioria da crítica internacional que considerou 180 um fiasco, congratulo-me por ter escrito este texto sem saber dessa ode prévia ao grupo e assim, despido das tais expetativas, talvez tenha tido possibilidade de analisar com outra frieza o conteúdo sonoro da estreia destes Palma Violets.
Assim, antes de mais, confesso que gostei muito de ouvir os cerca de quarenta minutos de 180. O disco circula entre o garage e o indie rock, com alguns laivos lo fi e a invadir o território dominado pelos conterrâneos The Libertines e The Vaccines. Os dois singles, Best Of Friends e Step Up For The Cool Cats, abrem estrategicamente o disco e causam logo bom impacto. Depois, o jogo de vozes entre Sam Fryer e Chilli Jesson e os riffs de guitarra, engrandecem, com energia e enorme dinamismo, temas como All the Garden Birds, Chicken Dippers e Last Of The Summer Wine, pecando apenas por não darem um pouco mais de protagonismo aos teclados de Pete Mayhew, que muitas vezes estão mal aproveitados. Isso é evidente em temas como Rattlesnake Highway, Tom The Drume e We Found Love.
Acaba por dar a sensação em alguns momentos que 180 merecia um maior tempo de maturação e que acabou por sair do forno demasiado cedo e devido à pressão do exterior, sem estar, portanto, ainda devidamente confecionado. O álbum entusiasma, não tanto como a facilmente influenciável imprensa britânica anunciou previamente e, se calhar, gostaria, mas é, quanto a mim, apesar de algo precoce, um nascimento saudável, inventivo e minimamente inspirado de uma banda que se tiver tempo e senão se deixar influenciar de novo pelos clamores da crítica e da componente comercial, acabará por se tornar numa referência dentro do género.
Os Palma Violets andaram em fevereiro em digressão com os Django Django e Miles Kane and Peace, no evento NME Awards Tour 2013. Espero que aprecies a sugestão...
01. Best Of Friends
02. Step Up For The Cool Cats
03. All The Garden Birds
04. Rattlesnake Highway
05. Chicken Dippers
06. Last Of The Summer Wine
07. Tom The Drum
08. Johnny Bagga’ Donuts
09. We Found Love
10. Three Stars
11. 14
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