Segunda-feira, 30 de Setembro de 2019

Temples - Hot Motion

Foi à boleia da ATO Records que já viu a luz do dia Hot Motion, o terceiro registo de originais dos britânicos Temples, uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista). Este quarteto natural de Kessering, estreou-se nos discos em dois mil e catorze com o excelente Sun Structures, três anos depois foi editado Volcano, o sempre difícil segundo disco e agora foi a vez de Hot Motion, onze canções que reavivam mais uma vez e com notável esforço, mas de um modo menos intuitivo, aquele som que conduziu alguns dos melhores intérpretes do rock experimental e progressivo da história do rock clássico.

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Ao terceiro disco os Temples brindam-nos com aquele que é, claramente, o alinhamento mais intrincado, complexo e grandioso da carreira do projeto. E fazem-no com uma abordagem, quer sonora quer lírica algo sombria, que talvez seja reflexo do período conturbado em que se vive atualmente nas Terras de Sua Majestade, fruto de todas as indefinições e até já de um certo caos instalado, devido ao brexit.

Portanto, Hot Motion pode muito bem ser, se o ouvinte quiser, um espelho de todo esse clima, com canções como a tremendamente nostálgica You’re Either On Something, uma composição liricamente muito bem sucedida (You're either on something or you're onto something), a homónima Hot Motion, que versa sobre as tensões do desejo, sobre sonhos e pesadelos e já com direito a um hipnótico vídeo da autoria de David Lynch, ou a desconcertante e aguda The Howl, a ficarem um pouco a milhas daquela postura mais direta, luminosa e até algo lo fi que caraterizou Sun Structures, o maravilhoso disco de estreia do grupo, que apostava em melodias contagiantes e com forte perfil radiofónico, uma premissa deixada agora para segundo plano, na minha opinião.

Assim, onde antes havia cor, espírito de aventura, jovialidade e crueza, existe agora desejo de majestosidade, de conjurar o complexo e de confrontação até, por parte de uns Temples mais sérios, digamos assim e que parecem ter sido apanhados numa teia conjuntural que terá mirrado aquela faceta divertida, ligeira e festiva que já os caraterizou e que agora parece um pouco distante. Espero que aprecies a sugestão...

Temples - Hot Motion

01. Hot Motion
02. You’re Either On Something
03. Holy Horses
04. The Howl
05. Context
06. The Beam
07. Not Quite The Same
08. Atomise
09. It’s All Coming Out
10. Step Down
11. Monuments


autor stipe07 às 18:25
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Sábado, 28 de Setembro de 2019

The High Dials – Primitive Feelings – Part 2 EP

Montréal, no Canadá, é o poiso dos The High Dials, banda com uma década de carreira e de regresso aos discos em dois mil dezanove com Primitive Feelings, um longa duração com lançamento em formato vinil previsto para muito em breve. Entretanto alinhamento desse álbum físico já começou a ser antecipado digitalmente com dois eps, tendo o primeiro, com oito composições, provavelmente o lado a dessa edição, visto a luz do dia no final da passada primavera e o segundo, o lado b da edição, a revelar-se por estes dias, permitindo-nos contemplar finalmente, na íntegra, um dos melhores discos de dois mil e dezanove.

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Primitive Feelings é o sexto registo de originais dos The High Dials e, pelo que se percebe, quer da primeira metade revelada, quer das seis canções que também podemos agora contmeplar, é um disco repleto de texturas sonoras que privilegiam um punk rock algo sujo e lo fi, mas onde também não faltam texturas eletrónicas particularmente pulsantes e contemporâneas e com um elevado groove e um espírito shoegazenuances que se saúdam num projeto particularmente inovador e reputado na esfera indie canadiana.

O fabuloso baixo vibrante e o reverb ecoante que sustentam Fear Of Heights, sendo já uma imagem de marca desta banda, também claramente influenciada pela melhor herança da indie psicadélica britânica forjada em terras de Sua Majestade no último meio século, é um prometedor ponto de partida para um alinhamento com uma ímpar índole psicotrópica, capaz de enlear os nossos sentidos e nos deixar em completa letargia. Depois, a batida incisiva e os riffs incendiários que dão robustez à impetuosa My Dream Addiction, um dos destaques maior destas seis canções, a vibe cósmica proporcionada pelos sintetizadores que fazem gravitar Co-Stars, a presença de alguns dos arquétipos típicos da pop e do punk dos anos oitenta em Cold Shoulder, a graciosidade pop de Work Of Fiction e, por fim, a soul contemplativa que exala de Rays Of Shade, ampliam o efeito soporífero desta segunda amostra de um trabalho que, no seu todo, tem tudo para potenciar a fama destes The High Dials, não só devido à bitola qualitativa e criativa desse novo capítulo de um catálogo discográfico que é já riquissímo, mas também por causa da superior capacidade que têm de fazer o nosso espírito facilmente levitar e provocar no âmago de quem os escuta devotamente um cocktail delicioso de boas sensações. Espero que aprecies a sugestão...

The High Dials - Primitive Feelings - Part 2

01. Fear Of Heights
02. My Dream Addiction
03. Co-Stars
04. Cold Shoulder
05. Work Of Fiction
06. Rays Of Shade


autor stipe07 às 13:48
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Sexta-feira, 27 de Setembro de 2019

Wildlife – No Control

Sedeados em Toronto, os Wildlife têm vindo a captar desde o início desta década a atenção da crítica e de uma cada vez mais vasta legião de fãs, quer no Canadá, quer nos Estados Unidos, devido a um já interessante catálogo de propostas sonoras que gravitam em torno de um indie rock bastante inspirado e atual e que o projeto replica de modo efusiante. Tal também sucede, pelos vistos, nas prestações ao vivo da banda, sempre bastante dramáticas enérgicas e já emblemáticas.

Image result for Wildlife – No Control

Em dois mil e três o disco On The Heart, dos Wildlife, uma mistura de suor, gritos e lágrimas, ou seja de difícil incubação e de aturado trabalho de estúdio, foi produzido por Peter Katis (The National, Interpol) e Gus Van Go (The Stills) e ganhou enorme relevo também devido ao facto de ser um trabalho conceptual, porque com ele os Wildlife quiseram escrever uma espécie de carta de amor aos corações de todos nós e à capacidade que esse músculo tem de nos proporcionar os mais belos sentimentos. Três anos depois, Age of Everything catapultou definitivamente a banda para o mainstream e agora, perto do ocaso de dois mil e dezanove, os Wildlife preparam-se para lançar aquele que é, de acordo com o grupo, o álbum mais conciso e vibrante do cardápio do projeto.

Produzido por Dave Schiffman e por Mike Keire e gravado durante três semanas neste verão nos estúdios Threshold Studio, Take The Light With You é o nome desse novo registo de originais dos Wildlife, um compêndio de canções assentes num punk rock bastante cru e direto, mas também com momentos mais nostálgicos e etéreos e dos quais já foi retirado o single No Control, uma canção que antecipa um alinhamento que terá tudo para ser uma das melhores surpresas do ano. Confere...

Wildlife - No Control


autor stipe07 às 13:10
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Quarta-feira, 25 de Setembro de 2019

Gruff Rhys – Pang!

Enquanto os míticos Super Furry Animals permanecem numa pausa mais ou menos indefinida, Gruffydd Maredudd Bowen Rhys, nascido em dezoito de julho de mil novecentos e setenta no País de Gales, continua a cimentar a sua bem sucedida carreira a solo com álbuns onde vai testando progressivamente novas fórmulas um pouco diferentes do rock alternativo com toques de psicadelia da banda de onde é originário. O seu mais recente exercício criativo é Pang!, o sexto registo de originais deste seu percurso a solo, iniciado há década e meia com Yr Atal Genhedlaeth, um disco divertido e cantado inteiramente no idioma galês. Dois anos depois, com Candylion, o músico atinge ainda maior notoriedade com esse projeto que a crítica descreveu como delicado e repleto de bons arranjos e onde se destacou também a participação especial do grupo de post rock Explosions in The Sky, além da produção impecável de Mario Caldato Jr, que já trabalhou com os Beastie Boys e os Planet Hemp, entre outros. Em dois mil e onze, com Hotel Shampoo, Gruff apostou em composições certinhas feitas a partir de uma instrumentação bastante cuidada, que exalava uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Três anos depois, em dois mil e catorze, o galês regressou com American Interior, a banda sonora de um filme onde Rhys era o ator principal e embarcava numa viagem musical pela América repetindo a aventura do explorador e seu antepassado, John Evans, no século dezoito. Já em dois mil e dezoito, Babelsberg ampliou até um superior nível qualitativo a visão incomum de Rhys relativamente aqueles que o músico considerava ser, há uns dezoito meses, os grandes eixos orientadores de uma pop alicerçada num salutar experimentalismo e onde não existem limites para a simbiose entre diferentes estilos musicais.

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Com nove canções repletas de onomatopeias, produzidas pelo produtor Sul Africano Muzi, sendo grande parte delas cantadas em galês e com alguns trechos em zulu, Pang!, um disco que tem, curiosamente, nome inglês, proporciona ao ouvinte uma sequência bastante criativa de canções que sobrevivem essencialmente à custa de uma elevada luminosodade nas cordas, muitas vezes trespassadas quer por elementos percurssivos variados, quer por instrumentos de sopros, utilizados quase sempre para adornar melodicamente e para conferir a cada composição o seu cariz identitário, ajudando assim a cimentar o ecletismo do alinhamento.

Portanto, da psicadelia folk do tema homónimo, passando pela perene acusticidade de Eli Haul, pelo funk com travo a tropicalia de Bae Bae Bae, pela forte toada jazzística de Digidigol, pela solarenga Ara Deg (Ddaw’r Awen), a melhor composição do disco, e pelo piscar de olhos à melhor herança do índico em Taranau Mai e à do Adriático em Annedd Im Danedd, Pang! é um verdadeiro festim sonoro global, uma viagem à volta do mundo, mas também uma viagem no tempo, esta última algo atípica porque nunca deixa de haver um travo de contemporaneidade em toda a amálgama que é possível destrinçar canção após canção e que foi eficazmente idealizada e minuciosamente plasmada.

Disco coeso, dinâmico e de certo modo concetual, Pang! é um marco intenso e flamejante na trajetória individual deste músico, um disco que transporta um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Rhys. Espero que aprecies a sugestão...

Gruff Rhys - Pang!

01. Pang!
02. Bae Bae Bae
03. Digidigol
04. Ara Deg (Ddaw’r Awen)
05. Eli Haul
06. Niwl O Anwiredd
07. Taranau Mai
08. Ôl Bys / Nodau Clust
09. Annedd Im Danedd


autor stipe07 às 18:31
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Terça-feira, 24 de Setembro de 2019

Y La Bamba – Entre Los Dos EP

Quase um ano após o excelente Mujeres, o projeto norte americano Y La Bamba, liderado por Luz Elena Mendoza, está de regresso aos lançamentos discográficos com Entre Los Dos, o novo tomo de canções deste grupo sedeado em Portland. Entre Los Dos é um EP com sete espetaculares canções e editado através da Tender Loving Empire, a etiqueta de sempre dos Y La Bamba.

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Depois do excelente Ojos Del Sol, lançado há cerca de três anos, a crítica começou finalmente a ficar bastante atenta a este projeto Y La Bamba, único no modo como mescla post punk com música latina, eletrónica e alguns dos arquétipos fundamentais da indie de cariz mais lo fiMujeres, um registo gravado pela própria Luz Elena Mendoza, com a ajuda de Ryan Oxford nos estúdios Color Therapy Studios e nos Besitos Fritos Studios em Portland e misturado por Jeff Bond, ampliou ainda mais a elevada bitola qualitativa de uma proposta sonora única no cenário musical contemporâneo e que oferece ao ouvinte mais devoto uma viagem espiritual, convidando-nos a refletir e a conhecer as posições da autora acerca de questões como o machismo, o feminismo e o modo como as mulheres se posicionam socialmente, politicamente e até moralmente nos dias de hoje, com particular enfoque nas que são oriundas de países latinos, especialmente as mexicanas a residir nos Estados Unidos da América.

As sete canções de Entre Los Dos, que além de Luz contam com Grace Bugbee aos comandos do baixo, John Niekrasz na bateria, Margaret Wher Gibson nos teclados e a dupla Ed Rodriguez e Ryan Oxford na guitarra elétrica, são como que um fechar de ciclo de uma espécie de triologia iniciada no tal Ojos Del Sol, três trabalhos que plasmam, com fidelidade e minúcia uma abordagem muito pessoal e íntima, claramente auto-reflexiva, mas que também é, de algum modo, sociológica, por parte de Luz, relativamente ao modo como a mulher é vista nos dias de hoje. No carrocel percurssivo de Gabriel e de Los Gritos, canções que conjugam o melhor dos ritmos da música tradicional espanhola e mexicana, com um toque rock e a voz sublime de Luz, na acusticidade minimal etérea de Entre Los Dos e de Octavio, na eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo que cimenta Rios Sueltos, no festim folk punk de Soñadora e na riqueza estilística que define os arranjos que ampliam o grau de rugosidade de Las Platicas, apreciamos uma narrativa plena de histórias simples e comuns, mas onde este timbre ordinário das mesmas é enganador, porque são relatos de vidas difíceis e que muitas vezes escapam à própria compreensão de quem nunca vivenciou na pele tais realidades. Os Y La Bamba acabam por suavizar, até com uma certa ironia e sarcasmo, dores, agruras e medos, com  composições que ampliam o diâmetro da nossa anca, deixando-a possuída, sem dono e sem vontade própria, porque não resistimos a acompanhar tambem fisicamente um alinhamento que além de todo o cariz sério e profundo que sustenta, também consegue mexer muito com a temperatura do nosso corpo. Espero que aprecies a sugestão...

Y La Bamba - Entre Los Dos

01. Gabriel
02. Entre Los Dos
03. Rios Sueltos
04. Octavio
05. Soñadora
06. Las Platicas
07. Los Gritos


autor stipe07 às 20:59
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Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019

Allah-Las – Prazer Em Te Conhecer

Allah-Las - Prazer Em Te Conhecer

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las de Miles Michaud, Pedrum Siadatian, Spencer Dunham e Matt Correia têm finalmente sucessor para o excelente registo Calico Review de dois mil e dezasseis. Será a onze de outubro que irá ver a luz do dia Lahs, o novo compêndio de originais do quarteto, um trabalho que irá chegar aos escaparates através da Mexican Summer, a habitual editora do grupo.

Os Allah-Las viajaram imenso depois da edição de Calico Review, com passagens por locais táo variados como todo o continente americano, a Europa, África do Sul, Austrália, Rússia e leste da Ásia e o conteúdo de Lahs é bastante inspirado por essa demanda mundo fora, nomeadamente as experiências que a banda foi conseguido vivenciar além das normais rotinas de uma digressão musical.

Depois de Polar Onion, o mais primeiro single divulgado das treze canções do alinhamento de Lahs, agora chegou a vez de nos deliciarmos com Prazer Em Te Conhecer, um tema cantado em português e que nos oferece uma espécie de Califórnia verde e amarela, já que são evidentes as influências da melhor música popular brasileira, em especial a bossa nova, numa composição imbuída de uma indesmentível vibe tropical, além da típica psicadelia lo-fi que carateriza o adn dos Allah-Las.

Merece também uma vista de olhos o vídeo de Prazer Em Te Conhecer, que mostra algumas das tais experiências que a banda foi conseguido vivenciar na digressão acima referida e que foram sendo captadas pelo baterista Matt Correia. Confere...


autor stipe07 às 13:14
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Domingo, 22 de Setembro de 2019

Lucy Dacus – Dancing In The Dark

Lucy Dacus - Dancing In The Dark

Estão quase a chegar os setenta anos de idade do Boss e, para os comemorar em beleza, a norte-americana Lucy Dacus acaba de divulgar uma cover do clássico Dancing In The Dark, um dos expoentes máximos da carreira de Bruce Springsteen.

Lucy tem aproveitado algumas datas marcantes do calendário para gravar versões de temas de atistas com os quais se identifica e que diz serem referências ocónicas quer da sua vida quer da sua carreira musical, mas também inéditos da sua autoria, canções que farão parte de um EP que a autora irá editar lá para o final deste Outono. Assim se no dia de São Valentim nos ofertou o seu olhar sobre o clássico La Vie En Rose de Edith Piaf, no dia da mãe foi a vez de nos presentar com  My Mother & I, de Taurus Season e no passado dia quatro de julho, o Dia da Independência e feriado nacional nos Estados Unidos da América, divulgou o inédito Forever Half Mast, uma canção com uma forte crítica à realidade política do seu país.

Voltando a Dancing In The Dark, de Bruce Springsteen, esta versão de Lucy Dacus homenageia com elevada bitola qualitativa o original, mantendo a essência tipicamente rock da canção, mas fazendo-o com um olhar um pouco mais sintético e contemporâneo que o original. Confere...


autor stipe07 às 21:03
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Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019

DIIV – Blankenship

DIIV - Blankenship

Continuam a ser reveladas estrondosas composições de Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). E à medida que se abre o pano sobre aquele que será, certamente, um dos melhores discos de dois mil e dezanove, ficamos cada vez mais entusiasmados com a proximidade da data de lançamento, prevista para quatro de outubro, à boleia da Captured Tracks.

Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver irá suceder ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

DIIV

Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas de Zachary com a adição às drogas, mas o músico confessou, pouco depois do lançamento desse trabalho, que não foi totalmente honesto no conteúdo do mesmo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos o músico tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas.

Sendo o conteúdo de Deceiver também muito centrado nessa questão psicotrópica, como se percebeu logo em Skin Game, o primeiro single divulgado do registo há já dois meses, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia e em Taker, a segunda composição também manteve essa tonalidade auto reflexiva e particularmente dolorosa. Blankenship, a nova canção divulgada do registo, atesta, de vez, esta teoria, oferecendo-nos a composição mais ruidosa, efervescente e crua das três já conhecidas, um portento de indie krautrock repleto de nostalgia e crueza, idealizada por um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso. Confere...


autor stipe07 às 13:08
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Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019

LOLA LOLA - Killed a Man in a Field

Com raízes nos extintos Tornados e no sempre pulsante e inovador movimento criativo da cidade do Porto, os LOLA LOLA formaram-se há meia década, fruto da junção de um trio já muito experimentado nas lides musicais, Tiago Gil (Guitarra), Miguel Lourenço (Baixo) e Hélder Coelho (Bateria), que receberam de braços abertos a desconcertante voz de Carla Capela, conhecida da noite portuense como DJ Just Honey e o sax barítono de Rui Teixeira.

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Alimentados pelo universo musical das décadas de 50 e 60 e inspirados pelo R&B/Popcorn, 60´s Beat e Rock n’ Roll, os LOLA LOLA assinaram, no início de 2015, pela prestigiada editora independente Sleazy Records, à boleia da qual lançaram os singles Money in the Can (Junho/2015), Sweet Lovin' (Dezembro/2016) e o double-sider Voodoo Man/ Voodoo Woman (Fevereiro/2018).

Com as suas canções destacadas um pouco por todo o mundo por djs de culto, rádios e blogosfera musical, os LOLA LOLA também têm tocado por toda a Península Ibérica, granjeando uma cada vez mais vasta e fiel legião de fãs que irá certamente ampliar-se devido a Killed A Man In The Field, o novo lançamento do grupo, um sete polegadas que tem como b side uma recriação enérgica do clássico Somebody’s always trying de Joy Byers e que marca a estreia dos LOLA LOLA  pela soberana Chaputa! Records.

Este quarto registo fonográfico dos LOLA LOLA, ilustrado por Rui Ricardo, produzido por Nuno Riviera e masterizado por Mike Mariconda, vê a luz do dia amanhã, mas o tema principal, uma canção que nos leva a viajar por uma larga paisagem de cor e infinito, (...) um rasgo de primordial simplicidade, com uma melodia assente numa base densa e segura, já tem direito a um video captado na Reserva Natural do Estuário do Douro e com brilhantes interpretações de Carla Capela e Tiago André Sue. No filme, assinado por Rodrigo Areias e Susana Abreu, contemplamos uma história de amor trágico que trespassa corações, revelando-se na eternidade da paisagem que a vida é efémera.

Sempre com sede de estrada, os LOLA LOLA aproveitam o lançamento deste 7’ para regressar aos concertos, no Sabotage Club, dia 18 de Outubro e no Barracuda Clube de Roque, no dia seguinte. Confere...

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autor stipe07 às 13:14
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Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019

Paper Beat Scissors – Parallel Line

Pouco mais de dois anos depois do excelente EP All We Know, o vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree, está de regresso com o seu alter ego Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá. Parallel Line é o título do novo álbum deste músico e contém onze canções misturadas pelos conceituados Sandro Perri e Dean Nelson, masterizadas por Andy Magoffin e produzidas pelo próprio Tim Crabtree.

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Terceiro longa duração do projeto Paper Beat Scissors e gravado, à semelhança dos antecessores, na zona rural de Ontario, Parallel Line mergulha de modo ainda mais penetrante e realista do que os trabalhos antecessores numa folk que não deixa ninguém indiferente e que delicia pelo modo exímio como utiliza toda uma orgânica instrumental e vocal para dar vida a poemas lindíssimos, através da inserção de diferentes texturas, muitas vezes em várias camadas de sons. 

Se logo na acusticidade de Gun Shy percebemos que há aqui um charme incomum e que é viciante porque nos embala e paralisa, é na soul da guitarra de All It Was e no vasto emaranhado de interseções instrumentais que se estabelecem com as cordas nesse tema, que se percebe o nível mais apurado, maduro e coerente do cardápio atual de Paper Beat Scissors. De facto, ao terceiro trabalho Crabtree prova ter dado um salto qualitativo enorme no que concerne à sua capacidade de criar e recriar emoções e sentimentos, geralmente algo tristes e depressivos, sem nos trespassar a alma ou nos fazer sentir dor. Assim, se impressiona mais do que nunca a perceção de que é imensamente apurada a enorme sensibilidade e o intenso sentido melódico deste extraordinário músico e compositor, move-nos o desejo da audição contínua deste alinhamento de canções, a certeza de que são um bálsamo retemperador sempre que as temos por perto, em especial nos instantes da nossa existência em que precisamos de usufruir de um certo isolamento e tranquilidade que nos façam refletir e decidir novas opções e caminhos.

De facto, na toada mais vibrante e pulsante de Don't Mind, um tema sobre o destino e a pouca importância que as pedras que se atravessam no nosso caminho poderão ter quando estamos certo da rota que queremos trilhar, é evidente que ficamos ainda mais absorvidos por esta estética delicada, mas também plena de personalidade, cor e harmonia, mas também acabamos por, inconscientemente, ganhar ânimo para as batalhas futuras e os dilemas que carecem de mais ou menos urgente resolução.

Detentor de um registo vocal também ímpar e capaz de reproduzir variados timbres e diferentes níveis de intensidade, Crabtree tem um dom que certamente já terá nascido consigo e que se define pela capacidade de emocionar, mas também de nos converter a uma causa muito sua e que vive da visão poética de que as tesouras representam a agressão dos fantasmas do passado que muitas vezes insistem em se manter acoplados e o papel aquela tela branca que se disponibiliza a receber os nossos recomeços e expetativas. No fim, neste processo de passagem, a delicadeza e a candura acabam por vencer a agressividade e a rispidez, com estas canções a servirem de banda sonora exemplar durante este salto fraticida. Espero que aprecies a sugestão...

Paper Beat Scissors - Parallel Line

01. Respire
02. Gun Shy
03. All It Was
04. Don’t Mind
05. Grace
06. Anything
07. All We Know
08. Shapes
09. Better
10. Half Awake
11. Little Sun


autor stipe07 às 15:43
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Terça-feira, 17 de Setembro de 2019

R.E.M. - Fascinating

Depois da devastação provocada pelo furacão Dorian em algumas regiões das Caraíbas, com especial enfoque no arquipélago das Bahamas, foram várias as iniciativas do meio artístico com vista à angariação de fundos para os milhares que sofreram com esse fenómeno natural. Os R.E.M. foram um desses casos mais visíveis, com a divulgação de uma canção do grupo que estava guardada há quase vinte anos e à espera do momento certo para se revelar.

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Fascinating é o nome desse tema inédito da banda de Athens, na Georgia, uma composição gravada em dois mil e um nos Compass Point Studions, em Nassau, capital das Bahamas, durante as sessões de Around The Sun, o décimo terceiro álbum da carreira dos R.E.M. e que esteve para fazer parte do alinhamento do álbum seguinte, Reveal, editado três anos depois.

À época Fascinating era um dos temas preferidos de Michael Stipe de todas as composições que os R.E.M. estavam a compôr mas, por motivos pouco claros, acabou por não fazer parte de Reveal. Seja como for, esta belíssima melodia, assente num piano suplicante, uma batida sintetizada suave e vários efeitos borbulhantes, onde não faltam sopros, revelou-se em boa hora, com as receitas da sua venda, cerca de dois dólares, a reverterem para a fundação Mercy Corps, uma das mais ativas na ajuda imediata às vitimas do furacão e no apoio futuro à reconstrução das Bahamas. Confere...

We first became aware of Mercy Corps around the time of Hurricane Katrina, and we supported their efforts to help in that situation, I spend a lot of time every year in the Abaco Islands, which was literally ground zero for this disaster. I know a lot of people who lost everything—their homes, their businesses, literally everything they own is gone. I approached [R.E.M. manager] Bertis [Downs], and said, ‘ want to do something as a band to help out however we can. He suggested Mercy Corps, and I said, ‘That’s great—they’re a great organization.” (Mike Mills, baixista dos R.E.M.).


autor stipe07 às 13:25
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Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019

Belle And Sebastian - Days of the Bagnold Summer BSO

Cordas acústicas ou eletrificadas e de diferentes fontes, mas dedilhadas com inusitado prazer e uma prestação melódica irreprrensível, são o prato forte da banda sonora original do filme Days of the Bagnold Summer , um maravilhoso trabalho de interpretação sonora de uma trama realizada por Simon Bird e baseada no romance homónimo de Joff Winterhart que conta a história de um adolescente amante de heavy metal cujos planos para o verão vão por água abaixo no último minuto. Assim, vê-se preso por três longos meses à pessoa com quem mantém a relação mais enervante do mundo, a sua mãe. O protagonista desta história é interpretado por Earl Cave, actor já conhecido por participar na série The End of the F***ing World e os autores da banda sonora os escoceses Belle And Sebastian de Stuart Murdock, abrigados, como é habitual, pela Matador Records.

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A banda sonora de Days Of The Bagnold Summer conduz-nos até ao âmago daquela indie pop plena de sentimento e emotividade e, também por isso, tremendamente orelhuda. Canções do calibre de I Know Where the Summer Goes, uma daquelas canções que nos fazem sorrir de orelha a orelha mesmo que sem razão aparente, assim como os sopros da mais roqueira e atrevida Get Me Away From Here I’m Dying, já agora dois temas antigos dos Belle And Sebastian que estavam guardados na gaveta, têm esse efeito soporífero de nos agarrar pela mão e nos permitir fazer uma pausa melancólica e introspetiva, mas também festiva e colorida, dos nossos afazeres quotidianos, instigando-nos a imaginar e a recriar a nossa própria trama de um filme que terá, certamente, um travo fascinante e envolvente, até porque esta banda sonora é um registo que soa, no seu todo, otimista, alegre e descontraído e todos sabemos bem da importância que esta componente sonora dos filmes tem no sucesso dos mesmos no grande público.

També por causa deste conjunto de canções criadas pelos Belle And Sebastian, Days of the Bagnold Summer será, claramente, um filme tipicamente indie, coberto por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis, adornado com canções de elevada bitola qualitativa e que seduzem pela forma genuína e simples como retratam eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro e fantástico de um adolescente e uma mãe que terão, nos seus opostos, dicotomias e divergências profundas, marcas e traços identitários comuns a qualquer um de nós. Espero que aprecies a sugestão...

Belle And Sebastian - Days Of The Badnold Summer

01. Sister Buddha (Intro)
02. I Know Where The Summer Goes
03. Did The Day Go Just Like You Wanted?
04. Jill Pole
05. I’ll Keep It Inside
06. Safety Valve
07. The Colour’s Gonna Run
08. Another Day, Another Night
09. Get Me Away From Here I’m Dying
10. Wait And See What The Day Holds
11. Sister Buddha
12. This Letter
13. We Were Never Glorious


autor stipe07 às 13:40
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Sábado, 14 de Setembro de 2019

Perfume Genius – Eye In The Wall

Perfume Genius - Eye In The Wall

Cerca de dois anos e meio depois do excelente No Shape, Mike Hadreas, aka Perfume Genius, está de regresso com novidades que poderão muito bem antecipar o lançamento em breve do quinto álbum da carreira de um dos nomes mais excitantes do cenário musical alternativo. Importa, no entanto, ressalvar que Hadreas não este parado durante este par de anos, já que criou os temas Eighth GradeBooksmart e13 Reasons Why, para a banda sonora do filme The Goldfinch, além de ter andado em digressão a promover No Shape e de ter ainda autorizado algumas remisturas e participado em colaborações.

Entretanto também já era do conhecimento público que Perfume Genius andava a colaborar com a coreógrafa Kate Wallich e com a companhia de dança The YC, num bailado contemporâneo e numa performance ao vivo. O nome dessa inusitada obra éThe Sun Still Burns Here e têm sido poucos os detalhes revelados do produto final e da performance, estando o seu conteúdo confinado aos estúdios de dança onde têm decorrido os ensaios e as gravações.

Eye In The Wall acaba por ser o grande detalhe já revelado desse trabalho colaborativo, uma composição sonora assinada por Perfume Genius e que nos oferece uma espécie de sinistro western percurssivo, com uma impactante atmosfera lo-fi, mas também com aquela dose de delicadeza e emotividade que carateriza, através de um aparato tecnológico amplo, os principais caminhos de expressão musical da sua discografia. Confere...


autor stipe07 às 21:56
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Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

Bat For Lashes - Lost Girls

Já chegou aos escaparates Lost Girls, uma espécie de banda sonora de um filme retro centrado numa personagem chamada Nikki Pink, que vive numa Los Angeles alternativa à que conhecemos e que lidera um gangue velocipédico exclusivamente feminino dessa cidade. A autoria de tão curiosa obre é do projeto britânico Bat For Lashes, viu a luz do dia através da AWAL Recordings e sucede ao enigmático e melancólico registo The Bride, editado há cerca de três anos.

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São batidas sintéticas bem vincadas, um baixo encorpado, uma guitarra planante e uma vasta miríade de efeitos cósmicos, que nos fazem perceber, quase sem hesitação, o ideário estético desta nova coleção de canções de um extraordinário projeto que Natasha Khan, uma artista, cantora e compositora oriunda de Brighton, lidera, com notável bom gosto, há pouco mais de uma década. Num resultado final vincadamente oitocentista, Lost Girls escreve uma sentida carta de amor aquele glorioso universo synth pop sci-fi que brilhou esplendorosamente quando eramos miúdos e de certo modo nos moldou, enquanto faz uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta a quarenta anos. Tal é conseguido com elevado realismo atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com a pulsão rítmica que carateriza a personalidade de Bat For Lashes, que criou neste álbum mais um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas e que, diga-se em abono da verdade, tem passado grande parte da sua carreira a olhar sonoramente para o passado, até porque o legado de veteranas do calibre de Kate Bush ou Stevie Nicks são referências declaradas de Natasha.

Canções como Kids In The Dark, uma crónica impressiva e romântica da cidade que nunca dorme e que, como já referi, é nevrálgica no conteúdo do trabalho, os arranjos impregnados de nostalgia e com uma forte vibe atmosférica impressa nas interseções vocais, de The Hunger, as sintetizações dançantes de Feel For You e a doce sedutora melancolia que exala de Mountains e Jasmine acabam por ser sóbrios reveladores do claro charme e misticismo de um disco intimista e que prova a meritória capacidade que este projeto Bat For Lashes tem de se reinventar constantemente num nicho sonoro saturado de propostas e referências. Espero que aprecies a sugestão...

Bat For Lashes - Lost Girls

01. Kids In The Dark
02. The Hunger
03. Feel For You
04. Desert Man
05. Jasmine
06. Vampires
07. So Good
08. Safe Tonight
09. Peach Sky
10. Mountain


autor stipe07 às 15:36
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Quinta-feira, 12 de Setembro de 2019

Belle And Sebastian – This Letter

Belle And Sebastian - This Letter

Os escoceses Belle And Sebastian já têm sucessor para o aclamado álbum How to Solve Our Human Problems, lançado o ano passado. O novo trabalho discográfico da banda liderada por Stuart Murdock é a banda sonora do filme Days of the Bagnold Summer e irá ver a luz do dia amanhã, através da etiqueta habitual da banda, a Matador Records.

Realizado por Simon Bird, Days of the Bagnold Summer é um filme tipicamente indie, baseado no romance homónimo de Joff Winterhart. A trama conta a história de um adolescente amante de heavy metal cujos planos para o verão vão por água abaixo no último minuto. Assim, vê-se preso por três longos meses à pessoa com quem mantém a relação mais enervante do mundo, a sua mãe. O protagonista desta história é interpretado por Earl Cave, actor já conhecido por participar na série The End of the F***ing World. O filme está previsto para estrear no próximo ano.

Sister Buddha foi o primeiro single revelado deste novo álbum dos Belle And Sebastian e tema principal da banda sonora da película, que contém onze canções originais e duas novas versões de temas antigos do grupo escocês, I Know Where the Summer Goes Get Me Away From Here I’m DyingSafety Valve, a sexta canção do alinhamento, também é um tema antigo dos Belle And Sebastian, mas nunca foi gravado em estúdio anteriormente.

Quanto a This Letter, o mais recente single retirado da banda sonora, é uma canção melodicamente feliz e que conduzindo-nos de volta aos melhores instantes acústicos dos Belle And Sebastian, contém aquele requinte vintage que um dedilhar de cordas exemplar e luminoso nos oferece, sendo mais uma excelente porta de entrada para um alinhamento que será certamente instrumentalmente irrepreensível e sem atropelos ou agressividade desnecessária. Confere...


autor stipe07 às 16:13
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Terça-feira, 10 de Setembro de 2019

Pernice Brothers – Spread The Feeling

Formados em mil novecentos e noventa e sete, os míticos Pernice Brothers já não davam notícias desde o excelente registo Goodbye, Killer, editado em dois mil e dez. Depois desse disco, Joe Pernice, o grande mentor deste curioso projeto natural de Massachusetts e ao qual se junta o irmão Bob, voltou a reunir-se com os the Scud Mountain Boys, formou os New Mendicants com Norman Blake e Mike Belitsky, editou um álbum com o nome artístico Roger Lion, ajudado pelo produtor de hip-hop Budo e ainda escreveu para uma série televisiva canadiana intitulada The Detail. Agora, nove anos depois de Goodbye, Killer, os Pernice Brothers regressaram finalmente à linha da frente das prioridades artísticas de Joe, à boleia de Spread The Feeling, registo em que além da dupla de irmãos podemos conferir nos seus créditos nomes tão ilustres como Peyton Pinkerton, James Walbourne, Patrick Berkery, Ric Menck, Neko Case, Pete Yorn, Liam Jaeger e muitos outros.

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Sexto disco da carreira dos Pernice Brothers, Spread The Feeling foi gravado e misturado em Boston, Toronto e Washington e oferece-nos uma ode bastante realista e inspirada à herança sonora mais genuína de uma América que tem no garage rock com laivos de grunge, retratado com mestria em Mint Condition, uma das suas melhores inovações e adições à história musical contemporânea. Mas apesar de serem confessos apreciadores de um registo sonoro particularmente sujo e lo fi, os Pernice Brothers também nos levam facilmente e num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, à boleia de uma espécie de indie-folk-surf-suburbano, particularmente luminoso e que acaba por se tornar até viciante.

Assim, se aquela pop particularmente luminosa, radiofónica e tipicamente oitocentista é retratada com encanto na vibe soalheira que mistura cordas e pianos com esplendor em The Devil And The Jinn, também é audível no efeito da guitarra e no andamento frenético de Throw Me To The Lions e, numa filosofia estilística semelhante, no baixo imponente que conduz Lullabye. Depois, se o rock mais clássico está carimbado na ligeireza nada subtil de Skinny Jeanne e aquela indispensável abordagem mais soul presente em I Came Back, também somos, neste alinhamento rico e variado, convidados a viajar nas asas da folk mais genuína, irrepreensivelmente retratada nas cordas e na harmónica de Whiter On The Vine e, de modo mais intimista, na balada The Queen Of California.

Disco com um têmpero lo fi muito próprio e, no computo geral, guiado por um salutar indie rock com leves pitadas de surf pop, agregado com um espírito vintage marcadamente oitocentista, Spread The Feeling escuta-se de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação. É um daqueles trabalhos que provam que o rock pode ser básico e ao mesmo tempo encantador, divertido e melancólico, sem muito alarde. Espero que aprecies a sugestão...

Pernice Brothers - Spread The Feeling

01. Mint Condition
02. Lullabye
03. The Devil And The Jinn
04. Always In All Ways
05. Evidently
06. Wither On The Vine
07. Throw Me To The Lions
08. Skinny Jeanne
09. The Queen Of California
10. I Came Back
11. Eric Saw Colors
12. Frank Say (Bonus Track)
13. Unsound (Bonus Track)


autor stipe07 às 18:30
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Segunda-feira, 9 de Setembro de 2019

Death Cab For Cutie – The Blue EP

No último ano do século passado, mil novecentos e noventa e nove, os Death Cab For Cutie tinham apenas um par de anos de carreira. Nesse ano , um gasoduto explodiu em Bellingham, a cidade natal do grupo, perto de Washington e em resultado desse evento três crianças morreram, um rapaz de dezoito anos e dois com apenas dez. Este é, de certo modo, o ponto de partida para The Blue EP, o novo tomo de canções deste projeto formado atualmente por Ben Gibbard, Nick Harmer, Jason McGerr, Dave Depper e Zac Rae e que continua, esplendorosamente, a testar a nossa capacidade de resistência à lágrima fácil e a renovar com clarividência a impressão firme no lado de cá da barricada de estarmos perante uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe, como muito poucas, como agradar aos fãs.

In the waters where we used to swim, Where we thought we would be young forever, But beads that glisten on your sunburnt skin, Evaporated in the flames and embers, canta Ben Gibbard em Kids In ’99, o tema nevrálgico de The Blue EP e que nos oferece aquela irresistível sonoridade ampla, límpida, mas também indesmentivelmente intrincada e detalhisticamente rica que carateriza este trio. Nela, a voz cristalina de Gibbard, a delicadeza da guitarra e o vigor percursivo, mostram-se sem qualquer parcimónia, aglutinando um indie rock puro e genuíno, de calibre ímpar e com uma radiofonia que também não é, certamente, inocente.

Mas não é este single apenas o grande momento alto de The Blue EP. Aliás, o alinhamento começa em grande estilo com To The Ground, um portento sonoro épico conduzido por uma bateria grave que dá à tarola um protagonismo raro, um baixo eficaz e uma guitarra insinuante, sempre ali, a meio caminho de uma postura groove, mas de setas apontadas a riffs cheios de distorção, um tratado de pós punk que não fica a dever nada aos melhores intérpretes atuais deste subgénero do indie rock. Depois, num registo oposto, a cândura da acusticidade singela de Man In Blue, uma canção sobre a recusa em dialogar com um amor antigo, proporciona-nos o contacto feliz com a tal faceta mais sentimental e profunda dos Death Cab For Cutie. Depois, Before The Bombs, uma descrição de uma zona devastada por um cenário de guerra, ganha raízes numa toada mais pop e radiofónica e, por fim, Blue Bloods, nas asas de guitarras planantes e efeitos bastante sedutores e de timbre eminentemente metálico, induz-nos, sem dó nem piedade, aquele habitual grau de emotividade que carateriza o adn do grupo.

Gravado e produzido por Peter Katis, Rich Costey e a própria banda durante as mesmas sessões de gravação que incubaram Thank You For Today, o disco que os Death Cab For Cutie editaram o ano passado, The Blue EP mantém o projeto norte-americano na senda de uma narrativa geral em que o conceito de tragédia e dor é, decerto modo, o eixo fulcral do arquétipo filosófico das suas criações sonoras, mas em que é audível um equilibrio e balanço feliz, já que a opção sonora geral é rica em momentos deslumbrantes e que viciam facilmente. Espero que aprecies a sugestão...

Death Cab For Cutie - The Blue EP01. To The Ground
02. Kids In ’99
03. Man In Blue
04. Before The Bombs
05. Blue Bloods


autor stipe07 às 20:36
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Domingo, 8 de Setembro de 2019

Mando Diao – Long Long Way

Mando Diao - Long Long Way

E já a dezoito de outubro que chega aos escaparates Bang, o novo registo de originais dos suecos Mando Diao, uma banda de rock alternativo formada em dois mil e um, com origem em Borlänge e formada atualmente por Björn Dixgård, Mats Björke e Carl-Johan Fogelklou. Bang será o nono tomo da carreira dos Mando Diao, sucedendo ao excelente trabalho Good Times, editado na primavera de dois mil e dezassete.

Long Long Way é o mais recente single divulgado de Bang, uma composição bastante otimista e que impressiona pela exuberância das cordas e dos arranjos que as adornam, fazendo adivinhar um trabalho um pouco diferente de uma suposta escalada sonora e vertiginosa ao universo indie rock, cheio de adrenalina e com uma forte filosofia garageira, talvez o território onde este quarteto sueco se tem sentido mais confortável ao longo da carreira. Será, portanto, um registo um pouco diferente do que estamos habituados nos Mando Diao, que se têm valorizado pela originalidade simultaneamente vintage e contemporânea das suas obras, discos que sustentam uma identidade firme e coesa de uma banda que merece, claramente, uma superior projeção. Confere...


autor stipe07 às 16:02
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Sexta-feira, 6 de Setembro de 2019

Bon Iver - i,i

22, A Million, o excelente registo que o projeto Bon Iver de Justin Vernon lançou em dois mil e dezasseis, já tem sucessor. O novo trabalho do grupo liderado por este músico norte-americano natural de Eau Claire, no Wisconsin, chama-se i,i, tem novamente a chancela do selo Jagjaguwar e contém treze canções que trilham diversos caminhos, expandem horizontes e aprimoram o modo como Vernon se manifesta artisticamente num processo de mutação que reflete ousadia e inquietude, duas permissas indispensáveis em qualquer artista que queira levar cada vez mais adiante a sua carreira.

Resultado de imagem para Bon Iver i,i

i,i é o quarto registo do percurso discográfico de Bon Iver e conta com as participações especiais de James Blake, Aaron e Bryce Dessner, Moses Sumney, Velvet Negroni, Sean Carey, Andrew Fitzpatrick, Mike Lewis, Matt McCaughan, Rob Moose, Jenn Wasner, Phil Cook, Bruce Hornsby, Channy Leaneagh, Naeem Juwan, Veludo Negroni, Marta Salogni, Francis Starlite, Moses Sumney, TU Dance, o coro Brooklyn Youth e muitos outros, uma infindável lista que atesta o grau de ecletismo e de heterogeneidade de treze canções com uma sonoridade única e peculiar. É um alinhamento repleto de paisagens sonoras que, do minimalismo eletrónico eminentemente etéreo e com uma forte vocação experimental, ao R&B, passando pelo hip-hop e a típica pop do outro lado do atlântico, estão impregnadas com uma beleza e uma complexidade tal que merecem ser apreciadas com alguma devoção e fazem-nos sentir vontade, no fim, de carregar novamente no play e voltar ao início.

Nos efusiantes sopros e nas cordas vibrantes e luminosas de iMi, mas também na tonalidade eminentemente grave de We, induzida por um baixo vigoroso, acompanhada por uma vasta miríade instrumental, sempre insinuante, que busca a criação de uma paisagem algo inquietante, é-nos apresentado um álbum que até ao seu ocaso está repleto de paisagens onde o orgânico e o sintético se misturam com superior elegância. Estamos, sem dúvida, na presença de um conjunto notável de composições que, no seu todo, homogéneo e impressivo, nos oferecem um amplo panorama de descobertas sonoras, incubadas durante um processo criativo que terá sido claramente exaustivo e onde cada contributo, cada fragmento sonoro, cada peça de um puzzle repleto de emaranhados e detalhes difíceis de destrinçar, por mínimo que tenha sido, foi fundamental para o painel final, já que, se lá não estivesse, este catálogo de explosivas sensações ficaria incompleto e sem o fulgor e a beleza que transpira.

Disco imaginado por Justin Vernon, mas onde, como insinuei, cada artista convidado vestiu a sua própria pele enquanto se dedicou, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor lhe designou, i,i é, liricamente, um clamor ruidoso à necessidade imperiosa do autor de nos converter a uma causa que é muito sua, mas também passível de ser apropriada por qualquer um de nós, enquanto mostra ao mundo a sua identidade vincada e se assume explicitamente como um ser humano que tem as suas fragilidades e os seus demónios, mas que também tem um lado muito corajoso e interventivo. Nele, canções como Faith, uma composição que encontra o seu sustento em guitarras agrestes, sintetizadores incisivos e um registo vocal modificado, mas pleno de alma e de um sentimento e que nos enche de paixão e luz, mas também o modo delicado como o piano de U (Man Like) nos afaga a alma e a superior prestação vocal de Naeem, aliada a uma ala percurssiva que vai aumentando de arrojo à medida que nos reergue, ou o tom fortemente denso e contemplativo e os timbres de voz únicos em Jelmore, que, nesse tema, conseguem trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, são outros momentos obrigatório de contemplação enquanto se relacionam connosco com elevada empatia. Espero que aprecies a sugestão...

Bon Iver - i,i

01. Yi
02. iMi
03. We
04. Holyfields,
05. Hey, Ma
06. U (Man Like)
07. Naeem
08. Jelmore
09. Faith
10. Marion
11. Salem
12. Sh’Diah
13. RABi


autor stipe07 às 14:34
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Quinta-feira, 5 de Setembro de 2019

Kaiser Chiefs – Duck

Depois de há pouco mais de três anos os britânicos Kaiser Chiefs terem editado Stay Together, à altura o sucessor do excelente Education, Education, Education & War, de dois mil e catorze, a banda liderada pelo carismático Ricky Wilson e que conta atualmente na sua formação também com Andrew White, Simon Rix, Nick Baines e Vijay Mistry, está de regresso com Duck, um novo registo de originais que viu a luz do dia à boleia da Polydor Records e que, sendo uma espécie de continuação do conteúdo do antecessor, foi produzido pela própria banda de Leeds, com a ajuda de Ben H. Allen, que já tinha trabalhado com os Kaiser Chiefs em Education, Education, Education & War.

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Disco de difícil incubação, de acordo com o grupo e liricamente profundo, Duck encontra os Kaiser Chiefs numa espécie de natural encruzilhada entre a sustentação de uma herança sonora com mais de uma década e que nunca conteve um indesmentivel apelo radiofónico e o desejo nada disfarçado de explorarem sonoridades menos imediatas, uma vontade que se foi firmando no seio do grupo desde que o baterista Vijay Mistry substituiu Nick Hodgson em dios mil e catorze, até à altura o principal compositor da banda e que deixou, com a sua saída, um buraco difícil de preencher. Assim, se Education, Education, Education & War foi, à época, já um disco de ruptura e se Stay Together, um disco muito centrado na temática do amor, calcorreou territórios sonoros mais próximos da pop, em deterimento do indie rock que popularizou este projeto no início da carreira, Duck acaba por quebrar este processo evolutivo já que pouco acrescenta de inédito ao cardápio dos Kaiser Chiefs além do ambiente sonoro do antecessor. Tal constatação não é propriamente uma crítica negativa ao registo, sendo, principalmente, uma espécie de formulação da teoria que considera que o grupo encontrou uma nova zona de conforto e que quis, desta vez, explorá-la até à exaustão, ficando para discos futuros novos avanços na indução de nuances inéditas ao cardápio sonoro global da banda.

Assim, nesta espécie de limbo criativo em que assenta Duck, em canções como a efusiante People Know How To Love One Another, a melancólica Target Market, a vibrante Electric Heart ou a cósmica Record Collection, um single repleto de groove, conferimos, numa mesca de teclados e guitarras com a peculiar tonalidade grave e imponente da secção ritmíca deste quarteto, composições com o habitual acerto melódico e, por isso, contagiante e radiofónico, dos Kaiser Chiefs. Quem quiser encontrar mais do que isso neste registo poderá sentir-se, na minha opinião, algo defraudado. Confere...

Kaiser Chiefs - Duck

01. People Know How To Love One Another
02. Golden Oldies
03. Wait
04. Target Market
05. Don’t Just Stand There, Do Something
06. Record Collection
07. The Only Ones
08. Lucky Shirt
09. Electric Heart
10. Northern Holiday
11. Kurt Vs Frasier (The Battle For Seattle)


autor stipe07 às 10:24
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