Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013

Yo La Tengo - Fade

Conforme referi em Curtas... LXX quando apresentei o single Before We Run, os Yo La Tengo, um dos projetos mais influentes do indie rock norte americano, formado em 1984 pelo casal Ira Kaplan e Georgia Hubley (vocal e bateria) e Dave Schramm (entretanto retirado) e James McNew, regressaram aos discos este ano com Fade, uma rodela lançada no passado dia catorze pela Matador.

Recentemente tem sido  tendência generalizada algumas bandas já com um largo historial, regressarem com renovadas sonoridades e assim, além de conquistarem as mais novas gerações, despertarem nestas o interesse pela descoberta das suas dicografias. São bandas que sabem aproveitar a sua maturidade e dialogar com as tendências mais atuais. Assim, é interessante observar como os Yo La Tengo conseguiram este efeito com Fade, já o seu décimo terceiro álbum em vinte e nove anos de carreira.

No conteúdo de Fade, grande parte do mérito deve ser atribuído ao produtor John McEntire (Tortoise e The Sea and Cake), já que foi ele quem assumiu as rédeas da obra e ajudou o grupo a fazer um álbum sensível com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente.

Ohm, a canção inicial, e Before We Run, o tema de encerramento, são as mais longas e sonoramente mais detalhas, amarrando bem as pontas do disco. Na primeira escuta-se os músicos em coro, numa melodia amigável e algo psicadélica, feita com guitarras distorcidas, enquanto a última se arrasta até ao fim com um longo diálogo entre timbres. Curiosamente, apenas estas duas terminam em fade, o recurso técnico do som ou imagem, onde se vai diminuindo aos poucos e que serviu de inspiração para o título do disco.

Apesar desta fluidez intencional, Fade pode ser dividido em duas partes; A primeira está cheia de canções animadas como Paddle Forward e Well You Better. De Stupid Things em diante, a obra passa a assentar num formato mais íntimo e quase silencioso, onde se canta baixo e existe uma maior escassez instrumental. No entanto, nesta última fase do disco também há muita beleza, registada em deliciosos detalhes sonoros, percetíveis se a audição for feita com recurso a headphones. É mesmo incrível a sensação de ligaçao entre as canções, mesmo havendo alguns segundos de quase absoluto silêncio entre elas. Assiste-se a uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável.

Fade pode não ser um daqueles álbuns que mudam as nossas vidas, mas é difícil ficar indiferente perante preciosidades como Is That Enough, The Point of It e Cornelia and Jane. As distorções são sempre bem controladas, os ruídos minimalistas do violoncelo vão tomando conta do disco, os arranjos das cordas estão dissolvidos em doses atmosféricas, mas expressivas e muito assertivas e a subtileza na voz denota longos anos de aprendizagem. Na execução de Is That Enough, por exemplo, a busca por uma musicalidade amena acaba por aproximar os norte-americanos da mesma natureza melódica que marca a trajetória dos The Magnetic Fields, o grupo conterrâneo comandado por Stephin Merritt e que parece ser uma das principais influências dos Yo La Tengo em Fade.

Com uma variedade de referências e encaixes sonoros que se aproximam do indie rock atual, a banda faz em Fade uma espécie de súmula da carreira, já que contém a produção detalhada típica da década de oitenta, as transformações sonoras que experimentaram na década seguinte e a maturidade que demonstraram nos discos lançados já neste século. Pelos vistos, quem, como eu, se interessar mais por esta banda de Hoboken, Nova Jersey, a partir deste disco, terá muito material para descobrir da sua discografia e creio que o número de novos admiradores vai crescer, já que Fade tem tudo para agradar ao público adepto do som feito hoje e aos admiradores do trabalho anterior da banda. Espero que parecies a sugestão...

Yo La Tengo - Fade

01. Ohm
02. Is That Enough
03. Well You Better
04. Paddle Forward
05. Stupid Things
06. I’ll Be Around
07. Cornelia And Jane
08. Two Trains
09. The Point Of It
10. Before We Run


autor stipe07 às 22:46
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