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Moby – Porcelain (Reprise Version)

Quarta-feira, 31.03.21

O músico e produtor nova iorquino Moby tem nove álbuns na última década, vivendo uma das fases mais inspiradas e produtivas de uma já longa e respeitável carreira, que tem feito dele um dos expoentes maiores da eletrónica do novo milénio. O novo passo que Moby se prepara para dar é uma compilação de versões de alguns dos seus maiores sucessos, concretamente treze, com novos arranjos e uma filosofia eminentemente acústica, com a ajuda da Budapest Art Orchestra.

Moby anuncia álbum com orquestra e libera nova versão de "Porcelain" - A  Rádio Rock - 89,1 FM - SP

Esse disco chama-se Reprise, irá ver a luz do dia a vinte e oito de maio à boleia da Deutsche Grammophon e além da orquestra já referida, também contará com as participações especiais de Gregory Porter, Jim James (My Morning Jacket), Mindy Jones, Víkingur Ólafsson, Kris Kristofferson e Skylar Grey, entre outros.

Um dos temas já conhecidos do registo é a versão do clássico Porcelain que, como certamente se recordam, fazia parte de Play, o fabuloso disco de estreia que Moby lançou em mil novecentos e noventa e nove. A mesma conta com a participação vocal de Jim James, o vocalista dos My Morning Jacket e sustenta-se numa eletrónica de cariz ambiental e progressivo, onde não falta um clima melancólico que dá um aspecto algo sombrio à música, o que combina bem com a escolha do intérprete, um especialista na replicação de ambientes mais negros. Confere...

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publicado por stipe07 às 12:01

Metronomy – The Look (MGMT Remix)

Terça-feira, 30.03.21

A comemorar dez anos de existência, The English Riviera é o título do fabuloso disco de estreia dos Metronomy, um projeto nascido da fértil imaginação de Joseph Mount, natural da pequena localidade de Totnes, Devon, sudoeste de Inglaterra; Reza a lenda que tudo começou quando o pai lhe ofereceu um computador para que ele pudesse dedicar-se à produção de música electrónica no quarto, onde se ouvia discos de Autechre, LFO, Aphex Twin e Devo, entre outros.

MGMT Remix Metronomy's “The Look”: Listen | Pitchfork

O motivo da recordação por este dias de The English Riviera é que o registo vai ser alvo de reedição no ocaso deste mês de Abril. Será um disco duplo, que além do alinhamento original incluirá seis temas extra. Um deles é a remistura para o tema The Look, da autoria dos MGMT, uma roupagem da canção ainda mais melancólica que o original e na qual é possível identificar o som ecoante e lisérgico tão peculiar dos MGMT que, já agora, ainda não têm sucessor previsto para Little Dark Age (2018). Confere...

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publicado por stipe07 às 19:25

Chad VanGaalen – World’s Most Stressed Out Gardener

Segunda-feira, 29.03.21

Foi há poucos dias e por intermédio da Sub Pop Records que chegou aos escaparates World’s Most Stressed Out Gardenero novo trabalho do canadiano Chad Van Gaalen, um alinhamento de treze canções gravado, misturado e produzido pelo próprio nos seus estudios Yoko Eno Studio em Calgary, Alberta e masterizado por Ryan Morey em Montreal, no Quebeque.

Chad VanGaalen: 5 Albums That Changed My Life | TIDAL Magazine

Antes de tecer considerações sobre o conteúdo do alinhamento de World’s Most Stressed Out Gardener, é, como habitual, importante contextualizar o autor desta magnífica obra musical e esclarecer que Chad é, acima de tudo, um artista que domina diferentes vertentes e se expressa em múltiplas linguagens artísticas e culturais, sendo a música mais um dos códigos que ele utliza para expressar o mundo próprio em que habita e dar-lhe a vida e a cor, as formas e os símbolos que ele idealizou. E basta ouvir World’s Most Stressed Out Gardener para perceber que, realmente, Chad comunica connosco através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica, com uma considerável vertente experimental associada.

Esta filosofia sonora aventureira começou a ganhar forma sem rodeios em Infiniheart (2004) e Soft Airplane (2008), trabalhos que apostaram numa sonoridade folk eminentemente acústica e orgânica, mas a partir de Diaper Island (2011) e com mais vigor em Shrink Dust (2014) e Light Information (2017), o estilo foi aprimorado com um arsenal sintético cada vez mais diversificado, tendência que se mantém em World’s Most Stressed Out Gardener, um disco eclético, complexo e de audição verdadeiramente desafiante, mas altamente recompensadora.

Se dúvidas ainda existiam, World’s Most Stressed Out Gardener, o oitavo disco do autor e que tem este nome porque o músico gosta de cultivar vegetais no seu quintal e comê-los crus, como um animal no pasto, prova que é mesmo a eletrónica o terreno onde hoje musicalmente VanGaalen se move com maior conforto, utilizando-a até para reproduzir muitos dos sons mais orgânicos que podemos escutar neste álbum. Sintetizadores e teclados são a matriz do arsenal bélico com que o canadiano nos sacode e traduz em grande parte destas treze canções, que materializam, na forma de música, visões alienadas de uma mente criativa que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que ele vê, pensa e sente, nomeadamente quando questiona alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo. A visão apocalítica que nos oferece com a sua voz profusa e decadente sobre o futuro do mundo na lindíssima balada Nothing Is Strange, ou o frenesim roqueiro que avalia os diferentes níveis de realismo de alguns pesadelos em Nightwaves, são bons exemplos desta escrita e composição emocionalmente ressonante e que parte também, muitas vezes, de premissas absurdas, como sucede na sua visão de uma pêra mágica em Golden Pear, ou uma curiosa busca por uma espada de samurai perdida, plasmada em Samurai Sword, uma das canções mais bonitas do disco. Aliás, a própria criatura mutante que estampa a capa deste World’s Most Stressed Out Gardener, é também uma representação feliz das diferentes colagens de experiências assumidas por VanGaalen ao longo da sua carreira e que parece ser alvo de uma espécie de súmula neste seu mais recente cardápio, um festim de canções pop ruidosas, exemplarmente picotadas e fragmentadas e que penetram profundamente no nosso subconsciente.

A trama adensa-se à medida que o álbum floresce nos nossos ouvidos, com a fantasia coalhante do rock estridente de Spider Milk, o clima sci-fi oitocentista dos instrumentais Earth From a Distance e Plant Musica energia alienígena positivamente agressiva de Starlight e o krautrock sombrio de Inner Fire, a servirem-se dos sonhos do autor como matéria-prima por excelência, para consolidar um verdadeiro jogo de texturas e distorções, em suma, um notável passeio pela essência da música psicadélica, idealizado por um inventor de sons que nos canta as subtilezas da sua existência pessoal e que nos oferece neste World’s Most Stressed Out Gardener, o disco mais estranho e abrasivo, mas também feliz, da sua carreira. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 10:34

Real Estate – Half A Human EP

Sexta-feira, 26.03.21

Cerca de um ano após o registo The Main Thing, os Real Estate de Martin Courtney, Alex Bleeker, Matt Kallman, Jackson Pollis e o multi-instrumentista Julian Lynch, que substituiu também o ano passado Matt Mondanile, na altura a contas com a justiça devido a várias acusações de abuso sexual, estão de regresso com um EP intitulado Half A Human, uma coleção de seis canções criadas entre dois mundos diferentes. Enquanto a arquitetura de cada uma foi construída durante as sessões de The Main Thing, as canções ganharam vida quando a banda começou a trocar o material remotamente durante a pandemia.

Real Estate | Artists | Domino - Domino

Half A Human é, à semelhança de tantos outros registos que têm chegado ao nosso ouvido muito recentemente, não só um espelho criativo sonoro da pandemia global que nos assola, mas também a manifestação prática de um novo modus operandi que os Real Estate e muitos outros projetos e artistas tiveram de encontrar devido às restrições impostas. A intimidade é, desde sempre, fator fulcral no processo criativo musical de bandas que congregam diferentes espíritos, sensibilidades, gostos e aptidões e competências, as grandes obras de arte sonoras foram imesnas vezes fruto de longas jam sessions conjuntas e a impossibilidade atual de reunião física levou à busca de novos procedimentos criativos e maneiras de trabalhar. Foi isso o que os Real Estate colocaram em prática, num EP que, já agora prova que tais constrangimentos não são sinónimo de decréscimo qualitativo. De facto, os seis temas do registo, resultando de um conceito de exploração das paisagens emocionais que têm vindo a aperfeiçoar mais de uma década, assente estilisticamente em canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios, repletas de arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico e, ao fazer um balanço de si mesmos e da incerteza de seu futuro, ajudaram os Real Estate a chegar a uma espécie de nova declaração de tese para a banda que, na prática, conduz o grupo para a criação de canções sempre acessíveis e com um elevada luminosidade e que façam o ouvinte sorrir sem razão aparente, mas que sejam também e cada vez mais, assentes num rock que não receie nunca se espandir com requinte e majestosidade, enquanto se foca nas habituais questões do amor e de outras miudezas quotidianas.

De facto, canções como Desire Path, intrigante e típica canção de início de alinhamento, curta mas com uma alma e um encanto profundos, a sedutora homónima, que na sobreposição de diferentes timbres e arranjos de cordas capta na perfeição a essência atual dos Real Estate, a mais psicadélica e orgânica Soon, a rugosa D+ e o indisfarçavel travo tropical da climática Ribbon, atestam a tese descrita enquanto conjuram entre si intimamente, num resultado final bastante charmoso e sensorial, que tem a fabulosa voz de Courtney como a cereja no topo do bolo. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:36

Jay-Jay Johanson – Rorschach Test

Quinta-feira, 25.03.21

Foi há pouco mais de um ano que chegou aos escaparates Niagara Falls, o último álbum do sueco Jay-Jay Johanson, um riquíssimo reportório de experimentações sónicas que cimentaram o percurso sonoro tremendamente impressivo e cinematográfico de um dos nomes mais relevantes da pop europeia das últimas três décadas. Agora, no início desta promissora primavera, Jay-Jay Johanson está de regresso com um novo álbum intitulado Rorschach Test, o décimo terceiro de uma carreira ímpar e que merece ser apreciada com profunda devoção.

Jay-Jay Johanson | Discografía | Discogs

Rorschach Test é, antes de mais, um dos momentos maiores do cardápio que o autor sueco asssinou na sua carreira. Todo o alinhamento é um festim de charme e encantamento, um verdadeiro tratado de indie pop, no qual um baixo, amiúde vigoroso e uma profusa míriade de sons intrincados e misteriosos acamam a voz sempre melancólica e sedutora do autor e sustentam uma coleção irreprrensível de arrebatadoras e sensuais melodias, onde não faltam também batidas e efeitos percurssivos de cariz eminentemente experimental.

Repleto de momentos de elevadíssimo quilate, como a inquietante e hipnótica Romeo, a tonalidade descontraída e cativante do jazz que alinha Vertigo, a romântica fragilidade que flutua à tona do manto sonoro ondulado que expira do piano que nos embala em Amen, a imponência de Why Wait Until Tomorrow, a clemência de Stalker ou a eminência percurssiva que ressoa com vigor em I Don't Like YouRorschach Test encharca os nossos ouvidos com um som polido, mas desafiante, por se mostrar um pouco escuro, mesmo assumindo-se como particularmente charmoso e intenso, enquanto nos esclarece acerca de toda a diversidade instrumental que suportou a gravação de um disco que, contendo diferentes texturas e travos conceptuais, entronca sempre numa filosofia interpretativa típica de um músico que já se movimentou por espetros sonoros tão vastos e díspares como a folk, o rock progressivo, a música clássica contemporânea ou a eletrónica, e que, quer por isso, quer devido à sua enorme sensibilidade poética e artística, consegue sempre proporcionar ao ouvinte instantes de arrebatadora sedução, mesmo quando uma espécie de ideia de simplicidade paira sempre como uma nuvem melancólica e mágica em seu redor. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 13:25

Said The Whale – Honey Lungs

Quarta-feira, 24.03.21

Os Said the Whale de Tyler Bancroft, Ben Worcester, Jaycelyn Brown e Lincoln Hotchen estão em estúdio com o produtor Steve Bays a ultimar alguns temas que poderão fazer parte de mais um disco desta banda de Vancouver, no Canadá, com catorze anos de vida e já seis álbuns no catálogo.

Said the Whale's growing up and letting go | Georgia Straight Vancouver's  News & Entertainment Weekly

Honey Lung é a primeira materialização divulgada dessa colaboração dos Said The Whale com Steve Bays, uma canção que se debruça sobre as temáticas das alterações climáticas e do turbilhão político em que todos vivemos nos dias de hoje, uma vibrante composição de forte índole sintetizada, que nos mostra um indie rock com pegadas de folkcountry e muita pop e onde é possível a apreciar delicadas harmonias vocais, pianos, guitarras limpas e o imenso impressionismo lírico que sustenta a filosofia descrita da composição. Confere...

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publicado por stipe07 às 17:11

Warpaint – Paralysed

Terça-feira, 23.03.21

Como todos certamente se recordam, o ano passado partiu do nosso mundo Andy Gill, um dos pilares do mítico projeto britânico Gang Of Four, que se notabilizou por uma ímpar discografia, dentro de um punk rock adornado por tiques da funk e do dub e que olhava com gula para as mazelas sociais e políticas da sociedade, sendo Entertainment! a obra master do catálogo da banda de Leeds e uma das mais aclamadas da história do rock dos últimos quarenta anos.

Warpaint share Gang of Four cover, 'Paralysed' | News | DIY

Logo após o desaparecimento de Andy Gill começou a ser burilado um registo de tributo aos Gang Of Four, que começa finalmente a ganhar forma. O registo vai chamar-se The Problem With Leisure: A Celebration Of Andy Gill And Gang Of Four e irá ver a luz do dia já em maio. Um dos temas já conhecidos do alinhamento desse trabalho é a cover assinada pelas Warpaint da canção Paralysed, que fazia parte do disco Solid Gold que os Gang Of Four lançaram há precisamente quatro décadas. Esta nova roupagem do projeto formado por Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa adiciona a Paralysed uma nova envolvência e um clima mais refinado e cuidado, sem que isso coloque em causa a orgânica e o pulsar rítmico sui generis do original. Confere a cover e o original...

 

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publicado por stipe07 às 17:02

Nick Cave And Warren Ellis – Carnage

Segunda-feira, 22.03.21

Primeiro longa duração de Nick Cave e Warren Ellis longe do conceito The Bad Sees e do formato banda sonora, Carnage é um impressionante e comovente testemunho desta dupla acerca da pandemia global que nos assola, a oferenda desinteressada de duas pessoas iguais a todas as outras que têm vivido, dia após dia, esta inesperada realidade covid, que nos deprime e apoquenta a todos, mas também tem gerado momentos de intensa criatividade em pessoas comuns e diversos artistas, mas poucos com bitola tão elevada como a que sustenta estas oito canções.

Nick Cave and Warren Ellis: Carnage review – the firebrand returns | Nick  Cave | The Guardian

Álbum que congrega o típico modus operandi das criações artísticas que este músico australiano nos foi apresentano nas últimas três décadas, nos mais variados formatos e rodeado de uma já vasta panóplia de parceiros, Carnage é, como seria de esperar, um álbum imbuído de uma farta espiritualidade, que atinge neste caso uma dimensão inédita, devido a uma profundidade que comove, instiga, questiona, e quase esclarece, porque contamina e alastra-se, tornando-se compreensível por todos aqueles que testemunham e sentem na pele tudo o que é aqui descrito, com ímpar grau de realismo, por exemplo, em Balcony Man, no ocaso do alinhamento. São oito canções, ampliadas por subtilezas instrumentais de raro requinte e intensidade e pela voz de Cave, mais grave e nasalada do que nunca e que parece não suspirar mas respirar ao nosso ouvido, com cruel nitidez e assombro. 

Se o início do registo, Hand of God ainda faz pairar no ouvinte, devido ao enlace curioso com uma inesperada mas subtil eletrónica, alguma dúvida relativamente ao ambiente sonoro do disco, a mesma fica logo desfeita nos temas seguintes, quando o piano se torna rei e senhor do arquétipo sonoro de composições que transpiram uma constante sensação de proximidade com o ouvinte, efeito ampliado por um modo de produção que procurou acentuar o tipicamente lo fi e a recriação realística de um delicioso voyeurismo caseiro. As próprias letras ajudam a este intimismo, já que além do omnipresente amor, elementos da natureza, como montanhas, cursos de água e árvores, abundam, juntamente com as já habituais referências à divindade e, amiúde, a uma hipotética incompreensão por parte de Deus relativamente ao sofrimento alheio.

Cada vez mais maduro e incisivo nas suas criações artísticas e com um braço direito que, ao contrário de tantos outros que teve, como o já falecido Roland S. Howard nos The Bad Seeds, o deixa manobrar livremente e o ampara nos devaneios e nas experimentações, Nick Cave oferece-nos neste Carnage um belo disco, principalmente no modo como inquieta e recria a sensação de desespero comum e contínuo que nos assola a todos, mas também na forma como nos oferece um indisfarçável sentido de esperança. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 17:24

Dream People - Almost Young

Sexta-feira, 19.03.21

Os Dream People são uma nova banda lisboeta formada por Francisco Taveira (voz), Nuno Ribeiro (guitarra), Bernardo Sampaio (guitarra), João Garcia (baixo) e Diogo Teixeira de Abreu (bateria), cinco jovens que procuram refletir na sua música a sua visão de um país belo mas pobre, onde ser músico tanto pode ser considerado um ato de coragem como de loucura. Abriram as hostilidades com um EP intitulado Soft Violence que nos oferecia um equilíbrio entre atmosferas sintéticas, que lembram algumas variações da dream pop, e uma componente de shoegaze melancólico. Esse trabalho já tem sucessor, um disco intitulado Almost Young, que vai realmente ao encontro das expetativas plasmadas no press release de antecipação, porque nos oferece uns Dream People mais maduros e confortáveis na busca de autenticidade e substância no seu trabalho.

Dream People Lançam Álbum “Almost Young” Com Listening Party | Arte Sonora

De facto, estes Dream People são mesmo uma banda de sonhadores em busca da realidade e que não renunciam pintá-la como ela é, cantando-a sem adornos, complexa e intrincada. É aí que reside a profundidade deste Almost Young, um alinhamento onde leveza e amor coabitam com a dor, a perda e a solidão, muitas vezes dentro do invólucro de uma só canção.

Assim, se Talking Of Love, um dos momentos maiores do disco aborda o conceito de perda da juventude e funciona como um lembrete da importância de, nesse caminho de transformação, se manter a essência daquilo que somos e de nunca se perder essa mesma liberdade de espírito, já People Think é mais optimista e até eufórica. Com uma vibe claramente oitocentista, contém uma letra confrontativa, em que se aponta o dedo a quem, com o decorrer da vida, se deixa tornar obsoleto e com a idade adulta cai numa rotina entorpecente e perde a sua própria essência, esquecendo-se da juventude. Aliás, esta ideia de abandono e de perda da juventude, é transversal a todo disco. Ela espelha receios e angústias dos cinco membros da banda: o receio da mudança de pele, da transformação. O receio de sair do ninho e aterrar no mundo real. A enorme angústia de se ser quase jovem mas não se poder voltar a sê-lo, porque esse tempo simplesmente não volta.

Almost Young é um disco sobre o fim de uma era. E é também, mais uma vez, um disco feliz e triste, que mesmo nos momentos altos esconde uma camada negra de melancolia e dor, só acessíveis ao ouvido mais atento. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 09:45

William The Conqueror – Maverick Thinker

Quinta-feira, 18.03.21

Maverick Thinker é o título do novo registo de originais do projeto britânico William The Conqueror, dez imponentes canções assentes num folk blues de primeira água, incubadas por um trio sedeado na lindíssima região da Cornualha e que viram a luz do dia à boleia da Chrysalis Records.

Terceiro disco do projeto, Maverick Thinker sucede a Proud Disturber of the Peace, um álbum que tinha sido gerado na garagem de Ruarri Joseph, o líder da banda, enquanto este álbum já teve uma gestação mais profissional, digamos assim, tendo sido gravado no famoso  estúdio LA Studio Sound City, do lado de lá do atlântico. Foi uma decisão acertada porque é notória a evolução do som dos William The Conqueror, não só no que concerne ao acerto melódico, mas também ao modo como todo o arsenal instrumental consegue a notoriedade necessária, dentro de uma filosofia interpretativa que olha com gula para o rock mais clássico, mas numa toada eminentemente boémia.

De facto, logo em Move On nota-se o peso do blues no disco e percebe-se que será essa a base auditiva do mesmo. Mesmo quando em Wake Up ou Reasons o arrojo das guitarras parece resvalar até um som mais pesado, ou quando nas mais intimistas Quiet Life ou The Deep End parece haver uma atração profunda pela clássica folk, não é colocada em causa, em ambas as situações, a matriz de um alinhamento que algures entre os The Rolling Stones e Bob Dylan, encontra a zona de interseção que o define com melhor clareza.

O hino country Jesus Died a Young Man e o cheiro de whisky blues de Suddenly Scared (24 Storeys High) acabam por ser os grandes momentos de um trabalho com força, profundidade lírica e repleto de canções que se ouvem com inegável prazer. Espero que aprecies a sugestão...

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