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The Lemonheads – Togetherness Is All I’m After

Terça-feira, 30.09.25

Quase duas décadas depois de um disco homónimo, os The Lemonheads de Evan Dando estão finalmente de regresso ao mesmo formato à boleia de Love Chant, um álbum que deverá ver a luz do dia brevemente e que certamente nos vai fazer voltar a sentir aquele clima tão caraterístico, que o cenário indie norte-americano replicou com pujança nos anos noventa do século passado.

Pic by Antonia Teixeira

Criado com a ajuda de Tom Morgan, dos australianos Smudge e com a participação especial de J Mascis na guitarra e de Juliana Hatfield, no baixo, Deep End foi o primeiro single divulgado do alinhamento de Love Chant, um álbum produzido pelo brasileiro Apollo Nove e que além dos nomes já referidos, também conta com os contributos do produtor Bryce Goggin, a cantora Erin Rae, John Strohm, Nick Saloman e Adam Green. Nele, a banda de Boston ofereceu-nos um espetacular tratado de indie punk rock, com guitarras exemplarmente eletrificadas e repletas de distorções abrasivas e um baixo e uma bateria arritmados, mas exemplarmente coordenados, a sustentarem uma composição, onde não faltavam solos inebriantes e aquele notável espírito garageiro que nos marcou a todos há cerca de três décadas.

Algumas semanas depois da audição de Deep End, escutámos mais um espetacular tema do alinhamento de Love Chant, uma canção intitulada In The Margin. Era uma composição mais garageira e abrasiva do que a anterior, com o fuzz das guitarras e um registo percussivo frenético a oferecem a In The Margin aquele inconfundível travo grunge, que não deixa de ser também uma das matrizes essenciais do ADN dos The Lemonheads.

Depois, já em pleno mês de agosto, conferimos o single The Key Of Victory, quase quatro minutos íntimos e introspetivos, gravados nos míticos estúdios Abbey Road, em Londres. The Key Of Victory era um portento de acusticidade, em que cordas dedilhadas com astúcia por Apollo Nove e diversos arranjos etéreos tocados por Erin Rae, ofereceram-nos uma peça sonora leve, luminosa e profundamente bela.

Agora, quando se aproxima a data de lançamento de Love Chant, temos para escuta mais um momento alto do disco, um tema intitulado Togetherness Is All I'm After. Àspera, seca, contundente e abrasiva, assim é Togetherness Is All I'm After, uma composição que condensa alguns dos melhores ingredientes daquele rock alternativo e garageiro, que marcou a juventude da minha geração. A canção é um verdadeiro tratado de grunge, assente numa parede eletrificada de guitarras encharcadas em fuzz e com uma indesmentível toada psicadélica. Homenageia, como já referi, aquele modus operandi que fez escola nos anos noventa do século passado, não faltando ao tema, qual cereja no topo do bolo, um estonteante solo de guitarra. A voz adocicada de Evan Dando acaba por ser o ponto de equilíbrio de toda esta estética sonora muito própria e que acaba por ir ao encontro de um louvável intuíto de nos fazer viajar no tempo e entregar-nos o que queremos ouvir, uma canção caseira e perfumadas pelo passado. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:56

Helado Negro - More

Segunda-feira, 29.09.25

Pouco mais de ano e meio depois de PHASOR, um disco que esteve em alta rotação na nossa redação no ocaso do inverno de dois mil e vinte e quatro, o projeto Helado Negro, liderado por Roberto Carlos Lange, está de regresso com More, o novo single deste filho de emigrantes equatorianos radicado há vários anos nos Estados Unidos. More antecipa o lançamento de Last Sound on Earth, um novo EP do artista. Será um registo com cinco canções e irá ver a luz do dia a sete e novembro, com a chancela da Big Dada, a nova etiqueta de Lange.

Mountains, Machines & Mushrooms: Helado Negro Talks New Album 'Phasor'

Os cinco temas de Last Sound On Earth, têm como mote resultarem de um exercício reflexivo levado a cabo pelo artista, no qual imaginou quais seriam os últimos sons que escutaria antes de falecer. More é uma dessas composições, debruçando-se particularmente sobre o modo como todos nós, que vivemos numa sociedade tremendamente conetada nas redes sociais e no digital e no virtual, acabamos por nos afundar em instantes prolongados de angústia e de isolamento. O filme Wavelength, assinado por Michael Snow, foi também, de acordo com Lange, um interruptor que acionou no âmago do músico sentimentos e emoções tão díspares como a esperança e o desespero, que acabaram por inspirar o conteúdo deste EP.

Sonoramente, More é uma composição eminentemente sintética, que escorre com desmesurada rugosidade e vibração pelos nossos ouvidos, plena de distorções e de diversos efeitos e sons, alguns cavernosos, acamadas por uma batida plena de groove, num resultado final eminentemente experimentalista e que recria um clima que encarna na perfeição o espírito muito particular e simbólico que Helado Negro pretenderá para esta nova etapa da sua carreira e da sua música.

Confere More e o vídeo do tema assinado por Annapurna Kumar, e o artwork e a tracklist de Last Sound on Earth EP...

More
Protector
Sender Receiver
Zenith
Don’t Give It Up Now

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publicado por stipe07 às 17:07

Tame impala - Dracula

Domingo, 28.09.25

Cinco anos após The Slow Rush e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, aos discos com Deadbeat, o quinto e novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker no estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside e que vai ver a luz do dia a dezassete de outubro com a chancela da Columbia Records, sendo bastante inspirado na cultura bush doof na cena rave da Austrália Ocidental.

Kevin Parker of Tame Impala
pic by Irie Calkins

No início deste mês de setembro esteve em alta rotação na nossa redação Loser, o primeiro single revelado do alinhamento de Deadbeat, um tema que tinha nas cordas mágicas de uma guitarra e no registo vocal ecoante de Parker aquela marca psicotrópica setentista que tipifica grande parte do catálogo sonoro dos Tame Impala.

Agora, cerca de três semanas depois, temos para escuta o single Dracula, uma canção que aposta num registo eminentemente sintético e que aponta baterias para aquele eletropop, que nomes como os Justice ou The Weeknd trouxeram para a ribalta já neste século. Vocalizações ecoantes, uma batida cósmica intensa e uma guitarra com ímpar groove são o grande sustento sonoro da uma canção que também já tem direito a um vídeo assinado por Julian Klincewicz. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:30

Jeff Tweedy – Twilight Override

Sexta-feira, 26.09.25

O norte-americano Jeff Tweedy, líder do míticos Wilco, é, claramente, um dos músicos mais profícuos e criativos do cenário musical alternativo atual e, sem sombra de dúvida, um dos mais menosprezados. Não é amplamente reconhecida a sua enormíssima capacidade criativa, algo censurável quando ela é tremendamente inspirada e, melhor do que isso, bastante inspiradora para quem se predispuser a embrenhar-se, com a devida dedicação, na sua filosofia interpretativa, seja ao nível poético, seja no que diz respeito ao modus operandi muito peculiar, e certamente bastante intuitivo, do seu processo de composição.

Jeff Tweedy of Wilco

Pic by Shervin Lainez

Concretizando, na última década e meia, ao comando da sua banda, idealizou e incubou The Whole Love (2011), Star Wars (2015), Schmilco (2016) Cruel Country (2022) e, muito recentemente, Cousin (2023). Entretanto, em dois mil e dezoito, aproveitou para escrever uma auto-biografia intitulada Let's Go (So We Can Get Back): A Memoir of Recording and Discording with Wilco, Etc., onde dissertou sobre aspetos da sua personalidade e do seu trajeto nos Wilco.

No que concerne à carreira a solo, à boleia desse exaustivo exercício escrito de introspeção, acabou por criar diversos registos, destacando-se WARM, onze canções que viram a luz do dia nesse mesmo ano de dois mil e dezoito com a chancela da insuspeita dBpm Records e que sucederam a Together at Last, editado no ano anterior, um registo de versões de alguns dos temas mais emblemáticos da sua, na altura, já extensa carreira. Depois de WARM, em dois mil e dezanove chegou Warmer, disco que, conforme o título indica, não estava dissociado do conteúdo do antecessor, já que, além de ter sido gravado durante o mesmo período em que foi captado WARM, acabou por, na sua essência, obedecer à mesma filosofia sonora estilística.

No início do estranho outono de dois mil e vinte, Jeff Tweedy deu ao mundo Love Is The King, a última obra discográfica em nome próprio, antes de Twilight Override, de um compositor que assenta o seu processo criativo numa concepção de escrita que, de acordo com o que de certa forma ficou plasmado no início desta análise, explora bastante a dicotomia entre sentimentos e o modo criativo e refinado como musica as letras que daí surgem, aliando o seu adn pessoal às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo.

Assim, Jeff Tweedy volta a colocar-nos em sentido devido ao espetacular novo capítulo discográfico da sua carreira a solo. Trata-se de um triplo (?) álbum com um total de trinta canções, intitulado, como já referi, Twilight Override, que tem a chancela da dBpm e que foi gravado pelo próprio Tweedy no seu estúdio The Loft, em Chicago, com a ajuda do seu colaborador de longa data, Tom Schick, contando com as participações especiais de James Elkington, Sima Cunningham, Macie Stewart, Liam Kazar e Spencer e Sammy, filhos de Tweedy.

É um verdadeiro exercício exaustivo de megalomania debruçar-nos sobre o conteúdo das trinta canções desta verdadeira obra conceptual, apesar de haver algumas composições que merecem claro destaque e citação. Mais do que isso, o que importa ressaltar de Twilight Override, à partida, é ser um disco para ser escutado na íntegra, como um todo. Instrumentalmente heterogéneo, com momentos épicos e outros intimistas, tem como grande trunfo a força que emana de dentro de si, nomeadamente no modo como se debruça sobre as fragilidades e as potencialidades da nossa espécie, ou seja, sobre o conceito de humanidade, aquela humanidade que todos temos dentro de cada um de nós e como essa mesma humanidade conduz e determina a forma como nos relacionamos com o próximo e vivemos em comunidade.

A partir daí, o amor acaba por ser o tema central do disco. Não apenas o amor sensual e que é vivido entre duas pessoas apaixonadas e que se relacionam emocional e fisicamente, mas também a compaixão, a amizade, a ternura e o apego que temos por aqueles que nos rodeiam e fazem parte da nossa vida. Jeff Tweedy quer, basicamente, na simplicidade do modo como dedilha as cordas de uma viola e na facilidade aparente com que parece conseguir inventar sons e melodias como se isso fosse intrínseco ao seu próprio eu, mostrar-nos que, muitas vezes, o sucesso da nossa passagem por este mundo está no modo como não arranjamos problemas onde muitas vezes eles não existem e, em vez disso, damos preferência aos sentimentos e à permissão que damos aos mesmos, para que se espraiem por todos os nossos poros e, depois, toquem no outro. Se o contagiam ou têm efeito, isso é outra questão, mas termos a consciência tranquila relativamente ao modo como demonstramos para fora o que o nosso coração sente, parece ser, na minha óptica, a grande lição que tiramos de um álbum que tem, sem sombra de dúvida, este potencial comunicativo, reflexivo e até redentor. Atesto que quem o escutar com fervor, vai sair muito mais rico dessa experiência.

Olhando então para algumas das canções, se logo a abrir o disco, One Tiny Flower impressiona pela exuberância e pelo modo como nos remete para aquelas fabulosas experimentações feitas com cordas e teclados que fizeram do clássico Yankee Hotel Foxtrot, dos Wilco, um disco essencial do cenário indie deste século, o perfil eminentemente contemplativo de Enough de Stray Cats In Spain, o olhar para dentro que Tweedy faz em Out In The Dark, um tema que reflete sobre o processo criativo que tem orientado a carreira deste músico extraordinário, o modo como em Feel Free somos incentivados a reconhecer as diferentes formas e vertentes que o conceito de liberdade pode abranger, em pouco mais de sete minutos com um perfil sonoro inicialmente de forte pendor orgânico e reflexivo e o punk folk abrasivo de Lou Reed Was My Babysitter, um tema vibrante e intenso, que impressiona pelo modo sagaz e buliçoso como faz brilhar as cordas que, sempre num registo acústico, mas cheias de força e vigor, conseguem exalar têmpora e rispidez, enquanto são exemplarmente acompanhadas por uma bateria frenética, mas sempre segura, são momentos obrigatórios deste impressivo e jubilante tratado folk, dominado, de alto a baixo, por timbres de cordas, muitas vezes particularmente estridentes, que abastecem a tal constante dicotomia entre sentimentos e confissões, não faltando também, algumas nuances mais eletrificadas e radiofónicas, sempre sem descurar essa essência eminentemente reflexiva e sentimental da génese do catálogo do músico.

Twilight Override é, em suma, a demonstração clara de que não é para todos estar-se imbuído com uma capacidade única e invejável de destilar melodias lindíssimas com a ajuda de uma simples viola, eletrificada, por exemplo, de modo estrondoso em No One's Moving On, ou acústica, quase como quem respira. É abençoado Tweedy por o conseguir e somos abençoados nós por podermos assistir na primeira fila a esse exercício que, mais do que criativo, é, certamente, também redentor para o autor e não apenas para o ouvinte, como já referi. De facto, Twilight Override carrega, em pouco menos de duas horas de audição, mas que passam num esgar, uma inacreditável simplicidade melódica que é simplesmente arrebatadora mas terrivelmente eficaz e desprovida de qualquer sede de exacerbado protagonismo, diga-se. O resultado final é uma atmosfera bucólica e encantatória, mas intrigante, num álbum que manifesta de forma pura, desinteressada e bastante reveladora, uma pessoalidade única e inconfundivel no panorama indie atual. Espero que aprecies a sugestão...

CD 1
01. One Tiny Flower
02. Caught Up In The Past
03. Parking Lot
04. Forever Never Ends
05. Love Is For Love
06. Mirror
07. Secret Door
08. Betrayed
09. Sign Of Life
10. Throwaway Lines

CD 2
01. KC Rain (No Wonder)
02. Out In The Dark
03. Better Song
04. New Orleans
05. Over My Head (Everything Goes)
06. Western Clear Skies
07. Blank Baby
08. No One’s Moving On
09. Feel Free

CD 3
01. Lou Reed Was My Babysitter
02. Amar Bharati
03. Wedding Cake
04. Stray Cats In Spain
05. Ain’t It A Shame
06. Twilight Override
07. Too Real
08. This Is How It Ends
09. Saddest Eyes
10. Cry Baby Cry
11. Enough

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publicado por stipe07 às 15:36

Lord Huron – The Cosmic Selector Vol. 1

Quinta-feira, 25.09.25

Natural de Okemos, no Michigan, Ben Schneider encabeça o conceituado projeto Lord Huron, atualmente sedeado em Los Angeles, na Califórnia e que se estreou em dois mil e doze com o registo Lonesome Dreams, que foi amplamente aclamado pela crítica e que teve a chancela da Play It Again Sam Recordings. Agora, em dois mil e vinte e cinco, Lord Huron está de regresso à ribalta com The Cosmic Selector Vol. 1, o quinto disco da do grupo e que tem a chancela da Mercury Recordings.

Pic by Cole Silberman

Com uma discografia já bastante sólida e com uma vasta legião de seguidores fiéis, este projeto Lord Huron solidifica em The Cosmic Selector Vol. 1, com notável eficácia, a elevada bitola qualitativa do seu catálogo, à boleia de doze canções que, em quase cinquenta minutos, nos presenteiam com canções que calcorreiam caminhos tão díspares como a folk introspetiva, o rock alternativo e o rock progressivo e o próprio jazz.

Se The Cosmic Selector Vol. 1 abre de modo intimista e melancólico com a ecoante Looking Back, tema em que ressalta uma acústica dedilhada, enquanto texturas rodopiantes flutuam pelo campo estéreo, logo a seguir em Bag Of Bones, a agulha muda para territórios mais intrincados e encorpados. Trata-se de uma composição que balança num curioso misto entre intimidade e epicidade, lisergia e opulência, uma mistura alicerçada num inspiradíssimo acerto melódico, feito de cordas empolgantes, uma bateria envolvente, uma harmónica insinuante mas segura e diversos efeitos conferidos por uma guitarra plena de soul,  imponente e que ciranda por ali, algures entre alguns dos melhores tiques identitários da típica folk norte-americana e aquele rock mais progressivo, que olha para a década de setenta do século passado com particular gula.

Depois deste início tão prometedor, damos de caras com a folk na sua mais pura essência à boleia de Nothing I Need, um luminoso e radiante oásis de cordas acústicas e onde não falta sequer o banjo e a harmónica. Depois, enquanto o disco flutua por atmosferas ou algo nebulosas, ou mais radiantes, damos de caras com um piscar de olhos efusivo à pop em Who Laughs Last, uma canção que conta com a participação especial vocal de Kristen Stewart e que impressiona pelo modo como o refrão se insinua e cresce em arrojo e emotividade. 

Outro dos grandes momentos do disco é Fire Eternal, mais uma canção melodicamente inspiradíssima e que conta com outra participação especial, neste caso de Kazu Makino. Fire Eternal navega novamente nas águas límpidas de uma pop que, neste caso, exala uma tremenda sensualidade, muito por causa de um insolente e insinuante piano e de um registo vocal tremendamente adocicado.

Até ao ocaso do disco, o piscar de olhos ao indie alternativo noventista, feito com guitarras fluídas e sobrepostas com mestria, em Used To Know e o clima eminentemente clássico e nostálgico que sustenta a imponência de Life Is Strange, são outros instantes maravilhosos deste The Cosmic Selector Vol. 1, um disco fantástico e cheio de nuances, mas também íntimo, profundo, reflexivo. É um registo repleto de laivos musicais de excelência e que proporcionam ao ouvinte muitas boas sensações, que só a vivência da audição consegue suscitar e descrever com detalhe. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:44

Juliana Hatfield – Scratchers

Quarta-feira, 24.09.25

Depois dos discos de tributo à cantora Olivia Newton-John, em dois mil e dezoito e aos Police, no ano seguinte, a norte-americana Juliana Hatfield, uma figura ímpar do rock do outro lado do atlântico das últimas três décadas, esteve em alta rotação na nossa redação no início do verão de dois mil e vinte e um com Blood, o décimo nono trabalho da sua carreira, que tem finalmente sucessor. É um alinhamento de doze canções intitulado Lightning Might Strike, que vai ver a luz do dia a doze de dezembro com a chancela da American Laundromat, a etiqueta que tem acompanhado Hatfield nos anos mais recentes.

Juliana Hatfield - Scratchers

Scratchers, um verdadeiro tratado de indie rock, com todos os tiques das melhores propostas do género mais recentes, é o primeiro single retirado do alinhamento de Lightning Might Strike. É uma canção vigorosa, melodicamente consistente e, num equilíbrio perfeito entre a eletrificação das guitarras e o perfil algo cru e direto da bateria e de um baixo subtil, contém um elevado groove, uma das imagens de marca de uma artista que vive constantemente num modus operandi sempre instigante e provocador, sendo também uma permanente dualidade entre beleza sonora e a crueza amarga das palavras, uma das suas maiores benesses. Confere Scratchers e a tracklist de Lightning Might Strike...

Fall Apart
Long Slow Nervous Breakdown
Popsicle
My House Is Not My Dream House
Harmonizing With Myself
Scratchers
Constant Companion
Where Are You Now
Strong Too Long
Wouldn’t Change Anything
Ashes
All I’ve Got

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publicado por stipe07 às 18:02

Cass McCombs – Interior Live Oak

Terça-feira, 23.09.25

Presença assídua na nossa redação e neste espaço de crítica e divulgação musical, Cass McCombs está de regresso aos discos em dois mil e vinte e cinco à boleia de Interior Live Oak, o décimo primeiro álbum deste artista natural de Concord, na Califórnia e que tem a chancela da Domino Recordings.

Cass McCombs - Interior Live Oak (2025) - mente cultural

Interior Live Oak é um álbum com dezasseis canções, inspirado no nome de uma árvore nativa do norte da Califórnia. O registo conta com as participações especiais de nomes como Jason Quever (Papercuts), Chris Cohen, Matt Sweeney e Mike Bones. Para incubar o alinhamento do registo, McCombs foi vasculhar alguns inéditos antigos do seu catálogo, que resultaram de intensos e profícuos períodos de experimentação livre e sem contrangimentos e que ainda não tinham visto a luz do dia. Deu-lhes uma nova roupagem e polimento, com o resultado final a comprovar que estamos, de fato, na presença de um nome fundamental da indie folk contemporânea, ao mesmo tempo que demonstra a enorme versatilidade do autor como letrista e compositor, até porque o jazz, o blues e o próprio rock, quer clássico, quer alternativo, também vagueiam por aqui, muitas vezes sem despudor.

Cometa repleto de brilho e de cor, Interior Live Oak é, portanto, uma verdadeira experiência imersiva e metafórica, plena de densidade, onde muitas vezes o acústico e o elétrico se confundem. É um disco otimista e feliz e que transmite esperança, vigor e aconchego, ao longo de quase setenta e cinco minutos assentes num vasto oceano de nostalgia que se espraia nos nossos ouvidos com particular deleite.

Canções como a frenética Juvenile, composição plena de groove e conduzida por um teclado pueril e com um charme enleante, Peace, tema em que Cass McCombs, habituado a apontar a mira aos pilares essenciais da mais pura indie folk, fez uma ligeira e feliz inflexão para territórios mais exuberantes e elétricos, através de guitarras frenéticas, acústicas e ligeiramente distorcidas, Priestess,  um tema que sobrevive à boleia do maravilhoso timbre uma guitarra que assenta naquela vibração que carateriza o melhor indie tipicamente americano, ou I Never Dream About Trains, uma composição eminentemente intimista e contemplativa, conduzida por um melancólico piano, exemplarmente acompanhado por uma bateria com um elevado pendor jazzístico, num resultado final que encarna um inebriante instante sonoro de indie soul, com um forte e intenso cariz sentimental e reflexivo, são apenas quatro exemplos felizes da elevada bitola qualitativa de um disco que tem também como grande trunfo transportar-nos constantemente para o tradicional jogo de sons e versos que caracterizam este artista tão eclético, inspirado e, no fundo, inspirador.

O estilo encorpado, rugoso e até quase cavernoso do tema homónimo, feito de uma espécie de punk folk carregado de psicadelia, em que uma guitarra desgovernada e um baixo corpulento ditam as suas leis, quase ao acaso, acaba por ser uma excelente forma de encerrar um disco generoso e esteticamente inquietante, porque não lhe falta diversidade. Mas também é um trabalho emocionalmente acolhedor, porque tem uma estética conselheira e dialogante que não é de descurar. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 18:19

Cold War Kids – Hyperempathy

Segunda-feira, 22.09.25

Depois de no ano passado terem comemorado vinte anos de carreira com uma digressão interna, os norte-americanos Cold War Kids de Nathan Willett, Matt Maust, David Quon, Matthew Schwartz e Joe Plummer, estão de regresso ao nosso radar em dois mil e vinte e cinco com um par de novas canções, que surgem  dez anos depois do disco Hold My Home, lançado em dois mil e catorze e que foi, nessa época, dissecado minuciosamente na nossa redação.

Cold War Kids performing at the Byron Bay Bluesfest in Australia, 2016

Assim, depois de no passado mês de julho termos tido a oportunidade de escutar Any Day Now, canção que prestava tributo ao amigo e produtor da banda Richard Swift, que faleceu em dois mil e dezoito, um desaparecimento que deixou um enorme impacto no seio do projeto, já que era uma pessoa muito querida de todos e uma peça fundamental na engrenagem Cold War Kids, agora chega a vez de escutarmos Hyperempathy, um tema dominado por um imponente piano, que além de ser o líder do edifício melódico, também como marcador do registo percussivo. Depois, o modo como essas teclas e a bateria se cruzam sagazmente com guitarras insinuantes, mas sempre enérgicas, são outros atributos de uma canção que vai crescendo em intensidade e que culmina num resultado final poderoso e orquestral. Confere...

 

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publicado por stipe07 às 17:41

Ricardo Reis Soares- A Velha Bailarina

Domingo, 21.09.25

Ricardo Reis Soares nasceu em Braga e vive em Lisboa. Muito novo teve aulas de piano e mais tarde descobriu na guitarra uma confidente ouvinte das suas histórias. Passou pela Academia Valentim de Carvalho e estudou jazz no Hot Clube de Portugal.

Ricardo Reis Soares lança “A Noite”, segundo single do seu primeiro EP  "Contra Tempo"

Músico e compositor, traz para as suas canções a sua interpretação do mundo através da sensibilidade de quem o escuta devagar, o olha através dos detalhes e conta histórias através de seus personagens reais e fictícios. O quotidiano, as coisas mais simples do dia a dia, têm sido o que mais o inspira a compor e a escrever. O primeiro EP Contra tempo sairá no final deste ano, com produção de Miguel Marôco.

A Velha Bailarina é o título do terceiro single do EP partilhado pelo cantautor. Retrata a história de uma mulher idosa, bailarina, cuja passagem do tempo não a esqueceu. Ela encontra-a em cada gesto e em cada movimento do seu próprio corpo. Retrata a velhice e como esta se faz notar não só fisicamente como na perspetiva com que o mundo pode ser olhado na sua presença.

O videoclipe de A Velha Bailarina, cujas filmagens decorreram no theatro-club na Póvoa de Lanhoso, em Braga, foi realizado por Luís Castro e conta com duas participações especiais: a talentosa bailarina Margarida Braz e a avó Guida, avó de Ricardo Reis Soares. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:45

Gruff Rhys – Dim Probs

Sexta-feira, 19.09.25

Enquanto os míticos Super Furry Animals permanecem numa pausa mais ou menos indefinida, Gruffydd Maredudd Bowen Rhys, nascido em dezoito de julho de mil novecentos e setenta no País de Gales, continua a cimentar a sua bem sucedida carreira a solo com álbuns onde vai testando progressivamente novas fórmulas um pouco diferentes do rock alternativo com toques de psicadelia da banda de onde é originário.

Due date in Italia per Gruff Rhys

Esta demanda de Gruff Rhys em nome próprio, teve início em dois mil e quatro com Yr Atal Genhedlaeth, um disco divertido e cantado inteiramente no idioma galês. Dois anos depois, com Candylion, o músico atingiu ainda maior notoriedade, num trabalho que contou com a participação especial do grupo de post rock Explosions in The Sky, além da produção impecável de Mario Caldato Jr, que já trabalhou com os Beastie Boys e os Planet Hemp, entre outros. Em dois mil e onze, com Hotel Shampoo, Gruff apostou em composições certinhas feitas a partir de uma instrumentação bastante cuidada, que exalava uma pop pura e descontraída por quase todos os poros.

Três anos depois, em dois mil e catorze, o galês regressou com American Interior, a banda sonora de um filme onde Rhys era o ator principal e embarcava numa viagem musical pela América repetindo a aventura do explorador e seu antepassado, John Evans, no século dezoito. Em dois mil e dezoito, Babelsberg ampliou até um superior nível qualitativo a visão incomum de Rhys relativamente aqueles que o músico considerava ser os grandes eixos orientadores de uma pop alicerçada num salutar experimentalismo e onde não existem limites para a simbiose entre diferentes estilos musicais e, no ano seguinte, com Pang!, o músico galês viajou da psicadelia folk ao funk, passando pela tropicalia e o jazz, num verdadeiro festim sonoro global. O seu penúltimo exercício criativo tinha sido Seeking New Gods, há quase meia década, um trabalho que teve sucessor na primavera do ano passado, um álbum intitulado Sadness Sets Me Free e onde o autor gravitou em redor de dois grandes universos sonoros distintos. Assim, se algumas das canções do álbum eram eminentemente charmosas e encharcadas numa soul com um travo tremendamente jazzístico, feitas com guitarras repletas de nuances e um piano sempre insinuante, outras olharam para o indie rock de cariz experimental e psicadélico com elevada gula.

Agora, no ocaso do verão de dois mil e vinte e cinco, Gruff Rhys volta a chamar a si todos os holofotes com mais um disco, o nono da carreira, um álbum intitulado Dim Probs, que tem a chancela da Rock Action e que tem como curiosidade maior, as suas dez canções serem cantadas na língua nativa do músico, o galês. Importa também referir que Dim Probs foi gravado no final do ano passado com a ajuda do produtor Ali Chant (Yard Act/PJ Harvey) e conta com algumas particpações especiais, nomeadamente Kliph Scurlock, Osian Gwynedd, Huw V Williams e Gavin Fitzjohn, músicos que costumam tocar com Rhys e Cate Le Bon e H Hawkline e que contribuem com a sua voz em alguns dos temas de um disco que, de acordo com o próprio Rhys, é muito inspirado em algumas experimentações eletrónicas que o músico criou na sua adolescência em plenos anos oitenta.

De facto, num registo exemplarmente produzido e que tem como virtude maior demonstrar a enormíssima qualidade interpretativa do autor e a escolha acertada dos músicos que o rodeiam, existem imensas composições que vão ser certamente do agrado de quem aprecia canções com um som limpo e com um grau de refinamento superior e que, ao mesmo tempo,  esteja cheio de canções orelhudas. Logo no clima pueril e intimista de Pan Ddaw’r Haul I Fore escancaram-se as portas de um universo muito peculiar, algo infantil até, com diversos entalhes percurssivos a funcionarem como raios de sol que, sem ofuscar demasiado, aquecem e afagam o nosso íntimo. Depois, Chwyn Chwyldroadol! tem, claramente, o já referido travo nostálgico e retro, em pouco mais de dois minutos encharcados em cordas acústicas reluzentes, uma percussão frenética e amiúde ritmada, num resultado final melodicamente feliz, intenso, animado e, uma vez mais, solarengo.

Outra canção que realmente agita e embala éTaro #1 + #2, a quarta canção do alinhamento do registo, uma composição vibrante, frenética, efusiante e efusiva, repleta de cordas reluzentes, sopros estridentes. Depois, Saf Ar Dy Sedd, uma composição em que metais estrategicamente colocados, uma batida quase impercetível, mas bem vincada e cordas acústicas reluzentes se destacam, oferece-nos,à semelhança do que sucedeu com o tema de abertura, quase três minutos pueris, aconchegantes e algo intimistas.

Dim Probs oferece-nos, em suma, mais um marco intenso e flamejante na trajetória individual sonora de Gruff Rhys, à boleia de pouco mais de trinta e cinco minutos que contêm, como não podia deixar de ser, um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios do autor. Espero que aprecies a sugestão...

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