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Senhor Jorge - sr. jorge

Sexta-feira, 30.04.21

Beirão de origem e fadista por paixão, Senhor Jorge Novo é o cabeça de cartaz de um projeto que tem as suas raízes na Igreja da Misericórdia de Viseu. Nela, há pouco mais de dois anos, Rui Sousa (Dada Garbeck), João Pedro Silva (The Lemon Lovers) e Gonçalo Alegre (Galo Cant’às Duas) conheceram este Sr. Jorge Novo, sacristão, ex-lapidador de diamantes e ele próprio uma preciosidade escondida que rapidamente conquistou o coração de quem o ouviu. Foi desse encontro inesperado e feliz, foi dessa surpresa e dos afetos que ela desencadeou, que nasceu este projeto e o E.P. sr. jorge, exercício generoso de troca e de diálogo criativo entre universos artísticos que, frequentemente, estão condenados a viverem separados.

Senhor Jorge assinala edição de EP com videoclip “Palhaço” – Glam Magazine

sr. jorge viu a luz do dia a nove de abril e, sendo um dos lançamentos nacionais mais curiosos desta primeira metade do ano, merece dedicada audição não só pelo cariz inusitado que lhe deu origem, mas também, e acima de tudo, pelo seu notável conteúdo. É um alinhamento de cinco canções imperdíveis, pouco mais de dezoito minutos intensos, concebidos com uma abordagem sonora de forte cariz experimental, claramente etérea e envolvente mas ao mesmo tempo fresca, pop, viciante e catalisadora. A ela junta-se, como refere José Soeiro, responsável pelo press release do lançamento, a voz vivida e emocionante do Sr. Jorge., numa espécie de lamento musicado sobre um passado que já foi, sobre um presente de saudade e de desencanto, sobre o envelhecimento e a perda, as alegrias e as tristezas, a memória das gargalhadas, dos desesperos e das paixões. Temos o amor – e sempre, implacável, o tempo. Temos, acima de tudo, o efeito de múltiplos e fecundos encontros cujo resultado agora se oferece à nossa fruição. Só temos de agradecer e aproveitar.

De facto, canções como Cobertor, tema que nos ensina que por vezes, um amor é tão profundo que, para conforto do outro, consegue conter a urgência de repreender, Palhaço, composição que, na óptica de Pedro Bastos, realizador do vídeo do tema, nos mostra o quanto somos uns palhaços nesta vida sempre que hesitamos (e se eu tivesse ido antes por ali...?), ficamos marcados pelo tempo que não aproveitámos, ou tornamo-nos descartáveis, quando deixamos de ser essenciais, são verdadeiros compêndios de pop experimental contemporânea, ao mesmo tempo que comprovam que aquilo que é aparentemente díspar e inconciliável, pode, afinal, coexistir, subliminar-se e originar algo único e distinto e, por isso mesmo, imperdível. Espero que aprecies a sugestão...

Facebook: https://www.facebook.com/ossenhorjorge

Instagram: https://www.instagram.com/ossenhorjorge/

Soundcloud: https://soundcloud.com/user-45507788

Bandcamp: https://senhorjorge.bandcamp.com/album/senhor-jorge 

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCtKW9hos6tYZYLB0JdKv_ZQ/videos

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publicado por stipe07 às 11:16

Juliana Hatfield – Gorgon

Quinta-feira, 29.04.21

Depois dos discos de tributo à cantora Olivia Newton-John, em dois mil e dezoito e aos Police, no ano seguinte e do anúncio de um registo nos mesmos moldes mas de homenagem aos R.E.M., a norte-americana Juliana Hatfield, uma figura ímpar do rock do outro lado do atlântico das últimas três décadas, está de regresso aos discos com Blood, o décimo nono da sua carreira, um alinhamento de dez canções que irá ver a luz do dia a catorze de maio próximo, com a chancela da American Laundromat.

Juliana Hatfield – “Gorgon”

Blood foi gravado integralmente em casa de Juliana no Conneticut, que tocou os instrumentos todos no disco, sendo um disco que, de acordo com a autora, é uma reação ao modo sério e negativo como muitas pessoas foram afetadas nos últimos quatro anos, (certamente devido à adminstração Trump, n.d.r.) e dele já se conhecem os singles Mouthful Of Blood e Gorgon. Este último, a razão de ser deste artigo, é uma composição que balança entre um folk rock lânguido e alguns dos cânones fundamentais do melhor jazz atual, que não desperdiça as potencialidades da eletrónica, como se percebe no excereto final do tema, num resultado final bastante radiofónico, orelhudo e vibrante. Confere Gorgon e a tracklist de Blood...

01 “The Shame of Love”
02 “Gorgon”
03 “Nightmary”
04 “Had a Dream”
05 “Splinter”
06 “Suck It Up”
07 “Chunks”
08 “Mouthful Of Blood”
09 “Dead Weight”
10 “Torture”

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publicado por stipe07 às 16:23

Tashaki Miyaki – I Feel Fine

Quarta-feira, 28.04.21

Quatro anos depois do extraordinário registo de estreia The Dream, que fez parte da nossa lista dos melhores álbuns de dois mil e dezassete num honroso décimo quinto lugar, os Tashaki Miyaki de Paige Stark, Luke Paquin e Sandi Denton, estão de regresso aos discos em dois mil e vinte e um com Castaway, o segundo álbum da banda, um alinhamento de onze canções que irá ver a luz do dia a dois de julho próximo e que já está disponível para pré-reserva no bandcamp do grupo. É um regresso que se saúda com enorme entusiasmo nesta redação, porque estamos a falar de uma banda que navega nas águas turvas e profundas da dream pop de pendor psicadélico e que oferece canções que nos embalam e incitam de um modo muito particular e lisérgico, composições que comprovam o quanto este projeto oriundo de Los Angeles é  incomparável e mestre na criação de uma atmosfera densa, mas particularmente sensual e hipnótica.

Tashaki Miyaki unveils their mesmerizing single and evocative visuals for  “I Feel Fine” - Grimy Goods

Castaway deverá ainda obrigar-nos a aprimorar mais as loas aos Tashaki Miyaki, tendo em conta o conteúdo de I Feel Fine, a primeira amostra revelada de Castaway. Trata-se de uma canção que serve-se de guitarras sobriamente eletrificadas e distorcidas para obter uma mistura sem fronteiras definidas, entre os grandes universos sonoros que são o blues e a folk, acrescentando a esta junção um registo vocal sublime, num resultado final tremendamente intimista e reservado, mas sem deixar de conter emoção e fervor.

I Feel Fine também já tem direito a um curioso vídeo filmado e realizado por Paige Stark, no qual a cantora e baterista dos Tashaki Miyaki homenageia os seus filmes sobre vampiros preferidos, nomeadamente as películas Only Lovers Left Alive and A Girl Walks Home Alone at Night. Curiosamente este também é o primeiro vídeo dos Tashaki Miyaki em que aparecem todos os elementos do grupo, neste caso vestidos de vampiros, vagueando pelas ruas de Los Angeles, noite dentro.

During the pandemic, we were working on an instrumental record because I couldn't write words and was kind of going crazy sitting in my apartment alone. I needed to be creative and see my bandmates to preserve my mental health. So we went to our friend Joel Jerome's place and recorded this instrumental record over two weeks in the middle of the summer heat wave, referiu recentemente Stark à imprensa sobre a canção e o vídeo, que ainda acrescentou: With this song, words just came. I hadn't written a word during the pandemic and then I suddenly felt like saying something about it. At first we were going to let it be the one song with a vocal on this otherwise instrumental record, but later we decided it fit more with Castaway, so we added it. We mixed it with the batch of songs from Castaway, so it feels like part of that group sonically now. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:49

Villagers – The First Day

Terça-feira, 27.04.21

Os irlandeses Villagers são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical. Com um trajeto musical bastante profícuo nos últimos anos, além de intenso e rico, com momentos discográficos significativos do calibre de Becoming a Jackal (2010), {Awayland} (2013) e Darling Arithmetic (2015), entre outros, os Villagers anunciaram finalmente um sucessor para o também fantástico The Art Of Pretending To Swim, de dois mil e dezoito.

Villagers talks faith, technology and new album 'The Art Of Pretending To  Swim' | Features | DIY

Fever Dreams, o novo álbum dos Villagers, irá ver a luz do dia a vinte de agosto próximo, ainda a tempo de incendiar com encanto um verão que se espera ansiosamente que venha a ser libertador, na verdadeira aceção da palavra. The First Day é o primeiro single divulgado de Fever Dreams, uma deslumbrante canção, já com direito a um vídeo realizado por Daniel Brereton. É uma composição com uma amplitude sónica impressiva e com uma heterogeneidade instrumental bastante audível, com sopros, metais, cordas, sintetizadores e diversos efeitos de múltiplas proveniências a conjurarem entre si permanentemente, de um modo otimista e festivo, mas tambêm cândido e aconchegante. O resultado de toda esta trama é um tratado de indie folk absolutamente imperdível. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:03

Ghost Of Vroom – Ghost Of Vroom 1

Segunda-feira, 26.04.21

Depois de um aclamado percurso discográfico com três tomos nos anos noventa, Mike Doughty colocou os míticos Soul Coughing numa situação de pousio e dedicou-se a uma profícua carreira a solo, quer como produtor, quer como compositor, tendo o artista produzido dezoito discos já no século XXI, a maioria deles com a chancela da etiqueta ATO de Dave Matthews. Durante estas mais de duas décadas Doughty evitou sempre mexer no catálogo dos Soul Coughing, descrevendo essa fase da sua vida como um casamento obsessivo e sombrio e que já tinha terminado. Seja como for, em dois mil e treze deu luz verde à compilação Circles, Super Bon Bon, and The Very Best of Soul Coughing, chegando a dar nova roupagem a algumas das canções mais emblemáticas do projeto.

Soul Coughing's Mike Doughty prepares new Ghost of Vroom release

Dois anos depois Doughy mudou-se para Memphis onde contactou com o coletivo de hip-hop Unapologetic, uma colaboração que o transportou para territórios sonoros familiares e o levou a equacionar uma potencial reunião dos Soul coughing, juntamente com o seu parceiro nesse projeto Andrew "Scrap" Livingston. No entanto, como não queriam voltar com a palavra atrás em relação ao tal casamento, a dupla rebatizou os soul coughing com o nome Ghost Of Vroom, uma alusão a Ruby Vroom, o disco de estreia dos Soul Coughing, estrearam-se com o EP Ghost of Vroom 2 (no passado mês de julho e agora chegou a hora de colocarem nos escaparates o longa duração que, curiosamente, já estava gravado antes desse EP de estreia ter sido divulgado, como se percebe pelo título.

Para conceber e gravar Ghost Of Vroom 1, registo que viu a luz do dia a vinte e nove de março à boleia da Mod y Vi Records, Doughty e Livingston viajram para Los Angeles para trabalhar com o produtor Mario Caldato Jr., referência ímpar da carreira dos Beastie Boys. Chamaram ao estúdio o baterista Gene Coye, figura relevante do jazz em Los Angeles e depois dividiram entre si o restante arsenal instrumental, com Doughty a ocupar-se das guitarras e dos samplers e Livingston do baixo, dos teclados e das restantes cordas. Divisão feita, a improvisação tornou-se pedra de toque no processo de incubação e o resultado final é um excelente alinhamento que nos transporta de modo impressivo para a herança dos Soul Coughing enquanto jazz, hip-hop e rock conjuram entre si de modo cativante, e com uma senjsibilidade poética ritmicamente vibrante. Desde o delicioso travo a rap de rua de Memphis Woofer Rock, ao rock espacial de I Hear the Axe Swinging, passando pelo rap anguloso, ecoante e comestível de More Bacon Than the Pan Can Handle, o blues incandescente que exala de Miss You Like Crazy, o mais apocalítico de Revelator, o noise rugoso de They Came In the Name of the People e o registo interpretativo mais tradicional de James Jesus Angleton, mantém-se sempre firme um propósito estilístico bem vincado e interpretado com um grau qualitativo elevadíssimo, por parte de uma dupla cujo regresso ao ativo em conjunto irá agradar aos fãs saudositas dos Soul Coughing, mas também a novos públicos, que estejasm sempre sedentos de algo diferente e refrescante. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 15:24

We Were Promised Jetpacks – If It Happens

Sábado, 24.04.21

Doze anos depois de terem lançado o single Quiet Little Voices, que de algum modo ajudou a redefinir o indie rock contemporâneo, os escoceses We Were Promised Jetpacks, revelam uma nova canção intitulada If It Happens, o primeiro sinal de vida da banda de Edimburgo desde o disco The More I Sleep The Less I Dream, lançado no final do verão de dois mil e dezoito.

We Were Promised Jetpacks embrace an idea of happiness on 'If It Happens'

If It Happens é uma vibrante canção que se insere naquele universo sonoro algo nostálgico que mistura rock e pop, com uma toada noise qb e um elevado pendor shoegaze. O tema assenta numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, dupla em volta da qual gravitam diferentes arranjos, que ampliam a luminosidade de uma composição sobre a necessidade que todos devemos ter de sermos mais positivos e optimistas perante a realidade atual. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:39

Balthazar – Sand

Sexta-feira, 23.04.21

O excelente registo Fever ainda não tem dois anos de existência, mas os belgas Balthazar mantêm-se criativamente ativos, estando de regresso aos lançamentos discográficos com Sand, um alinhamento de onze canções que viram a luz do dia através da etiqueta Play It Again Sam e que foi idealizado por Jinte Deprez e Maarten Devoldere, as duas grandes mentes criativas do projeto.

Balthazar lança aguardado álbum "Sand" | NSC Total

O busílis de Sand foi criado durante a digressão de promoção a Fever e, por isso, muitas das nuances que marcaram esse trabalho que o grupo belga lançou em dois mil e dezanove, mantêm-se ou foram aprimoradas neste quarto álbum da carreira de um projeto ímpar a explorar diferentes graus e latitudes sonoras, dentro de um espetro indie que se vai balizando nos cânones fundamentais do melhor rock alternativo contemporâneo.

De facto, basta ouvir, quase no ocaso do disco, Halfway, uma composição melodicamente assente num travo R&B algo peculiar, abrigado por uma linha de baixo plena de groove e adornada por deliciosos falsetes e diversos arranjos de elevado apuro melódico e onde as teclas são protagonistas, para se perceber toda a trama conceptual que orientou os Balthazar na concepção deste trabalho. Depois, num alinhamento que tematicamente se debruça sobre conceitos como a perda e a inquietação, sensações muito prementes no período pandémico atual em que parece que vivemos todos à espera que a areia (sand) que desliza pela ampulheta do Covid termine o seu percurso rapidamente, no virtuosismo vocal de On A Roll, no elevado sentimentalismo de You Won't Come Around e no superior travo jazzístico de Linger On, a dupla mostra claramente uma preocupação em seguir determinados cânones e regras pré-estabelecidas, mas as que foram criadas por eles próprios.

Os Balthazar sempre elegeram esta bitola criativa charmosa e com uma soul muito própria como o caminho bem balizado rumo ao estrelato e ao sucesso comercial e Sand demonstra bem essa filosofia, quer no modo como se assume como um compêndio sonoro com uma elevada maturidade, quer melódica quer instrumental, quer no acerto criativo do mesmo e que não defrauda minimamente a herança anterior deste grupo belga. São notáveis composições que demonstram o modo coerente e apaixonado como os Balthazar funcionam enquanto corpo único e como catalizam toda a energia para compor, provando também uma notável auto confiança, uma tremenda experiência e um acerto interpretativo incomum. Espero que aprecies a sugestão...

Balthazar - Sand

01. Moment
02. Losers
03. On A Roll
04. I Want You
05. You Won’t Come Around
06. Linger On
07. Hourglass
08. Passing Through
09. Leaving Antwerp
10. Halfway
11. Powerless

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publicado por stipe07 às 13:10

Holy Holy – How You Been

Quinta-feira, 22.04.21

A Austrália é o local de origem dos Holy Holy, uma dupla formada por Tim Carroll e o guitarrista e compositor Oscar Dawson, dois músicos oriundos de Brisbane e Melbourne, respetivamente e, em tempos, professores de inglês no sudoeste da Ásia. Ambos mudaram-se para a Europa em 2011, com Carroll a fixar-se em Estocolmo, na Suécia e Dawson em Berlim, na Alemanha. Depois, num reencontro de ambos na primeira cidade, resolveram fazer música juntos, tendo sido criadas aí as primeiras demos em conjunto, que foram, depois, aprimoradas na Austrália, dando origem a estes Holy Holy. Em 2015 o projeto, já com o baterista Ryan Strathie, estreou-se nos discos com o excelente When The Storms Would Come, que teve um excelente sucessor em dois mil e dezassete, um trabalho intitulado Paint, com dez canções que foram compostas com a dupla a ir contra o seu próprio instinto e vontade, que costumava divagar em redor de sonoridades eminentemente folk, com o resultado a constituir-se, no seu todo, como algo de mais arriscado, mas também mais preciso e minimal, do que o disco de estreia.

OSCAR DAWSON (HOLY HOLY) - GUITAR - Australian Musician MagazineAustralian  Musician Magazine

De facto, se em Paint, há quase quatro anos atrás, os Holy Holy ampliaram largamente o seu espetro sonoro, num disco onde alguns riscos foram tomados e nem sempre calculados, mas com o resultado final a ser bastante compensador, já que encarnou uma espécie de osmose de vários detalhes típicos de sonoridades, que da eletrónica à já referida folk, passando pela pop mais radiofónica e o rock alternativo, deram ao disco e à banda um elevado cariz eclético, o mesmo mantém-se hoje, estando bemplasmado na amplitude e luminosidade de How You Been, a primeira canção que a dupla nos oferece em dois mil e vinte e um. Esta nova canção dos Holy Holy é, claramente, uma vista panorâmica para diversas interseções que, quer na seleção dos arranjos, quer do arsenal instrumental, obedeceu à procura de uma consonância com a componente lírica, parecendo também ter resultado de um arrojado processo de filtragem fina do que de melhor cada subgénero sonoro que influencia atualmente a dupla tem para lhe oferecer. Confere... 

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publicado por stipe07 às 09:43

Lucy Dacus – Hot And Heavy

Terça-feira, 20.04.21

Depois de andar envolvida durante algum tempo na revisitação de vários temas de artistas que admira e de ter participado ativamente no disco Little Oblivions da sua colega Julien Baker no projeto Boygenius, a norte-americana Lucy Dacus virou finalmente o seu foco para o projeto a solo que assina e que terá um novo capítulo discográfico. O álbum vai chamar-se Home Video e irá ver a luz do dia a vinte e cinco de junho, com a chancela da Matador Records.

Lucy Dacus partilha novo single… “Hot & Heavy” – Glam Magazine

Hot And Heavy, que pode ser já considerada como uma das melhores canções de dois mil e vinte e um, é o mais recente single divulgado de Home Video, uma vibrante e empolgante canção sobre um amor antigo, que abre o alinhamento do registo e que chama a atenção não só pelo registo vocal impregnado com uma rara honestidade e sentimentalismo, mas também pelo modo vibtrante como diversas camadas de guitarras e sintetizações se entrelaçam com uma interpretação rítmica e percurssiva bastante heterogénea, num resultado final consistente e de elevado travo classicista, tendo em conta a herança do melhor rock norte-americano contemporâneo. Confere Hot And Heavy e a tracklist de Home Video...

01 Hot & Heavy
02 Christine
03 First Time
04 VBS
05 Cartwheel
06 Thumbs
07 Going Going Gone
08 Partner In Crime
09 Brando
10 Please Stay
11 Triple Dog Dare

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publicado por stipe07 às 11:13

Andrage - Andrage

Segunda-feira, 19.04.21

Margarida Marques (Voz), Daniel Gouveia (Trompete), Humberto Dias (Bateria), João Heliodoro (Saxofone Tenor), José Rego (Baixo) e Pedro Campos (Guitarra), são os Andrage, uma banda que começou o seu percurso em dois mil e dezassete e cujo nome é inspirado numa planta nativa do território Alentejano, uma escolha que se deve ao facto de grande parte dos elementos da banda serem naturais do Baixo Alentejo. Esta planta acaba por servir de metáfora para a filosofia interpretativa do grupo, que se assume como detentor de ideias delicadas à superfície mas bem firmes desde a baseNa passada sexta-feira, dia dezasseis de abril, chegou aos escaparates Andrage, o novo trabalho homónimo do grupo, um alinhamento de oito canções gravadas e masterizadas por Bruno Xisto nos estúdios Black Sheep Studios em Sintra e com a chancela da Throwing Punches.

Andrage a uma só voz - bodyspace.net

Disco que se escuta de fio a pavio com um sorriso sincero e instintivamente feliz nos lábios, Andrage está encharcado de composições diversificadas e acessíveis, repletas de melodias orelhudas e que, tendo sido alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada, proporcionam-nos um baquete sonoro de forte cariz eclético e ímpar abrangência. Entre o rock e o jazz, neste deslumbrante festim de sons, cadências rítmicas e dissertações melódicas, é vasta a fusão de estilos e tiques, não só por causa de um arsenal instrumental feliz e que, além das habituais cordas, tem nos sopros e nas teclas elementos preponderantes na indução de emotividade, cor e substância aos temas, mas também devido a um registo vocal sem meios termos e constantemente nos píncaros da emotividade.

De facto, o abraço indulgente entre a guitarra e o saxofone em So Wrong, a subtileza dilacerante de Sign, o ambiente festivo de Getting Wild, uma composição assente em sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem num universo carregado de batidas e ritmos que não deixam de exalar um certo erotismo, o travo glam de Wasting Time e o vigor rítmico que o baixo impôe em Stuck e que nunca resvala, são provas concretas da excentricidade dos Andrage e da rara graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil, amiúde feito de improviso e claramente emocional, que sobrevive num universo subsónico e contrastante, que parece falar-nos ao ouvido e à anca de sonhos, de liberdade e de redenção.

Andrage é, pois, um disco que exala amadurecimento por todos os poros, uma firmeza artística assente num impecável trabalho de produção que permite que todo o arsenal instrumental utilizado pelos autores tenha o seu protagonismo no tempo certo, em suma, um verdadeiro banquete requintado, sedutor e repleto de charme, um oásis de cor e luz que evoca ambientes sonoros repletos de nostalgia, mas que, simultaneamente, também soam de uma forma muito nova e refrescante. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 11:54


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