Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

My Sad Captains – Fight Less, Win More

Os My Sad Captains são uma banda de rock alternativo natural de Londres, cujo nome foi inspirado por um poema do escritor Thom Gunn. Os membros da banda são Ed Wallis, Jim Wallis, Nick GossDan Davis e lançaram em 2009 Here & Elsewhere, o álbum de estreia. Agora, no passado dia sete de novembro, chegou ao mercado Fight Less, Win More, um álbum extraordinário e que tenho andado a ouvir com enorme interesse, produzido por Larry Crane que já trabalhou com Ellioth Smith, Cat Power e Stephen Malkmus, entre outros. Este disco foi lançado através da reputada etiqueta Stolen Recordings.

Fight Less, Win More foi escrito quase na íntegra pelo vocalista Ed Wallis, durante uma estadia em São Francisco onde se trancou nos mais profundos recônditos sombrios de uma casa emprestada, durante a festa de Ação de Graças, certamente em 2010. À partida, devido a essa contingência pelos vistos feliz, seria de esperar, no imediato, que o conteúdo do disco fosse bastante melancólico, algo que pessoalmente acabo de confirmar por estes dias, com imenso agrado.

O disco logo desde o início não dá tempo para recuperar o fôlego. E tal não sucede por ser demasiado frenético; Até há momentos de pausa, contemplação, de sossego e melancolia, esta muitas vezes quase absurda. Tal sofreguidão deve-se antes à consistência com que, música após música, somos confortados por melodias maravilhosamente irresistiveis e ternurentas. Logo a abrir, Orienteeers é ao mesmo tempo enérgica e memorável, parecendo fortemente influenciada por bandas indie americanas, como os Yo La Tengo e os Red House Painters, com a caraterística mistura de melancolia inebriante causada essencialmente pela batida e que deu, neste caso, origem a uma melodia soberba, épica e grandiosa. The Homefront Pt II é um belo murmúrio que nasce de um teclado irrepreensível e aventura-se no território do denominado krautrock, devido aos violinos e à sua batida industrial. Logo a seguir, Resolutions poderia ser usada como música padrão para definir a indie acústica bem feita. Mas o meu maior destaque do álbum vai para Heavy Lifting, uma canção que parece ser inicialmente um instrumental, para se tornar numa espécie de caleidoscópio musical, onde a música parece ter entrado num elevador e começado a trepar por ele acima, sustentada numa guitarra cheia de fulgor. Joanne Little é uma harmonia calma, mas cuja sonoridade se sustenta numa espécie de tensão permanente entre Ed e o seu irmão Jim, que faz as segundas vozes e trata dos arranjos, suaves e gentilmente acústicos, provando que as mais simples canções são, por vezes, as melhores. Up and Away respira Mogway por todos os poros e revela mais uma vez que estes My Sad Captains são exímios na construção de belos momentos acústicos. Quase no final, Minah Bird não é menos sedutora, especialmente por ser uma das canções mais sombrias do disco, quer devido ao dominio efetivo de uma linha de baixo consistente e da guitarra que impõe uma melodia única e extremamente agradável.

Surpreendentemente, para uma banda considerada habitante do território indie downbeat, algumas canções que sustentam o disco são bastante épicas e luminosas até. Fight Less, Win More é um álbum sonoramente pouco imediato e que pode precisar de alguma persistência para se tornar familiar, mas não duvidem que merece ser degustado devidamente porque, se assim for, tornar-se-á certamente, para os apreciadores do género, uma das melhores descobertas de 2011.

Os My Sad Captains investem em canções pop de recorte clássico, com forte apuro melódico e alguma propensão para a melancolia. Também por isso, este é um daqueles trabalhos discográficos cuja audição me fez perceber muito claramente que vale bem a pena usarmos algum do nosso tempo disponível para perceber como alguns músicos, independentemente do seu status ou da carreira, conseguem transmitir, com uma precisão notável, sentimentos que tantas vezes são um exclusivo dos cantos mais recônditos da nossa alma. Ultimamente algumas bandas que entraram na minha vida já nesta década e com discos já este ano que seriam supostamente de consolidação definitiva de uma carreira consistente, estão a revelar-se uma enorme desilusão e, com o fim de outras, a deixar por cá uma espécie de vazio. Ainda bem que vão aparecendo novas bandas como esta para me continuar a fazer sorrir e a alimentar esta paixão de uma vida, a descoberta e audição de música.

Chamem-me exagerado, precipitado, demasiado emotivo e repetitivo, cataloguem-me como quiserem, critiquem inclusivé a minha aparente facilidade em exacerbar nos elogios muitas das bandas que apresento. No entanto, garanto-vos que estes My Sad Captains vão ser um dia grandes... Muito Grandes mesmo! E estou certo que quando isso acontecer ninguém se vai lembrar desta minha premonição ou que Man on The Moon foi a primeira publicação em Portugal a mencioná-los, a divulgá-los e a ouvir e a escrever uma crítica a um dos seus discos. De certeza que, tal com eu já hoje, muitíssima gente irá, num futuro próximo, ouvir com particular devoção esta banda. Espero que aprecies a sugestão...

01. Orienteers
02. The Homefront Pt. II
03. Resolutions
04. Heavy Lifting
05. Little Joanne
06. Up and Away
07. Round And Back Again
08. Threes
09. Minah Bird
10. Duck And Cover

 

A joyous ride through the blessed strain of indie ploughed by US contempories Grandaddy and Atlas Sound while still sounding like a product of home. Cherish this one. Loud and Quiet, 8/10

MSC aren’t that sad after all. Maybe they’re not even captains. The Fly, 4/5

A masterclass in restraint, of hushed vocals, heartbreaking one-liners and chugging motorik grooves. My Sad Captains operate within a world where a constant warmth seems to surrounds them, and it effortlessly counteracts the inherant darkness of the puslating rhythm section and sonically rich textures that seem to ebb and flow into thin air. All in all, pretty breathtaking. The Line of Best Fit


autor stipe07 às 18:57
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