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Golf Alpha Bravo – The Sundog

Quarta-feira, 15.07.20

Chega da Austrália um dos discos mais interessantes e convidativos deste início de verão. Chama-se The Sundog, é o registo de estreia da carreira a solo de Gab Winterfield, guitarrista e vocalista dos Jagwar Ma e foi editado pela própria etiqueta do músico, a Treasured Recordings Label. The Sundog contém onze canções e no regaço delas viajamos espacial e temporalmente, até à melhor herança do rock psicadélico setentista, uma epopeia pincelada com impressivos tiques do melhor jazz e do melhor blues que são possíveis conferir na história mais recente da música contemporânea, uma espécie de surf blues inspirado pelas vivências pessoais de Gab durante a sua infância e adolescência na zona costeira australiana perto de Sidney, onde cresceu.

Jagwar Ma's Gab Winterfield shares debut solo album as Golf Alpha ...

The Sundog é um daqueles discos que se escutam com o mesmo prazer com que se encosta uma concha ao ouvido e se finge que durante esse ato tão simples, mas também simbólico, se consegue escutar todo o vasto oceano que está defronte de nós e os seres que nele habitam e que stornam, através desse ato tão simples, nossos amigos e confidentes. Se nos Jagwar Ma Gab viajou pelo mundo inteiro, cantou em Coachella ou Glastonbury e conheceu o lado mais frenético daquilo que é a vida cheia e confusa de uma pop star, The Sundog funciona para o autor como um disco de recolhimento, uma tentativa de regresso à terra, às origens e à simplicidade onde cresceu e que o moldou. E de facto, os trinta e oito minutos do disco são bem sucedidos nessa função de auto recolhimento. Para o ouvinte também podem causar resultados similares já que se trata de um registo descomplicado e prazeirento. Nele, à boleia de explorações sonoras eminentemente minimalistas, feitas apenas com o baixo, a viola e a bateria, são criados pontos de interseção seguros e estreitos entre o rock e o jazz, sempre com uma toada eminentemente lo fi e psicadélica, que até nem dispensou alguns artifícios caseiros de gravação. O resultado tanto leva a nossa mente a viajar pela imensidão cósmica, como a embrenhar-se nas profundezas da nossa célula mais minúscula, sendo o disco perfeito para tratar da necessidade primária que todos nós temos, de longe a longe, fugir ao ritmo alucinante desta modernidade que nos absorve, enquanto acende nos nosso corações algumas fogueiras em redor das quais nos sentamos juntamente com todas as faces da nossa individualidade, com o propósito claro de encontrar as melhores saídas para os dilemas que nos afligem ou, simplesmente, usufruir da companhia de todas as vertentes do nosso eu.

The Sundog provoca, de imediato, um sorriso inconsciente, porque não só se escuta de um só travo, quase sem se dar por isso, mas também porque está recheado de canções otimistas, alegres e, sem deixarem de ter o indispensável conteúdo reflexivo e intimista que está sempre subjacente a um alinhamento que quer deixar uma marca enquanto se debruça sobre alguns dos dilemas existenciais típicos da adolescência, sejam eles mais ou menos incisivos no modo como regem a nossa presença neste mundo.

Assim, e olhando de modo mais concreto para as canções de The Sundog, se Stuck Being Me é uma daquelas composições que automaticamente nos colocam a refletir acerca daquilo que é o nosso eu e se está tudo bem ou não com ele, já Unwind é o tema perfeito para nos deixar a divagar, enquanto nos deixamos seduzir por uma brisa leve e aconchegante que nos leva sabe-se lá para onde. Já completamente absorvidos por um início de alinhamento tão intenso e incandescente, levamos um soco no baixo ventre quando entra pelos nossos ouvidos o baixo narcótico em que navega Blue Wave, canção que, quanto a mim (e como ninguém vai ler isto, posso dizê-lo abertamente), tem na sua génese tudo para ser sexualmente bastante apelativa e funcionar como um verdadeiro e eficaz estimulante. Na verdade, quer esta Blue Wave, quer a mais espraiada Rainbow Island, parecem uma espécie de parelha inseparável, dois temas que se enrolaram sem apelo nem agravo, envoltos numa sonoridade que faz com que pareçam ter estado presas num qualquer transítor há várias décadas e que finalmente libertadas com o aconchego que a evolução tecnológica destes dias permite, ficaram disponíveis algures num assento almofadado virado para uma solarenga praia, no início daquela madrugada que todos vivemos uma vez na vida, ou na cama mais confortável lá de casa, com vista para um vasto oceano de questões existenciais, que entre o arrojado e o denso, oferece-nos uma estadia de magia e delicadeza invulgares.

Até ao final aguardam-nos muitas outras surpresas e instantes de difícil mas bastante acessível e recompensadora catalogação sonora, que experimentados à boleia do hipnótico cinismo de Comet Loop, da simplicidade crua e boémia de Love In The Clouds e da exuberância e majestosidade de Groove Baby Groove, permitem-nos a absorção plena e dedicada de uma assumida quietude algo celestial, onde o retro se confunde com charme, uma simbiose à qual é impossível ficar indiferente, até porque se situa num patamar superior de abrangência.

The Sundog tem aquele groove que não deixa ninguém indiferente e um conteúdo, quer lirico, quer instrumental, suficientemente sólido para oferecer ao ouvinte uma experiência auditiva particularmente marcante e imersiva, mas também para o fazer sentir-se rodeado de sensações amenas e relaxantes É, no fundo, uma mistura equilibrada, sóbria e bem sucedida entre o passado e o presente e uma épica jornada de conforto e prazer perfeita para um verão que exige festa e alegria incontrolados, mas também períodos de recolhimento e revisão pessoal. Espero que aprecies a sugestão...

Golf Alpha Bravo - The Sundog

01. Stuck Being Me
02. Unwind
03. Blue Wave
04. Rainbow Island
05. Groove Baby Groove
06. Love In The Clouds
07. Mo’ Clouds
08. Golden Deep
09. Comet Loop
10. Night Glow Drip
11. Dream Baker

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publicado por stipe07 às 15:48

Into It. Over It. – Living Up To Let You Down

Terça-feira, 14.07.20

Into It. Over It. - Living Up To Let You Down

O projeto norte-americano Into It. Over It. liderado por Evan Thomas Weiss, já tem disco novo pronto, um trabalho intitlado Figures, que irá ver a luz do dia a dezoito de setembro próximo à boleia do consórcio Triple Crown/Big Scary Monsters. Figures sucede a Standards, sendo o primeiro trabalho da banda de Chicago em quatro anos, período durante o qual Weiss este ocupado com o seu outro projeto Pet Symmetry.

Living Up To Let You Down é o primeiro single divulgado de Figures, um efusiante tratado de emo rock, assente em arranjos de cordas subtis, guitarras aceleradas e uma bateria com um andamento imparável, mesmo com instantes de pausa, um modus operandi tremendamente nostálgico, levando-nos até à melhor herança de um subgénero do rock que marcou de modo indelével e bastante impressivo a última década do século passado e que também pode ter um lado mais solarengo e tremendamente pop. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:56

The Radio Dept. – You’re Lookin’ At My Guy vs Could You Be The One

Segunda-feira, 13.07.20

Lund, na suécia, é o poiso da dupla The Radio Dept., que nos tem deixado a salivar desde que em dois mil e três lançou o excelente álbum Lesser Matters, ao qual se sucederam mais cinco excelentes registos e, em dois mil e dezoito, duas canções avulsas, Your True Name e Going Down Swinging, que não faziam parte do alinhamento de Running Out Of Love,  o álbum que a banda lançou em dois mil e dezasseis e o último longa duração do projeto. Agora, durante dois mil e vinte e sem aviso prévio, Johan Duncanson e Martin Larsson, começaram a oferecer-nos alguns temas avulsos, que poderão muito bem, no final da saga, resultar num novo trabalho dos The Radio Dept., ainda este ano, uma suspeita que carece da tão aguardada confirmação oficial.

The Radio Dept. estrenan “Could You be the One” y versionan “You ...

Assim, se em fevereiro os The Radio Dept. começaram por nos oferecer The Absence Of Birds, um maravilhoso tratado de dream pop, no mês seguinte chegou aos nossos ouvidos You Fear The Wrong Thing Baby, composição com uma letra que fala sobre um hipotético ocaso da humanidade tal como a conhecemos, criticando o conservadorismo e o capitalismo dominantes (In the end time to end all end times, Still can’t keep everyone down, Some hijackers will prove the shackles, Are wasted on the young), uma canção, simultaneamente negra e tocante, muito por causa de um baixo vigoroso e de uma deliciosa guitarra, sabiamente escolhida para sustentar uma melodia de onde sobressai uma subtil dose de delicadeza e frenesim.

Agora, em pleno estio, somos convidados a contemplar um lançamento em formato de sete polegadas dos The Radio Dept., com dois temas. O lado a contém o tema You're Looking At My Guy, uma versão de um original das Tri-Lites datada de mil novecentos e sessenta e quatro e que nos é aqui oferecida num invólucro pop dominado por um frenesim de cordas embrulhadas numa roupagem fresca, vibrante e festiva. Quanto ao lado b, contém a canção original Could You Be The One, tema repleto de luminosidade, graças a efeitos borbulhantes e a um aditivo timbre metálico no efeito da guitarra, detalhe que é já imagem de marca dos The Radio Dept.. Confere...

The Radio Dept. - You're Lookin' At My Guy

01. You’re Lookin’ At My Guy
02. Could You Be The One

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publicado por stipe07 às 14:29

Future Islands – For Sure

Sexta-feira, 10.07.20

Future Islands - For Sure

Pouco mais de três anos depois do excelente registo The Far Field, à época o quinto registo de originais dos Future Islands, este projeto norte-americano de Baltimore está de regresso com For Sure, uma nova canção que conta com a participação especial vocal de Jenn Wasner dos Wye Oak, nos coros.

For Sure é um portento de epicidade que faz juz à estética sonora habitual do grupo, um tema que olha de modo guloso e anguloso para a pop sintetizada oitocentista, movida a néons e plumas, mas que também não descura um olhar em frente, ao abarcar detalhes e arranjos que definem muita da melhor eletrónica que se vai escutando atualmente.

O lançamento de For Sure não foi acompanhado da divulgação de um novo disco dos Future Islands, mas parece credível que tal venha a suceder ainda este ano até porque a banda liderada por Samuel Herring, um agitador nato, fabuloso dançarino e um dos melhores frontmen da atualidade, tocou em setembro do ano passado novas canções num concerto em Northampton, no Massachusetts, no país natal. Confere... 

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publicado por stipe07 às 22:15

Josh Rouse – Most Of The Time vs I Miss You

Quarta-feira, 08.07.20

Josh Rouse - Most Of The Time

Natural de Nashville, no Nebraska, Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso com Most Of The Time, um novo tema lançado em formato single, juntamente com o b side I Miss You. De acordo com o próprio Josh Rouse, esta sua dupla novidade é uma reflexão pessoal sobre as temáticas do isolamento e da solidão e de como podemos encontrar conforto e alívio no caos, ideias que saltaram para a ordem destes tempos devido ao período pandémico que todos conhecemos.

Assim, se Most Of The Time oferece-nos pouco mais de dois minutos de pueril acusticidade intimista e climática, que nos possibilita usufruir de uma sensação reconfortante de proximidade e de fulgor, já I Miss You é um portento de luz e cor, uma lindíssima balada onde torna-se impossível não olhar para o nosso íntimo e não sentirmos inspiração suficiente para enfrentarmos de frente a dor da saudade e alguém que nos é muito querido e que agora não vemos com a habitual constância, enquanto descobrimos a solução para certas encruzilhadas, uma resposta que estava mesmo ali, dentro do nosso peito, à espera desta canção para se revelar em todo o seu esplendor.

Dois temas algo díspares, mas que, cada um à sua maneira, obedecem à habitual receita de Josh Rouse; uma enorme sensibilidade melódica assente em esplendorosas cordas e nos arranjos típicos da folk sulista norte americana, que dão as mãos para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música deste cantautor que nunca perdeu o espírito nostálgico e sentimental que carateriza a sua escrita e composição. Confere...

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publicado por stipe07 às 14:59

Sufjan Stevens - America

Terça-feira, 07.07.20

Sufjan Stevens - America

Desde o longínquo registo Carrie & Lowell , lançado em dois mil e quinze que o norte-americano Sufjan Stevens não lança um registo a solo. No entanto, o músico natural de Chicago não tem deixado de estar ativo, não só através da participação em outros projetos paralelos, com especial realce para o seu contributo fundamental no álbum Planetarium (2017), onde assinou os créditos com Bryce Dessner, Nico Muhly e James McAlister, mas também com a edição de alguns singles, a homenagem a patinadora Tonya Harding no tema com o mesmo nome, lançado no final de dois mil e dezassete e, o ano passado, em junho, mês que comemora o Orgulho LGTBQ, Sufjan Stevens ofereceu-nos, à boleia da Asthamatic Kitty, um EP com dois inéditos, Love Yourself e With My Whole Heart, duas assumidas canções de amor cuja parte das receitas obtidas foram oferecidas às organizações Ali Forney Center em Harlem, Nova Iorque e o Ruth Ells Center, em Detroit, no Michigan, que apoiam, respetivamente, a comunidade LGBTQ e crianças sem lar norte-americanas.

Agora, em dois mil e vinte, parece certo um novo disco de Sufjan Stevens, um trabalho intitulado The Ascension, do qual acaba de ser retirado o épico single America, uma jornada eletrónica climática e intimsta, mas também algo inquietante, feita de um psicadelismo eminentemente experimental, assente numa vasta miríade de efeitos, distorções de guitarra, interseções e arranjos que adornam uma composição bem à medida da imensidão e do silêncio que carateriza o vazio cósmico a que o músico de Chicago nos tem habituado ultimamente.

Liricamente, America são doze minutos de retórica reflexiva, mais ou menos racional e consciente, assente em várias menções alegóricas e até biblícas transpostas para o estado atual do seu país de origem, uma América que, como o próprio já referiu recentemente, o envergonha particuarmente (I’m ashamed to admit I no longer believe). Sufjan fala de uma América a correr vertiginosamente rumo ao apocalipse e de como essa constatação o atormenta e aflige particularmente (don’t do to me what you did to America ). Confere...

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publicado por stipe07 às 14:40

Birds Are Indie - Migrations – The Travel Diaries #1

Segunda-feira, 06.07.20

Já viu a luz do dia Migrations – The Travel Diaries #1, o quinto álbum dos conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, um registo de dez canções abrigadas pela Lux Records e que celebram a mesma quantidade de anos de um dos projetos nacionais mais queridos nesta redação, porque transmitem com as suas composições sonoras um rol de emoções e sensações únicas, sempre com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e geralmente com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa.

Birds Are Indie apresentam "Migrations - the travel diaries #1 ...

Migrations – The Travel Diaries #1 tem a curiosidade de ver a luz do dia em duas edições distintas, uma em CD que surgiu nos escaparates em abril e outra em vinil, que chegrá lá para setembro. Ambos os formatos contam com a revisita de cinco canções da discografia anterior da banda, reinterpretadas e regravadas no estúdio Blue House, em Coimbra, mais cinco originais.

Com mistura e masterização de João Rui, todos os temas de Migrations– The Travel Diaries #1 tiveram a participação no baixo e em algumas teclas do convidado especial Jorri (a Jigsaw), que também colaborou na gravação. Liderar esse processo, como habitualmente, ficou a cargo de um elemento da banda, Henrique Toscano e o mesmo aconteceu com o artwork e o design, feitos pela mão da Joana Corker, modus operandi muito semelhante a Local Affairs, o registo que os Birds Are Indie editaram há dois anos atrás.

Uma década parece uma eternidade mas é um facto que parece que foi ontem que este lindíssimo projeto conimbricense deixou em sentido os mais atentos com a edição do EP Love Birds, Hate Pollen, um tomo de cinco canções que nos ofereceram, desde logo, tonalidades pop vibrantes de primeira água, tendo como grande elementos indutor de imensa magia e encantamento, as cordas. A partir daí, registo após registo, os Birds Are Indie foram dando passos consistentes num percurso que até nos foi habituando a algumas inflexões e salutares piscares de olho ao rock, ao blues e ao jazz, mostrando que o trio está sempre atento às novas tendências e disposto a manipulá-las em proveito próprio, dentro daquela indie folk assente em cordas exuberantes, melodias aditivas e arranjos inspirados, uma fórmula que cria um ambiente emotivo e honesto e que nunca descura um elevado espírito nostálgico e sentimental, duas caraterísticas bastante presentes na escrita e na composição deste grupo.

The Travel Diaries #1 é, no fundo, um registo de balanço de todo este percurso estilístico e conceptual, um trabalho que vagueia e passeia por estes dez anos, mas que também nos oferece algumas pistas importantes acerca do futuro do projeto. O single Black (or the art of letting go), que foi selecionado há alguns meses para nos entreabrir a portas de The Travel Diaries #1 contém, de facto, essa marca viajante sendo, sonoramente, uma composição que, como os próprios Birds Are Indie descrevem, mostra uma determinação materializada num ritmo tenso e intenso, em guitarras sujas e teclados acutilantes, ou seja, que acaba por fazer uma espécie de súmula de tudo aquilo que foi inspirando o projeto no processo de composição e que depois, na letra, nos permite contemplar, no imediato, uma ironia gerada pelo contraste, algo tão característico dos Birds Are IndieNo refrão e a terminar a música, ouve-se repetidamente: «I never said it's over, I'll never say I want you back». E é nesta decidida indecisão que se inicia mais uma viagem...

Em suma, a simplicidade com que os Birds Are Indie transmitem um rol sensações particularmente vasto e sem se preocuparem com o modo como possam ser catalogados, é, talvez, o maior atributo deste grupo, que também impressiona pela graça como os seus membros combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção. Muitas vezes parece um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas acaba por ser bem sucedido porque, entre a pop luminosa de I won't take it anymore ou a nostalgia de Time to make amends, além do rock vintage sessentista de Needless to Say e o de cariz mais jazzístico, audível nas teclas do piano que conduzem The senior dancer, sem descurar alguns aspetos essenciais do american rock, claramente esplanados em We're not coming down e na refrescante e encantadora Instead of watching telly, somos presenteados com diversos piscares de olho à história do rock nas últimas décadas, havendo sempre espaço para o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto, conduzido por três inspirados músicos que se movem entre o preto, o branco e a cor, entre a luz e a sombra, entre a contenção e a explosão, entre a protecção oferecida pela tela e a crueza da máxima exposição. Espero que aprecies a sugestão...

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publicado por stipe07 às 10:18

Cold Showers – 07.13.19 Part Time Punks EP

Sábado, 04.07.20

Desde que teve inicio este período pandémico, a plataforma de divulgação e comércio digital sonoro bandcamp tem colocado em prática, em algumas sextas-feiras, uma iniciativa intitulada Bandcamp Friday Strikes Again, cujo objetivo é ajudar alguns artistas a suportarem melhor as percas que o Covid-19 acabou por provocar na sua vida profissional. O dia três de julho, que terminou há poucos minutos, foi palco de mais um capítulo dessa saga, com nomes como Nadja, Lambchop, Marissa Madler, ou os Cold Showers a publicarem alguns temas, em formato single, album ou EP, nessa plataforma.

Cold Showers – Dais Records

De todos estes nomes e lançamentos, acabou por chamar a atenção desta redação o EP 07.13.19 Part Time Punks, da autoria dos Cold Showers, banda formada há uma década ao sol da Califórnia e que o ano passado nos ofereceu o registo Motionless, que foi considerado o oitavo melhor álbum de dois mil e dezanove para este blogue.

Os cinco temas que fazem parte do alinhamento de 07.13.19 Part Time Punks EP foram gravados ao vivo, na data indicada no título, nos estúdios da rádio KXLU 88.9 FM. Nessa atuação, os Cold Showers misturaram novas versões dos seus singles Shine e Faith, momentos altos de Motionless, dando à efervescência da guitarra que conduz o primeiro e à monumentalidade instrumental e vocal do segundo, uma toada mais orgânica e visceral. Além disso, também revisitaram o clássico da banda Plantlife, incluído no disco Matter Of choice que os Cold Showers editaram em dois mil e quinze e, para rematar, ainda tocaram duas novas versões de Whatever You Want e Only Human, também momentos altos desse tomo com já meia década de vida.

Para quem só contactou com os Cold Showers devido a Motionless, este EP é uma excelente oportunidade para ficar com uma perceção mais ampla das vastas virtudes de um grupo exímio a navegar nas águas efervescentes daquela espécie de meio termo que fica entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia, interpretado de modo simultaneamente nostálgico e luminoso e sempre com elevado cariz progressivo. São cinco canções que firmam a solidez do post punk que trespassa o catálogo do grupo e oferecem ao mesmo um lustro mais pop e um cariz de maior abrangência. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Showers - 07.13.19 Part Time Punks

01. Only Human
02. Whatever You Want
03. Shine
04. Plantlife
05. Faith

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publicado por stipe07 às 00:27

Fontaines D.C. – Televised Mind

Quarta-feira, 01.07.20

Um dos discos mais aguardados em dois mil e vinte é, claramente, o novo trabalho dos irlandeses Fontaines D.C., uma das bandas mais excitantes do indie rock atual, um registo intitulado A Hero's Death e que será o segundo da banda de Dublin formada por Carlos O'Connell, Conor Curley, Conor Deegan III, Grian Chatten e Tom Coll, sucedendo ao espetacular registo de estreia do grupo, intitulado Dogrel, lançado o ano passado.

Produzido por Dan Carey, A Hero's Death irá ver a luz do dia no ocaso dia do próximo mês de julho pela Partisan Records e a semana passada, como certamente se recordam, foi destaque neste espaço o single homónimo e o tema I Don't Belong, duas amostras que fizeram por cá adivinhar, desde logo, um disco com onze enraivecidas canções, assentes num punk rock de elevado calibre e com uma forte toada abrasiva, como se exige a um projeto que sempre se fez notar, desde dois mil e dezassete, por uma filosofia estilística de choque com convenções e normas pré-estabelecidas.

Televised Mind, a nova canção que veio a público nas últimas horas do alinhamento de A Hero's Death, confirma e reforça tais impressões. A canção, com o adn típico dos Fontaines D.C., é um convite direto à dança e ao movimento, apelo assente em guitarras combativas e um registo percussivo vibrante e claramente marcado, tema que, de acordo com vocalista dos Fontaines D.C., Grian Chatten, reflete sobre a câmara de eco e como a personalidade é arrancada pela aprovação circundante. As opiniões das pessoas são reforçadas por um acordo constante e somos roubados da nossa capacidade de nos sentirmos errados. Nunca recebemos realmente a educação de nossa própria falibilidade. As pessoas fingem estas grandes crenças para parecerem modernas, em vez de chegarem independentemente aos seus próprios pensamentos.

Numa época do vale tudo, custe o que custar e seja contra quem for, os Fontaines D.C. parecem mais uma vez apostados em fazer mossa e agitar as mentes mais desprevenidas e incautas com composições plenas de chama nas veias e com um travo nostálgico em que a herança de nomes como os The Clash e os Ramones,  mas também os Suicide, os Nirvana e os The Beach Boys, se fazem notar com elevado grau de impressionismo. Confere...

Fontaines D.C. - Televised Mind

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publicado por stipe07 às 11:15


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