Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020

Indoor Voices - Animal

Foi há já quase uma década, em 2011, com Nevers e um ano depois com um EP intitulado S/T, que o projeto Indoor Voices de Jonathan Relph, chamou a atenção da crítica com um naipe de canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, que tiveram sequência há cerca de quatro anos com um outro EP, intitulado Auratic, que viu sucessor o ano passado, um registo de oito canções intitulado Gaslight Ephemera, que contou com as participações especiais vocais de Sandra Vu em Breathe, Barely, Kate Rogers em I'm Sorry, Maja Thunberg em Punch Me in the FaceAlways the Same e Shit World e ainda Alisha Erao em You're My. Agora, cerca de um ano depois dess registo, os Indoor Voices já têm um novo disco intitulado Animal, um alinhamento de dez composições masterizado por Simon Scott (Slowdive) e disponível no bandcamp do projeto.

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À semelhança da anterior discografia criada por Jonathan Relph, Animal flui, como se percebe logo em He Won't Fight, algures entre um aditivo intimismo e uma indisfarçável epicidade de forte cariz lo fi, carateristicas marcantes do adn de um projeto que tem como principais permissas uma elevada fluidez nas guitarras, sempre acompanhadas por um baixo vigoroso, uma bateria encorpada e uma vasta miríade de entalhes sintéticos, um cardápio sonoro que sustenta a dinâmica natural de temas que não receiam assumir uma faceta algo negra e obscura, para criar um cenário musical implicitamente rock, que em Less Problems Of Joy toca nas bordas do krautrock e em No One, num espetro mais punk, tudo esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Este desígnio é logo audível, como referi, no primeiro tema do registo, um enleante instrumental, mas também na intrigante atmosfera nublosa do tema homónimo e burilado com louvável sensibilidade no clima etéreo de Better, uma composição de forte cariz orquestral, onde deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa e única. Depois, o clima mais progressivo de Heart é outro exemplo feliz do modo como nestes Indoor Voices conseguem, através do sintetizador, uma simbiose entre shoegaze e post rock, sensação amplificada com superior requinte na cosmicidade pop de I'm Just Fine e feita, neste caso, sem excesso de ruído ou de modo demasiado experimental, apesar do cariz pouco imediato e radiofónico não só desta, mas também das restantes composições do registo.

Na verdade, todos os temas de Animal têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Há uma sonoridade muito implícita em relação à herança da melhor pop dos anos setenta e oitenta e destacam-se os belos instantes sonoros em que a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, criando uma atmosfera geral contemplativa e que atinge um elevado pico de magnificiência em Always All Ways, o meu destaque maior do trabalho, uma sinuosa e eloquente canção, difícil de desbravar, mas tremendamente narcótica. 

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto cada vez mais sedutor e de um Jonathan Relph cada vez mais sábio e abrangente, Animal exala o contínuo processo de transformação de uns Indoor Voices que procuram sempre mostrar, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Indoor Voices - Animal

01. He Won’t Fight
02. Better
03. I’m Just Fine
04. Heart
05. Wrong Wrong Wrong
06. Always All Ways
07. They Hang Around
08. Animal
09. Less Problems Of Joy
10. No One


autor stipe07 às 11:52
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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020

Mush - 3D Routine

3D Routine marca a estreia em formato longa duração dos britânicos Mush, uma banda oriunda de Leeds e liderada por Dan Hyndman, ao qual se juntam Nick Grant (baixo), Tyson (guitarra) e Phil Porter (bateria). É um registo de doze canções que sucede ao aclamado EP Induction Party, editado em maio do ano passado e que, abrigado pela chancela da insuspeita Memphis Industries, nos oferece um indie rock de primeira água, com aquele travo genuíno e sincero que quase sempre podemos saborear em discos de estreia criados por grupos com uma sede enorme de mostrarem que merecem uma posição de relevo no universo sonoro em que pretendem gravitar e que, neste caso, assenta na melhor herança do rock alternativo que marcou as duas décadas finais do século passado, com os Pavement como referência assumidamente fundamental do quarteto.

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Cruzando linhas entre a crítica social, o existencialismo banal e um certo surrealismo abstrato, apimentado com uma interessante dose de ironia, 3D Routine é um disco que tem na guitarra a personagem principal, assumindo-se como o arquétipo maior de canções que têm, no seu todo, aquele travo indie clássico, mas que se forem analisadas à lupa, contêm uma notável abrangência; Do blues ao rock progressivo, passando pelo garage, o grunge e o punk lo fi, tudo cabe.

Logo em Revising My Fee, na batida das baquetas, na distorção da guitarra e no tom deliciosamente desleixado da voz, percebemos esta opção estilística, num tema tenso e progressivo que serve na perfeição para abrir um alinhamento que será um constante jogo do empurra entre banda e ouvinte, que tem de estar em permanente alerta e firme para perceber e opinar acerca daquilo que os Mush têm a dizer, geralmente de punho cerrado e sem riscar a azul partes de vocabulário.

A partir desse prometedor e imperial início de alinhamento, somos constantemente bombardeados com canções onde, sempre sob domínio das guitarras, o baixo e a bateria conjuram entre si, em conjunto ou à vez, para criar um som que pode parecer à primeira vista caótico, mas que é sempre um agregado de ruídos e arranjos calculado. Do alinhamento sobressai pela diferença, além do tema inicial já referido, o falso intimismo saloio de Existential Dread e o mais jingão de Fruits Of The Happening, o clima festivo de Eat The Etiquette, o travo boémio e enfumarado de Coronation Chicken e a intensidade musculada de Island Mentality.

Gravado com a ajuda de Andy Savours (Dream Wife, Our Girl, My Bloody Valentine), nos estúdios Green Mount, em Leeds, 3D Routine é uma estreia em cheio dos Mush, muito por culpa de um som simultaneamente poderoso e agressivo, mas também franco e honesto, com uma positividade contagiante e uma postura anti-sistema que impressiona pela objetividade e, principalmente, pelo grau de proximidade que se estabelece, ao longo do alinhamento, entre grupo e ouvintes. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 18:45
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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Clock Opera - Carousel

Já chegou aos escaparates Carousel, o terceiro e novo disco dos Clock Opera,  sucessor do muito recomendável registo Venn, lançado há quase dois anos. Carousel foi gravado nos próprios estúdios da banda em Londres, sendo um compêndio de pop futurística inspirado em autores de bandas sonoras de filmes de ficção científica, como Jerry Goldsmith ou Mica Levi.

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Esta banda britânica liderada por Guy Connelly olha com uma certa gula para a herança da pop da década de oitenta do século passado, aquela pop burilada com sintetizadores repletos de cosmicidade, cercados por guitarras planantes e repletas de eco e baixos rugosos e cerrados. Com esta receita arquitetam canções diretas, com pouco mais de três minutos e que se esfumam com uma velocidade estonteante, rematadas por um falsete que lembra Chaplin dos Keane, a nostalgia dos Coldplay e uma densidade sonora muito próxima do shoegaze.

Carousel contém, de facto, esta mistura louvável, deliciosa e aditiva, como se percbe logo em Be Somebody Else, composição onde uma bateria marcante e vários efeitos eletrónicos, ajudaram a criar um tema viciante e particularmente luminoso. Depois, o eslendoroso piano que afaga a batida minimalista que conduz o melancólico tema homónimo, a inquietude permanente a que sabem os flashes sintetizados e as teclas insinuantes de Run, o curioso travo R&B de I Surrender e o modo intenso como em Imaginary Nation os samples eletrónicos são processados e recortados numa frequência absurda e com o registo em falsete da voz de Guy Connelly a atingir uma elevada bitola, num belíssimo momento sonoro que nos envolve num turbilhão contagiante de emoções, são peças fundamentais de um álbum verdadeiramente intenso e vertiginoso, nuances que garantem o tal clima cinematográfico algo retro que sustentou a filosofia estilística de Carousel. O travo negro e intimista inicial de Algorithm e que acaba por resvalar para um portento de rugosidade sintética e a sumptuosa nuvem de efeitos e que definem Last Thing First, rematam com enorme fulgor e realismo esta intensão declarada de um registo único no panorama musical deste primeiro terço de dois mil e vinte, criado por uns Clock Opera que levam uma década de existência, sem mostrarem sinal de desgaste ou de déficit criativo. Aliás, Carousel acaba por deixar pistas bastante interessantes sobre o possível futuro artístico do projeto. Espero que aprecies a sugestão...

Clock Opera - Carousel

01. Be Somebody Else
02. Carousel
03. Run
04. Imaginary Nation
05. Howling At The Moon
06. I Surrender
07. Algorhythm
08. Snake Oil
09. Super Blue Blood Moon
10. Last Things First


autor stipe07 às 17:40
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Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2020

Anibal Zola - Vida de Cão

Nascido na Invicta cidade do Porto há trinta e sete anos, Aníbal Zola apaixonou-se pela música e pela interpretação muito cedo. Ainda criança já tocava piano, mas no início da juventude ingressou na Valentim de Carvalho onde estudou guitarra clássica. Começou a tocar baixo eléctrico de forma autodidacta aos dezasseis anos tendo começado a ter aulas aos dezoito com o professor Helder Mendonça e um ano mais tarde, na Escola de Jazz do Porto com o professor João André Piedade durante três anos. Neste período, estudou engenharia civil na FEUP e fez parte do projecto musical Pay Per View?.

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No final da década passada, motivado pelo crescente interesse na improvisação e na composição baseada na escrita de canções, regressa à Escola de Jazz do Porto desta vez para estudar contrabaixo com o professor João André Piedade e Pedro Barreiros. Fez parte de um combo que participou na Festa do Jazz do S.Luiz em dois mil e onze, ano em que é admitido na ESMAE no curso de Jazz. Terminou a licenciatura em Contrabaixo/Jazz em Julho de dois mil e catorze na ESMAE onde teve a oportunidade de aprender e trabalhar com António Augusto Aguiar, José Carlos Barbosa, Florian Pertzborn, Nuno Ferreira, Michael Lauren, Mário Santos, Carlos Azevedo, Pedro Guedes, Abe Rabade, Telmo Marques, Jeffrey Davis, entre outros.

Actualmente faz parte dos projectos Palankalama, Les Saint Armand, Projecto Ferver e Carol Mello, além do seu projeto a solo Aníbal Zola, que se estreou nos discos há dois anos com Baiumbadaiumbé, um registo com um som muito particular onde se podem sentir influências da música brasileira nordestina, elementos plásticos que remetem à música de Tom Zé e ao tropicalismo brasileiro, algum rock e alguma folk anglo saxónica.

Agora, em dois mil e vinte, Aníbal Zola regressa aos discos com Amortempo, dez canções sobre o amor, a morte e o tempo, um registo escrito em português e com uma abordagem musical de busca de identidade. De acordo com o press release de lançamento, é um trabalho que resulta do desejo de juntar o contrabaixo e a voz a um conjunto generoso de participações de outros músicos extremamente talentosos que têm vindo a cruzar-se com Aníbal Zola. Procura essencialmente fundir música portuguesa com música latino americana e dá, com frequência, espaço para a improvisação. As letras não são mais do que as próprias inquietações do artista que se espelharam em temas já muito explorados pela humanidade, e que, em Aníbal Zola, surgiram através de um processo bastante inocente.

De amortempo acaba de ser revelado o single Vida de Cão, uma música frenética tal como é a vida da maior parte de nós. A letra é fundamentalmente instintiva e pouco pensada, tentando misturar os sentidos da visão, olfato e audição de uma forma nervosa e desequilibrada,  representando o comportamento selvagem de um cão. Além disso fala de tudo e não fala de nada. Há quem diga que é o chico fininho dos cães. No vídeo da canção, o cão de Aníbal Zola é protagonista numa viagem em alvoroço pela cidade e a filmagem, tal como a música, também é descomplexada. Confere Vida de Cão e os próximos concertos do artista...

29 Fevereiro/ Porto, CCOP – Apresentação do disco com presença de todos os participantes 13 Março/ Vermil, Centro e laboratório artístico Clav Live Sessions – Concerto a solo

14 Março/ Amarante, 3 Mini Festival de Artes – Concerto a solo

19 Março/ Lisboa, Clube Ferroviário – Concerto em trio

30 Maio/ Ciclo Fora de Portas na Adega Cooperativa, Arruda dos Vinhos

12 Junho/ Setúbal, Casa da Cultura – Concerto em trio

Facebook https://www.facebook.com/anibalcbvoz/

Instagram https://www.instagram.com/anibalzola/

Bandcamp https://anibalcbvoz.bandcamp.com

YouTube https://www.youtube.com/user/zenibeirao

Spotify https://open.spotify.com/artist/5YN3Sf9fbfdaRG1NSouCIL?si=KkrguNuVTFuseqxJXt8D2A


autor stipe07 às 17:21
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Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020

Foreign Fields – Don’t Give Up

Eric Hillman e Brian Holl são os Foreign Fields, uma dupla norte americana, natural de Nashville, que se tem notabilizado desde dois mil e doze, quando se estrearam com o registo Anywhere But Where Am I, uma consistente coleção de treze canções construídas com fino recorte e indesmentível bom gosto. Take Cover, o segundo longa duração do projeto, lançado no final de dois mil e dezasseis, assumiu-se como o lógico passo em frente desse glorioso percurso inicial, um disco assente em canções bastante emotivas e incisivo a expôr os dilemas e as agruras da vida comum à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar.

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Agora, quando ainda se abrem as cortinas de dois mil e vinte, Take Cover tem finalmente sucessor anunciado. The Beauty Of Survival será o terceiro álbum da dupla, um trabalho que tem em Don't Give Up, um dos temas já divulgados, uma composição que assenta num rugoso dedilhar acústico da guitarra, em redor da qual diferentes texturas e arranjos, proporcionados por teclas e diversos elementos percurssivos,de sopros e um agridoce registo vocal, no qual se inclui uma belíssima segunda voz, plena de emotividade e nostalgia. Uma sedutora e pueril canção, ideal para contrabalançar estes dias mais negros e conturbados em que vivemos. Confere...

Foreign Fields - Don't Give Up


autor stipe07 às 14:01
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Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020

The Strokes – Bad Decisions

The Strokes - Bad Decisions

Finalmente já tem sucessor anunciado Comedown Machine, o álbum com atitude e cheio de melodias rock com riffs imparáveis, que em dois mil e treze colocou os The Strokes de Julian Casablancas, Nick Valensi, Nikolai Fraiture, Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti novamente no caminho certo rumo ao pódio do indie rock  e ao espantoso legado sonoro que ajudaram a criar a partir do longínquo ano de dois mil e um com o memorável Is This It.

The New Abnormal é o título do sexto e novo disco deste coletivo nova iorquino ainda fundamental, portanto, no universo musical indie punk rock, um alinhamento de nove canções produzido por Rick Rubin e que irá ver a luz do dia a nove de abril próximo, à boleia da Cult Records.

Depois de há poucos dias termos tido a possibilidade de contemplar pela primeira vez At The Door , uma longa canção, algo anormal nos The Strokes, assente numa melodia sintetizada de forte cariz retro e que casava bem com a voz de Casablancas, que volta a evidenciar elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um elevado plano performativo, agora chega a vez de nos deliciarmo-nos com Bad Decisions, o segundo single retirado de The New Abnormal, um exuberante tratado de indie rock, festivo, luminoso e dançante, mais consentâneo com a herança do grupo, já que assenta no famoso efeito metálico metálico das guitarras, que é uma imagem de marca inconfundível dos The Strokes. 

Destaque também para o vídeo do tema, um filme assinado por Andrew Donoho e que nos oferece uma visão bastante curiosa do quinteto, numa versão retro. Confere Bad Decisions...


autor stipe07 às 13:59
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Tame Impala – The Slow Rush

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, aos discos com The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush viu a luz do dia à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

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Banda fundamental daquele prisma sonoro em que eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop, há mais de uma década que os Tame Impala refletem essa permissa para a exploração de um universo muito pessoal e privado de Kevin Parker, o grande mentor do projeto. E fazem-no situando-se na vanguarda das propostas musicais dessa área, mas também com um forte pendor nostálgico, também uma das inconfundíveis pedras de toque da discografia dos Tame Impala, nuance que começou por olhar com gula para o período setentista, mas que mais recentemente tem apontado baterias à década seguinte.

Ora, este último travo amplifica-se em The Slow Rush, um trabalho que se mantém, portanto, na peugada eminentemente oitocentista que marcou o antecessor Currents, uma filosofia estilística idealizada, como já disse, quase única e exclusivamente por Parker e que, mais do que nunca, é hoje feita de constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se juntam um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental única.

Excelentes exemplos dessa guinagem profunda oitocentista estão bem audíveis no vistoso e exuberante jogo entre o orgânico e o sintético que é possível contemplar em Gilmmer, no cósmico charme de Breathe Deeper e na daftpunkiana Is It True, com o apontar de novas pistas futuras, burilado em temas como Lost In Yesterday, canção sobre as nossas memórias, principalmente as menos felizes e a dificuldade natural que todos sentimos para exorcizar alguns demónios que nos atormentam por causa de eventos passados, ou Phostumous Forgiveness, longa e estratosférica canção, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas e que flui de modo homogéneo e no universo próprio da banda e da sonoridade em que se insere, rebocada pela mestria vocal de Parker e pela multiplicidade de efeitos que cria com a guitarra elétrica, assim como o groove que oferece ao tema o baixo e uma habilidade inata do grupo no manuseamento dos sintetizadores e da percussão.

Conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça, em The Slow Rush os Tame Impala não fogem à regra deste modus operandi, replicando e aprimorando a fórmula dos recentes antecessores, através de doze canções impecavelmente estruturadas, algumas com uma vibração excitante e onde, no fundo, mais guinadela menos guinadela por alguns dos fundamentos da história da pop contemporânea, mantém-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - The Slow Rush

01. One More Year
02. Instant Destiny
03. Borderline
04. Posthumous Forgiveness
05. Breathe Deeper
06. Tomorrow’s Dust
07. On Track
08. Lost In Yesterday
09. Is It True
10. It Might Be Time
11. Glimmer
12. One More Hour


autor stipe07 às 13:11
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Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020

The Radio Dept. – The Absence Of Birds

Lund, na suécia, é o poiso da dupla The Radio Dept., que nos tem deixado a salivar desde que em dois mil e dezasseis lançou o excelente registo Running Out Of Love, ao qual se sucederam, em dois mil e dezoito, duas canções avulsas, Your True Name e Going Down Swinging, que não faziam parte do alinhamento desse registo. Agora, no segundo mês de dois mil e vinte e sem aviso prévio, Johan Duncanson e Martin Larsson, oferecem-nos The Absence Of Birds, um maravilhoso tratado de dream pop, repleto de luminosidade, graças a efeitos borbulhantes e a um aditivo timbre metálico no efeito da guitarra. Na edição, a versão original do tema faz-se acompanhar por uma nova roupagem da autoria do misterioso projeto de eletrónica Civilistjävel!.

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Juntamente com a divulgação desta canção não surgiu o anúncio tão esperado de um novo disco dos The Radio Dept. para dois mil e vinte, mas existe a promessa de serem editadas novas composições, pelo menos uma dezena delas, e a reedição do segundo trabalho do projeto, o álbum, Pet Grief, através da Just So!, assim como uma digressão, já a partir de Abril, no lado de lá do atlântico. Confere...

The Radio Dept. - The Absence Of Birds

01. The Absence Of Birds
02. The Absence Of Birds (Untitled Version 2 By Civilistjävel!)


autor stipe07 às 16:53
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Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020

Vila Martel - Ninguém

Os Vila Martel são Francisco Botelho de Sousa, Rodrigo Marques Mendes, Francisco Inácio, Tiago Cardoso e Afonso Carvalho Alves, um coletivo da capital prestes a estrear-se nos discos com Nunca Mais É Sábado, oito canções cantadas em português e gravadas  entre Dezembro de 2018 e Janeiro de 2019 nos estúdios Ás de Espadas e Tchatchatcha e que irão ver a luz do dia a vinte e oito de fevereiro próximo.

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Ninguém é o mais recente avanço do registo a chegar aos nossos ouvidos em formato single, um tema vibrante, com uma luminosidade pop muito aditiva, onde guitarras e teclados se dividem no seu protagonismo, uma canção que, de acordo com o seu press release, tem as relações amorosas como ponto central. Esta música baseia-se numa carta aberta que declara o amor por alguém. Mas declara a quem? Ninguém? É repetido várias vezes no refrão “Eu estou bem, quem ninguém”. Um amor que traz alegria e bem-estar sem fim, ou um manifesto que visa esclarecer que com amor ninguém é feliz? Ninguém tem de saber. A dúvida persiste para sempre, tal como o amor.

Ninguém também já tem direito a um vídeo realizado por Francisca Carreira, que conduziu o grupo na execução de um trabalho eminentemente conceptual, gravado nos armazéns da Cerveja Lince, um filme que focou-se na letra da canção e nas cores que rodeiam a  música dos Vila Martel, retirando aos elementos da banda a importância que normalmente têm neste género de apresentação, ao contrário do que sucedeu com o vídeo do single anterior, Não Nos Deixem Ir Embora, realizado pelo próprio vocalista e guitarrista, Rodrigo Mendes e que serviu como espelho da personalidade de cada um dos membros, e da sua relação individual com a banda e como banda. Confere...

 


autor stipe07 às 18:08
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Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020

Basic Plumbing – Keeping Up Appearances

No final do inverno de dois mil e dezoito o universo indie e alternativo britânico ficou em choque com o súbito desaparecimenro de Patrick Doyle, um músico escocês que contava, À altura, trinta e dois anos e que se notabilizava pela sua presença atrás da bateria no aclamado projeto Veronica Falls, mas também por estar a sobressair na sua carreira a solo. O pontapé de saída tinha sido dado em dois mil e dezasseis com um disco homónimo assinando Boys Forever e, à época, preparava-se para o sucessor, mas assinando, desta vez, como Basic Plumbing. Felizmente, quando Doyle faleceu o disco estava praticamente pronto e vê agora a luz do dia, postumamente, com o título Keeping Up Appearances, dez canções que viram a luz do dia no final de janeiro, com o alto patrocínio da Rough Trade.

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Gravadas com o apoio inestimável de Helen Skinner, baixista e companheira de digressão de Doyle, Keeping Up Appearances oferece-nos um indie rock exuberante e hirto, que sabe aquela brisa amena que aparentemente não fere nem inclina, mas que não deixa de penetrar na nossa pele até ao âmago, de nos fazer tremer e de eriçar todos os nossos sentidos. São canções com uma arquitetura sonora muito centrada nas cordas de uma guitarra eletrificada com o nível de distorção certo para nos oferecer um clima tipicamente rock, aliado com um delicioso e orelhudo charme pop, tudo rematado com aquele requinte vintage que revive não só o punk lo fi dos gloriosos anos oitenta, bem patente no baixo que acomoda As You Disappear, mas principalmente o clima mais grunge da década seguinte, indisfarçável na melodia hipnótica que conduz Keeping Up Appearances, o tema homónimo do álbum e a sombria e intrigante Strangers.

Sendo estas três composições talvez os momentos maiores do registo e excelentes portas de entrada para um alinhamento instrumentalmente irrepreensível, sem atropelos e com uma dose de agressividade necessária e salutar, porque este foi um álbum concebido por Doyle para chorar a morte do seu marido, o jornalista Max Padilla, com quem se tinha mudado para Los Angeles à época, canções como Lilac, tema com um curioso toque psicadélico e que nos agarra pela mão e até à pista de dança mais próxima, a vibrante Bad Mood, a minimalista, mas encharcada de grooveToo Slow, ou a contemplativa e introspetiva Sunday, são também belíssimos instantes de um álbum com uma beleza muito imediata e acessível, porque pode ajudar qualquer um de nós a exorcizar sentimentos de perca que nos causam amargura e dor, de um modo algo radiante e otimista.

Quer Skinner quer a família de Patrick resolveram oferecer toda receita deste disco para as organizações LGBT Center de Los Angeles e a CALM, a Campaign Against Living Miserable, uma organização do Reino Unido que trabalha para prevenir o suicídio. Espero que aprecies a sugestão...

Basic Plumbing - Keeping Up Appearances

01. As You Disappear
02. Lilac
03. Keeping Up Appearances
04. Bad Mood
05. Sunday
06. It All Comes Back
07. Too Slow
08. Fantasy
09. Constant Attention
10. Strangers


autor stipe07 às 21:26
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Sábado, 15 de Fevereiro de 2020

Elephant Stone - Hollow

Os canadianos Elephant Stone são uma banda de Montreal, no Canadá, liderada por Rishi Dhir, baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Andam por cá desde dois mil e nove e nesse ano editaram The Seven Seas, o disco de estreia. Logo aí, deram início à busca, quase obsessiva, pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado para os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que Dhir também andou na digressão de dois mil e onze dos The Brian Jonestown Massacre. Depois, no início de dois mil e treze, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records, quase três anos, em dois mil e dezasseis, vê a luz dia Ship Of Fools e agora, no dealbar de dois mil e vinte, chega aos escaparates Hollow, o novo registo de originais deste grupo que se destaca por uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock.

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Hollow, o sexto disco dos Elephant Stone, é, antes de mais, um assumir preciso das verdadeiras motivações de Dhir relativamente ao projeto, já que ele é o cérebro dominante na conceção deste trabalho. De facto, nunca um disco dos Elephant Stone dependeu tanto da criatividade e da criação do mentor de um projeto inspirado na música dos Stone Roses com o mesmo nome e numa estátua do deus hindu Ganesh que o próprio Rishi Dhir possui e que o leva a referi que a sua banda tem uma sonoridade hindie rock

Olhando então para o disco, Hollow é um álbum ambicioso e distópico, um compêndio que olha com gula para o universo sci-fi e que, segundo Dhir, é fortemente inspirado nos The Who e no White Album dos Beatles, bandas e registos que, segundo o músico, criavam canções para pessoas infelizes que procuravam encontrar uma saída nas canções, o significado da vida e algo em que acreditar ... ou nada em que acreditar. Assim, Dhir, com isso em mente, começou a escrever um conjunto de canções que relata um mundo de almas infelizes que perderam a conexão entre si, uma história contada pela alquimia psíquica dos Elephant Stone e que ocorre imediatamente após a destruição catastrófica da Terra pela humanidade e o que acontece quando a mesma elite responsável pelo desastre climático que destruiu o mundo aterrou na Nova Terra, um planeta recém-descoberto vendido com a mesma vida de prosperidade que o que eles acabaram de destruir. Assim que os poucos escolhidos abandonam a nave Harmonia e começam a colonizar o novo planeta, fica claro que a humanidade parece destinada a cometer os mesmos erros, replicando-os no novo lar.

Tendo esta trama como pano de fundo, Hollow dá vida e cor a esta sequência de eventos, à boleia de uma sequência de canções abastecidas por guitarras planantes e faustosas, repletas de efeitos em eco, teclados cósmicos, riffs empolgantes e distorções inebriantes, que criam melodia incisivas, com um elevado grau de epicidade e esplendor e que replicam com ímpar contemporaneidade a melhor herança do rock progressivo e do shoegaze setentista, sempre com um indesmentível travo pop, detalhe bem patente logo em Hollow World. Depois, a cítara que vagueira pela etérea Harmonia e que introduz a rugosa e impulsiva Land Of Dead, a luminosidade do timbre metálico das cordas que conduzem We Cry For Harmonia e a tal quase tão desejada perfeição pop que exala dos tambores e dos teclados de I See You, são nuances que neste Hollow conferem o habitual grau de exotismo dos Elephant Stone, que criaram mais um verdadeiro maná de revivalismo psicadélico. Espero que aprecies a sugestão... 

Elephant Stone - Hollow

01. Hollow World
02. Darker Time, Darker Space
03. The Court and Jury
04. Land Of Dead
05. Keep The Light Alive
06. We Cry For Harmonia
07. Harmonia
08. I See You
09. The Clampdown
10. Fox On The Run
11. House On Fire
12. A Way Home


autor stipe07 às 16:52
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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2020

Dela Marmy - Not Real

Com um passado relevante no projeto The Happy Mess, Joana Sequeira Duarte aposta agora numa carreira a solo e assina o projeto Dela Marmy. Estreou-se o ano passado com a edição dos singles Empty Place, Stellar, Mari Wolf e Secretly Here, uma coleção de canções que viria a resultar num EP homónimo. Dela Marmy foi editado à boleia da KPRecords*KillPerfection, um alinhamento já com sucessor na forja e no mesmo formato. Captured Fantasy é o novo EP da cantora, tem também a chancela também da KPRecords*KillPerfection e verá a luz do dia a vinte e sete de março próximo.

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Captured Fantasy contém cinco canções e foi produzido pelo experiente produtor inglês Charlie Francis, uma opção que conferiu uma maior maturidade e consistência ao cardápio da autora, sem colocar em causa a puerilidade intrínseca à sua filosofia sonora. O EP também conta com as colaborações especiais da escritora e poetisa Raquel Serejo Martins, que credita a letra de Flying Fishes e o lyricist galês TYTUN que participa no introspetivo tema Take Me Back Home. Os músicos que acompanharam Dela Marmy em estúdio foram Vasco Magalhães (bateria), Tiago Brito, Steven Goundrey (guitarras) e o próprio Francis (baixo).

Cada composição do EP Captured Fantasy é uma pequena viagem que nos pede tempo, num resultado final tremendamente detalhístico, porque atenta às pequenas coisas, às pequenas histórias e ao marginal, um paradoxal compêndio de canções, já que todo este intimismo acaba por ter uma universalidade muito própria, visto ser um alinhamento passível de ser apropriado por qualquer comum mortal, que com o seu conteúdo facimente se identificará.

Not Real é o primeiro single divulgado de Captured Fantasy, uma canção com um travo pop muito peculiar, arquitetada por uma trama instrumental onde é subtil a fronteira entre o orgânico e o sintético, uma composição inconfundível, pulsante, épica, incisiva e particularmente etérea, abrilhantada por um registo vocal ecoante que lhe confere um charme intenso.

O teledisco da canção é realizado pela CASOTA Collective (elementos dos First Breath After Coma). De acordo como press release de lançamento do single, no vídeo o colectivo leiriense reflecte sobre a certeza que temos do que é real, abordando também a percepção dos outros em relação à nossa realidade, claramente  inventada. Viver numa fantasia/realidade que não é reconhecida, passar e pisar o limite dos padrões sociais, estender e contornar as fronteiras do Real, inventar, sugerir e arquitectar horizontes mais amplos à vida, finita, que inevitavelmente vivemos. Confere Not Real e o alinhamento de Captured Fantasy...

Flying Fishes

Tempest

Old Human

Not Real

Take Me Back Home feat.TYTUN

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autor stipe07 às 10:46
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Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2020

The Strokes – At The Door

Finalmente já tem sucessor anunciado Comedown Machine, o álbum com atitude e cheio de melodias rock com riffs imparáveis, que em dois mil e treze colocou os The Strokes de Julian Casablancas, Nick Valensi, Nikolai Fraiture, Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti novamente no caminho certo rumo ao pódio do indie rock  e ao espantoso legado sonoro que ajudaram a criar a partir do longínquo ano de dois mil e um com o memorável Is This It.

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The New Abnormal é o título do sexto e novo disco deste coletivo nova iorquino ainda fundamental, portanto, no universo musical indie punk rock, um alinhamento de nove canções produzido por Rick Rubin e que irá ver a luz do dia a nove de abril próximo, à boleia da Cult Records.

At The Door é o primeiro single divulgado de The New Abnormal, uma longa canção, algo anormal nos The Strokes, assente numa melodia sintetizada de forte cariz retro e que casa bem com a voz de Casablancas, que volta a evidenciar elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um elevado plano performativo. Destaque também para o vídeo do tema, um filme animado inspirado no universo sci-fi, idealizado pelo escritor e realizador Mike Burkaroff e que inclui um coelho mutante e um conflito sangrento num planeta alienígena. Confere At The Door e o alinhamento deThe New Abnormal...

The Strokes - At The Door

The Adults Are Talking
Selfless
Brooklyn Bridge To Chorus
0Bad Decisions
Eternal Summer
At The Door
Why Are Sunday’s So Depressing
Not The Same Anymore
Ode To The Mets


autor stipe07 às 08:20
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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2020

The Jungle Giants – Sending Me Ur Loving

The Jungle Giants - Sending Me Ur Loving

Oriundos de Brisbane e formados por Sam Hales, Cesira Aitken, Andrew Dooris e Keelan Bijker, os The Jungle Giants já têm finalmente nos escaparates o sucessor de Quiet Ferocity, o registo que este quarteto editou em dois mil e dezassete. Recordo que os Jungles Giants, estrearam-se em dois mil e treze com Learn To Exist e dois anos depois viu a luz do dia Speakerzoid, o antecessor desse Quiet Ferocity.

Sending Me Ur Loving é o primeiro tema divulgado desse novo trabalho ainda sem título, uma canção produzida pelo próprio Sam Hales, o líder do grupo e que através de um baixo encorpado e pleno de groove, algumas teclas insinuantes, uma guitarra impregnada com aquele fuzz psicadélico hoje tanto em voga e alguns efeitos futuristas, nos oferece uma ode festiva e inebriante, capaz de exaltar o melhor do catálogo do grupo.

A apresentação deste tema antecipa a entrada dos The Jungle Giants numa digressão de dois meses que acabou de começar na Holanda e que terminará no final de março no Japão, com passagem, pelo meio, por vários palcos dos Estados Unidos da América e do Canadá. Confere...


autor stipe07 às 13:43
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Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2020

Balthazar – Halfway

Balthazar - Halfway

O excelente registo Fever ainda não tem um ano de existência, mas os belgas Balthazar mantêm-se criativamente ativos, estando de regresso no início deste ano aos lançamentos discográficos, em formato single, com Halfway, um tema que acaba de ver a luz do dia através da etiqueta Play It Again Sam e que foi idealizado por Jinte Deprez e Maarten Devoldere, as duas grandes mentes criativas do projeto.

Incubada durante a recente digressão de promoção a Fever e com muitas das nuances que marcaram esse trabalho que o grupo belga lançou em dois mil e dezanove, Halfway é uma composição melodicamente charmosa e com uma soul muito própria, assente num travo R&B algo peculiar, abrigado por uma linha de baixo plena de groove e adornada por deliciosos falsetes e diversos arranjos de elevado apuro melódico e onde as teclas são protagonistas. Confere...


autor stipe07 às 12:47
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2020

Vundabar – Petty Crime

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já três excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o  registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que irá chegar aos escaparates a três de março, através da Gawk Records.

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Depois de na reta final de janeiro termos ficado a conhecer o tema Burned Off, o primeiro avanço divulgado de Either Light, agora chega a vez de conferir Petty Crime, mais um frenesim punk, burilado a guitarra, baixo e bateria, mas um devaneio indie mais intrincado e experimental que o tema anterior, sobressaindo a luminosidade do timbre metálico das cordas e variadas nuances rítmicas e melódicas, onde não falta um ecoante efeito vocal, ingredientes que conferem à canção uma indesmentível toada pop. Será, certamente, um dos momentos altos de um disco bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos, protagonizada pelo malogrado ator James Gandolfini, algo explícito no vídeo desta Petty Crime. Confere...

Vundabar - Petty Crime


autor stipe07 às 11:41
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Sexta-feira, 7 de Fevereiro de 2020

Say Hi – Diamonds And Donuts

Say Hi é Eric Elbogen, um músico norte americano natural de Seattle e que faz música desde 2002. O seu disco mais recente tem o sugestivo nome de Diamonds And Donuts, um trabalho que chegou aos escaparates pela mão da Euphobia Records e o décimo terceiro na carreira de um artista que para este registo se inspirou em treze excitantes estudos psicológicos e que é capaz de, em poucos segundos, viajar do rock mais selvagem até à indie pop de cariz experimental e à eletrónica e sempre movido a muita testosterona.

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Sucessor do curioso registo Werewolf Diskdrive (2017), Diamonds And Donuts marca mais um capítulo numa saga fictional onde cada tomo deste músico se debruça sobre uma temática precisa. Desta vez, Diamonds And Donuts é o resultado direto de treze experiências psicológicas inovadoras que foram idealizadas e conduzidas pelo próprio Eric ao longo de treze meses, com o único objetivo de gerar teorias sobre a natureza humana que pudessem ser traduzidas em composições musicais. No final, o músico constatou que tanto o Diamond como o Donut foram os dois objetos considerados mais motivacionais para obter respostas verosímeis dos participantes nos grupos de estudo criados para o efeito. Depois de projetar e conduzir cada estudo, o compositor de Seattle entrava em estúdio, na sua própria casa, para manipular os dados obtidos, criando, assim, este disco onde não falta uma mescla de eletropop com sonoridades hard rock, o rock setentista, o rock de garagem e o blues.

Assim, neste Diamonds and Donuts, se temas como Obsidian Oblivion Golfing e Happy As A Clam assentam num sintetizador melodicamente assertivo e numa percussão convincente, além de guitarras plenas de groove e distorção, bem à medida do melhor soft rock oitocentista, já Then Some Miniature Golfing e a soturna Non-Linear Time vs. Misshapen Space abrandam um pouco o clima, mas não o ritmo, já que a receita repleta de espasmos sintéticos debruçados em linhas baixo pulsantes e construções melódicas baseadas em guitarras perspicazes mantém-se, mas numa toada mais nostálgica e intimista. Depois, se Lookachu espreita ambientes mais negros e progressivos, não faltando nessa canção um travo punk delicioso, Confetti Xerox (Let’s Go Team) desvia-se um pouco dessa toada, para se focar num registo mais intrincado e experimental, conferindo ao disco um indispensável grau de ecletismo e abrangência.

A diversidade plasmada nesses seis exemplos acentua a justeza da necessidade de este músico obter, finalmente, um reconhecimento verdadeiro e um estatuto forte no universo sonoro alternativo. Aliás, o modo convincente como em A MacBook Pro To A Nineties Dell e Jupiter Death Bunnies, Say Hi serve-se da grandiosidade das guitarras e das teclas e de variações rítmicas e melódicas constantes, enquanto se debruça a fundo no universo da adição tecnológica e do sobrenatural, além de carimbar a enorme dose de criatividade que nele habita, sugere que este autor busca sempre abranger múltiplas nuances para o seu cardápio, curiosamente dentro de um som experimental, mas que tem, quanto a mim, potencial para um elevado airplay.

Até ao ocaso de Diamonds And Donuts, a imensa soul que desliza pelo piano arrebatador e pelos detalhes sintéticos de Grey As A Ghost e a subtileza instrumental de Ballerina, Ballerina, Ballerina, que desliza até ao âmago de um krautrock tendencialmente obscuro, são outros pontos de paragem obrigatória numa viagem única de fusão entre elementos particulares intrínsecos ao que de melhor ficou dos primórdios da pop, nos anos setenta, com o rock mais épico da década de oitenta e algumas das caraterísticas que definem o adn da eletropop atual.

Indubitavelmente, Say Hi domina a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma sintetizador indomável, efeitos mais ou menos subtis e melodias cativantes, para presentear quem o quiser ouvir com canções alegres, aditivas, profundas e luminosas. O disco também se torna viciante devido a uma voz que, ao longo do trabalho, preenche verdadeiras pinturas sonoras que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. Espero que aprecies a sugestão...

Say Hi - Diamonds And Donuts

01. And Then Some Miniature Golfing
02. Obsidian Oblivion
03. Lookachu
04. Confetti Xerox (Let’s Go Team)
05. Non-Linear Time vs. Misshapen Space
06. Windsor Knots And Ruffles
07. A MacBook Pro To A Nineties Dell
08. Jupiter Death Bunnies
09. Tiger Unicorn
10. Happy As A Clam
11. Grey As A Ghost
12. Heavy Metal And Video Games
13. Ballerina, Ballerina, Ballerina


autor stipe07 às 16:20
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Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2020

Dan Deacon - Mystic Familiar

Quase meia década depois do extraordinário registo Gliss Riffer e de algumas curiosas inscursões pela banda sonora cinéfila, à boleia de Time Trial (2018) e Rat Film (2017), Dan Deacon, um dos artistas mais alternativos do cenário indie atual, está de regresso com Mystic Familiar, o quinto disco de uma carreira onde só subsistem momentos de esplendor. De facto, este músico e produtor que açambarcou na sua mente, com indelével e vicnado carimbo, toda a herança soonora da vasta míriade de latitudes audíveis no underground nova iorquino da primeira década deste século, desde o estupendo Spiderman of the Rings (2007), um trabalho laborioso de lapidação, detalhe, delicadeza e refinamento, que alcancou, dois anos depois, laivos de excelência através das burilações sintéticas exacerbadas que sustentaram as sequências percurssivas de BROMST (2009), passando pelo tempero mais pop country que definiu o conceptual America (2012) e todas as ligações de fios e transistores que transportavam um infinito catálogo de sons e díspares referências em Gliss Riffer (2015), este músico de Baltimore tem encontrado na eletrónica uma forma de sobressair e encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual, e não só.

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Apaixonado por algumas das mais complexas formas sonoras jamias produzidas, Dan Deacon oferece-nos em Mystic Familiar uma espécie de súmula de toda a salada hipercodificada com uns sons mais e outros menos familiares, que tem balizado o seu catálogo sonoro, muitas vezes acelerado em níveis absurdos de velocidade e levado a volumes excessivos, mas também com momentos melódicos mais adocicados e sonora e vocalmente introspectivos, criando, registo após registo, quase que subversivamente, um som muito singular, mas também autenticamente pertencente ao mundo contemporâneo.

Mystic Familiar tem, pois, essa virtude imensa, de poder servir como alinhamento descritivo de tudo aquilo que de melhor nos pode oferecer hoje a eletrónica, um naipe de canções que se podem abrir como um leque que tem nos dois pólos opostos. Se o majestoso clima borbulhante de Become a Mountain, o crescente teclado hipnótico e as delicadas inserções vocais que conduzem Fell Into The Ocean e o forte sentimentalismo que escorre pelo novo trip-hop de My Friend têm um travo mais natural, clássico, acessível eminentemente contemplativo, menos anárquico e com um indesmentível têmpero pop, já a efusiante e épica batida da cósmica Sat By A Tree, as quatro composições que entre o punk noise, o jazz e o eletro sustentam Arp I-IV e a indescritível montanha-russa de flashes, batidas e interseções percussivas que se concentram em Bumblee Bee Crown King, são composições repletas de batidas esquizofénicas e samples ruidosos que materializam um resultado de proporções igualmente épicas, mas mais rugosas e com um grau de psicadelismo progressivo superior.

Disco com pontes brilhantes entre momentos de maior intensidade com outros mais intimistas, Mystic Familiar leva-nos, em suma, ao encontro de emoções fortes e explosivas, de modo profundamente emotivo e cinematográfico, através de um genuíno e incomparável manipulador do sintético, um génio inventivo que converte tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico. Não tendo qualquer tipo de preocupação explícita por compôr de modo particularmente comercial e acessível, o que desde logo é um enorme elogio que pode ser feito em relação a este autor, Deacon deixa-se apropriar de todo o arsenal tecnológico que permite que seja colocado à sua disposição e torna-se ele próprio parte integrante de uma orquestra robótica e maquinal que o consome e dele se apropria, para que as canções que todas estas máquinas, que parecem ter vida própria, compôem, possam ter uma alma e um elo de ligação com a humanidade, plasmada nas letras confessionais e sinceras e numa voz manipulada de modo a ser também, ela própria, mais um elemento essencial e autónomo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:24
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Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2020

Grand Sun - Veera

Os Grand Sun de Ribeiro, António, Simon e Miguel, um coletivo oriundo de Oeiras, nos arredores da capital, estream-se a vinte e sete de março próximo no formato álbum com Sal Y Amore, uma coleção de dez canções que, à boleia da Aunt Sally Records, deverá, de forma mais crua, sem filtros e genuína que o antecessor, o EP The Plastic People Of The Universe, encarnar um exuberante registo indie com fortes raízes no rock setentista mais lisérgico, mas também naquela pop efervescente que fez escola na década anterior e onde a psicadelia era preponderante no modo como trespassava com cor e luminosidade o edifício melódico de muitas composições.

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Sal Y Amore foi bastante inspirado nos concertos e nas viagens que os Grand Sun fizeram o ano passado, onde constam passagens memoráveis pelo Festival Ecos de Lima, a Festa do Avante ou o Festival Termómetro. O registo foi gravado e misturado por André Isidro nos estúdios Duck Tape Melodies e masterizado pelo João Alves no Sweet Mastering Studio.

Veera é um dos momentos maiores de Sal Y Amore, uma canção que plasma o nome de uma rapariga decidida a ser enigmática, descrita através de uma alegoria pop particularmente luminosa, conduzida por uma guitarra inspirada, sintetizadores cósmicos e um constante efeito vocal ecoante, uma maravilhosa amostra do primeiro sal saudável para hipertensão, que os Grand Sun pretendem colocar nos nossos pratos em dois mil e vinte. Confere...

https://www.facebook.com/grandsunband/

https://www.instagram.com/grand.sun/

https://grandsun.bandcamp.com/

https://www.youtube.com/channel/UC5M5a9i4DhXJi47yNcaqoMQ    


autor stipe07 às 13:11
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Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2020

Destroyer – Have We Met

Abrigado pela insuspeita Merge Records, Have We Met é o décimo terceiro e novo registo discográfico dos canadianos Destroyer de Dan Bejar, um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, prefere que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva.

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Fortemente influenciado pela banda-sonora de filmes dos anos oitenta, como O Sol da Meia-Noite (1985) e A Garota de Rosa Shocking (1986), produzido pelo carismático John Collins (The New Pornographers, Tegan and Sara) e sucessor do excelente Ken, editado há pouco mais de três anos, Have We Met é um disco algo intrincado, mas bastante sedutor, um dobrar de esquina consistente e apurado, mesmo sendo o trabalho recente dos Destroyer que mais se aproxima da herança atmosférica da obra-prima Kaputt (2011). Tal sucede porque é feito por um grupo que também já habituou os seus fãs a um espetro rock onde não faltavam de guitarras distorcidas e riffs vigorosos, mas que opta agora, e mais do que nunca, num claro sinal de maturidade e de pujança criativa, por compôr composições que olham de modo mais anguloso para a eletrónica e para ambientes eminentemente clássicos, fazendo-o com superior apuro melódico. São, portanto, composições conduzidas por uma ímpar diversidade instrumental, com o modo como as teclas do piano são enormes protagonistas, a meias com a guitarra maravilha de Nicolas Bragg, a serem dis trunfos maiores deste modus operandi com elevado charme quilate.

De facto, quando Bejar e Collins começaram a fermentar artesanalmente o conteúdo de Have We Met, em sessões noturnas de captação e gravação na própria cozinha de Bejar, a ideia inicial era desenvolver um conjunto de demos bastante inspiradas em alguma da melhor herança de nomes como Björk, Air, ou Massive Attack, captadas durante as sessões de gravação do próprio Kaput e do registo Poison Season, de dois mil e quinze. No entanto, depressa perceberam que seguir tal permissa seria distanciar-se demasiado do adn dos Destroyer e, felizmente, optaram por uma espécie de simbiose do melhor desses dois mundos. O resultado final, bastante burilado e tremendamente bem conseguido, proporciona-nos um clima eminentemente sofisticado, claramente clássico e moderno, um disco intenso e que joga com diferentes nuances sonoras sempre com um espírito aberto ao saudosismo e à relevância inventiva.

Canções como a fluída e magnânima Crimson Tide, o abundante jogo de sobreposições que edifica Kinda Dark, a delirante cândura celestial em que levitam os sons fantasmnagóricos de The Television Music Supervisor, um tema sobre as inquietações de alguém que está prestes a morrer, o clima retro eminentemente oitocentista que sustenta The Raven, o picotar melódico a que sabe Cue Synthesizer e o mistério lírico que se entranha nas diferentes camadas sintéticas de Foolsong, além de também piscarem o olho a latitudes sonoras mais consentâneas com as tendências atuais do espetro sonoro em que os Destroyer se movimentam, enriquecem tremendamente o cardápio sonoro do projeto e elevam-no a um novo estatuto, como banda fundamental do indie rock alternativo contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

Destroyer - Have We Met

01. Crimson Tide
02. Kinda Dark
03. It Just Doesn’t Happen
04. The Television Music Supervisor
05. The Raven
06. Cue Synthesizer
07. University Hill
08. Have We Met
09. The Man In Black’s Blues
10. Foolssong


autor stipe07 às 16:33
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