Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2013

The Weatherman - Weatherman (review & entrevista)

The Weatherman é o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, que se estreou em 2006 com Cruisin’ Alaska, ao qual se sucedeu Jamboree Park at the Milky Way (2009). Agora, no início de 2013, mais concertamente no passado dia vinte e oito de janeiro, chegou Weatherman, a terceira rodela deste cantautor cujo universo pop e pisicadélico sonoros nos remetem para um mundo sonoro diversificado e versátil, onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como The Beatles ou Beach Boys são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da eletrónica atual.

A primeira ideia implícita em Weatherman e que o autor não rejeita totalmente, apesar de considerar que não escreveu canções como se fossem propriamente um diário, ou com a intenção de se expor, nomeadamente na entrevista que me concedeu e transcrita abaixo, tem a ver com, em Weatherman, ter havido uma maior ousadia lírica, já que estas canções sabem ao próprio autor e poderão contar histórias da sua própria existência, através de letras pessoais e intimistas, em contraste aos registos anteriores.

Masterizado por Tim Debney (Thom York, Lilly Allen, Kasabian, Gorillazz, Super Furry Animals, entre outros) no Fluid Mastering em Londres e com uma produção impecável a cargo de João André, sonoramente o disco é homogéneo, tem canções muito alegres e que tanto dão para abanar a anca, como para apelar aos nossos sentimentos mais profundos. As mesmas estão cheias de sintetizadores, teclados e arranjos orquestrais que alternam entre a tal pop, o rock e a própria folk. Delas destaco o fantástico single Proper Goodbye, a belíssima Fab, a delicada I’ve Come Home e a divertida We All Jumped In.

Weatherman é uma sólida e consistente colecção de canções pop, onde o amor nas suas múltiplas vertentes e a procura de lugares reconfortantes como processo de auto conhecimento são a principal força motriz e confirma Alexandre Monteiro como um dos nomes mais promissores do panorama musical nacional. Espero que aprecies a sugestão... 

 

 

O press release do novo álbum do projeto The Weatherman refere que estamos na presença do registo mais pop e simultaneamente mais auto biográfico. As canções falam de amor e despedidas, das imperfeições, alegrias e tristezas inerentes à condição humana. Estamos em presença de uma coleção de canções que de algum modo retratam a vida de Alexandre Monteiro?

R.: Pode-se dizer que sim, embora seja dificil detectar-se isso de uma forma linear. Não escrevi canções como se fosse propriamente um diário. Esses retratos estão dispersos pelas várias canções, nem eu tive a intenção de mostrar de uma forma demasiado exposta.

 

Quanto à vertente pop... Da música eletrónica à folk, ouve-se de tudo um pouco neste homónimo. Quais são as principais diferenças sonoras relativamente aos dois álbuns anteriores e, em termos de bandas e/ou autores, o que é que andas a ouvir e, além dos óbvios The Beatles e Beach Boys, quais são as tuas maiores influências? 

R.: Em relação aos discos anteriores houve mais cuidado em termos de produção. Procuramos um som que deixasse as canções comunicarem de uma forma mais transparente. Nada aqui aparece escondido, é tudo assumido de uma forma clara. Houve também o objectivo de afirmar convictamente que eu não estou interessado em copiar coisas que foram feitas no passado. Eu sempre quis trazer algo de fresco ao panorama da música pop, em que sentes o peso da História e ao mesmo tempo sentes que faz sentido ouvir-se agora, e este disco penso que tira todas as dúvidas a esse respeito.

 

Porquê a escolha de Proper Goodbye para primeiro single?

R.: Numa fase mais atrasada do disco, decidimos escolher uma canção que naquela altura nos parecia mais radio-friendly, e esta enquadrava-se bem. Além disso tinha inenrente um certo feeling de final de Verão, o que se adequava à época em que seria lançada (finais de Agosto). Além disso eu confesso que gosto de baralhar as expectativas do público, e então a ideia de eu reaparecer em cena com uma música despedida pareceu-me perfeito!

 

Adoro o videoclip e identifiquei-me muito com ele. Partilhamos o desejo que a maioria das crianças tinham de ser astronautas quando fossem grandes?

R.: Obrigado! Sim, lembro-me que algures na minha infância e talvez pré-adolescência andei completamente fascinado por astronomia. Devorei tudo o que era livros sobre astronomia, incluindo livros de ficção científica, e lia tudo o que encontrava sobre OVNIS. Cheguei mesmo a dizer aos meus pais que provavelmente eu ir ser astrónomo, mas a música deitou isso por terra. Se calhar ainda vou a tempo... A ideia do vídeo foi mesmo pegar nesses desejos de infância e transpor isso como se se tratasse da despedida “ideal”. Sou ambicioso, e o que é certo é que pode-se dizer que consegui mesmo cumprir esse sonho de ser astronauta ao fazer este vídeo. Claro que quando soube que o Neil Armstrong morreu fiquei emocionado, e calhou logo na véspera do lançamento (do vídeo).

 

Já agora, tens uma canção preferida em Weatherman?!

R.:Tenho algumas preferidas, mas não me consigo decidir por apenas uma, francamente.

 

Como foi o processo de escrita e composição destas canções?

R.: Não foi nada de planeado. Eu tenho suficiente confiança em mim próprio como compositor, por isso sei que é escusado forçar. Foi um processo tão natural, que não me sei situar nem no tempo nem no espaço em relação à composição da maior parte dos temas. Assim que eu sentia que tinha algo a dizer através da minha música, sentava-me a compor, ora ao piano, ora à guitarra.

 

A estreia com Cruisin'Alaska, foi  um trabalho apenas composto e tocado por ti. Mas depois disso, em Jamboree Park at the Milky Way e neste Weatherman já há uma banda e convidados. A que se deveu essa inflexão?

R.: Penso que comecei a sentir saudades de trabalhar em banda, algures a meio do percurso. Aliás, sempre foi meu objectivo tocar com uma banda de apoio nos concertos. Penso que é esse o meu objectivo desde sempre e é assim que resulta melhor: eu compor as músicas, e já depois numa fase mais avançada, de escolher os arranjos, buscar outros músicos para colaborarem.

 

Como é que foi possível a escolha de joão andré para colocar as mãos na produção do disco?

R.: Ele propôs-me produzir este disco logo assim que nos conhecemos. Foi em 2009, na altura em que ele deu alguns concertos comigo, ainda de promoção do meu segundo disco. Penso que ele teve desde logo uma ideia daquilo que poderia ser o meu caminho num futuro disco em termos sonoros. Acabou por ser um processo muito longo, e mesmo ainda que nem sempre com as condições ideais, conseguimos fazer um bom trabalho, penso eu.

 

E os próximos espetáculos? Onde é que os leitores de Man On The Moon te podem ir ver e ouvir nos próximos tempos? Das actuações ao vivo, devem-se esperar performances a solo ou acompanhado?

R.: Vou fazer inúmeros showcases acústicos, munido apenas de voz e guitarra. Pelo meio, vou ter os concerto de apresentação oficial do disco, com banda completa, no Porto, no Passos Manuel no dia 22 Fevereiro, e em Lisboa, algures em Março.


autor stipe07 às 20:40
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