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Sigur Rós - Valtari

Quinta-feira, 24.05.12

Jónsi Birgisson, Georg Hólm, Kjartan Sveinsson e Orri Páll Dýrason são provavelmente os maiores responsáveis por toda uma geração de ouvintes se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical. Ao lado da conterrânea Björk, este quarteto chamado Sigur Rós não apenas colocou a Islândia no mapa dos grandes expoentes musicais, como definiu de vez o famigerado pós rock, género que mesmo não sendo de autoria da banda só alcançou o estatuto e a celebração de hoje graças ao rico cardápio instrumental que o grupo conseguiu alicerçar nas quase duas décadas que já leva de existência.

Adeptos da constante transformação de suas obras, desde Von, o primeiro álbum, que os Sigur Rós se concentram na produção de discos que, mesmo próximos, organizam-se e funcionam de maneiras diferentes.  Têm sido álbuns que acabam sempre por partilhar um novo sentimento ou proposta, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a cada nova estreia. Entretanto, mesmo movidos pelas diferenças, nenhum disco apresentado pelo grupo até hoje soa tão distinto e particular quanto Valtari, o sexto trabalho de estúdio do quarteto, um álbum que se fecha dentro de um campo próprio, nada místico ou imerso no mesmo plano gracioso que antes abastecia a carreira da banda.

Valtari talvez seja o mais introspectivo e difícil disco do grupo até hoje. Não há qualquer forma de abertura ou canções capazes de conversar com o grande público aos moldes de Glósóli, Hoppípolla e Svefn-g-englar, alguns dos maiores tratados comerciais da banda. Tudo o que se ouve no interior desta obra de oito canções ecoa de forma suja, distante da subtileza angelical que se manifestava nos discos anteriores. Se, por exemplo, no anterior Með suð í eyrum við spilum endalaust, de 2008, a banda parecia motiva a lançar uma série de músicas festivas e grandiosas, hoje a necessidade é completamente outra. Tudo flui de maneira hermética e acizentada, quase um oposto dos Sigur Rós de outras épocas.

Quem também esperava por um álbum com uma sonoridade coincidente com aquilo que Jónsi e o parceiro Alex Somers vinham a desenvolver em relação à carreira solo do vocalista dos Sigur Rós, provavelmente irá sentir-se defraudado ao mergulhar nos obscuros 54:25 minutos de Valtari. Se antes Jónsi era a figura central dentro do projeto, agora a sua voz é apenas um mero plano de fundo no decorrer da obra, já que boa parte das canções abandonam a voz como ponto de destaque para que a banda possa se concentrar na instrumentação. E como o destaque maior está na música e não na voz, Valtari é um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som.

Se até Með suð í eyrum við spilum endalaust, os Sigur Rós pareciam interessados em realizar um som totalmente bucólico, épico e melancólico, que servia de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, Valtari projeta um som acizentado e urbano, mais terra a terra, digamos assim. Entre canções como Ekki Múkk e Fjögur Píanó, talvez a composição que mais se assemelhe aos antigos trabalhos da banda seja Varðeldur, canção que mesmo ligada ao passado recente da banda, apega-se intencionalmente ao que os islandeses produzem hoje.

A própria tal melancolia que sempre esteve presente nas canções da banda, foi remodelada com uma dose extra de amargura e desesperança se apoderasse das faixas e do espírito que sempre acompanhou a banda. com tudo isto, não se pense que Valtari é um trabalho difícil, ou que se afasta completamente das bases e referências iniciais dos Sigur Rós. O disco parece apenas encaminhar a banda para um novo universo, como se o quarteto resolvesse abandonar um caminho seguro e luminoso que percorreu até aqui, para enveredar por outro percurso mais obscuro e terreno. Acompanhar ou não o grupo neste novo trajeto é uma decisão que apenas o ouvinte pode decidir; Mas, quem, como eu, deixar-se embuir deste novo espírito, certamente não se irá decepcionar.

Pessoalmente, depois de uma espera de quatro anos, estava realmente à espera de algo novo e diferente. Por isso, Valtari acertou em cheio nas minhas expetativas e fez-me aumentar ainda mais a devoção que sinto por esta banda que já faz parte do meu ADN e é uma das referências fundamentais da minha existência. Espero que aprecies a sugestão...

01. Ég Anda
02. Ekki Múkk
03. Varúð
04. Rembihnútur
05. Dauðalogn
06. Varðeldur
07. Valtari
08. Fjögur Pianó

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publicado por stipe07 às 13:30






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