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Moby – Reprise

Segunda-feira, 31.05.21

O músico e produtor nova iorquino Moby tem nove álbuns na última década, vivendo uma das fases mais inspiradas e produtivas de uma já longa e respeitável carreira, que tem feito dele um dos expoentes maiores da eletrónica do novo milénio. E o novo passo que Moby deu neste percurso inigualável é uma compilação de versões de alguns dos seus maiores sucessos, concretamente treze, com novos arranjos e uma filosofia eminentemente acústica, com a ajuda da Budapest Art Orchestra. Esse disco chama-se Reprise, viu a luz do dia à boleia da Deutsche Grammophon e além da orquestra já referida, também conta com as participações especiais de Gregory Porter, Jim James (My Morning Jacket), Mindy Jones, Víkingur Ólafsson, Kris Kristofferson e Skylar Grey, entre outros.

Moby – Natural Blues (Reprise Version) - man on the moon

Em Reprise, Moby imprime uma dinâmica interpretativa com elevado cariz orquestral e progressivo, que dá um aspecto ainda mais magnificiente ao já robusto catálogo que revisita, algo só possível devido à escolha dos intérpretes, especialistas na replicação de ambientes negros, mas plenos de soul. De facto, com um arranque de carreira memorável à boleia de Play, ainda o melhor disco da sua discografia, foi com elevada dose de ansiedade que se aguardava nesta redação Reprise, até porque há várias canções desse álbum mítico que são alvo de revisão neste trabalho. E as expetativas não são defraudadas porque Reprise contém uma tremenda sensibilidade e está cheio de melodias bastante aditivas. Mesmo revisitando originais, o alinhamento transporta consigo um ideário, quer sonoro, quer lírico e poético muito vincado e consegue tocar o ouvinte e deixá-lo a refletir sobre esta contemporaneidade tão conturbada e perigosa que testemunhamos, quer para a nossa espécie quer para o futuro sustentado do planeta em que vivemos.

Mesmo com o adn típico de uma orquestra clássica, Reprise não deixa de poder ser catalogado também como um infatigável corpo eletrónico que revela as suas diferentes camadas sonoras enquanto o acústico e o elétrico, a pop e a soul, o rock e a chillwave se entrelaçam sem pudor e enleados por um incisivo clima melancólico que combina bem com a essência de Moby, um especialista na replicação de ambientes negros, mas também de assombros orquestrais intensos e belos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Everloving (Reprise Version)

02. Natural Blues (Feat. Gregory Porter And Amythyst Kiah) (Reprise Version)
03. Go (Reprise Version)
04. Porcelain (Feat. Jim James) (Reprise Version)
05. Extreme Ways (Reprise Version)
06. Heroes (Feat. Mindy Jones) (Reprise Version)
07. God Moving Over The Face Of The Waters (Feat. Víkingur Ólafsson) (Reprise Version)
08. Why Does My Heart Feel So Bad (Feat. Apollo Jane And Deitrick Haddon) (Reprise Version)
09. The Lonely Night (Feat. Mark Lanegan And Kris Kristofferson) (Reprise Version)
10. We Are All Made Of Stars (Reprise Version)
11. Lift Me Up (Reprise Version)
12. The Great Escape (Feat. Nataly Dawn, Alice Skye And Luna Li) (Reprise Version)
13. Almost Home (Feat. Novo Amor, Mindy Jones And Darlingside) (Reprise Version)
14. The Last Day (Feat. Skylar Grey And Darlingside) (Reprise Version)

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publicado por stipe07 às 10:45

Lucy Dacus – VBS

Sexta-feira, 28.05.21

Depois de andar envolvida durante algum tempo na revisitação de vários temas de artistas que admira e de ter participado ativamente no disco Little Oblivions da sua colega Julien Baker no projeto Boygenius, a norte-americana Lucy Dacus virou finalmente o seu foco para o projeto a solo que assina e que terá um novo capítulo discográfico, como esta redação já divulgou há algumas semanasa atrás. O álbum vai chamar-se Home Video e irá ver a luz do dia a vinte e cinco de junho, com a chancela da Matador Records.

Lucy Dacus compartilha o vídeo da nova música “VBS” – Celebrity Land Brasil

Hot And Heavy, uma das melhores canções de dois mil e vinte e um até ao momento para esta redação, foi o primeiro single divulgado de Home Video, e agora chega a vez de conferir VBS, mais uma vibrante e empolgante canção, em que Lucy Dacus conta com os contributos de Jacob Blizard nas guitarras elétricas e acústicas e Jake Finch na bateria e no órgão. É uma composição bastante pessoal e intimista, porque versa sobre a infância de Lucy e o modo como a sua relação com a religião nessa altura a marcou, porque se sentia fortemente controlada pelos líderes da igreja que frequentava. Sonoramente, VBS chama a atenção não só pelo registo vocal impregnado com uma rara honestidade e sentimentalismo, mas também pelo modo vibrante como diversas camadas de guitarras, que tanto são sujas e repletas de riffs virulentos e rugosos como alicerçadas num timbre metálico luminoso, se entrelaçam com insinuantes sintetizações e uma interpretação rítmica e percurssiva bastante heterogénea, num resultado final consistente e de elevado travo classicista, tendo em conta a herança do melhor rock norte-americano contemporâneo. Confere VBS e o vídeo da autoria de Dacus, habitual colaborador de Lucy Dacus e também o responsável pela apresentação visual geral de Home Video...

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publicado por stipe07 às 15:45

Perpétua - Perdi a Cor

Quinta-feira, 27.05.21

Diogo, Rúben e Xavier têm arraiais montados no nosso distrito e conheceram-se ainda muito jovens numa escola de música na Gafanha da Nazaré, em Aveiro, onde lançaram as sementes de um interessantíssimo projeto nacional que ainda vai dar muito que falar, aposto, chamado Perpétua. Depois, o Diogo conheceu a Beatriz no ensino secundário e há cerca de dois anos deram início a uma banda que aposta o seu modus operandi numa bateria marcante, um baixo cavalgante, guitarras afundadas em reverberação, uma voz suave e teclados que cosem tudo isto em paisagens sonoras imaginativas e frescas, repletas de refrões orelhudos e melodias doces que marquem pela diferença, prometendo, assim, uma jornada sonora memorável.

Perpétua apresentam videoclip do novo single "Perdi a Cor" do disco Esperar  Pra Ver - LOOK mag

Os Perpétua acabam então de se estrear nos discos com Esperar Pra Ver, um trabalho sempre pensado num formato indie, com influências declaradas como os Parcels ou Men I Trust e que foi composto e gravado no ano passado por todos os membros da banda, tendo sido depois produzido, misturado e masterizado pelo Rúben e pelo Xavier, com ajuda à produção da Beatriz e do Diogo.

Perdi a Cor, o tema que abre o alinhamento de Esperar Pra Ver, é o mais recente single retirado do registo, tendo também já direito a um vídeo realizado por Bernardo Limas e produzido pela Haff Delta. Foi gravado na Quinta da Fogueira, localizada na Fogueira, um pequeno lugar de Sangalhos, em Anadia. A Quinta da Fogueira foi recentemente recuperada e, hoje, é uma casa de turismo rural que fica no coração da região vitivinícola da Bairrada. É um espaço com paisagens belíssimas e ótimas para desligar do mundo e recarregar baterias. É uma canção que fala sobre perda mas de uma forma leve e alegre. É uma espécie de sambinha que catrapisca os anos 80 da música portuguesa, com uma bateria marcada, um baixo recheado de balanço, uma guitarra funk e sintetizadores revivalistas, embrulhados pelas doces melodias de voz. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:12

Pond – America’s Cup

Quarta-feira, 26.05.21

Cerca de três anos após The Weather, um disco verdadeiramente camaleónico, qual odisseia em tecnicolor que misturava synth pop com rock psicadélico, os australianos POND estão de regresso em dois mil e vinte e um aos discos com 9, um registo que irá chegar aos escaparates a um de outubro, por intermédio do consórcio Spinning Top Records/Secretly Distribution.

Depois do funk inebriante de Pink Lunettes, America´s Cup é o segundo single divulgado de 9, uma composição já com direito a um anguloso vídeo dirigido por Sam Kristofski, colaborador habitual dos POND. A canção aproxima ainda mais o projeto liderado por Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, da sonoridade mais recente desta última banda, já que é uma composição que coloca um pouco de lado guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflama raios flamejantes que cortam a direito, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e que eram a grande imagem de marca dos POND na fase inicial da carreria e que parecem cada vez mais voltados para ambientes sonoros com maior sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de uma maior acessibilidade e abrangência. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:05

Metronomy – Mandibules

Terça-feira, 25.05.21

Está a comemorar dez anos de existência, The English Riviera , o título do fabuloso disco de estreia dos Metronomy, um projeto nascido da fértil imaginação de Joseph Mount, natural da pequena localidade de Totnes, Devon, sudoeste de Inglaterra; Reza a lenda que tudo começou quando o pai lhe ofereceu um computador para que ele pudesse dedicar-se à produção de música electrónica no quarto, onde se ouvia discos de Autechre, LFO, Aphex Twin e Devo, entre outros.

METRONOMY announce 10th anniversary reissue of 'The English Riviera' with  six unreleased bonus tracks - Listen to 'Picking Up For You' | XS Noize |  Online Music Magazine

Paralelamente a essa comemoração, materializada com a divulgação de algumas remisturas e novas roupagens de canções do alinhamento de The English Riviera, os Metronomy acabam de divulgar Mandibules, um delicioso instrumental que faz parte da banda sonora de Mandibules, um filme francês da autoria de Quentin Dupieux aka Mr Oizo. A composição é feita de uma etérea e campestre melancolia primaveril, assente em efeitos percurssivos recheados de enorme subtileza e bom gosto e uma flauta enleante, à qual depois cordas e diversos efeitos vão sendo progressivamente adicionados, evoluindo para o habitual synth pop, de forte travo cósmico, que é já, há vários anos, imagem de marca dos Metronomy. Confere...

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publicado por stipe07 às 13:41

The Black Keys – Delta Kream

Segunda-feira, 24.05.21

Quase dois anos depois de Let's Rock, a dupla The Black Keys de Dan Auerbach e Patrick Carney está de regresso com um novo disco. Delta Kream, o décimo registo de originais do projeto, chegou a catorze de maio através da Nonesuch e oferece-nos um delicioso alinhamento de versões, que pretendem homenagear grandes nomes do hill country blues do norte do Mississippi, nomeadamente R. L. Burnside e Junior Kimbrough, John Lee Hooker, Mississippi Fred McDowell, Big Joe Williams e Ranie Burnette, entre outros e que foi gravado logo após a digressão de promoção de Let's Rock, com a ajuda dos músicos Kenny Brown e Eric Deaton.

The Black Keys: Delta Kream - Review | Vinyl Chapters

A primeira sensação que temos quando escutamos Delta Kream, é que é muito fácil imaginarmos que estamos dentro do estúdio a observar o processo de gravação. Também parece claro que as versões ao vivo destes temas será muito semelhantes ao que foi captado e colocado num alinhamento em que imediatismo, crueza e minimalismo são caraterísticas que o podem descrever e de modo elogioso. De facto, logo em Crawling Kingsnake, é percetível o formato jam session que carateriza Delta Kream; No groove firme das guitarras, cada nota desta e das outras canções e todos os seus acordes, o modo como diversão e entretenimento foram também sensações muito presentes no estúdio e a certeza de que a dupla, aqui feita quarteto, se enleou entre si enquanto as tocou, plasmando, assim, a incrível química que uniu estes extraordinários músicos, são evidências durante a audição de um álbum que replica um som maduro, quente, vibrante e enfumarado, como se exige a um disco de blues rock com charme e personalidade.

Em suma, Delta Kream consegue, com notável eficiência, o duplo objetivo de homenagear verdadeiras lendas de um estilo sonoro com especificidades muito definidas e esclarecer-nos acerca da manutenção da elevada alquimia entre Dan e Patrick, num disco com uma vertente orgânica bem vincada e em que esta dupla de Nashville, com aquele brilho discreto que carateriza a sua douradoura consistência, mostra estar de volta num elevado momento de forma. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:12

Manic Street Preachers – Orwellian

Sexta-feira, 21.05.21

A forte veia política mantem-se bastante ativa nos galeses Manic Street Preachers, de James Bradfield, uma banda com mais de vinte anos de carreira, mas que continua a surpreender pelo fulgor e pela capacidade de inovar e de reinventar as suas propostas, sem descurar a sua herança e algumas das tendências sonoras atuais que mais agradam aos seus seguidores. Tudo isto está bem patente em Orwellian, um novo single do grupo e primeiro avanço divulgado de The Ultra Vivid Lament, o décimo quarto registo dos Manic Street Preachers, sucessor do aclamado compêndio Ressistance Is Futile, de dois mil e dezoito, que chegará aos escaparates no ocaso do próximo verão, mais concretamente a três de setembro e que terá como convidados especiais Mark Lanegan, dos Screaming Trees, e Julia Cumming, dos Sunflower Bean.

Manic Street Preachers anuncia novo álbum e libera o primeiro single -  PurePop

Orwellian é, portanto, e como não podia deixar de ser, uma composição assente numa vertente instrumental fortemente elétrica, densa mas melodiosa, uma percussão vincada e uma voz apaixonada, interpretada por um Bradfield que continua a escrever letras fortemente reflexivas sobre algumas questões importantes da sociedade ociental contemporânea e a refletir sobre os diferentes rumos que o mundo tem tomado e como o progresso, neste caso o que envolve o digital e as redes sociais, é, por estranho que possa parecer, tantas vezes prejudicial ao bem estar e à felicidade de cada um, porque nos tem feito viver constantemente numa espécie de guerra cultural. Confere...

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publicado por stipe07 às 16:12

Maxïmo Park – Nature Always Wins

Quinta-feira, 20.05.21

Já chegou aos escaparates Nature Always Wins o sétimo álbum dos ingleses Maxïmo Park, de Paul Smith, uma das bandas mais interessantes do cenário indie atual e que quando surgiu foi considerada um novo fenómeno fundamental para o ressurgimento da herança post punk da década de oitenta. De facto, os Maxïmo Park têm vindo, de disco para disco, a demonstrar um crescendo de maturidade e uma capacidade inata para apresentar novas propostas diversificadas sem se afastar do ADN que carateriza este coletivo de Newcastle.

Album Review: Maxïmo Park - Nature Always Wins - The Indie Masterplan

Importa esclarecer que Nature Always Wins é um disco de celebração ímpar, já que é muito marcado pela paternidade recente de vários dos elementos da banda. Fazê-lo é ir de encontro ao fulcro de um conpêndio de doze composições que têm uma áurea de esplendor, de otimismo e de vontade de espalhar nos nossos ouvidos sentimentos de crença num futuro risonho. De facto, canções como I Don’t Know What I’m Doing, Baby, Sleep e Child Of The Flatlands e All Of Me, exalam um empolgante modus operandi interpretativo, assente, quase sempre, em guitarras efusiantes trespassadas por sintetizadores que debitam muitas vezes efeitos algo delirantes e invulgares, mas também com o piano (Why Must A Building Burn) a ser elemento preponderante na estilização de uma faceta pop que é sempre de elogiar em registos deste calibre sonoro.

Alinhamento melodicamente maduro e assertivo, que deve muita da sua sagacidade ao irrepreensível trabalho de produção de Ben Allen (Deerhunter, Animal Collective), Nature Always Win é, em suma, um retrato conciso, mas fiel, do estado de espírito mais recente de uma banda que sempre se mostrou exímia no equilíbrio entre o sucesso radiofónico e a exposição criativa das suas habilidades coletivas e que se encontra, claramente, num momento de forma invejável. Espero que aprecies a sugestão...

Maxïmo Park - Nature Always Wins

01. Partly Of My Making
02. Versions Of You
03. Baby, Sleep
04. Placeholder
05. All Of Me
06. Ardour (feat. Pauline Murray)
07. Meeting Up
08. Why Must A Building Burn?
09. I Don’t Know What I’m Doing
10. The Acid Remark
11. Feelings I’m Supposed To Feel
12. Child Of The Flatlands

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publicado por stipe07 às 16:43

The Polyphonic Spree – Afflatus

Quarta-feira, 19.05.21

Os texanos The Polyphonic Spree não são uma banda no sentido mais restrito do termo. São liderados por Tim Delaughter, antigo vocalista dos extintos Tripping Daisy, mas são, de facto, uma instituição, já que têm uma constituição inconstante, que consiste geralmente de uma secção coral com dez pessoas, uma dupla de teclistas, um percussionista, um baterista, um baixista, um guitarrista, um flautista, um trompetista, um trombonista, um violinista, um harpista, um trompetista, um tocador de pedal steel e um técnico de efeitos eletrónicos.

The Polyphonic Spree Releases First New Music in Six Years with New EP We  Hope It Finds You Well Featuring Covers of The Rolling Stones, The Monkees,  Rush and More - mxdwn

Já tem sete anos Psychphonic, o último disco dos The Polyphonic Spree, que têm gravitado em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. Independentemente da fórmula, é sempre habitual nos seus trabalhos oferecerem ao ouvinte verdadeiras orgias lisérgicas de sons e ruídos etéreos ou orquestrais e que os orientam muitas vezes, e a nós também, em simultâneo, para direções aparentemente opostas, geralmente da indie pop etérea e psicadélica, ao rock experimental.

O ano passado o grupo editou um EP intitulado We Hope It Finds You Well, na sua página bandcamp, que continha um alinhamento de versões de temas selecionados por Delaughter. Agora, além do anúncio de um novo disco dos The Polyphonic Spree para o próximo outono, chega-nos ao ouvido Afflatus, mais uma coleção de covers, que inclui também as que faziam parte do alinhamento desse We Hope It Finds You Well. O registo inclui revisitações de originais dos The Rolling Stones, The Bee Gees, Daniel Johnston, ABBA, Rush, The Monkees, Barry Manilow, INXS e muitos outros.

Afflatus não defrauda a essência dos originais que lhe servem de base, mas este extraordinário registo é mais uma prova da abrangência anteriormente descrita que os The Polyphonic Spree transportam no seu adn e solidifica a habitual estratégia da banda de construir alinhamentos de vários temas que funcionem como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções, num resultado final que ilustra na perfeição o cariz poético  de um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e sempre capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

 

 

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publicado por stipe07 às 16:21

Cloud Nothings - The Shadow I Remember

Terça-feira, 18.05.21

Os Cloud Nothings de Dylan Baldi, Jayson Gerycz, TJ Duke e Chris Brown regressaram recentemente aos discos com The Shadow I Remember, o sétimo disco da carreira do grupo de Cleveland, no Ohio. O complicado período pandémico que vivemos tem inspirado com particular relevância este grupo, que lançou no último verão um trabalho intitulado The Black Hole Understands, alinhamento disponível em exclusivo na plataforma de streaming e compra digital bandcamp e que na altura sucedeu ao excelente Last Building Burning, um álbum datado de dois mil e dezoito e que nos ofereceu oito canções impregnadas com um excelente indie rock lo fi, abrigadas pela insuspeita Carpark Records e um regalo para os ouvidos de todos aqueles que, como eu, seguem com particular devoção este subgénero do indie rock.

Cloud Nothings' 'The Shadow I Remember' Is a Life-Affirming and Defiant  Statement | PopMatters

Agora, em dois mil e vinte e um, um dos grupos mais relevantes do indie rock norte-americano da última década, volta a demonstrar com elevado nível de impressionismo a sua força criativa, num alinhamento de onze composições conduzidas pela crueza das guitarras, mas também por uma indesmentível destreza melódica, como se percebe logo em Oslo, canção que começa numa espécie de limbo entre epicidade e melancolia, mas que rapidamente resvala para um turbilhão de visceralidade e imponência únicos.

De facto, e dado esse mote, em pouco mais de trinta minutos, temos um disco repleto de distorções inebriantes, guitarras debitadas em camadas de rugosidade e amplitude elétrica, com Baldy a acomodar-se quase sempre às mesmas e à mestria percurssiva de Jayson Gerycz, à frente de uma bateria que não receia plasmar, em simultâneo, raiva e quietude, com um registo interpretativo vocal pleno de angústia, mas também rebeldia e ferocidade, enquanto desabafa conflitos interiores e experiências sentimentais. Esta trama não belisca, no entanto, uma faceta de acessibilidade e imediatismo que o disco contém, não sendo um trabalho de audição demasiado complicada ou intrigante.

The Shadow I Remember é, em suma, um cardápio feito de experimentações sujas que procuram conciliar uma componente lo fi com a surf music e o garage rock, numa embalagem caseira e íntima e que não coloca em causa o adn sonoro identitário dos Cloud Nothings, sendo também um compêndio onde pujança, crueza e até uma certa monumentalidade, caminham de mãos dadas e num patamar superior de maturidade, relativamente à herança do projeto. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:31


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