Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

Vitorino Voador - Vitorioso Voo

Foi editado no passado dia vinte e dois de novembro pela Optimus Discos, Vitorioso Voo, o EP de estreia de João Gil, músico dos diabo Na Cruz e You Can't Win Charlie Brown, entre outros e que neste seu projeto a solo assina como Vitorino Voador. Este EP antecipa uma estreia nos álbuns, já no início do próximo ano, um trabalho cujo conteúdo ainda está um pouco no segredo dos deuses mas que, pelos vistos, já está praticamente pronto.

Vitorino Voador é mais um novo projeto refrescante no universo musical nacional, que vive em contra ciclo com o ambiente de crise e de angústia social que nos assola. Esta paisagem humana um pouco depressiva e angustiada que preenche as nossas cidades é, pelos vistos, uma boa fonte de inspiração e a música um veículo previligiado para afugentar medos e renovar com esperança e cor esta tal cor que mal nos ilumina.

As canções de o Vitorioso Voo foram escritas no recanto do lar, ao piano e como não se inseriam propriamente na sonoridade das bandas que o João integra, fizeram com que ele tivesse a feliz ideia de não as colocar de lado e conceber um espaço identitário próprio que as pudesse abarcar. O nome Vitorino apareceu por acaso, devido ao erro num cartaz, mas acabou por ser o evento feliz que despoletou a escolha do alter ego. Quanto ao Voador, bastou uma fotografia dos Diabo Na Cruz em que João aparece a saltar para se dar o click.

Estes temas que partilho convosco relatam histórias carregadas de honestidade, intimidade e atualidade, enchem-nos a alma e, por isso, dão um forte contributo a este desiderato, diria-se que nacional, de alegrar quem se predispõe a conhecer este projeto. A Carta De Amor Foleira que sucede à belíssima mensagem, terá sido também escolhida como single, por ser uma daquelas canções que, capacidades líricas à parte, devido ao seu tom fortemente romântico e melancólico, poderia ter sido escrita ou idealizada por qualquer um de nós, que já sofremos por amor.

Vitorino Voador não tem qualquer problema em confessar a sua timidez; É junto do piano, do teclado, do sintetizador e no palco (muitas vezes com a ajuda do músico José Castro, que também ajudou na produção) que ela se desvanece, por culpa da música que cria e que lhe permite desabafar as suas experiências pessoais e alguns dos seus segredos.

A publicação Time Out considera este músico nascido na capital em 1980 um fazedor de pop estranha. Eu acho que ele é um fazedor irrepreensível de emoções que se entranham.

Confere abaixo a entrevista que fiz ao João Gil e aproveito para agradecer publicamente à Raquel Lains, da Let's Start A Fire, pelo exemplar de o Vitorioso Voo que me enviou e por ter feito chegar as minhas questões ao músico. E obviamente, agradeço também ao João pela disponibilidade, pela amabilidade e pela prontidão nas respostas. Espero que aprecies a sugestão...

facebook bandcamp

1. Mensagem

2. Carta de amor foleira

3. Já foi

4. O dom

5. Coragem

6. Que sítio é este?

 

João, és um músico profissional, integras os Diabo Na Cruz e os You Can't Win Charlie Brown, entre outros. Antes de mais, porque sentiste necessidade de criar um pseudónimo e depois, de mãos dadas com ele, enveredares por um projeto a solo? E já agora, porquê a escolha de Vitorino Voador?

 

Olá! É verdade, foi realmente uma necessidade, começou quando senti que a musica que fazia não se estava a encaixar em nenhum dos grupos onde tocava, porque fugia à linguagem que queríamos respeitar, eram musicas que eu gostava bastante e não queria mesmo ter que deitar fora o que andava a compor, foi então que surgiu o Vitorino Voador, ainda eu não sabia que seria esse o nome dele. A certo ponto a coisa começou a tornar-se mais real, já existia uma hipótese de apresentar a minha musica mas não existia um nome e eu não queria usar o meu próprio nome, acho que chega um João Gil na musica, já chega a confusão que houve até aqui, onde recebi mails e convites para almoços com Trovante hehe (aos quais eu iria com todo o gosto, obviamente!), foi então que me lembrei de duas historias com Diabo na Cruz que me levaram ao Vitorino Voador, a primeira historia surgiu na primeira digressão de Diabo na Cruz onde num dos cartazes o meu nome aparecia como “João Gil Vitorino”, nome que pegou dentro da banda e a segunda historia surgiu de uma foto que me foi tirada e à qual deram o titulo “João Gil Vitorino Voador”, acho que não podia ter tido mais sorte, porque arranjar um nome para uma banda nem sempre é fácil e aqui não podia ter arranjado um nome que se relacionasse mais comigo!

 

Tens uma canção preferida em O Vitorioso Voo ?

 

No Vitorioso voo há uma musica que escrevi para um amigo que morreu e que foi uma das maiores razões para me tornar musico, essa musica chama-se “Coragem”, foi uma musica que entrou no EP completamente fora de tempo, já estava quase tudo fechado e a decisão foi tomada mesmo no ultimo segundo, tipo “24”, eu era o Jack Bauer naquele momento e mais um segundo, rebentava a bomba e já não havia musica no disco! Agora que o disco já está pronto e já me posso colocar fora dele como ouvinte, fico feliz por ter tomado essa decisão, é a minha musica preferida, por todos os motivos possíveis.

 

Como foi o processo de escrita destas canções? Já sei que foram escritas em casa ao piano... Mas foi tudo assim tão espontâneo? Conseguiste alhear-te totalmente do mundo inteiro, exceto do teu?

 

Eu sou um sortudo, todas estas musicas surgiram do nada, sem ter que bater com a cabeça na parede a pensar “tenho que fazer musicas novas, tenho que fazer musicas novas!!!”. Foram surgindo, cada uma no tempo certo, tirando a “Coragem”. Umas delas foram escritas ao piano, outras na guitarra, tento não compor sempre no mesmo instrumento porque cada um dos instrumentos leva-me por caminhos completamente diferentes, se tentar trabalhar a mesma ideia na guitarra e no piano os resultados vão ser muito diferentes. Acho que o resultado deste disco se deve ao facto de não me ter afastado do mundo inteiro durante o processo de gravação, acho que fiz exactamente o contrario, foi quando me aproximei mais das pessoas que me rodeiam.

 

Como têm corrido os concertos de promoção ao EP?

 

Tem sido sempre uma experiencia muito positiva, por varias razões, porque me mostraram uma visão completamente diferente de o que significa ser musico, até aqui nunca tinha precisado de ser a pessoa em palco que fala, os concertos ensinaram-me a comunicar com as pessoas de uma forma diferente. Nos primeiros concertos ficava mais tenso e agora já consigo ir (quase) calmo para o palco. Sinto que consegui evoluir nestes últimos meses e isso deixa-me feliz.

 

Queres revelar aos leitores de Man On The alguns detalhes acerca do novo disco que aí vem?

 

O próximo disco já tem forma, já tem um alinhamento, já existe uma continuação para a historia do Vitorino Voador, ele vai surgir nesse disco como um super-herói que já se afirmou e com o qual as pessoas podem contar, mas vai mostrar que ele nem sempre é o maior do mundo e às tantas vão ser as pessoas desse mundo dele que o vão ajudar. Em relação à parte musical, não vou repetir musicas do Vitorioso Voo e espero que as pessoas gostem do caminho que vou seguir, as musicas vão soar a Vitorino Voador mas vai ser diferente.

 

Que importância tem para ti a parceria com a Optimus Discos?

 

Para mim foi uma coisa que me deixou muito contente porque de repente fazer o disco era uma coisa que tinha a certeza que podia fazer, foi um processo muito bom porque nunca ninguém na Optimus Discos me disse “Epá, muda a letra disso” ou “Faz lá esse refrão mais comercial senão não editamos o disco”, é bom quando se tem liberdade total e aqui está o resultado final agora, o Vitorioso Voo.

 

O que podemos esperar do futuro do Vitorino Voador? Será paralelo ao do João Gil, como músico noutros projetos, ou a aventura do Vitorino Voador terminará no álbum que vai chegar no início do próximo ano?

 

Ninguém sabe muito bem o futuro que vai ter mas há uma coisa que posso dizer com toda a certeza, o Vitorioso Voo é apenas o primeiro de muitos discos que vou fazer, a musica que faço apenas depende de mim e vai continuar enquanto existir, promessa de escuteiro (nunca fui, mas gosto da frase…). Como João Gil vou continuar a fazer aquilo que mais gosto, tocar, se possível cada vez mais, felizmente uma coisa não impede a outra.

 


autor stipe07 às 13:01
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