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Os Melhores Discos de 2025 (10-01)

Segunda-feira, 29.12.25

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10 - Califone - The Villagers Companion

Intenso, orgânico, intimista e intrincado, The Villager's Companion é um autêntico regalo para os ouvidos de todos aqueles que sentem prazer em sentir canções que escorrem lentamente, enquanto absorvem todas as suas nuances e detalhes, até os mais ínfimos e, durante esse processo, dão, muitas vezes instintivamente, forma a ideias, conceitos, pensamentos e até decisões, que as mesmas suscitam. De facto, a audição dedicada das nove composições do disco é marcante e deixa um lastro de sensações que espicaçam e se sentem com elevado grau impressivo, mesmo após o ocaso dos pouco mais de quarenta minutos que dura o registo.

9 - Noiserv - 7305

7305 é um trabalho laborioso de lapidação, detalhe, delicadeza e refinamento, que alcança, no seu todo, laivos de excelência que alargam os horizontes sonoros do autor e o arco concetual estilístico do seu catálogo, com superior mestria. Ao longo de pouco mais de trinta e dois minutos estabelece pontes entre aquilo que é definido como o orgânico e acústico e o sintético, através de um manancial de ligações de fios e transistores que debitam um infinito catálogo de sons e díspares referências, únicas no cenário alternativo nacional e que também exalam um intenso charme, induzido por uma filosofia interpretativa que, mesmo tendo por trás um cada vez mais diversificado arsenal instrumental, nunca abandona aquele travo minimalista, pueril, orgânico e meditativo que carateriza o modus operandi deste músico único.

8 - Cass McCombs – Interior Live Oak

Cometa repleto de brilho e de cor, Interior Live Oak é, portanto, uma verdadeira experiência imersiva e metafórica, plena de densidade, onde muitas vezes o acústico e o elétrico se confundem. É um disco generoso e esteticamente inquietante, porque não lhe falta diversidade. Mas também é um trabalho emocionalmente acolhedor, porque tem uma estética conselheira e dialogante que não é de descurar.

7 - The Antlers - Blight

Os pouco mais de quarenta e cinco minutos de Blight impressionam imenso, quer pela riqueza detalhística e pela diversidade de nuances, transversal às nove canções do alinhamento, quer pela própria filosofia lírica e estilística subjacente ao registo e, acima de tudo, pela emotividade e assombro que a sua audição dedicada suscita. O álbum encarna uma espécie de epopeia sonora que acumula um amplo referencial de elementos típicos de diversos universos sonoros, que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica, cinematográfica e até, diria eu, objetivamente sensual.

6 - Damien Jurado - Private Hospital

Private Hospital proporciona-nos, em pouco mais de trinta e dois minutos, um festim de indie pop rock luxuriante e vibrante, com forte travo vintage, potenciado por um processo de gravação eminentemente analógico, que coloca as fichas num clima ligeiramente jazzístico. Estas novas canções de Damien Jurado, sendo instrumentalmente fartas e filosoficamente tocantes, comunicam com o nosso âmago, através de uma forma de compôr que, algures entre a penumbra e a luz e com uma sofisticação muito própria, é incubada por um dos maiores cantautores e filósofos do nosso tempo, um artista sem paralelo no panorama da indie folk contemporânea.

5 - Lord Huron - The Cosmic Selector Vol. 1

Com uma discografia já bastante sólida e com uma vasta legião de seguidores fiéis, Lord Huron solidifica em The Cosmic Selector Vol. 1, com notável eficácia, a elevada bitola qualitativa do seu catálogo, à boleia de doze canções que, em quase cinquenta minutos, nos presenteiam com canções que calcorreiam caminhos tão díspares como a folk introspetiva, o rock alternativo e o rock progressivo e o próprio jazz. É um disco fantástico e cheio de nuances, mas também íntimo, profundo, reflexivo. É um registo repleto de laivos musicais de excelência e que proporcionam ao ouvinte muitas boas sensações, que só a vivência da audição consegue suscitar e descrever com detalhe.

4 - Midlake - A Bridge To Far

Com um alinhamento de dez canções e produzido por Sam Evian, A Bridge To Far reclama, com firmeza, o posicionamento dos seus autores num lugar de relevo do panorama indie e alternativo, nomeadamente naquele espetro sonoro que aposta na riqueza dos detalhes e na sapiência melódica, como traves mestras do processo criativo. De facto, os Midlake sempre tiveram apetência para a criação de canções aprazíveis e reluzentes e que, simultaneamente, contendo sempre um elevado grau de acessibilidade, mostrassem um elevado grau de refinamento, servindo-se da típica folk norte-americana, feita de cordas reluzentes e com aquele timbre metálico ecoante tão caraterístico. Em suma, se o resultado final de A Bridge To Far não deixa de ser vistoso, a verdade é que é também profundamente comovente, até no modo como nos mostra que os Midlake investiram muito de si próprios e da sua exposição pessoal perante o mediático, naquele que é o conteúdo do registo. Essa coragem, geralmente universalmente incompreensível, é sempre de realçar e de elogiar e ainda mais quando acontece de modo tão deslumbrante e bonito.

3 - Dumbo Gets Mad - Five Eggs

Five Eggs é uma elegante e bem sucedida viagem sonora, que nos proporciona, em pouco mais de trinta minutos, uma espetacular e efusiante trip psicadélica de elevado calibre e verdadeiramente narcótica para quem se deixar levar por uma doutrina que se serve de guitarras, acústicas ou eletrificadas e de sintetizadores inspirados para, com uma ímpar teatralidade e uma inimitável versatilidade estilística, criar grandiosas canções que versam sobre algumas dicotomias que, no fundo, regem a nossa existência mais metafísica. É um disco compacto, mas multifacetado, solidificando a habitual estratégia de Luca Bergomi de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, porque é esse o efeito que este disco de certa forma transmite.

2 - Jeff Tweedy - Twilight Override

Triplo álbum, Twilight Override é um verdadeiro exercício exaustivo de megalomania, para ser escutado na íntegra, como um todo. Instrumentalmente heterogéneo, com momentos épicos e outros intimistas, tem como grande trunfo a força que emana de dentro de si, nomeadamente no modo como se debruça sobre as fragilidades e as potencialidades da nossa espécie, ou seja, sobre o conceito de humanidade, aquela humanidade que todos temos dentro de cada um de nós e como essa mesma humanidade conduz e determina a forma como nos relacionamos com o próximo e vivemos em comunidade. A partir daí, o amor acaba por ser o tema central do disco. Não apenas o amor sensual e que é vivido entre duas pessoas apaixonadas e que se relacionam emocional e fisicamente, mas também a compaixão, a amizade, a ternura e o apego que temos por aqueles que nos rodeiam e fazem parte da nossa vida. É, sonoramente, um impressivo e jubilante tratado folk, dominado, de alto a baixo, por timbres de cordas, muitas vezes particularmente estridentes, que abastecem a tal constante dicotomia entre sentimentos e confissões, não faltando também, algumas nuances mais eletrificadas e radiofónicas, sempre sem descurar a essência eminentemente reflexiva e sentimental da génese do catálogo do autor.

1 - Geese - Getting Killed

Caos e tensão são adjetivos que se ajustam às mil maravilhas aos Geese, uma banda de Nova Iorque pujante e, ao mesmo tempo íntima, contundente e simultaneamente emotiva. São o exemplo perfeito de como na música muitas vezes a ausência de regras estilísticas rigidas, de seguidismos ou de balizamentos é, também, uma boa fórmula para se chegar ao sucesso e à tão almejada perfeição. Getting Killed, o novo álbum do projeto, pode ser catalogado, de modo simplista, como um disco de indie rock, mas é claramente muito mais do que isso. Os seus quarenta e cinco minutos condensam, sem ordem definida e numa espécie de caos ordenado, world music, jazzfolkrockpopR&Bgrungegarage, psicadelia, punk e tudo aquilo que mais quiseres colocar nesta listagem. Depois, qual cereja no topo do bolo, temos Cameron Winter, considerado já por muitos como um dos vocalistas mais carismáticos do cenário indie e alternativo atual. Se num segundo ele choca-te e instiga-te com um voz ensurdecedora e, imagine-se, algo desconfortável, pouco depois está a falar, de modo contundente, ao teu coração, sussurrando-te ao ouvido com o registo mais adoçicado que possas imaginar. Cheio de força e vigor criativo, timbres e dinâmicas, este quarteto nova iorquino mostra em Getting Killed que o sucesso e a felicidade no seio desta forma de arte chamada música, podem andar de mãos dadas, desde que se ponha de lado convenções e regras e se aposte numa fé inabalável no instinto e naquilo que ele nos pedir que seja feito no momento de criar e de desconstruir, porque aí, quando a realidade se dissolve, vale mesmo tudo.

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publicado por stipe07 às 20:23

Os Melhores Discos de 2025 (20-11)

Domingo, 28.12.25

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20 - Jens Lekman - Songs for Other People’s Weddings

Este disco é um verdadeiro musical, com dezassete canções intensas e que exalam uma euforia indescrítivel, que é para ser ouvida em cerca de oitenta minutos sem pausas ou cortes, para poder ser devidamente apreciado. A história das canções, o dito musical, acompanha o arco do romance entre J, o alter ego de Lekman, e V. Conhecem-se num casamento onde todos os convidados estão vestidos como músicas e depois de tomarem um comprimido com sabor a laca, entregam-se à ligação lúdica que definirá a sua intimidade. Trata-se de estar apaixonado e, ao mesmo tempo, ser um observador externo do amor, participante e espectador, uma divisão que esbate a linha entre a vida e a música, algo que Lekman adora fazer.

19 - Living Hour - Internal Drone Infinity

As dez canções deste disco incorporam, na íntegra, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, que nos leva a degustar, em pouco mais de trinta e cinco minutos, um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar. Conceitos como densidade, nostalgia, crueza e hipnotismo, assaltam a nossa mente canção após canção, sempre com elevada essência pop e um acerto melódico que nunca vacila.

18 - The Lemonheads - Love Chant

Love Chant é uma confirmação de um elevado grau de astúcia e criatividade, assinado por Evan Dando, a grande força motriz dos The Lemoheads, um músico que é, sem sombra de dúvida, um dos nomes mais relevantes do indie rock das últimas quatro décadas. São pouco mais de trinta e cinco minutos que nos levam facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante, tal é a sua frescura e a proximidade que estabelece com o ouvinte. Em Love Chant não deslumbra apenas a versatilidade instrumental e performativa dos intervenientes, mas também, muitas vezes, o balanço perfeito entre o vigor e a delicadeza dos arranjos, dominados quase sempre pelas cordas, mas, principalmente, pelo tom emocional e profundamente melódico das canções, que plasmam uma evidente maturidade musical de um projeto que ainda se quer mostrar relevante, interventivo e inventivo, através de um dos melhores exemplares de indie rock do ano.

17 - Preoccupations - Ill At Ease

Mestres em replicar um som de forte cariz urbano e industrial, um perfil interpretativo que ali, algures entre o apogeu do punk rock oitocentista e o enganador ocaso daquele krautrock que ganhou forma e sustento na década anterior, encarnado, à época, num vaivem transatlântico entre Berlim e a costa leste dos Estados Unidos, os Preoccupations são, claramente, um dos projetos mais excitantes da atualidade dentro do espetro sonoro em que se movimentam. Neste seu novo álbum, vibrante, efusivo e repleto de efeitos sintéticos de forte cariz retro e com uma ímpar tonalidade abrasiva, os canadianos mostram, com vigor, ao que vêm. O tempero em que se cozem as oito canções Ill At Ease, mostra o modo impressivo como os Preoccupations voltam a querer estar na vanguarda da indução de novas nuances e conceitos estilísticos a um género sonoro demasiado abrangente para se poder dizer que são diminutas as possibilidades de lhe acrescentar algo de novo e diferente.

16 - Ezra Furman - Goodbye Small Head

Goodbye Small Head são doze variações sobre a experiência de perder completamente o controle, seja por fraqueza, doença, misticismo, BDSM, drogas, desgosto ou apenas por viver numa sociedade doente com os olhos abertos. O conteúdo deste incrível tomo de canções profundamente pessoais, ressoam no nosso íntimo sem apelo nem agravo, mesmo que nos possa causar algum desconforto, o conteúdo filosófico das mesmas. Com uma energia, uma autenticidade e um carisma inconfundíveis, Goodbye Small Head oferece-nos uma viagem aventureira e até algo psicadélica, feita por um músico que sente finalmente ter força, amor próprio e vigor para encarar diferente o mundo novo que se abriu de par em par depois de concluído o processo de transformação pessoal que viveu, com a primazia da guitarras, o charme do piano e a insistência em utilizar entalhes sintéticos sem receios, a demonstrarem cabalmente que a carreira de Furman merece, claramente, uma projeção intensa, até porque temos aqui canções que podem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procura forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída, ou necessita urgentemente de assumir uma outra identidade.

15 - Throwing Muses - Moonlight Concessions

Os norte-americanos Throwing Muses são, sem qualquer dúvida, um nome fundamental do rock alternativo contemporâneo. Sempre disponíves para acompanhar as novas tendências e conseguindo um equilíbrio perfeito entre o seu adn e algumas nuances mais recentes, vão, disco após disco, mantendo uma vitalidade criativa apreciável, que ganha novo fôlego nesta coleção de canções que encontram o seu sustento no rock lo fi, no garage e também naquele punk rock mais sujo e visceral e, talvez por isso, o mais genuíno e eficaz. Num resultado final bastante orgânico e cheio de personalidade, aspereza e delicadeza são duas faces de uma mesma moeda em que persiste, independentemente do estilo de cada composição, um frenesim sempre latente e um forte cariz lo fi, com as cordas a serem dedilhadas com uma aúrea de aspereza e rugosidade únicas, mas também com ímpar subtileza e charme, num disco que é, no seu todo, algo inebriante e que exala um salutar experimentalismo garage livre de constrangimentos.

14 - Dan Mangan - Natural Light

Natural Light é uma coleção de canções de amor, pensadas para dar alguma cor e alento a um mundo claramente à beira do colapso. Em treze canções, Natural Light oferece-nos um intimista, impressivo e tocante tratado de indie folk, repleto de canções melodicamente inspiradas e que têm no registo vocal rugoso, mas tremendamente realista de Mangan e na guitarra acústica, quase sempre enredada com diversos entalhes percussivos, de pendor essencialmente orgânico, as suas grandes traves mestras.

13 - Sun Kill Moon and Amoeba - Sun Kil Moon And Amoeba, Vol. II

Sun Kil Moon And Amoeba, Vol. II é o segundo capítulo de uma saga colaborativa que Sun Kil Moon tem encetado, nos últimos tempos, com um grupo de músicos húngaro de jazz chamado Amoeba. Trata-se de um belíssimo compêndio sonoro, onde a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave e esteticamente bastante vincada e com uma assintura única, em uma hora de música que transborda uma majestosa e luminosa melancolia.

12 - Ben Kweller - Cover The Mirrors

Cover The Mirrors é um álbum intenso no modo como exala sentimentos profundos e marcantes, sendo o primeiro trabalho lançado pelo autor, depois da morte do seu filho, Dorian Zev, num acidente de viação em dos mil e vinte três. É num vaivém constante entre esperança e acomodação, aceitação e rejeição e luta e desespero, que desfila um verdadeiro festim de canções pop, umas vezes mais límpidas, noutros momentos ruidosas, mas sempre exemplarmente picotadas e fragmentadas, de modo a penetrarem, sem hesitação, no mais profundo no nosso subconsciente. Cover The Mirrors prova que Kweller comunica connosco através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica, com uma considerável vertente experimental associada.

11 - Arcade Fire - Pink Elephant

Pink Elephant é descrito pelos Arcade Fire como cerca de quarenta e dois minutos de punk místico cinematográfico, que convida o ouvinte para uma odisseia sonora, uma busca pela vida que existe dentro da perceção do indivíduo, uma meditação sobre a escuridão e a luz, a beleza interior, enquanto se debruça sobre aquela sensação que todos conhecemos de querermos evitar um pensamento o mais possível e esse simples facto ser suficiente para que ele não se desvaneça. De facto, quer o aspeto visual do álbum, quer o conteúdo sonoro do mesmo, confirmam estarmos na presença desse tal passo concetual que encarna, claramente, um passo em frente na carreira do projeto canadiano, cada vez mais distante do épico rock alternativo, com deliciosas pitadas de indie folk, que nos marcou a todos no início deste século. Assim, em Pink Elephant, com diversidade, criatividade e, a espaços, com elevado hipnotismo e magnetismo e sempre com uma contemporaneidade ímpar, os Arcade Fire colocam todas as fichas numa filosofia sonora que encarna uma espécie de arco interpretativo que abraça a herança kraftwerkiana setentista com o período áureo do melhor punk rock oitocentista.

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publicado por stipe07 às 21:02

Bill Callahan – Lonely City

Sábado, 27.12.25

Bill Callahan está de regresso ao nosso radar, nesta reta final de dois mil e vinte e cinco, com um naipe de novos singles, quatro anos depois de ter dado as mãos a Will Oldham, que assina a sua música como Bonnie “Prince” Billy. Nessa altura fizeram juntos uma viagem a algum do melhor cancioneiro norte-americano contemporâneo, incubando uma fascinante coleção de versões de originais de nomes que respeitam e veneram, apresentando sempre, em cada nova gravação, um terceiro elemento convidado.

A saga começou no início de novembro com The Man I’m Supposed To Be, um delicioso tratado de country folk rock psicadélico substantivo e de primeira água, feito de uma feliz simbiose entre viola acústica e guitarra rugosa e continua agora, quase no fim de dezembro com Lonely City, um tema que replica o arsenal instrumental do antecessor, mas de um modo mais intimista e cru.

Lonely City é uma canção que vai crescendo em arrojo, tensão e intensidade, à medida que vai recebendo novos detalhes percussivos, enquanto uma guitarra planante ciranda, insistentemente, em oposição ao andamento melódico, comprovando, com enorme mestria e refinadíssima acusticidade e a superior capacidade interpretativa de Callahan.

Estas duas canções são os primeiros avanços revelados de My Days of 58, o disco que o músico norte-americano, natural de Silver Spring, no Maryland, vai colocar nos escaparates a vinte e sete de fevereiro de dois mil e vinte e seis, com a chancela da Drag City e que sucede ao registo  YTI⅃AƎЯ, que o artista lançou em dois mil e vinte e dois. O disco foi criado com a ajuda de Matt Kinsey na guitarra, Dustin Laurenzi no sax tenor e Jim White na bateria, além de Richard Bowden (fiddle), Pat Thrasher (piano), Chris Vreeland (baixo), Mike St. Clair (trombone) e Bill McCullough (pedal steel). Confere Lonely City e o vídeo do tema assinado pelo fotógrafo de rua Daniel Arnold...

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publicado por stipe07 às 14:42

Yellow Days – Special Kind Of Woman

Segunda-feira, 22.12.25

Oito após o EP de estreia Harmless Melodies e o seu primeiro longa duração, Is Everything OK In Your World?, e meia década depois do registo A Day In A Yellow Beat, o cantor e multi-instrumentista britânico George van den Broek, de vinte e seis anos e que assina a sua música como Yellow Days, está de regresso ao nosso radar com Special Kind Of Woman, o mais recente avanço revelado de Rock And A Hard Place, o novo disco do músico natural de Manchester, um alinhamento de catorze canções que vai ver a luz do dia a treze de fevereiro do próximo ano, com a chancela da Independent Co..

Yellow Days has shared new single "Special Kind Of Woman." The track is off his album Rock And A Hard Place, on February 13, 2026
pic by  Charlotte Manuel

Tema que pretende encarnar uma sentida declaração de amor à atual companheira de van den Broek, Special Kind Of Woman é um incrível tratado de indie pop de forte toada jazzística, com elevada influência da soul, do blues, do R&B e do funk e, por isso, sonoramente bastante eclético. É uma canção bastante orgânica, charmosa e angulosa, com um travo retro delicioso e que transmite bastante alegria e positividade. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:49

Peaer - Bad News

Sexta-feira, 19.12.25

O projeto nova iorquino Peaer, liderado por Peter Katz desde dois mil e catorze, acaba de anunciar finalmente o sucessor do disco A Healthy Earth, que o trio norte-americano colocou nos escaparates em dois mil e dezanove. Trata-se de um álbum com nove temas, intitulado Doppelgänger, que irá ver a luz do dia a dezasseis de janeiro com a chancela da Danger Collective.

Depois de terem revelado recentemente o single Button, os Peaer acabam de retirar do alinhamento de Doppelgänger mais um tema em formato single. Trata-se de Bad News, uma composição com uma tonalidade muito íntima e envolvente, em que um baixo discreto mas vigoroso, uma bateria subtilmente arrastada e o timbre metálico de uma guitarra, acomodam uma sonoridade lisérgica, com um perfil eminentemente clássico e onde é constante o desafio entre o rock experimental e a chamada dream pop. Confere Bad News e o alinhamento de Doppelgänger...Doppelgänger

01 End of the World
02 Part of the Problem
03 Just Because
04 No More Today
05 Rose in My Teeth
06 Button
07 I.D.W.B.W.Y.
08 Bad News
09 Future Me

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publicado por stipe07 às 20:48

The Afghan Whigs - Fake Like (Poliça cover) vs Downtown (Still Corners cover)

Quinta-feira, 18.12.25

Os norte-americanos The Afghan Whigs de Greg Dulli, são um estrondoso projeto em atividade desde mil novecentos e oitenta e seis e já com uma reputação mítica no universo sonoro indie e alternativo, das últimas quatro décadas. Estão de regresso ao nosso radar no final de dois mil e vinte e cinco com um lançamento em formato digital e fisico de 7'', que contém um par de covers e que conta com a chancela da Shake It Records, a etiqueta do próprio grupo.

FLOOD - The Afghan Whigs Return with Poliça and Still Corners Covers

Primeiro sinal de vida da banda natural de Cincinnati, no Ohio, desde o disco How Do You Burn?, lançado em dois mil e dois, este par de versões resultaram de um processo criativo espontâneo levado a cabo por Greg Dulli em estúdio e oferecem-nos um registo inpterpretativo majestoso e épico, bem à imagem de um projeto que assenta os seus pilares naquele rock eminentemente denso, mas com elevada sagacidade melódica, um rock carregado com guitarras poderosas e incisivas que não descuram uma faceta psicadélica que se aplaude e que é reforçada pela presença infatigável e marcante da clássica bateria.

Assim, quer Fake Like, um original que o projeto Poliça, sedeado em Minneapolis, lançou em dois mil e dezasseis, quer Downtown, tema que os britânicos Still Corners incubaram nesse mesmo ano, não vêm colocado em causa o adn sonoro dos originais, mas ganham uma outra exuberância, com as guitarras no primeiro tema e o piano no segundo, a serem os grandes sustentos de duas novas roupagens que também acabam por recriar com astúcia o habitual ambiente misterioso e sombrio das criações sonoras do Afghan Whigs. Confere as covers e os originais...

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publicado por stipe07 às 20:51

Damien Jurado - Paper Canoe

Quarta-feira, 17.12.25

O norte-americano Damien Jurado atravessa, claramente, desde há algum tempo para cá, uma das fases mais profícuas da sua já longa carreira, como se tem comprovado nos mais diversos artigos e análises a que tem tido direito neste espaço de crítica e divulgação musical. Depois de na primavera de dois mil e vinte e um ter editado o excelente registo The Monster Who Hated Pennsylvania, regressou, no verão do ano seguinte, com um novo disco também monstruoso, intitulado Reggae Film Star e em dois mil e vinte e três lançou Sometimes You Hurt The Ones You Hate, o décimo nono registo de originais deste músico e compositor natural de Seattle, nos arredores de Washington, um trabalho que, como é habitual neste artista, teve a chancela da Maraqopa Records, a sua própria etiqueta.

DAMIEN JURADO — Mama Bird Recording Co.

Já este ano, Damien Jurado voltou ao formato longa duração, à boleia de Private Hospital, uma coleção de onze músicas produzidas pelo próprio, dissecadas aqui e que, contando com as contribuições especiais de Lacey Brown, Aura Ruddell, Zach Alva e Stevan Alva, proporcionaram-nos, em pouco mais de trinta e dois minutos, um novo festim de indie pop rock luxuriante e vibrante, caraterísticas bem patentes logo em Celia Weston, o tema de abertura, um tratado de epicidade rugoso e simultaneamente luminoso, que dissertava, com sagaz ironia e requinte, sobre o inevitável fim da nossa passagem por esta vida terrena.

Além desse disco, o músico norte-americano tem andado a remexer no seu baú, nomeadamente nas gravações que sobraram da criação do álbum Maraqopa, que Jurado lançou em dois mil e doze e que vêm finalmente a luz do dia. Assim, depois de no início de outubro termos tido a possibilidade de escutarmos o split 7'' We Will Provide The Lightning que, na verdade, se divide em dois temas, The Notes Of Seasons e We Are What We Dream, com o primeiro tema a oferecer-nos um registo interpretativo imponente e rugoso, apostando numa filosofia estilística que colocava na linha da frente uma indisfarçável toada sintética e com o segundo a apostar num registo mais minimal, já em novembro chegou a vez de, no mesmo formato, escutarmos os temas On The Land Blues (Acoustic 12 String Version) e The Moon / The Son que, juntos, deram origem ao split 7'' Gathered And Stolen By Storm.

Entretanto, depois de há quase um mês nos ter chegado à redação mais um tema assinado por Damien Jurado, intitulado Wearing Your Violence e que fazia parte do alinhamento de I Must Be Out Of Your Mind, um compêndio de raridades e gravações avulsas e caseiras que o artista incubou entre dois mil e doze e dois mil e vinte e que viu a luz do dia o ano passado, há poucos dias aterrou nos nossos ouvidos uma extraordinária nova roupagem de Kola, um dos clássicos da discográfica do músico, cujo original encerrava o alinhamento de dezassete canções do álbum Visions Of Us On The Land, que Jurado lançou na primavera de dois mil e dezasseis, à praticamente uma década.

Agora, cerca de uma semana depois, de Damien Jurado temos para escuta Paper Canoe, mais um dos destaques de I Must Be Out Of Your Mind, o compêndio acima referido de raridades e gravações avulsas e caseiras que o artista incubou entre dois mil e doze e dois mil e vinte.

Este novo lançamento digital de Paper Canoe em formato single incorpora três diferentes versões que, do intimista ao épico e do acústico ao elétrico, nos oferece três visões diferentes de uma mesma composição sentimentalmente rica, num resultado final estilisticamente diversificado, comprovando a destreza deste artista em induzir emotividade, charme e altivez às suas criações que balançam, quase sempre, numa fronteira muito ténue entre o clássico, o retro e o futurista. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:35

Matt Corby – Big Ideas

Terça-feira, 16.12.25

Há pouco mais de uma década, no meio da interminável vaga de novos artistas que iam surgindo todos os dias e que foram consolidando os alicerces de um blogue já numa fase de afirmação consistente da sua existência, houve alguns autores que, nesse inesquecível ano de dois mil e doze, acabaram por ficar na retina da nossa redação. Um deles foi o australiano Matt Corby, músico cujo primeiro single, Brother, editado no verão desse ano e grande destaque de um EP intitulado Into The Flame, soou do lado de cá como um daqueles singles revelação e que fez querer descobrir, na altura, toda a obra que esse artista já tinha lançado.

Entretanto, há quase três anos, na alvorada da primavera de dois mil e vinte e três, e depois de no final do ano anterior termos divulgado um single intitulado Problems, Matt Corby voltou aos nossos radares, também pouco mais de dois anos depois de um par de canções chamadas If I Never Say a Word e Vitamin, que o músico lançou em dois mil e vinte. E fê-lo à boleia de um disco intitulado Everything's Fine, o terceiro da sua carreira, um alinhamento de onze canções gravado nos Rainbow Valley Studios com Chris Collins e que foi cuidadosamente dissecado pela nossa redação.

Agora, Matt corby anuncia finalmente o sucessor de Everything's Fine. Trata-se de um trabalho intitulado Tragic Magic. É um registo com treze canções, que vai ver a luz do dia a seis de março do próximo ano e que resultou de dezoito meses de árduo trabalho de composição e gravação em estúdio e que foi produzido por Chris Collins, seu habitual colaborador.

Do seu alinhamento revelámos, no início do mês, o single Burn It Down, uma composição repleta de soul, com um groove e uma luminosidade ímpares. Agora temos para escuta Big Ideas, mais um dos momentos altos do alinhamento de Tragic Magic.

Tragic Magic é uma composição angulosa, com um perfil percussivo bastante vincado, assente num vigoroso baixo e em alguns entalhes orgànicos, num resultado final charmoso, intimista, mas intenso e que plasma alguns dos melhores atributos de um artista inovador, bastante criativo e que, no modo como agrega, burila e mistura o orgânico e o sintético, mostra uma saudável e sedutora faceta marcadamente contemporânea. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:49

Gorillaz - Damascus (feat. Omar Souleyman and Yasiin Bey)

Segunda-feira, 15.12.25

Dois anos e meio depois de Cracker Island, os britânicos Gorillaz, projeto formado por Russell, Noodle, 2D e Murdoc e conduzido pelo enorme Damon Albarn, talvez a única personalidade da música alternativa contemporânea capaz de agregar nomes de proveniências e universos sonoros tão díspares e fazê-lo num único registo sonoro, estão de regresso aos discos com The Mountain, o nono álbum da carreira do projeto, um alinhamento de quinze canções que vai chegar aos escaparates a vinte de março de dois mil e vinte e seis, com a chancela da KONG, etiqueta criada pelo próprio grupo.

The Mountain será mais um disco conceptual, como é hábito nos Gorillaz, pretendendo, neste caso, ser uma espécie de banda sonora de uma festa na fronteira entre este mundo e o seguinte, explorando a jornada da vida e a emoção de existir. Para conseguir isso, o quarteto refugiou-se em Mumbai, na Índia, chegando lá à boleia de passaportes falsos fornecidos a Murdoch, por um mafioso de Nova Iorque. Na metrópole asiática, deixaram-se envolver pelo misticismo local e deixaram fluir corpo e mente pelos terrenos íngremes e montanhosos daquilo a que chamamos vida.

O resultado final desta jornada intimista, produzida pelos próprios Gorillaz, com a ajuda de James Ford, Samuel Egglenton e Remi Kabaka Jr. e gravada nos estúdios no Studio 13, em Londres e Devon, em diversos locais da Índia, incluindo Mumbai, Nova Deli, Rajasthan e Varanasi e em Ashgabat, Damasco, Los Angeles, Miami e Nova Iorque, são quinze canções repletas de participações especiais de excelência, como são os casos de Bizarrap, Black Thought, Anoushka Shankar, Omar Souleyman, Johnny Marr (The Smiths), Mark E. Smith (The Fall), Paul Simonon (The Clash), Yasiin Bey (anteriormente conhecido como Mos Def), os Idles e os Sparks, dos veteraníssimos irmãos Ron e Russell Mael.

The Happy Dictator, uma canção ímpar no modo como recria um verdadeiro oásis de pop sintética, à boleia de uma batida frenética cósmica, um teclado encharcado em sintetizações retro e um sem fim de entalhes, foi o primeiro single divulgado do alinhamento de The Mountain. Em outubro, tivemos a possibilidade de conferir The Manifesto, canção que conta com as participações especiais do rapper argentino Trueno e com um pequeno trecho de Proof, membro dos D12, que faleceu há quase vinte anos, em abril de dois mil e seis. Era uma tema que, de acordo, com Russell Hobbs, o baterista fictício dos Gorillaz, encarnava uma meditação musical recheada de luz e uma viagem do nosso âmago à boleia de batidas. O resultado final foi, como certamente se recordam, um verdadeiro oásis lisérgico e contemplativo, em que world music, R&B, eletrónica, jazzrap e hip-hop, conjuravam entre si com particular deleite e também com a ajuda de vários músicos indianos, nomeadamente os irmãos Amaan Ali Bangash e Ayaan Ali Bangash, Ajay Prasanna, a banda Jea Band Jaipur e o coro Mountain Choir, dirigido por Vijayaa Shanker.

Já em novembro, tivemos para escuta The God Of Lying, canção que contava com a participação especial de Joe Talbot, vocalista dos IDLES, artista que induziu no tema o seu habitual registo vocal carismático e bastante vincado. Sonoramente, The God Of Lying ofereceu-nos uma espécie de reggae psicadélico, feito com sintetizadores buliçosos, um registo percussivo anguloso, a cargo do indiano Viraj Acharya e diversos arranjos acústicos algo subtis, dos quais se destacavam os que são proporcionados por um banjuri tocado pelo também indiano Ajay Prasanna.

Agora, quase no final do ano, temos para escuta Damascus, composição que conta com as participações especiais do cantor sírio Omar Souleyman e do rapper nortem-americana Yasiin Bey, que já foi Mos Def. Damascus impressiona pela imponência e pelo misticismo que exala. Cascatas de camadas diversas de sintetizações retro, rematadas por aquele clima percussivo frenético típico do crescente asíático e um olhar anguloso ao melhor hip-hop, adornando-o com referências óbvias ao mundo árabe, encarnam um festim multicultural de world music enérgico, rico, festivo e intenso. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 13:36

Dumbo Gets Mad - Five Eggs

Sexta-feira, 12.12.25

Um dos grandes destaques discográficos de dois mil e vinte e cinco é, claramente, Five Eggs, o quinto registo de estúdio dos Dumbo Gets Mad, um projeto encabeçado desde dois mil e onze pelo cantor, compositor, produtor e designer de som italiano, Luca Bergomi. É um álbum com dez explosivas canções e que tem a chancela da Carosello Records.

Dumbo Gets Mad » Doornroosje

Five Eggs é uma elegante e bem sucedida viagem sonora, que nos proporciona, em pouco mais de trinta minutos, uma espetacular e efusiante trip psicadélica de elevado calibre e verdadeiramente narcótica para quem se deixar levar por uma doutrina que se serve de guitarras, acústicas ou eletrificadas e de sintetizadores inspirados para, com uma ímpar teatralidade e uma inimitável versatilidade estilística, criar grandiosas canções que versam sobre algumas dicotomias que, no fundo, regem a nossa existência mais metafísica.

Logo na atmosfera surreal, nos coros femininos sensuais e no clima marcial e com travo bolero de Psychedelic Breakfast, fica dado o mote para o que aí vem, um naipe de canções com elevado grau criativo e cinematográfico e que, se acreditarmos na infalível redenção de todos os nossos medos através da música, nos ajudarão a navegar numa vida melhor e mais prazeirosa, independentemente de passar a ser menos ou mais pecaminosa.

O ritmo acelerado de Spizza, com alguns momentos de pausa e com uma atmosfera que proporciona uma sensação particularmente vintage, é outro momento inebriante de Five Eggs, com Pariah a mergulhar de cabeça em ritmos muito mais urbanos e em vibrações de rua, brincando com o funk e acomodando vozes que, se parecem querer embalar, com o seu travo rap, a verdade é que o efeito que provocam é eminentemente instigador.

Five Eggs prossegue e se Biscaglione aposta num ambiente eminentemente pop e algo hipnótico, através de uma batida densa e crescente, já Gossip Playground coloca todas as fichas num clima mais contemplativo, com o hip-hop a ser mais uma prova da abrangência que os Dumbo Gets Mad transportam no seu adn. Depois, a atmosfera intimista e algo onírica de Life Doesn't Mean Much To You, o psicadelismo pós punk de Spacesomething, as cascatas de sintetizações cósmicas que adornam It Really Doesn't Matter e o clima acolhedor e reconfortante de Ritorni, atestam, com astúcia e minúcia, o modo impactante como Five Eggs, um disco compacto, mas multifacetado, solidifica a habitual estratégia de Luca Bergomi de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, porque é esse o efeito que o disco de certa forma transmite. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 18:37


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