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Josh Rouse – Going Places

Sexta-feira, 29.07.22

Natural de Nashville, no Nebraska, Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso aos discos, por estes dias, com Going Places, um alinhamento de dez canções que viu a luz do dia com o selo da insuspeita Yep Roc Records.

Josh Rouse | Storey's Field Centre

Going Places foi incubado num estúdio caseiro através de um modus operandi particularmente curioso já que o músico compôs os temas do disco nos dois anos transactos, no nosso país vizinho, Espanha. Fê-lo movido pela vontade do músico em ter um conjunto de novas músicas para tocar num pequeno bar gerido por alguns dos seus companheiros de banda espanhóis, com o resultado final a ser um alinhamento particularmente luminoso, animado e repleto de groove.

Os elementos percussivos que alimentam Apple Of My Eye têm, desde logo, esta marca indistinta de uma sonoridade que a nós, ibéricos, é bastante familiar e que os sopros apimentam com elevado fulgor. Depois, se o charme inconfundível da folk que abastece City Dog, oferece ao disco muito do melhor adn da carreira de Josh Rouse, impressão reforçada por Hollow Moon, uma canção muito luminosa e primaveril, encharcada em cor e optimismo, conduzida por uma viola plena de luz, adornada por deslumbrantes arranjos e um registo percussivo magnífico, tudo rematado por alguns tiques típicos da folk sulista norte americana, e se Henry Miller's Flat e Waiting On The Blue carimbam aquela vertente mais saudosista, com aquele ímpar sentimentalismo que sempre andou de braço dado com o músico, composições como The Lonely Postman, um tema que faz dançar mesmo que não se queira e a mais boémia Stick Around, elevam a um patamar de excelência um álbum intenso, sofisticado e sedutor, perfeito para ser escutado com a devida cerimónia e a disponível parcimónia nestes dias quentes e que se espraiam com aquela lentidão que todos certamente apreciamos.

Going Places oferece um ambiente sonoro indistinto ao já riquíssimo catálogo de Josh Rouse e reforça, com subtileza e contemporaneidade, aqueles que são alguns pilares identitários essenciais de um músico que parece ser capaz de entrar pela nossa porta com uma garrafa numa mão e um naco de presunto na outra e o maior sorriso no meio, como se ele fosse já da casa, já que consegue sempre revelar-se, nas suas canções, como um grande parceiro, confidente e verdadeiro amigo, um daqueles que não complicam e com o qual se pode sempre contar. Josh Rouse é único e tem um estilo inconfundível no modo como dá a primazia às cordas, sem se envergonhar de colocar a sua belíssima voz também na primeira linha dos principais fatores que ainda tornam a sua música tão tocante e inspiradora. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 16:35

The Envy Corps – Born In Fog

Quinta-feira, 28.07.22

Onze anos depois do espetacular registo It Culls You, os norte-americanos The Envy Corps de Brandon Darner, Micah Natera, Luke Pettipoole e Scott Yoshimura, estão de regresso aos discos com Born In Fog, o terceiro álbum da banda natural de Ames, no Iowa.

The Envy Corps - First Avenue

Produzido pelo próprio Brandon Darner, Born In Fog é um extraordinário compêndio de indie rock experimental, o território onde este projeto que tem sido comparado, ao longo do tempo, a nomes tão relevantes como os Radiohead, Doves, Modest Mouse, ou os TV On The Radio, se sente mais confortável. As cordas do baixo são, portanto, e como seria de esperar, o suporte rítmico por excelência de canções que depois têm na guitarra um indutor melódico de excelência, num resultado final de elevado pendor rugoso e vibrante, mas também algo catárquico e esotérico.

O clima pulsante de Binary Low, sustentado numa bateria algo abafada, acompanhada por um piano imponente, o ambiente melancólico que assola Weather Baby, ou o riacho de acusticidade intimista que nos encharca em The Breadline e, de um modo mais sintético, em It's Not Enough To Try, são fiéis retratos das diversas nuances estilísticas que encorpam Born In Fog, um disco que parece, amiúde, assombrar-nos, no sentido positivo do termo, porque nos absorve e compromete de modo particularmente realista.

Born In Fog também é marcante pelo modo como defende e consolida um rock que é tipicamente americano, não só no seu busílis sonoro, mas também porque versa sobre um pais cada vez mais cosmopolita e absorvido nas suas próprias encruzilhadas. O disco comprova que estes The Envy Corps, mesmo depois de um longo hiato e de não terem o reconhecimento internacional que claramente merecem, devem ser cada vez mais vistos como um projeto visionário que encarna, neste Born In Fog, um desejo claro de renovação, explorando habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão de vários elementos de uma forma direta, mas também densa, sombria e marcadamente experimental. Em suma, canção após canção, mesmo podendo haver um ziguezaguear constante de estilos, atmosferas e estruturas, tal percurso sinuoso nunca coloca em causa o brilhantismo constante que este alinhamento nos oferece em cerca de meia hora particularmente inspirada. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 16:16

Vancouver Sleep Clinic – Fallen Paradise

Quarta-feira, 27.07.22

Um dos discos que mais agradou à nossa redação em dois mil e dezanove foi Onwards To Zion, um trabalho assinado, quase na íntegra, por Tim Bettinson, o músico e compositor australiano que encabeça o projeto Vancouver Sleep Clinic. Era, à altura, o segundo registo de originais de um projeto que ficou logo debaixo de merecidos holofotes, não só da crítica dos antípodas, mas também de diversas outras latitudes do nosso globo e que tinha como grande força motriz a perca de um amigo muito chegado do músico, sendo um exercício de catarse dessa inevitável dor.

LP Walkthru: Vancouver Sleep Clinic - Fallen Paradise | Pilerats

Agora, no verão de dois mil e vinte e dois, Fallen Paradise é o novo álbum deste projeto Vancouver Sleep Clinic, o terceiro do grupo, um alinhamento de dez canções que tem a chancela da Believe e que nos oferece pouco mais de trinta e seis minutos de música bastante envolvente, intimista e charmosa. É um disco intenso, riquíssimo em detalhes e nuances, orquestralmente chega a ser extravagante em alguns momentos e é tocante, já que exala, em praticamente todo o seu alinhamento, sentimentos que, à partida, mexem sempre com o nosso âmago e o nosso lado mais irracional.

De facto, logo em Magic Bettinson avisa-nos que há magia no ar e que, se persistirmos na audição de Fallen Paradise é impossível fugirmos à cartilha hipnotizante de uma banda sonora que pretende encarnar uma espécie de mundo dos sonhos e dos desejos. A pueril guitarra que se espraia em espuma e dor em Love You Like I Do, a luminosidade intimista de The Flow, uma canção angulosamente rica em sensualidade, a feliz interseção entre R&B e rock ambiental plasmada em The Wire e, em Blood Money, a mescla assertiva entre um lindíssimo piano sonhador, abraçado à voz tocante de Tim, a sintetizadores cósmicos e a outros arranjos da mais diversificada proveniência, são músicas que entroncam no desejo deste inspirado músico de materializar em Fallen Paradise um forte ensejo de oferecer algo de positivo ao mundo, com o jazz, o rock melancólico setentista e a pop sessentistas à cabeça como inspirações óbvias de um alinhamento que não deixa ninguém passar incólume e que serve como ponte vigorosa, estável e firme para uma travessia segura rumo a um território de aconchego inimitável. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:15

Futurebirds & Carl Broemel – Buffet Days

Terça-feira, 26.07.22

Figuras de destaque do rock psicadélico norte-americano, os Futurebirds deram as mãos aos guitarrista e produtor Carl Broemer, figura de relevo dos My Morning Jacket, para, juntos, incubarem um EP com sete canções intitulado Bloomin' Too, que irá ver a luz do dia a nove de setembro com a chancela da No Coincidence Records.

Futurebirds and Carl Broemel Unveil Fresh Track, “Buffet Days” Off New EP,  Bloomin' Too; Releasing September 9th | Grateful Web

Buffet Days é o primeiro single revelado do EP Bloomin' Too. É uma canção melodicamente belíssima, em que majestosidade e cor são evidências concretas, assente num variado arsenal instrumental, do qual se destaca uma guitarra sempre disponível a debitar diversos efeitos planantes e distorções repletas de fuzz, um piano radiante e uma bateria rica em variações rítmicas, conforme se exige a uma canção lisergicamente apelativa e que contém uma profundidade reflexiva e intimista, plena de sensibilidade. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:10

Local Natives - Desert Snow & Hourglass

Segunda-feira, 25.07.22

Três anos depois do excelente disco Violet Street e dois do EP Sour Lemon, os Local Natives de Taylor Rice estão de regresso com duas novas canções. Chamam-se Desert Snow e Hourglass e não trazem ainda atrelado o anúncio de um novo disco da banda de Los Angeles.

Créditos: Zac Farro

Estas duas novas composições dos Local Natives materializam um enorme desejo que o coletivo sentia de voltar a compôr música depois do período pandémico e dos sucessivos confinamentos. Liricamente têm bem vincada essa marca do distanciamento e da falta que nos fazem aqueles de quem gostamos e que muitas vezes só percebemos isso quando não os temos perto de nós. Sonoramente, os dois temas sobrevivem à sombra de uma formatação primorosa de diferentes nuances melódicas, feitas de melancolia e acusticidade, desenhadas com cordas de elevado pendor clássico, enleadas por arranjos de diferentes proveniências e com diversas tonalidades e pelo registo vocal sempre ímpar de Taylor Rice. Confere...

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publicado por stipe07 às 10:19

Kula Shaker – 1st Congregational Church Of Eternal Love And Free Hugs

Sexta-feira, 22.07.22

Depois do lançamento de um EP no final do ano passado e seis anos depois do registo K 2.0, que comemorou os vinte e anos do mítico K, os britânicos Kula Shaker têm já nos escaparates um fabuloso novo álbum intitulado 1st Congregational Church Of Eternal Love And Free Hugs. É um tomo de vinte temas que comprovam que este projeto, que surpreendeu em mil novecentos e noventa e seis com o tal K, até à data o disco de estreia mais rapidamente vendido em Terras de Sua Majestade, vive num mundo complemtanete à parte, já que para os Kula Shaker o tempo é uma noção que não existe, tendo parado para o quarteto algures no final da década de sessenta do século passado.

Kula Shaker announce new album and first UK tour in six years

1st Congregational Church Of Eternal Love And Free Hugs oferece-nos uma espetacular e efusiante trip psicadélica, através de um alinhamento que personifica uma espécie de cerimónia religiosa, devidamente balizada em alguns dos temas do disco, que são apenas discursos feitos pelo lider religioso de uma seita que pretende espalhar amor pelo mundo inteiro, ou então, pelo menos, pelos ouvintes deste maravilhoso alinhamento.

Neste disco, Crispian Mills e os seus companheiros, Alonza Bevan, Paul Winterhart e Henry Broadbent, não tocam e cantam rock n'roll, pregam-no a quem os quiser ouvir e deixar-se levar por uma doutrina que se serve das guitarras, acústicas ou eletrificadas para, com uma ímpar teatralidade e uma inimitável versatilidade estilística, criar grandiosas canções que versam sobre algumas dicotmias que, no fundo, regem a nossa existência mais metafísica: Amor vs. Medo, Deus vs. Lucífer, Liberdade vs. Ditadura, Colonizadores vs. Indígenas e Impérios vs. Rebeliões.

Mais do que uma materialização de uma espécie de alter-ego dos Kula Shaker, 1st Congregational Church Of Eternal Love And Free Hugs é um altar-ego que a banda criou, para nos fazer ajoelhar e, principalmente, dançar, meditar, amar, festejar, celebrar e depois, no fim, descansar e ressacar, num pub qualquer que fique ao virar daquela esquina onde encontramos facilmente todos aqueles que seguem a mesma cartilha. Canções como o vigoroso rock de protesto a que sabe Whatever It Is (I’m Against It), a inocente e pueril infantilidade em que assenta Farewell Beautiful Dreamer, uma indisfarçável ode à melhor herança beatliana, a deliciosa folk contemplativa de Where Have All the Brave Knights Gone? e a ópera rock que conduz After The Fall — Pt. 2 & 3, uma composição que tem todos os ingredientes que sustentam as mehores bandas sonoras assinadas pelo mestre Ennio Morricone e que personifica a batalha final entre as várias dicotomias que o álbum quer conjurar e que são, no fundo, o bem e o mal, são momentos intensos e efusiantes de um trabalho discográfico que, repleto de sentimentalismo latente e pura melancolia, nos embarca numa viagem lisérgica ímpar e nos orienta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie pop etérea e psicadélica e o rock experimental. Os dois universos sonoros (mais uma dicotomia) foram fundidos com elevado grau criativo e cinematográfico, de modo a, depois da sua audição, acreditarmos na infalível redenção de todos os nossos medos e na esperança de, a partir daí, navegarmos numa vida melhor e mais prazeirosa, independentemente de passar a ser menos ou mais pecaminosa. Seja como for, mesmo que não aconteça esse desiderato, não há como negar que este extraordinário registo é mais uma prova da abrangência que os Kula Shaker transportam no seu adn e solidifica a habitual estratégia da banda de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético de um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 14:28

Fujiya And Miyagi – Digital Hangover

Quinta-feira, 21.07.22

Três anos depois de Flashback, os britânicos Fujiya And Miyagi têm um novo disco na forja. Irá chamar-se Slight Variations e chega aos escaparates no final de setembro, com a cancela da Impossible Objects of Desire, a etiqueta da banda.

Digital Hangover | Fujiya & Miyagi

Digital Hangover é o primeiro single divulgado do alinhamento de um disco assinado por um projeto com mais de década e meia de atividade e que se foi assumindo, à boleia de um já vasto e riquíssimo catálogo discográfico, como um dos grupos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como tem vindo a misturar alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo.

Digital Hangover é uma composição luminosa e animada, que tem na performance vocal um elevado trunfo, mas que também impressiona pela vertente rítmica, que é, sem sombra de dúvida, um dos atributos maiores dos Fujiya And Miyagi. Além destes dois aspetos vitais, a canção também impressiona pela simbiose feliz entre elementos orgânicos e sintéticos, com cordas e sintetizações planantes a entrecuzar-se com elevada astúcia entre si. Digital Hangover tem também já direito a um excelente vídeo assinado por David Best e Bob Brown. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:28

Death Cab For Cutie – Here To Forever

Quarta-feira, 20.07.22

Quatro anos depois do registo Thank You For Today, os norte-americanos Death Cab For Cutie já têm finalmente um sucessor para esse excelente disco que atestou, à época e mais uma vez, que o grupo liderado por Ben Gibbard é mestre a escrever sobre sentimentos e emoções, sustentado essa permissa em canções que olham sempre para a pop e o rock alternativo contemporâneos com sagacidade e, como é óbvio, com letras que testam constantemente a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil.

Death Cab for Cutie Announce New Album Asphalt Meadows and Tour, Share New  Song: Listen | Pitchfork

De facto, disco após disco, os Death Cab For Cutie têm mostrado, com clarividência, a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe sempre como agradar aos fãs. E essa impressão deverá manter-se com Asphalt Meadows, o décimo disco da banda, que deverá ver a luz do dia em setembro próximo, com a chancela da Atlantic Records e que conta com a presença de John Congleton nos créditos relativos à produção.

Assentámos essa nossa suposição há algumas semanas atrás no conteúdo de Roman Candles, o primeiro single divulgado de Asphalt Meadows, uma canção que Gibbard escreveu inspirando-se naquela sensação de ansiedade e incerteza que todos nós que vivemos o período pandémico e os sucessivos confinamentos e restrições conhecemos e a mesma reforça-se em Here To Ferever, o segundo single divulgado deste novo disco dos Death Cab For Cutie. Here To Forever é uma composição empolgante e que, à semelhança da antecessora, assentando em guitarras que debitam distorções sujas e abrasivas, coloca definitivamente o projeto natural de Bellingham, nos arredores de Washington, na rota daquele indie rock pulsante, rugoso e até algo hipnótico e que, muitas vezes, pisca o olho a uma radiofonia que também não é, certamente, inocente. Confere...

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publicado por stipe07 às 15:18

Panda Bear & Sonic Boom - Go On

Terça-feira, 19.07.22

Os Panda Bear e o projeto Sonic Boom têm já uma longa história de parcerias, mais ou menos profícuas. Recordo que Peter Kember misturou e masterizou o registo Tomboy, disco a solo de Noah Lennox, a grande trave mestra dos Panda Bear e fez também parte dos créditos de produção de disco de dois mil e quinze, Panda Bear Meets The Grim Reaper, que à época fez furor na nossa redação. Entretanto, por essa altura, Kember mudou-se para Lisboa, onde Lennox, natural de Baltimore, no Maryland, já vive há ainda mais tempo e os dois artistas têm cimentado ainda mais uma relação que vai, finalmente, materializar-se num disco intitulado Reset, que irá ver a luz do dia em novembro com a chancela da Domino Recordings.

Panda Bear reveals details of collaborative album and shares new song, 'Go  On'

Reset terá como grande inspiração a coleção de discos de Peter Kember das duas primeiras décadas da última metade do século passado e terá vários samples desse acervo. Aliás, a demora na publicação de Reset deve-se com o processo de obtenção das indispensáveis autorizações para a utilização de vários trechos de outros artistas, desses anos cinquenta e sessenta.

Go On é o primeiro single revelado de Reset, uma composição que contém um sample do clássico de mil novecentos e sessenta e sete, Give It To Me, dos míticos The Troggs, uma banda inglesa que era formada por Reg Presley, Chris Britton, Pete Staples e Ronnie Bond. Uma guitarra agreste, sempre firme no jogo de cintura que mantém com diversas sintetizações inebriantes e diversos elementos percussivos das mais diversas proveniências, é a grande pedra de toque de uma composição que impressiona, como é hábito nos Panda Bear, pelo inconformismo experimental e pelo modo buliçoso como se mantêm particularmente inventivos mesmo num espetro sonoro onde é fácil cair na redundância e num certo marasmo, ou então, pior do que isso, resvalar para uma exacerbada radiofonia e um vício comercial que acabe por tolher, absorver e, no final, asfixiar projetos. Confere Go On e a tracklist de Reset...

Gettin’ To The Point
Go On
Everyday
Edge Of The Edge
In My Body
Whirlpool
Danger
Livin’ In The After
Everything’s Been Leading To This

 

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publicado por stipe07 às 21:39

Jaguar Sun – All We’ve Ever Known

Quarta-feira, 13.07.22

Chega de Ontário, no Canadá, Jaguar Sun, um projeto a solo encabeçado pelo multi-instrumentista Chris Minielly,  músico que navega nas águas serenas de uma indie pop apimentada por paisagens ilidíacas e que impressionou esta redação no verão de dois mil e vinte com This Empty Town, o disco de estreia, um trabalho que tem finalmente sucessor. O segundo alinhamento do projeto chama-se All We've Ever Known, e viu a luz do dia a vinte e quatro de junho através da Born Losers Records.

Jaguar Sun - "With You" — Look at my records!

Logo em Out Of My Mind, a lindíssima canção que abre o alinhamento de All We've Ever Know, é fortemente impressivo o cariz lisérgico deste disco que tem como grande fator de apelo a majestosidade instrumental que sustenta o arquétipo de praticamente todas as canções e que nos inebria durante pouco mais de meia hora de um intenso e revigorante cocktail sonoro, perfeito para estes dias que clamam pelo espraiar dos sentidos, sem exigir demasiado da nossa audição, mas sem deixar que ela se sinta feliz pelo que lhe proporcionamos.

De facto, o álbum escorre sem quase darmos conta e se na soul cósmica de This Year somos afagados por um efeito de uma guitarra encadeante, logo a seguir, na espiritual Broken Record e na acusticidade planante de With You e, principalmente, de Moonlight, damos de caras com todos os atributos intepretativos de um autor extraordinário no modo como consegue cingir-se a um processo de gravaçao algo cru e até arcaico, que tem nas batidas de um sintetizador e nas cordas de uma viola elétrica as duas faces principais de uma moeda cunhada para para exalar aquele charme lo fi típico de quem é mestre em adornar uma simples sucessão de acordes e uma sobreposição feliz de diversos trechos melódicos, muitas vezes de forte pendor minimalista, em instantes de pura levitação soul.

Até ao ocaso de All We've Ever Known, quer a retro One Day, a acolhedora Take It Back, ou a sedutora Midnight Man, uma canção sobre o amor e o seu lado mais nostálgico e espiritual, convencem-nos definitivamente que em Jaguar Sun é ténue a fronteira entre o orgânico e o sintético. Minielly é um ás de trunfo poderoso a servir-se de uma forte componente experimental, livre de constrangimentos e até de rótulos específicos, para ditar de modo implacável a sua lei, no momento de compôr e criar canções que parecem passear pelo mundo dos sonhos, neste caso aqueles que se formam no espaço sideral. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 21:27


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