man on the moon
music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
ARK IDENTITY – Deluxe Nightmare EP
ARK IDENTITY é o nome do projeto a solo liderado por Noah Mroueh, um músico natural de Toronto e que, de modo bastante cinematográfico, emotivo e realista, é exímio a criar música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário, enquanto se serve do catálogo de nomes tão díspares como Tame Impala, Oasis, Bon Iver, Foster the People ou os The Beatles, para materializar tão singular propósito.

O projeto está de regresso aos lançamentos discográficos, em formato EP, com um alinhamento de seis canções intitulado Deluxe Mightmare, um título bastante sugestivo e apropriado para este dias.
Produzido por Giordan Pastorino e com a guitarra na linha da frente do processo de construção melódica dos temas, Deluxe Nightmare impressiona os ouvintes mais incautos pelo modo como Noah, um artista introvertido, melancólico e introspetivo, recria uma atmosfera algo inquietante, mas sem ser incómoda, enquanto reflete sobre a sua própria vida e, ao mesmo tempo, recria e descreve alguns eventos que o marcaram.
Oh My God é um tema exemplar neste contexto específico, já que surgiu a partir de um momento de reflexão sobre a sua própria vida, escolhas passadas e arrependimentos, um exercício autoreflexivo alimentado por som atmosférico com uma elegância ímpar e plena de groove, sustentado em sintetizações cósmicas, abrasivas e planantes, um baixo exemplarmente arritmado e cordas charmosas, uma luminosidade intensa e sedutora que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.
Depois, Still In Love já nos oferece uma perspetiva mais optimista e luminosa, tratando-se de um tema sonoramente luxuriante e riquíssimo em nuances e detalhes, vacilando algures entre um rock lisérgico e progressivo de forte pendor setentista e a tal pop atmosférica acima referida. Já I'm Still The Same volta a um registo mais imersivo, feito com cordas metálicas acústicas vibrantes, que vão recebendo diversos adornos subtis sintéticos e, no refrão, uma vasta pafernália de entalhes que conferem ao tema um ligeiro toque de epicidade, que acaba por ampliar o cariz emotivo da mensagem que o autor pretende transmitir, num tema que se debruça sobre o modo como devemos todos prestar mais atenção aos pequenos detalhes e às coisas simples da vida.
Deluxe Nightmare é, em suma, uma excelente proposta para quem quer escutar um naipe de canções inspiradas, reforçando a estética poética e não convencional de um projeto que sempre habitou a fronteira entre som e narrativa e que continua a expandir um catálogo que deambula constantemente entre o grotesco, o íntimo e o inclassificável. Confere...

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Bela Noia - Não Quero Mais
Há pouco mais de dois anos, após mostrar a sua habilidade lírica e a sua capacidade de contar histórias em projetos anteriores, o artista multidisciplinar Pedro Vieira aventurou-se por um outro caminho intitulado Bela Noia, um projeto que o levou a refletir, procurando uma solução para uma realidade que o inquieta. Tentando reinventar-se neste novo grupo, Pedro acabou por tentar explorar nos Bela Noia uma nova linguagem, criando assim, em dois mil e vinte e três, uma série de canções que deram origem a um disco intitulado Os Miúdos Estão Bem, um registo de seis temas que tinha o propósito de amotinar os alicerces da música pop e inquietar quem as ouve, pelo constante salto ao rock e folk, sem largar a mão do noise e do prog rock e que foi destaque na nossa redação.

Agora, no outono de dois mil e vinte e cinco, o projeto Bela Noita está de regresso com Não Quero Mais, o primeiro single de avanço do segundo disco do projeto, que deverá chegar aos escaparates no próximo ano.
Assente num rock cru e direto, que mistura a nostalgia do rock clássico com a urgência do presente, criando uma catarse sonora intensa e libertadora, marcada por guitarras viscerais e um refrão marcante que traduzem a autenticidade da banda, Não Quero Mais inaugura uma nova fase criativa da banda, mais intensa e madura, sem nunca perder a honestidade e energia que sempre caracterizou a música de Pedro Vieira. De acordo com o músico, a canção nasceu de um momento de ruptura e fala de promessas quebradas, excessos e da vontade de mudança. É, em suma, uma canção sobre prometer mudar, sobre estar farto dos excessos e procurar um novo caminho. Queríamos um som cru, direto, que refletisse esse sentimento, mas sem perder a esperança. É um grito de libertação e também um convite à reflexão.
Confere Não Quero Mais e o vídeo do tema que é também o primeiro capítulo de uma curta-metragem que será construída a partir dos três primeiros singles do novo disco, realizada por Pedro Vieira e Leonardo Outeiro, filmada pela Toca do Lobo com a direção de fotografia a cargo de Tiago”Ramon” Santos...
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Noiserv - 7305
Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional e um dos artistas queridos da nossa redação chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na sua bagagem um já volumoso compêndio de canções, que começaram a ser inscritas nos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless e Almost Visible Orchestra, adocicados pelo DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's There. No outono de dois mil e dezasseis a carreira do músico ganhou um novo impulso com um trabalho intitulado 00:00:00:00, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mas que se tornou, justificadamente, mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional.
![New album] Noiserv – 7305](https://www.ecletismomusical.pt/wp-content/uploads/2025/10/566652850_18530072977008967_4753987768617290443_n-e1760687494832.jpg)
Quatro anos depois dessa pérola debitada quase integralmente nas teclas de um piano, Noiserv regressou com Uma Palavra Começada Por N, onze lindíssimas composições que, em pouco mais de meia hora, nos ofereceram um David Santos de regresso a territórios sonoros mais intrincados, subtis e diversificados, com o registo, no seu todo, a proporcionar-nos um banquete intenso e criativo e a impressionar pelo modo como diferentes nuances, detalhes e samples se entrelaçavam quase sempre com uma base melódica algo hipnótica, mas extremamente doce e colorida.
Agora, cinco anos depois de Uma Palavra Começada Por N, Noiserv tem um disco novo intitulado 7305, que além do notável avanço que o mesmo expressa relativamente à performance do autor, quer como poeta, quer como escritor, também aprimora ainda mais a sua já mítica versatilidade instrumental que, neste caso, teve a mira particularmente apontada a territórios mais sintéticos e eletrónicos, mas sem nunca descurar a presença, nomeadamente ao nível dos arranjos, de alguma instrumentação mais orgânica e acústica, não só ao nível das cordas, irrepreensiveis logo a abrir o alinhamento, na pueril melancolia psicadélica de 20.05. a self conversation is too loud for an empty room, mas também com o uso efetivo e marcante de sopros e de alguns elementos percurssivos.
O quotidiano que todos os dias nos atinge, que assola todos nós, sem exceção, que nos faz viver em permanente sobressalto, não só no que concerne ao cumprimento integral das nossas rotinas e horários, mas também, em paralelo, à convivência permanente com os nossos maiores medos, angústias, sobressaltos e falhas, mas também sonhos, desejos e aspirações, parece ser o grande mote concetual de 7305, tendo em conta a inteprretação que a nossa redação fez após a audição do registo. No entanto, esclarece-se, desde já, que é apenas uma interpretação nossa e que aquilo que o David idealizou para 7305 pode ser algo completamente diferente da nossa interpretação. No fundo é esta a magia da música; deixar que o ouvinte dela se aproprie e lhe dê o melhor uso pessoal e retire os ensinamentos e a inspiração que, num determinado momento, mais o reconforte. E, de facto, a música de Noiserv sempre teve este poder soporífero, esta capacidade de tocar o ouvinte mais dedicado e o fazer refletir sobre si próprio, a sua vida e os seus caminhos, aconselhado por um músico que também é um ser humano igual a nós, com alegrias, aspirações e medos e inquietações certamente parecidas ou semelhantes.
Um bom exemplo que justifica toda esta reflexão inicial acerca do conteúdo de 7305 é 20 . 13 . A lonely garden in the middle of a small house, uma composição cantada em inglês e que versa sobre a solidão e o desejo de encontrar explicações racionais nos momentos em que interiormente nos sentimos mais perdidos. Sonoramente, é uma canção muito complexa, porque se desenvolve dentro de uma ambientação essencialmente experimental, em que o sintético se entrelaça com o orgânico abrasivo das cordas, com elevada mestria. Depois, 20 . 25 . Resumidamente, uma canção cantada em português, amplia essa faceta comunicativa, fazendo, de acordo com o próprio Noiserv, um retrato do homem atual com ironia, poesia e alguma crítica, através de uma letra em que praticamente todas as palavras terminam em mente tende a reforçar o lugar de engano a que a nossa sociedade nos está a conduzir, uma completa troca de valores sobre o que é ou não importante na relação com o outro.
O registo prossegue e 20 . 08 . A Fearless Party Between A Kid And His Own Thoughts, a canção mais intimista e orgânica de todas as composições do disco, leva-nos, de certa forma, às origens da carreira de Noiserv, com uma melodia simples, mas sentida, a assentar num rendilhado sublime entre detalhes sintéticos e cordas dedilhadas com astúcia, sopros pueris e diversos entalhes percurssivos eminentemente metálicos, num resultado final intenso e sentimentalmente exuberante. Depois, 20 . 27 . A Long Journey In A Little Train To Poland, uma canção vigorosa e, a espaços, até algo abrasiva e com uma imponência muito subtil, mas óbvia, impressiona pela clemência e pelo detalhe, nuances que também transparecem no perfil interpretativo vocal do artista, mais intenso e processado do que o habitual.
Outro momento notável do registo é, sem dúvida, 20 . 16 . A Casa Das Rodas Quadradas, canção que se debruça sobre a dor subjacente aos momentos de mudança e que conta com a participação especial de Milhanas. O tema impressiona pela sua delicadeza e intimidade, imagens de marca de grande parte da carreira de Noiserv, que apostou com bastante frequência nas teclas de um piano para criar as suas melodias, fazendo-o aqui novamente e com um bom gosto indesmentível. O resultado final é bastante impressivo e comunicativo, envolvente e tocante, ampliado pela extraordinária dança protagonizada pelas vozes de Milhanas e Noiserv.
7305 é, em suma, um trabalho laborioso de lapidação, detalhe, delicadeza e refinamento, que alcança, no seu todo, laivos de excelência que, como já foi referido, alargam os horizontes sonoros do autor e o arco concetual estilístico do seu catálogo, com superior mestria. Ao longo de pouco mais de trinta e dois minutos estabelece pontes entre aquilo que é definido como o orgânico e acústico e o sintético, através de um manancial de ligações de fios e transistores que debitam um infinito catálogo de sons e díspares referências, únicas no cenário alternativo nacional e que também exalam um intenso charme, induzido por uma filosofia interpretativa que, mesmo tendo por trás um cada vez mais diversificado arsenal instrumental, nunca abandona aquele travo minimalista, pueril, orgânico e meditativo que carateriza o modus operandi deste músico único. Espero que aprecies a sugestão...
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Westerman – Nevermind
O cantor e compositor britânico Will Westerman esteve am grande destaque na nossa redação em dois mil e vinte e três com um alinhamento de nove canções intitulado An Inbuilt Fault, o sucessor de outro extraordinário registo chamadoYour Hero Is Not Dead, lançado três anos antes, em dois mil e vinte.

An Inbuilt Fault estava recheado de momentos altos, nomeadamente CSI: Petralona, ou Idol; RE-run, um tema que contava com a participação especial de James Krivchenia dos Big Thief, que assinou, também, a produção de An Inbuilt Fault. Eram dois temas belos, retirados de um disco que impressionou pelo modo como Westerman alternou, com indisfarçável arrojo, entre uma espécie de rugosidade experimental sintética e uma delicadeza intensamente charmosa, predicados bem evidentes também na planante Give, uma belíssima canção de amor.
Agora, no outono de dois mil e vinte e cinco, Westerman regressa ao nosso radar à boleia de Nevermind, o mais recente single retirado do alinhamento de A Jackal’s Wedding, um disco que será lançado já a sete de novembro, com a chancela da Partisan Records.
Nevermind é mais um exemplo feliz do modo enigmático como o autor escreve e se debruça sobre a intimidade humana, um aspeto fundamental de uma escrita muitas vezes densa e críptica, que, neste caso, se debruça sobre o modo como tantas vezes nos esquecemos de certas coisas que dizemos e que, no momento da verbalização, foram pronunciadas com certeza e sobriedade. Esta imagem temática é personificada, neste caso, pela riqueza detalhística de um baixo encorpado e algumas teclas plenas de subtileza, que sustentam um registo melódico algo minimal, mas bastante inspirado e acolhedor. Confere...

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Anna Calvi – I See A Darkness (feat. Perfume Genius)
Sete anos depois de um extraordinário álbum intitulado Hunter, à época o seu terceiro registo de originais, a britânica Anna Calvi, está de regresso ao nosso radar devido a uma cover que incubou a meias com Perfume Genius. Trata-se da revisitação de um original de Bonnie Prince Billy intitulado I See A Darkness, que fazia parte do disco com o mesmo nome que o músico norte-americano Will Oldham lançou em mil novecentos e noventa e nove e o primeiro da sua carreira sob o nome Bonnie "Prince" Billy.
![Cover] Anna Calvi – I See A Darkness (feat. Perfume Genius (Bonnie 'Prince' Billy Cover)](https://www.ecletismomusical.pt/wp-content/uploads/2025/10/561900025_1397140398446575_2975757658218280551_n-e1761147302105-787x787_c.jpg)
Autora, cantora e compositora que tem chamado a si os holofotes da crítica devido ao seu registo vocal único e, já agora, também devido a um modus operandi sempre de difícil catalogação no que concerne ao modo como manuseia a guitarra, simultaneamente rugosa e gentil, Anna Calvi ponderou com todo o detalhe esta nova roupagem de I See A Darkness, não só para não defraudar as justificadas elevadas expetativas dos fervorosos fãs de Oldham, mas também, e principalmente, porque queria doar novas nuances, a um tema já de si bastante rico e intenso.
Assim, com a ajuda de Mike Hadreas aka Perfume Genius, Calvi oferece-nos um soporífero sintético, com uma impactante atmosfera lo-fi, mas também com aquela dose de delicadeza e emotividade que carateriza, através de um aparato tecnológico amplo, os principais caminhos de expressão musical dos dois protagonistas. É, em suma, um curioso e realisticamente magnético exercício de simbiose, entre elementos sintéticos particularmente rugosos. Confere a cover, já com direito a um vídeo assinado por Alexander Brown e o original...

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Vancouver Sleep Clinic – Beyond All Reason
É sempre com agrado que recordamos na nossa redação um dos discos que mais nos marcou no já longínquo ano de dois mil e dezanove. O trabalho chamava-se Onwards To Zion e era assinado, quase na íntegra, por Tim Bettinson, o músico e compositor australiano que encabeça o projeto Vancouver Sleep Clinic. Era, à altura, o segundo registo de originais de um projeto que ficou logo debaixo de merecidos holofotes, não só da crítica dos antípodas, mas também de diversas outras latitudes do nosso globo e que tinha como grande força motriz a perca de um amigo muito chegado do músico, sendo um exercício de catarse dessa inevitável dor.

Vancouver Sleep Clinic tinha estado pela última vez no nosso radar devido a Fallen Paradise, o álbum que o projeto lançou em dois mil e vinte e dois, o terceiro do grupo, um alinhamento de dez canções que tinha a chancela da Believe e que nos ofereceu pouco mais de trinta e seis minutos de música bastante envolvente, intimista e charmosa. Era um disco intenso, riquíssimo em detalhes e nuances, orquestralmente chegava a ser extravagante em alguns momentos e era tocante, já que exalava, em praticamente todo o seu alinhamento, sentimentos que, à partida, mexem sempre com o nosso âmago e o nosso lado mais irracional.
Agora, no outono de dois mil e vinte e cinco, Vancouver Sleep Clinic impressiona-nos novamente devido a um novo tema Beyond All Season. Trata-se de uma canção sentimentalmente intensa e hipnotizante, com uma elevada luminosidade intimista, que desagua numa feliz interseção entre música clássica eletrónica e pop ambiental, abraçada à voz sempre tocante de Tim, que não deixa ninguém passar incólume e que pode servir como ponte vigorosa, estável e firme para uma travessia segura rumo a um território de aconchego inimitável. Confere...

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Ezra Furman – One Hand Free
Há pouco mais de um mês foi destaque nesta redação Goodbye Small Head, o quinto registo de originais de Ezra Furman, um cantor e compositor norte-americano natural de Chicago e que, com quase quarenta anos, assina em dois mil e vinte e cinco o seu disco mais maduro e consistente. Trata-se de um disco com uma energia, uma autenticidade e um carisma inconfundíveis e que nos oferece uma viagem aventureira e até algo psicadélica, sugerida por um músico que sente finalmente ter força, amor próprio e vigor para encarar o mundo novo que se abriu de par em par depois de concluído o processo de transformação pessoal que viveu.

Assente na primazia da guitarras, mas com o charme do piano e a insistência em utilizar entalhes sintéticos sem receios, a serem também traves mestras do registo, Goodbye Small Head demonstrou-nos, cabalmente, que a carreira de Furman merece, claramente, uma projeção intensa e maior, até porque, pelos vistos sobraram algumas pérolas das sessões de gravação do disco.
Uma delas chama-se One Hand Free e acaba de ser disponibilizada por Ezra Furman em formato single. Trata-se de uma lindíssima balada, com um toque classicista impar, conferido por um belíssimo piano que acama uma melodia bastante aditiva e alegre e que é adornada com cordas vibrantes, em quase três esplendorosos e emotivos minutos que descrevem uma relação conflituosa e intensa entre dois amantes. Confere One Hand Free e o vídeo do tema, assinado por JJ Gonson...

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Meltt – By Your Side
Oriundos de Vancouver, no Canadá, os Meltt têm já uma assinalável reputação no país natal, como uma das bandas que melhor replica aquele rock majestoso e de forte cariz progressivo, enquanto não renega contactos mais ou menos estreitos com outros espetros sonoros, com particular destaque para a eletrónica ambiental, a música de dança e o próprio R&B. Já com um vasto catálogo em mãos, surpreenderam a nossa redação em dois mil e vinte com Another Quiet Sunday, um EP com cinco canções que valeram bem a pena destrinçar e, no ano seguinte, com uma formada de singles que deixaram marcas profundas e este projeto definitivamente na nossa mira.

No início do passado mês de agosto os Meltt regressaram ao nosso radar à boleia de Hesitate, um novo tema do grupo, que ainda não trazia atrelado o anúncio de um novo disco da banda atualmente formada por Chris Smith, Jaime Turner, James Porter e Ian Winkler. O mesmo também não sucedeu com Goodbye, a composição que a banda disponibilizou um mês depois, assim como como By Your Side, a composição que temos hoje para partilhar convosco. No entanto, tendo em conta o calendário e a sequência destes lançamentos, parece-nos provável que o anúncio de um novo registo de originais dos Meltt, em formato álbum ou EP, deve estar para breve.
Olhando então para o conteúdo sonoro de By Your Side, são pouco mais de quatro minutos de indie folk experimental, eminentemente etérea e contemplativa, com um travo oitocentista ímpar, com cordas reluzentes, uma bateria sóbria e diversos entalhes sintéticos ia criarem uma soberba imagem de paz e tranquilidade, enquanto versa sobre a importância dos momentos que passamos com os amigos durante o verão, as memórias que esses instantes acabam por criar para sempre e como eles nos fazem sentir vivos e felizes. Confere...

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Tame Impala – Deadbeat
Cinco anos após The Slow Rush e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltaram, finalmente, aos discos com Deadbeat, o quinto e novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker no estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside e que, tendo a chancela da Columbia Records, é bastante inspirado na cultura bush doof na cena rave da Austrália Ocidental.

Os seguidores mais atentos do universo sonoro indie, habituaram-se, na última década e meia, a estar sempre particularmente atentos a tudo aquilo em que Kevin Parker fosse criando, quer nos Tame Impala, quer noutros projetos paralelos, ou como convidado. Ao início as cordas do baixo e das guitarras foram sempre suas fiéis aliadas, mas a verdade é que os sintetizadores têm vindo, ao longo dos anos, a ganhar cada vez maior primazia no seu modus operandi e a pop a tornar-se o princial alvo, em detrimento do rock progressivo e psicadélico.
Esta constante mutação sonora, que nunca deixou de ser também evolutiva, acabou por plasmar um importante aspeto da personalidade deste músico, que sempre se mostrou avesso a restrições, seguidismos e balizamentos e que foi perdendo o receio de assumir-se como amante da música de dança, reforçando, ao mesmo tempo o desejo de se vir a tornar num DJ de referência.
Deadbeat é o culminar de toda esta epopeia transformadora e reveladora, num disco que já tem muito pouco, ou praticamente nada, de Currents e que acaba também por cornfirmar as fortes suspeitas relativamente a esta guinada definitiva, que o álbum The Slow Rush já nos tinha deixado em dois mil e vinte. Ao longo de quase uma hora, Parker transforma a sua mente numa enorme pista de dança e oferce-nos um lugar na fila da frente da sua festa privada, com stream aberto, cimentando um ponto forte que este músico sempre teve, que é a capacidade de se conetar com cada um de nós, em particular com todos aqueles que se sentem mais excluídos ou marginalizados, algo bem patente no tema Loser, que tem nas poucas cordas mágicas de uma guitarra do disco e no registo vocal ecoante de Parker aquela marca psicotrópica setentista que tipifica grande parte do catálogo sonoro dos Tame Impala. No entanto, o curioso travo funk do perfil percurssivo do tema, oferece ao mesmo uma tonalidade psicadélica incontestável, numa canção plena de contemporaneidade, mas também com um forte pendor nostálgico, uma das imagens de marca deste projeto.
Antes disso, a abrir o registo, na batida orgânica e lo fi de No Reply, Parker amplifica ainda mais esta ligação que pretende estabelecer com uma audiência que raramente se revê no mainstream, com My Old Ways, tema que abre o disco, a calcorrear territórios um pouco mais intimistas, através de um perfil sonoro com levado travo jazzístico, apesar do registo percussivo sintético, mais uma marca que não é propriamente transversal ao catálogo Tame Impala.
A partir daí, a ecoante Oblivion tem a curiosidade de tocar perigosamente nas fronteiras do techno e a flutuante Not My World acaba por ter um efeito algo hipnótico, apenas afagado por uma melodia cintilante em tom de sino, numa espécie de deep house experimental, também pouco visto no projeto.
Até ao ocaso de Deadbeat, um disco cheio de batidas grandes e vazias que ecoam pelo espaço, na curiosa abordagem ao trance em Ethereal Connection, no piscar de olhos à pop sessentista em See You On Monday (You're Lost) e na eletropop de Dracula, uma canção que aponta baterias para aquilo que nomes como os Justice ou The Weeknd trouxeram para a ribalta já neste século, continua um desfile algo inócuo e inconsequente daquilo a que se pode chamar de uma admirável tentativa de Parker de propor algo novo e que de algum modo redifina a sua própria identidade enquanto artista.
Em suma, essencialmente através de drum machines ligadas desleixadamente a amplificadores de guitarra e deixadas a rodar enquanto reproduzem loops algo rudimentares, Deadbeat acaba, no seu todo, por ter um efeito algo oposto aquilo que a boa música de dança deveria de ter, nomeadamente um poderoso efeito libertador e até terapêutico. Espero que aprecies a sugestão...

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Helado Negro – Protector
Pouco mais de ano e meio depois de PHASOR, um disco que esteve em alta rotação na nossa redação no ocaso do inverno de dois mil e vinte e quatro, o projeto Helado Negro, liderado por Roberto Carlos Lange, está de regresso com o anúncio do lançamento de Last Sound on Earth, um novo EP deste artista filho de emigrantes equatorianos e radicado há vários anos nos Estados Unidos. Será um registo com cinco canções e irá ver a luz do dia a sete e novembro, com a chancela da Big Dada, a nova etiqueta de Lange.

Os cinco temas de Last Sound On Earth, têm como mote resultarem de um exercício reflexivo levado a cabo pelo artista, no qual imaginou quais seriam os últimos sons que escutaria antes de falecer. O filme Wavelength, assinado por Michael Snow, foi também, de acordo com Lange, um interruptor que acionou no âmago do músico sentimentos e emoções tão díspares como a esperança e o desespero, que acabaram por inspirar o conteúdo deste EP.
No final de setembro passou por cá More, a composição que abre Last Sound on Earth e que se debruçava sobre o modo como todos nós, que vivemos numa sociedade tremendamente conetada nas redes sociais e no digital e no virtual, acabamos por nos afundar em instantes prolongados de angústia e de isolamento.
Agora, cerca de três semanas depois, seguimos a ordem do alinhamento do EP e temos para escuta Protector, um tema eminentemente sintético e um verdadeiro festim de pop eletrónica. Por cima de uma batida abrasiva, acomodam-se diversos efeitos, nuances e detalhes, que criam um clima sonoro pleno de distorções, efeitos e sons, um estilo interpretativo que recria uma fronteira muito ténue entre o retro e o futurista, devido também ao elevado espírito lo-fi que exala. Protector escorre com desmesurada rugosidade e vibração pelos nossos ouvidos, num resultado final eminentemente experimentalista, que recria um clima que encarna na perfeição o espírito muito particular e simbólico que Helado Negro pretenderá para esta nova etapa da sua carreira e da sua música, que parece ter a bússola dfinitivamente apontada para as máquinas. Confere...
