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Bill Callahan – Gold Record

Domingo, 06.09.20

Nascido em mil novecentos e sessenta e seis, Bill Callahan é um músico norte americano, natural de Silver Spring, no Maryland. A sua carreira musical começou na década de noventa com o bem sucedido projeto Smog e desde então Callahan não sabe o que é descanso. Depois de em dois mil e cinco ter lançado A River Ain’t Too Much To Love, o último disco nos Smog, começou a carreira a solo em 2007 com Woke on a Whaleheart, logo após ter assinado pela editora independente Drag City. Mas o melhor ainda estava para vir; Lançado em 2009, Sometimes I Wish We Were an Eagle resgatava toda a funcionalidade e beleza das composições da antiga banda do músico e figurou nas listas de alguns dos melhores lançamentos desse ano. Depois, em dois mil e onze, Apocalypse vinha embutido com a palavra paradoxo, devido à beleza e mistério de um álbum feito à base de guitarras eléctricas, mas embutidas em sonoridades folk, a roçarem o country e o jazznuances que foram determinantes para o esboço do conteúdo de Shepherd In A Sheepskin Vest, o álbum que o músico norte-americano lançou o ano passado e que já tem sucessor.

Bill Callahan – 'Gold Record' album review

Mais do que um simples registo de canções avulsas e que procuram dissertar abstratamente e filosoficamente sobre o amor ou as agruras ou benesses deste mundo em que vivemos, Gold Record, o novo álbum de Bill Callahan, é um compêndio de histórias simples, mas cheias de brilho, intensidade e mérito, porque são concretas. Este novo alinhamento de Callahan demonstra que um grande disco não tem de ser liricamente intrincado e, além da componente sonora qualitativamente superior, não tem de ter poemas semanticamente elaborados, para ser classificado como tal. Às vezes, uma coleção bem pensada de histórias simples, contada com as palavras certas e acessíveis e sem desnecessárias preocupações estilísticas, é meio caminho andado para assegurar um registo discográfico de superior quilate. E este é, sem dúvida, o grande trunfo de Gold Record, um alinhamento de dez temas que escavam a cultura norte americana para encontrar um tesouro de raízes identitárias, fazendo-o, sonoramente, com a toada eminentemente acústica que define o adn do músico, plasmada num registo interpretativo que privilegia aquele formato canção que vai gradativamente agrupando novos elementos e sons distintos, até um final envolvente e, liricamente, feito com uma sucessão de histórias com as quais todos nós nos identificamos facilmente, já que certamente, apropriando-nos delas e dando-lhes um ou outro retoque, temos impressivos relatos de alguns momentos marcantes da nossa existência pessoal.

Assim, se Ry Cooder é, por exemplo, uma homenagem sentida de Callahan ao guitarrista de Los Angeles com esse nome e que já foi considerado um dos melhores da história da música contemporânea, em The Mackenzies conferimos o relato de alguém que tem um vizinho que sempre lhe suscitou enorme curiosidade e vontade de conhecer, faltando a coragem para a aproximação. Tendo um subito problema no carro, vê-se obrigado a contar com a sua ajuda, nascendo assim uma relação de amizade profunda entre duas pessoas que sempre se quiseram conhecer mas nunca conseguiram dar o primeiro passo e que envolve jantares em que abundam as trocas de experiências e memórias sobre o passado de cada um, nomeadamente as relações que ambos têem com os seus filhos. Depois, se Protest Song versa sobre a experiência pouco enriquecedora que é, na generalidade, visualizar nos dias de hoje televisão, já Another Song descreve aquele magnetismo de um casal que anseia pelo momento do reencontro

Disco com uma notável componente narrativa e que comprova, com enorme mestria e refinadíssima acusticidade, a superior capacidade interpretativa de Callahan aos comandos de uma viola, mas sem deixar de conter também instrumentação sofisticada e plural, Gold Record foi idealizado por uma espécie de trovador da era moderna, que sussura contos pessoais, enquanto comunica directamente connosco e, ao mesmo tempo, parece que fala consigo próprio. Espero que aprecies a sugestão...

Bill Callahan -  Gold Record

01. Pigeons
02. Another Song
03. 35
04. Protest Song
05. The Mackenzies
06. Let’s Move To The Country
07. Breakfast
08. Cowboy
09. Ry Cooder
10. As I Wander

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publicado por stipe07 às 16:42

Time For T - Simple Songs for Complicated Times EP

Sexta-feira, 04.09.20

Gravado, de acordo com a própria banda, durante o mais recente período de confinamento resultante da situação pandémica global e com início numa caravana que assentou arraiais nos arredores de Lagos, Simple Songs For Complicated Times é o novo EP dos Time For T, um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton. Na sua génese está Tiago Saga, um jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis e que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor, Felipe Bastos e Juan Toran, os seus parceiros nestes Time For T.

Time For T antecipa edição de EP com “Qualquer Coisa” – Glam Magazine

Simple Songs for Complicated Times foi pensado, inicialmente, para ser uma coleção de canções feitas apenas com voz e guitarra, mas Saga acabou por pedir aos outros membros da banda e a alguns amigos que se encontravam em quarentena, para adicionarem as suas partes, porque cada um tinha a possibilidade de gravar em casa. O resultado é um tomo de canções feitas em português, inglês e espanhol e que nos cativam quase instantaneamente, não só porque, sonoramente, é um registo radiante, repleto de luminosas cordas,  

Aquela viola que ciranda por Fire On The Mountain, uma composição cuja crueza e imediatismo acústicos nos obrigam a fazer um sorriso fácil de orelha a orelha, a doce intimidade convidativa e sincera que plasma Brighton (Clumsy), o divertido aconchego de Manteiga, um tema que fala da experiência pessoal de Tiago por voltar a viver em Portugal e, paralelamente, daquela situação onde todos nós já nos encontramos, quando estamos sem tempo ou energia para fazer tudo aquilo que queremos e o minimalismo reconfortante, asim como o violino eloquente de Qualquer Coisa, um tributo à vida boémia, em toda a sua glória e comédia trágica, contendo uma lista de observações da vida em Portugal, mais concretamente em Lisboa, na altura dos Santos. são momentos maiores de um alinhamento que, no geral, balança num timbre luminoso de diversas cordas que se entrelaçam harmoniosamente com um jogo vocal repleto de interseções, uma salutar acusticidade, que nos oferece, de modo particuarmente impressivo e como a própria banda com clareza define bem melhor do que nós, um cardápio sonoro eclético que se abre em leveza aos hemisférios e meridianos, trazendo as praias, as florestas e os desertos à humanidade. Uma viagem imperdível à incandescência da música livre. É mesmo isto. Espero que aprecies a sugestão...

 

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publicado por stipe07 às 14:19

Born Ruffians – 30th Century War vs Albatross

Quinta-feira, 03.09.20

Os Born Ruffians de Luke Lalonde, Mitch DeRosier e Steve Hamelin provam estar no momento maior de forma de uma já irrepreensível e astuta carreira de quinze anos, uma evidência que ficou bem assente nas nove canções de Juice, o sexto e novo disco deste projeto canadiano e que chegou aos escaparates na passada primavera. Este momento de elevada criatividade acaba de ser reforçado com o anúncio surpreendente de um novo álbum dos Born Ruffians já para outubro, um trabalho intitulado Squeeze, escrito e composto durante o período de confinamento e do qual já se conhecem dois dos seus temas, 30th Century War, canção que abre o alinhamento do registo e Albatross.

BORN RUFFIANS

Assim, se 30th Century War é uma ritmada e divertida canção, assente em exuberantes cordas, das quais sobressai o timbre metálico reluzente da viola e um riff de guitarra efusiante, já Albatross, uma composição mais intimista e reflexiva e de elevado travo Radioheadiano, vale pela delicadeza dos seus arranjos, principalmente os que são assegurados pelos teclados, por uma secção de sopros que vai ganhando imponência e brilho à medida que o tema progride e, de um modo geral, pelo seu elevado cariz emocional. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:38

The Bright Light Social Hour – Jude Vol. II

Quarta-feira, 02.09.20

Jackie O'Brien, Curtis Roush, Edward Braillif e Zac Catanzaro são os The Bright Light Social Hour, uma banda sedeada em Austin, no Texas, e já bastante reconhecida no universo alternativo norte-americano, muito por causa dos excelentes concertos que costumam proporcionar, além dos discos, tendo já tocado em festivais míticos como Lollapalooza ou Austin City Limits. Jude Vol. II é o título do novo registo de originais do quarteto, oito canções que submergiram de um evento algo trágico e que marcou imenso o coletivo. Há cinco anos, depois de terem lançado Space Is Still The Place, o segundo album da carreira, os The Bright Light Social Hour viram Alex, o manager da banda e irmão de Jack, o vocalista, afundar-se num caos depressivo profundo, que culminou com um diagnóstico de desordem bipolar e o suicídio num lago em Travis, mesmo junto ao estúdio da banda. A partir daí, as novas canções do grupo e que fazem parte deste Jude Vol. II, contêm a marca desse evento e mesmo as que não abordam diretamente o mesmo, contêm uma indesmentível espiritualidade e travo a algo de transcendente e profundamente marcante.

BrightLightSocialHr (@tblsh) | Twitter

Foram dezoito as composições que a banda levou para Los Angeles, em novembro de dois mil e dezassete, para os míticos estúdios Sunset Sound, onde os The Doors ou Prince, entre outros gravaram alguns dos discos mais improtantes da sua carreira. Com a ajuda do produtor Chris Coady (Beach House, Slowdive, Yeah Yeah Yeahs), selecionaram o núcleo duro desse novo catálogo, aprimoraram-no e incubaram um registo de catarse e esperança, um álbum que faz a cura de toda a angústia e dor que o grupo teve de suportar e superar por causa da partida precoce e inusitada de um dos seus membros, não músico.

De facto, Jude Vol. II é mais uma prova concreta de como grandes tragédias podem motivar superiores criações artísticas. Todas as oito composições do registo são belíssimos instantes sonoros, que resultam de uma agregação bem sucedida de alguns dos melhores detalhes identitários do shoegaze, do indie rock, da electrónica e do alt-pop, um caldeirão sonoro que se fundiu num som amplo, robusto, bastante charmoso e tremendamente identitário, sendo difícil encontrar outros grupos e projetos comparáveis ou que sejam facilmente identificáveis como sendo influências vincadas destes The Bright Light Social Hour.

Logo no baixo imponente que marca a batida que induz a psicadélica You Got My Feel e no modo como a guitarra e o sintetizador vão adicionando diversos entalhes e arranjos, fica bem omnipresente toda a trama sonora vibrante, intensa e mística que marca todo o disco. Depois, o forte pendor experimental e lisérgico, rematado por um solo de guitarra esplendoroso e um registo rítmico intenso, em So Come On, o groove insinuante da percurssão e do riff de guitarra hipnótico que marca o clima pop da dançável Enough, o travo mais roqueiro e rugoso de Mexico City Blues, a melancolia que transpira em todos os segundos da experimental Ouroboros' 20 e o tom épico e faustoso de Feel U Deep, mostram-nos não só o elevado leque de estilos que Jude Vol. II abraça, mas também a materialização feliz de uma jornada preconizada por quatro músicos que transpuseram com incrível mestria a mistura agridoce de beleza avassaladora e perda terrível, que inundou as suas vidas recentes.

Em suma, Jude Vol.II é uma joia psicadélica absoluta, um trabalho impressionante, celebrando tudo o que existe de bom numa banda que bateu no fundo da forma mais dura que se pode imaginar, mas que tem muito de bom guardado dentro de si e que encontrou uma extroardinária forma de nos mostrar, tenhamos nós a predispoção que estes The Bright Light Social Hour claramente merecem, um discos fundamentais de dois mil e vinte. Espero que aprecies a sugestão...

The Bright Light Social Hour - Jude Vol. II

01. You Got My Feel
02. So Come On
03. Enough
04. Mexico City Blues
05. Ouroboros ’20
06. Feel U Deep
07. Aegean Mirror
08. Revolution Thom

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publicado por stipe07 às 14:04

Zero 7 – Shadows

Terça-feira, 01.09.20

Seis anos após o EP Simple Science, e cinco depois de EP3, os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, estão de regresso com um novo EP intitulado Shadows, que também serve para apresentar o novo vocalista principal da banda de Sam Hardaker e Henry Binns, o cantor britânico Lou Stone. Já agora, recordo que os Zero 7 não lançam um disco desde o já longínquo Yeah Ghost de dois mil e nove.

Zero 7 Announces Shadows EP, First New Record in Five Years for October  2020 Release and Shares Title Track - mxdwn Music

Este EP Shadows irá ver a luz do dia a vinte e três de outubro e dele já se conhece o tema homónimo, uma composição assente num registo muito quente e a apelar à soul, uma canção que exala aquele charme típico da dupla e que reforça o ambiente fashion que sempre caraterizou os Zero 7. Juntamente com a divulgação do single homónimo do EP, foi também dado a conhecer o vídeo do mesmo, realizado por Julian House que, recordo, foi quem criou o artwork espetacular de Simple Things, o álbum de estreia dos Zero 7, que comemora no próximo ano vinte anos de existência. Confere...

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publicado por stipe07 às 21:04


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