Domingo, 28 de Julho de 2019

Of Monsters And Men – Fever Dream

Chama-se Fever Dream o novo álbum dos islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson, um trabalho que viu a luz do dia à boleia da etiqueta Republic Records e que sucede ao aclamado registo Beneath The Skin, lançado em dois mil e quinze.

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Imagine-se Reiquiavique em hora de ponta e um cruzamento onde estão parados projetos como os The Naked and Famous, Dirty Projectors, Childish Gambino e Katy Perry. Os semáforos avariam, todos chocam no centro do cruzamento e dessa explosão sónica acidental nasce Fever Dream, um disco produzido pela própria banda e por Rick Costey e que foi idealizado quase integralmente por Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, um exercício de escrita e composição que a própria vocalista já confessou ter sido particularmente exaustivo. O modus operandi foi o uso da guitarra acústica como instrumento fundamental do processo de criação do arquétipo melódico dos temas e depois o adorno das mesmas foi feito através do uso assertivo de um sintetizador caseiro. A partir daí, num caminho simbiótico entre o orgânico e o sintético, ganhou vida e cor um alinhamento que tem no tema Alligator, uma vibrante composição que agrega impecavelmente a filosofia sonora do disco, o seu ponto fulcral, mas também outros momentos de particular destaque. Um deles é Wild Roses, uma canção com um elevado cariz reflexivo e melancólico, que inicia com um melodia ao piano bastante aditiva, mas que depois se expande num pop rock apoteótico, através de guitarras pulsantes e sintetizadores plenos de epicidade,  à medida que a interpretação vocal de Nanna Hilmarsdóttir ganha entusiasmo e sentimento. Depois, a homenagem que é feita à beleza natural do país da banda em Róróró, a luminosidade do eletropop que edifica Waiting For The Snow, a canção do registo em que melhor ressoam os exímios recursos vocais de Nanna e a impecável performance percurssiva que temas como Ahay e Stuck In Gravity plasmam com superior quilate, são instantes que reforçam a consistência pura de um alinhamento que é também um tratado daquele pop rock apoteótico que se define com uma percussão vibrante e pleno de guitarras e onde cada verso de cada canção é entoado com sentimento e emoção.

Disco que deixa definitivamente de parte aquela pitada folk rock que fez sempre parte do adn dos Of Monsters and Men e que marcou os antecessores My Head is an Animal e Beneath the Skin, Fever Dream aposta definitivamente e em exclusivo naquela pop dançante e efusiva, uma nova postura sonora que acaba por provocar uma conexão imediata entre banda e ouvinte. O seu próprio cariz radiofónico, acessível e orelhudo tem o veneno eficaz para congregar uma vasta legião ainda maior de seguidores entusiastas e ávidos de canções impecavelmente produzidas e que apelem de modo incisivo à grandiosidade do sentimento, confirmando que este quarteto islandês representa muito do que de melhor o mercado alternativo e independente tem atualmente para oferecer. Espero que aprecies a sugestão.

Of Monsters And Men - Fever Dream

01. Alligator
02. Ahay
03. Róróró
04. Waiting For The Snow
05. Vulture, Vulture
06. Wild Roses
07. Stuck In Gravity
08. Sleepwalker
09. Wars
10. Under A Dome
11. Soothsaye


autor stipe07 às 11:00
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Sábado, 27 de Julho de 2019

Tiago Vilhena - D'esta vida

O músico e compositor Tiago Vilhena, que já foi George Marvison noutro projeto e membro dos Savana está prestes a estrear-se nos lançamentos discográficos com um disco que tem em D'esta vida o mais recente single divulgado, assim como o video do mesmo. A propósito deste lançamento, transcrevo o seu press release que descreve com particular grau de impressionismo quer o tema quer o seu filme...

D’esta Vida revela três modos de olhar para, ou de viver a vida, acabando sempre de relatar cada um deles com, e não vou dizer mal desta vida, mostrando que há inúmeras formas de abordar a nossa existência sem que nenhuma delas seja necessariamente melhor do que a outra. Para vincar esta opinião, Tiago escolheu convidar dois músicos para cantar as diferentes filosofias sendo que a primeira é cantada pelo próprio, a segunda é cantada pelo José Penacho (Marvel Lima e Zé Simples) e a terceira pela Bia (April Marmara).

O vídeo que acompanha a música é feito pela Zarolina, que no passado já fez um vídeo para o Tiago Vilhena quando ele usava o nome George Marvinson. Zarolina optou, desta vez, por apresentar silhuetas marcadas por sombras numa parede, deixando a objetividade a cargo da letra da música, acompanhando simplesmente o balanço e o andamento dos instrumentos.

A simplicidade que Tiago tenta puxar da música, apesar da complexidade harmónica, é já um hábito seu. Nesta música, ele mostra também um gosto por instrumentos de orquestra como violinos, dando uso à técnica pizzicato, trombone e tímpanos. Acabando com uma conclusão instrumental, onírica e nostálgica, ficamos com uma música que é também uma história e é também uma ode à diversidade e à aceitação da diferença. Confere...

Facebook: https://www.facebook.com/GeorgeMarvinson/

Instagram: https://www.instagram.com/tiagovilhenaa/


autor stipe07 às 17:20
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Sexta-feira, 26 de Julho de 2019

Generationals – Reader As Detective

Depois de uma revisitação da coleção de singles lançados durante a carreira, feita o ano passado à boleia de State Dogs: Singles 2017-18, a dupla Generationals de Ted Joyner e Grant Widmer, natural de Nova Orleães, no Louisiana e que se estrou nos discos há meia década com o aclamado registo Alix, está de regresso aos lançamentos discográficos com Reader As Detective, um compêndio de dez canções que viu a luz do dia a dezanove de julho último, à boleia da Polyvinyl Records.

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Quinto registo de originais da carreira dos Generationals, Reader As Detective é um alinhamento de forte cariz radiofónico, um tratado de indie rock repleto de fuzz e incisivo, pouco mais de trinta minutos inspirados e felizes no modo como nos fazem dançar e despertar em nós aquela alegria e boa disposição que muitas vezes buscamos na música e raramente encontramos com este acerto criativo.

Logo na batida majestosa de I’ve Been Wrong Before somos impelidos a saltar para a pista de dança, inebriados por uma guitarra com um fuzz arrebatador e estilisticamente próxima do melhor punk oitocentista. Depois, o luminoso groove do piano e dos reverbs que sustentam o festim pop I Turned My Back On The Written Word, o clima indie sombrio e nublado de Breaking Your Silence, o eletro que divaga por A List Of The Virtues e o travo mais melancólico de Gatekeeper e Xeno Bobby, dão continuidade a uma sensação permanente de otimismo, cor e euforia, num disco em que não falta um exemplar sentido de urbanidade e uma toada retro bastante apelativa.

Reader As Detective é mais um álbum perfeito para se perceber como este projeto deambula de modo escorreito entre abordagens mais electrónicas e tonalidades que exalam uma indie eminentemente nostálgica, sempre com uma base melódica muito elaborada e coesa, com pronunciadas influências quase sempre relacionadas com os teclados típicos do anos oitenta e que acabam por cair facilmente no goto do grande público, já que para os Generationals, independentemente da receita, uma toada experimental animada, luminosa e feliz é sempre algo transversal ao conteúdo musical que criam. Espero que aprecies a sugestão.

Generationals - Reader As Detective

01. I’ve Been Wrong Before
02. I Turned My Back On The Written Word
03. Breaking Your Silence
04. A List Of The Virtues
05. Gatekeeper
06. Xeno Bobby
07. Society Of Winners
08. Deadbeat Shiver
09. Save This For Never
10. Dream Box


autor stipe07 às 09:52
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Quinta-feira, 25 de Julho de 2019

DIIV – Skin Game

Será a quatro de outubro e à boleia da Captured Tracks que chegará aos escaparates Deceiver, o terceiro registo de originais dos nova-iorquinos DIIV de Zachary Cole Smith, músico dos Beach Fossils e que tem atualmente como companheiros de banda neste projeto Andrew Bailey (guitarra), Colin Caulfield (baixo) e Ben Newman (bateria). Gravado no passado mês de março em Los Angeles com o produtor Sonny Diperri, Deceiver irá suceder ao excelente Is The Is Are, um registo com já três anos e que não renegando totalmente os atributos essenciais do adn do grupo, assentes num garage rock que dialoga incansavelmente com o surf rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, conduziu-nos, na altura, a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi com aquela pop particularmente luminosa e com um travo a maresia muito peculiar.

DIIV, photo by <a href="http://www.coleybrown.com/">Coley Brown</a>

Is The Is Are foi um disco muito centrado nos problemas de Zachary com a adição às drogas, mas o músico confessou pouco depois do lançamento desse trabalho que não foi totalmente honesto no conteúdo do mesmo e que era altura de se dedicar verdadeiramente à superação desse problema. Assim, nos últimos três anos o músico tem realmente tentado lutar contra essa questão, tendo estado internado em diferentes clínicas. Skin Game, o primeiro single divulgado de Deceiver, um diálogo imaginário entre duas personagens, que poderão ser muito bem o próprio Zachary e os seus dilemas relativamente à psicotropia, debruça-se exatamente sobre esse processo de reabilitação que tem sido particularmente doloroso para um artista que parece já ter percebido que, além do indispensável isolamento, a auto sinceridade e a força de vontade são condições essenciais para o sucesso, conforme admitiu recentemente: Skin Game it’s an imaginary dialogue between two characters, which could either be myself or people I know. I spent six months in several different rehab facilities at the beginning of 2017. I was living with other addicts. Being a recovering addict myself, there are a lot of questions like, “Who are we? What is this disease?” Our last record was about recovery in general, but I truthfully didn’t buy in. I decided to live in my disease instead. “Skin Game” looks at where the pain comes from. I’m looking at the personal, physical, emotional, and broader political experiences feeding into the cycle of addiction for millions of us.

Sonoramente, Skin Game, um daqueles excelentes instantes sonoros que merecem já figurar em lugar de destaque na indie contemporânea, exala na sua majestosidade instrumental a melhor herança de uns Sonic Youth em plena forma, uma constatação também expressa com intensidade e requinte superiores, na crueza orgânica das guitarras, que fazem questão de viver ao longo da canção de braço dado com o salutar experimentalismo percurssivo do baixo e da bateria, uma simbiose que atinge mesmo, durante o refrão, patamares particularmente turtuosos. Em suma, Skin Game, faz adivinhar que o conteúdo de Deceiver será invariavelmente irrequieto, direto e a encarnação sonora de uma espécie de grito de revolta e de libertação, que se espera ser definitiva. Confere Skin Game e o artwork e a tracklist de Deceiver...

DIIV - Skin Game

01 Horsehead
02 Like Before You Were Born
03 Skin Game
04 Between Tides
05 Taker
06 For the Guilty
07 The Spark
08 Lorelai
09 Blankenship
10 Acheron


autor stipe07 às 10:44
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Quarta-feira, 24 de Julho de 2019

Message To Bears – Constants

Message To Bears é o nome do projeto a solo do cantor, compositor e multi-instrumentista inglês Jerome Alexander. Esta banda de um homem só estreou-se em 2007 com um EP que chamou a atenção pelo conteúdo um pouco confuso, com algumas distorções tímidas, violinos, ecos e susurros. Message To Bears encontrou um rumo mais definido no álbum seguinte, The Soul's Release, com uma sonoridade que passava pela pop atmosférica, a folk e o post rock, com destaque para as canções Joy LeavesCathing Fireflies e principalmente Where the Trees are Painted White. A esta promissora estreia nos álbuns sucedeu, em 2009, Departures, um disco ainda mais sólido, com melhor definição sonora e bastante hipnótico e, três anos depois, Jerome brindou-nos com Folding Leaves, um álbum surpreendente, rústico e orgânico, lançado pela Dead Pilot Records. Nessa altura Jerome mudou-se de Bristol para Londres, lançou mais dois discos, mas resolveu fazer marcha atrás, voltar à terra natal e criar no seu estúdio caseiro Constants, o seu quinto longa duração, um alinhamento de onze canções emocionalmente poderosas e com tudo para ser um marco discográfico do ano dentro do espetro sonoro em que se situa.

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Constants funciona como uma espécie de válvula de escape para o autor, já que no registo exorciza alguns demónios que o período londrino colocou no seu equilíbrio psicológico pessoal e serve para o ouvinte como um confortável e sossegado refúgio, num mundo cada vez mais dominado pela pressãoque é exercida pelos media. Esta é a grande ideia temática de quarenta minutos introduzidos, em On Reflection, por um ternurento piano que logo nos abre de par em par um portal de luz, magia e cor, incomparável a algo que faça parte do mundo concreto em que vivemos.

Saborear Constants tem obrigatoriamente essa permissa de suscitar no ouvinte a necessidade de usar a sua imaginação para melhor percepcionar um universo mágico e que causa impacto por ser complexo e detalhado, mas também (e isso é possível) graciosamente simples. Nele, Jerome combinou em várias canções diversas camadas de cordas, com elementos percurssivos eminentemente orgânicos e melodias sintetizadas únicas e criou assim um ambiente aconchegante, difícil de definir, um som que se constrói ao longo de cada canção e em todo o álbum, com especial destaque para a graciosidade de Raining Whilst She Sleeps, a religiosidade de Rescue, o cariz místico dos violinos que gravitam em Away From You e a esplendorosa emotividade que exala em cada nota e arranjo de Small Light.

Em Bristol, Jerome consegue testemunhar com outra clarividência a constância das estações do ano, os diferentes sons que a natureza tem durante essa roda viva, os odores dos cursos de água, este ciclo da vida e da morte que recorda ao músico quer o efémero da sua existência quer a fragilidade e tantas vezes a insginificância que carateriza a presença de tantos de nós neste mundo. A eletrónica ambiental inspirada de Constants é o tal refúgio, mas também um grito de alerta, um apelo ao desassossego onde estão plasmadas emoções e sugestões sempre de modo humilde, carinhoso, sincero e, obviamente, nada pretensioso. Espero que aprecies a sugestão...

Message To Bears - Constants

01. On Reflection
02. Raining Whilst She Sleeps
03. Pull Apart
04. All We Said
05. Rescue
06. New Air
07. Away From You
08. Small Light
09. Convalescence
10. We All Were Swallowed By Sleep
11. Nowhere


autor stipe07 às 16:21
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Terça-feira, 23 de Julho de 2019

Stereo Total - Ah! Quel Cinéma!

Um dos nomes míticos do catálogo da Tapete Records são os Stereo Total, dupla que começou a fazer música antes da internet existir, antes do Euro, antes da Alemanha se reunir e antes ainda de haver bandas ou músicas. Aliás, pelo andar da carruagem, os Stereo Total provavelmente ainda estarão a tocar quando tudo isso for consignado ao lixo da história. O grupo é composto por Françoise Cactus, também apresentadora de rádio e Brezel Göring, um homem cuja escolha do nome artístico foi motivada pelo desejo de não ser levado a sério pela música e pelos escribas.

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Quando começaram a fazer música juntos, os Stereo Total tinham como missão romper as regras, desestabilizar as ideias e sarcasticamente repelir amantes sérios de música enquanto os chocam com uma engenharia de som muito abaixo dos padrões dos ouvintes do mainstreamAh! Quel Cinéma!, o novo álbum da dupla e décimo segundo da carreira dos Stereo Total, é um descendente fiel de toda uma linhagem de discos que têm reforçado a já mítica propensão deste projeto para o jogo de palavras, mesmo que tal desiderato não esteja em evidência em todas as letras que apresentam. Sendo um álbum com não um, mas dois pontos de exclamação no título, aprimora ainda mais essa caraterística única da dupla, com temas como lesões pessoais (Ich bin cool), traição (Mes copines), deficiências de personalidade provocadas pelo abuso de drogas (Methedrine), raiva (Hass-Satellit) opiniões inflamadas de si próprio (Brezel says), suicídio (Le Spleen), luto (Dancing with a memory) e almas atormentadas (Elektroschocktherapie) a serem apresentadas em formato panorâmico e, muitas vezes, da forma mais divertida possível.

Musicalmente,  Ah! Quel Cinéma! acaba por ser de difícil catalogação e esse é, naturalmente, um dos principais elogios que se pode fazer ao panorama geral criado pelas suas catorze composições. Se álbuns anteriores dos Stereo Total ressoaram com influências de chanson, trash, disco para punk, rock'n'roll e NDW (New Wave alemão), Ah! Quel Cinéma! tem como grande enfoque uma espécie de rock de garagem Lo Fi, trespassado por uma eletrónica sagaz que não descura uma forte toada orgânica e sensitiva, assente numa vasta gama instrumental de instrumentos mais propensos a serem encontrados nas mãos de crianças em lares onde uma educação musical não está na agenda. Um órgão de plástico de bébé, um piano de brincar, acompanhado por guitarras caseiras e um Casio adquirido numa feira em segunda mão, são alguns dos exemplos dessa pafernália. Nela, cada instrumento musical provavelmente poderia ser traduzido em coordenadas sociais e, nesse sentido, as ferramentas do comércio de Stereo Total falam uma linguagem inequívoca. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:17
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Segunda-feira, 22 de Julho de 2019

Foreign Poetry - Chain Of Events

Os Foreign Poetry são Danny Geffin e Moritz Kerschbaumer. Danny é inglês, Moritz é austríaco e ambos tocam vários instrumentos e escrevem canções. Conheceram-se em Londres, durante o verão de dois mil e onze, quando tocavam em projetos diferentes e se cruzaram na mesma noite no The Ritzy, em Brixton. Moritz tocava com Luís Nunes, mais conhecido por (Walter) Benjamin e Danny era uma das duas metades dos Geffin Brothers. Alguns anos depois Moritz enviou a Danny duas ideias para canções nas quais andava a trabalhar e este retribuiu dias depois devolvendo-as cheias de ideias novas. Este encontro tornou-se num hábito, as ideias de ambos começaram a andar para trás e para a frente e ao fim de um ano neste modus operandi, estava praticamente estruturado um alinhamento de canções intitulado Grace and Error on the Edge of Now e que irá ver a luz do dia a vinte de Setembro pela Pataca Discos.

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Polido nos estúdios da Pataca Discos, em Lisboa, onde o disco ganhou novas e belas texturas, com a ajuda dos Anna Louisa Etherington (violino), Alice Febles Padron (coros), Luís (W. Benjamin) Nunes (bateria, percussão e coros) e Tony Love (bateria), Grace and Error on the Edge of Now será uma estreia em grande de um projeto que serviu-se de variadas texturas e arranjos, melodias vocais com raízes folclóricas e uma crua vulnerabilidade, para incubar uma espécie de álbum conceptual, que aborda ideias tão mundanas como o universo pessoal, a adolescência e a juventude, o impacto da teconologia na condição humana e as complexidades da vida e das relações humanas, mas de um modo relevante, provocador e rico. Nele, Moritz e Danny criaram paisagens sonoras e orquestrações complexas, mas também apostaramem grooves mais descontraídos e numa narrativa lírica eminentemente simples, com nomes como Arthur Russell, The National, Lambchop e Future Islands, a serem referências óbvias de um compêndio de rock psicadélico, mas sem rock nem psicadelia no seu estado mais puro, já que a folk é também um ingrediente essencial de toda a trama sonora do registo.

Chain Of Events, um dos temas já divulgado deste álbum de estreia dos Foreign Poetry que, já agora, foi misturado por Luís Nunes e o próprio Moritz Kerschbaumer e masterizado por Tiago de Sousa, é um bom exemplo do tal trabalho colaborativo entre a dupla, muitas vezes à distância, acima descrito. Moritz começou por esboçar o tema instrumentalmente, Danny acrescentou as letras e depois, juntos em estúdio, desenvolveram um pouco mais esta música sobre a quantidade de desinformação, preconceito e emoção que alimenta estes tempos e misturaram-na. O resultado final, alicerçado na bitola sonora acima descrita, é um tratado sobre a história do mundo e a psique humana, como eles estão inseparavelmente relacionados um com o outro e como repetimos os erros da história, mesmo quando vemos tudo acontecer no nosso caminho outra vez. Nada nunca permanece o mesmo, tudo é repetido.

O videoclip da canção acaba por obedecer ao propósito dos Foreign Poetry de criar algo que fosse real, visualmente cru e historicamente relevante, algo que encapsulasse a estrutura que permitiu à humanidade chegar a esta vida privilegiada de futurismo e pronunciada inércia. As filmagens foram tiradas de partes de Why We Fight de Frank Capra, uma série de vários filmes de propaganda de início do século passado, usados com o objetivo de persuadir o público americano a apoiar a guerra. São imagens incríveis, de um tempo incrível, onde havia tudo a perder e a segurança das pessoas estava em constante vulnerabilidade. Confere...


autor stipe07 às 16:30
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Sábado, 20 de Julho de 2019

Tricycles - Hamburger

João Taborda, Afonso Almeida, Edgar Gomes e Sérgio Dias são os Tricycles, uma espécie de super grupo que se estreou recentemente nos registos discográficos com um homónimo, gravado e produzido por Nelson Carvalho e editado pela Lux Records e que foi alvo de revisão atenta neste blogue.

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Descritos como um triciclo no alto de uma duna, a ver o mar, a sentir o sol quente nas rodas pintalgadas de areia, com uma certa comichão no volante por causa da humidade salgada, os Tricycles continuam a tirar dividendos desse registo e o mais recente é a divulgação de um vídeo de Hamburger, o segundo tema do seu alinhamento, juntamente com o anúncio do lançamento de Tricycles em formato vinil, lá para o final do ano, talvez ainda a tempo das próximas compras de Natal.

Canção sobre um assunto falsamente risível, (...) a vertigem da queda, que pode ter muitas formas, algumas mais subtis que outras, ou seja, um hamburger muito pouco gourmet, Hamburger oferece-nos um dos instantes mais solarengos e festivos de um disco com uma filosofia interpretativa que dá a primazia à guitarra quer no processo de criação melódica, quer também no modo como as canções vão sendo adornadas, geralmente com rudes baixos que conversam com educadas baterias e pianos falsamente corteses. Este é, pois, um dos momentos maiores de um alinhamento que nos deixa algo inebriados, doze canções que acabam por funcionar, no seu todo, como um sentido quadro sonoro, pintado com belíssimos arranjos e transições entre um alargado e rico espetro sonoro, que abarca alguns dos melhores tiques e heranças do indie rock das últimas décadas.

O videoclip de Hamburger foi filmado em Coimbra, realizado e editado pelo Bruno Pires e João Taborda, e conta com uma série de ilustres convidados da cidade: Vitor Torpedo, António Olaio, Ricardo Jerónimo, Pedro Chau, Pedro Renato, MC Ruze, Maria João Robalo e Joana Cipriano. Confere...


autor stipe07 às 16:30
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Quinta-feira, 18 de Julho de 2019

Villagers – Summer’s Song

Villagers - Summer's Song

Os irlandeses Villagers são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical.

Com um trajeto musical bastante profícuo nos últimos anos, além de intenso e rico, com momentos discográficos significativos do calibre de Becoming a Jackal (2010), {Awayland} (2013) e Darling Arithmetic (2015), entre outros, os Villagers tardam em anunciar um novo registo de originais que suceda a The Art Of Pretending To Swim, editado o ano passado, mas têm uma nova canção, por sinal perfeita para este inconstante julho. O tema chama-se Summer's Song, é um belíssimo tratado pop, que impressiona pela cadência rítmica, pela robustez das cordas e, principalmente, por um coro de seis fliscornes (instrumento de sopro semelhante a um trompete), que confere uma luminosidade ímpar àcomposição. Será possível apreciares este e outros temas no dia dois de Agosto, em Chaves, no festival N2. Confere...


autor stipe07 às 16:12
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Quarta-feira, 17 de Julho de 2019

Peter Perrett – Humanworld

Já chegou aos escaparates Humanworld, o segundo registo de originais da carreira a solo do mítico artista Peter Perrett, antigo vocalista dos The Only Ones, banda que também ajudou a fundar e que acabou por ter um papel preponderante durante o auge da cena punk/new wave britânica, entre os anos setenta e oitenta do século passado. Sucessor do aclamado How The West Was Won, editado em dois mil e dezassete, Humanworld tem a chancela da Domino Records, numa carreira a solo que também funciona como um elíxir terapêutico de excelência após um complicado período de adições psicotrópicas, algo bem percetível num alinhamento em que Perrett volta a dissertar sobre o amor a e política com o habitual sarcasmo que carateriza esta personagem ímpar do cenário musical alternativo britânico.

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Texturalmente e sonicamente rico, urgente e conciso, Humanworld escorre de rajada (doze temas dividios por cerca de trinta e cinco minutos) e com uma leveza algo intrigante, porque se as canções têm um forte cariz radiofónico e uma altivez pop indesmentível, também possuem uma aúrea de mistério e consistência capazes de deixar o ouvinte a refletir sobre o seu conteúdo. Logo a abrir, em I Want Your Dreams, se nas interseções entre baixo e sintetizadores, que são depois abafadas por uma guitarra exuberante, Peter Perret reinvindica os nossos sonhos e quer deles apropriar-se de um modo tipicamente vampiresco e se na pop cósmica de Once Is Enough o músico mantém essa toada altiva e até algo desafiante, aprimorada um pouco adiante no travo punk libidinoso de Believe In Nothing, já no manto de acusticidade tipicamente brit de Heavenly Day o músico começa a mostrar uma faceta mais sentimental e até ternurenta, que depois se aprimora e atinge os píncaros daquela irecusável nostalgia que a todos toca em The Power Is In You, uma majestosa composição em que não faltam violinos e uma vasta panóplia de efeitos ecoantes, detalhes que ajudam o ouvinte a sentir-se ainda mais embalado e seduzido.

É nesta contínua dicotomia entre a vontade de querer dominar o ouvinte e tomar posse de todo o seu eu, mas também ser embalado e entendido por ele, que Peter Perrett conduz um bom disco de indie pop rock, feito da mais pura estirpe de terras de Sua Majestade e que, apesar de piscar o olho a heranças diretas do pós punk e onde não faltam também vias sonoras abertas para o pop rock, a new wave e o grunge, define-se sonoramente pelo modo como faz exalar um intenso charme da agregação de todos estes subgéneros, uma combinação conseguida com superior sentido criativo e à boleia de uma vontade expressa de procurar diferentes ritmos e abordagens instrumentais, sempre com considerável dose de loucura, divertimento e inegável boa disposição e anormalidade. Espero que aprecies a sugestão...

Peter Perrett - Humanworld

01. I Want Your Dreams
02. Once Is Enough
03. Heavenly Day
04. Love Comes On Silent Feet
05. The Power Is In You
06. Believe In Nothing
07. War Plan Red
08. 48 Crash
09. Walking In Berlin
10. Love’s Inferno
11. Master Of Destruction
12. Carousel


autor stipe07 às 19:49
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Terça-feira, 16 de Julho de 2019

Work Drugs – Surface Waves EP

Os Work Drugs de Benjamin Louisiana e Thomas Crystal são uma dupla de Filadélfia já com um assinalável cardápio e que se mantém bastante ativa e profícua, lançando um disco praticamente todos os anos, além de alguns singles e compilações, desde que se estrearam com Summer Blood, há já quase uma década. Enquanto não chega aos escaparates lá para o final deste ano o sucessor do excelente Holding On To Forever de dois mil e dezoito, têm-se mostrado visíveis e audíveis com a edição em formato EP. Belize foi editado em março e agora acaba de ser divulgado Surface Waves. Ambos compilam não só alguns singles que poderão fazer parte desse novo álbum dos Work Drugs, mas também diversos instrumentais e material nunca antes divulgado e que foi sobrando das sessões de gravação de alguns dos antecessores do futuro trabalho discográfico do projeto.

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Surface Waves contém oito composições perfeitas para saborear estes últimos raios de sol mais quentes, enquanto não chega a longa penumbra outunal e o interminável frio e implacável inverno. Se a melhor herança de Michael Jackson conduz Embers Never Fade e uma bateria eletrónica bastante insinuante sustenta Burned, em L.A. Looks dominam paisagens com uma mais acentuada tonalidade surf rock, enquanto a chillwave de Counterclaims contém um encanto vintage, relaxante e atmosférico, intenso e charmoso.

O resultado final de Surface Waves é um compêndio particularmente eclético, que além de proporcionar instantes de relaxamento, também poderá adequar-se a momentos de sedução e recolhimento, um EP que faz adivinhar um disco tremendamente sensorial e emotivo e que será, sem dúvida, mais um episódio significativo e bem sucedido num já riquíssimo compêndio proporcionado por um dos projetos mais excitantes da pop contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Work Drugs - Surface Waves

01. Embers Never Fade
02. Burned
03. L.A. Looks
04. Counterclaims
05. Reunions
06. Do It Like We Used To Do
07. Counterclaims (Instrumental)
08. Embers Never Fade (Instrumental)


autor stipe07 às 20:55
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Segunda-feira, 15 de Julho de 2019

Dope Lemon – Smooth Big Cat

Os seguidores mais atentos do universo sonoro indie e altrnativo já terão certamente ouvido falar de Angus Stone, um cantor, compositor e produtor australiano, nascido a vinte e sete de abril do já longínquo ano de mil novecentos e oitenta e seis e que se tem notabilizado com a sua irmã, formando juntos o duo Angus & Julia Stone, já com quatro discos em carteira, numa carreira iniciado há cerca de uma década com o excleente, Smoking Gun. Ora, Angus Stone também tem uma carreira a solo, onde assina com o pseudónimo Dope Lemon, iniciada há três anos com o registo Honey Bones, que teve sequência, no ano seguinte, com o EP Hounds Tooth e que vê agora sucessor com Smooth Big Cat, dez canções abrigadas pela BMG Australia e que, rezam as crónicas, se tornaram num verdadeiro desafio para o músico, que procurou um ambiente intimista e recatado sem colocar em causa o exigido som de estúdio que faz parte do seu adn.

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Tal cono o antecessor, Smooth Big Cat foi gravado nos estúdios Belafonte, que pertencem ao próprio Angus Stone e que se situam num rancho que tambem possui. Stone tocou e gravou todos os instrumentos e misturou e produziu todas as dez composições de um trabalho que relata a vida de uma personagem chamada exatamente Dope Lemon e que funciona como uma espécie de alter-ego do artista. Dope Lemon é, no fundo, um tipo normal mas também bizarro e sempre bem disposto e otimista, que gosta de estar no seu canto a ouvir música com um copo numa mão e um cigarro na outra.

É esta a figura que trespassa a filosofia temática das dez canções de Smooth Big Cat, que tiveram na sua concepção como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica de cariz eminentemente etéreo e contemplativo, com uma considerável vertente experimental associada. Canções como a boémia Hey You, movida a cordas reluzentes, adornadas por diversos efeitos e acamadas numa batida algo hipnótica, a cósmica Salt & Pepper, que impressiona pelo efeito metálico e pela vasta miríade de elementos percurssivos, a lisérgica Hey Little Baby, um portento de acusticidade que se espraia por cinco minutos particularmente solarengos, a mais épica e orgânica Lonely Boys Paradise ou a romântica Give Me Honey, oferecem-nos um cândido alinhamento repleto de blues folk acústica particularmente embaladora e intimista, mas também de um rock bastante sui generis, porque não se faz só de guitarras, mas acima de tudo de fragmentos de sons sintetizados e distorcidos, versos hipnóticos, um registo vocal muitas vezes sussurrante, geralmente dialogante e com forte pendor lo fi e também subtis instantes melódicos de pura subtileza e encantamento. 

Disco homogéneo e que nos permite aceder a uma outra dimensão, mística e cósmica, num subida feita à boleia de timbres, detalhes e harmonias, agregadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, Smooth Big Cat tem aquele travo despreocupado e ligeiro que, sendo particularmente sedutor, provoca imediato encantamento, fazendo-o sem descurar as mais básicas tentações pop, com tudo a soar, no final e no seu todo, utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

Dope Lemon - Smooth Big Cat

01. Hey You
02. Salt And Pepper
03. Hey Little Baby
04. Lonely Boys Paradise
05. Give Me Honey
06. Dope And Smoke
07. Smooth Big Cat
08. The Midnight Slow
09. Mechanical Bull
10. Hey Man, Don’t Look At Me Like That


autor stipe07 às 16:45
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Domingo, 14 de Julho de 2019

Bon Iver – Faith

Bon Iver - Faith

22, A Million, o excelente registo que o projeto Bon Iver de Justin Vernon lançou em dois mil e dezasseiss, já tem sucessor. O novo trabalho deste músico norte-americano natural de Eau Claire, no Wisconsin, chama-se i,i, terá novamente a chancela do selo Jagjaguwar e irá conter treze canções que trilham diversos caminhos, expandem horizontes e aprimoram o modo como Vernon se manifesta artisticamente num processo de mutação que reflete ousadia e inquietude, duas permissas indispensáveis em qualquer artista que queira levar cada vez mais adiante a sua carreira.

i,i será o quarto registo do percurso discográfico de Bon Iver, conta com as participações especiais de James Blake, Aaron Dessner, Moses Sumney e Velvet Negroni e tem já vários temas do seu alinhamento divulgados. O mais recente é Faith, uma canção que encontra o seu sustento em guitarras agrestes, sintetizadores incisivos e um registo vocal modificado, mas pleno de alma e sentimento e que nos enche de paixão e luz. Confere Faith e o alinhamento de i,i... 

01 Yi
02 iMi
03 We
04 Holyfields,
05 Hey, Ma
06 U (Man Like)
07 Naeem
08 Jelmore
09 Faith
10 Marion
11 Salem
12 Sh’Diah
13 RABi


autor stipe07 às 22:02
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Sábado, 13 de Julho de 2019

Of Monsters And Men – Wild Roses

Of Monsters And Men - Wild Roses

Chama-se Fever Dream o novo álbum dos islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson, um trabalho com edição prevista no final deste mês de julho, à boleia da etiqueta Republic Records e que já tem alguns dos seus temas editados em formato single.

O single mais recente divulgado de Fever Dream é Wild Roses, uma canção com um elevado cariz reflexivo e melancólico, que inicia com um melodia ao piano bastante aditiva, mas que depois se expande  num pop rock apoteótico, através de guitarras pulsantes e sintetizadores plenos de epicidade,  à medida que a interpretação vocal de Nanna Hilmarsdóttir ganha entusiasmo e sentimento. Confere...


autor stipe07 às 11:30
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Quinta-feira, 11 de Julho de 2019

The Soft Cavalry – The Soft Cavalry

Mestres e pioneiros do shoegaze e uma referência ímpar do indie rock alternativo de final do século passado, os britânicos Slowdive voltaram a reunir-se há quase meia década, vinte e dois anos depois de Pygmalion (1995), e fizeram-no com a edição de um disco homónimo que continha oito maravilhosas canções que fizeram as delicias de todos os seguidores deste nome incontornável da cena musical contemporânea. Mas além desse quarto álbum dos Slowdive e de uma aclamada digressão, o novo fôlego desse projeto também fez com que Rachel Goswell, a vocalista e guitarrista, conhecesse Steve Clarke. Daí resultou uma união sentimental já oficializada e o surgimento de um novo projeto encabeçado pela dupla e intitulado The Soft Cavalry, que acaba de se estrear nos discos com um fabuloso homónimo, à sombra da insuspeita Bella Union.

Resultado de imagem para The Soft Cavalry The Soft Cavalry

Explorando, tal como os Slowdive, os mesmos meandros do indie rock mais contemplativo, melancólico e atmosférico, os The Soft Cavalry vão um pouco mais longe, injetando na sua sonoridade uma maior vertente sintética, atributo plasmado num disco homónimo produzido por Michael Clarke, irmão de Steve e que contém uma indesmentível aúrea de dramatismo e espiritualidade, como seria de esperar num registo que é também um ato de amor genuíno partilhado por duas pessoas que, tendo casado o ano passado e vivendo em Devon, encontraram uma na outra e na música um novo e feliz fôlego para as suas vidas pessoais.

Intensamente melódico e com uma atmosfera sonora a lembrar interseções eficazes entre nomes tão ímpares como os Pink Floyd, Talk Talk ou R.E.M., The Soft Cavalry reescreve, de certo modo, a narrativa de Steve, um homem que viveu os últimos anos profundamente amargurado com o destino, fruto de um divórcio conturbado em dois mil e onze e que, mesmo a tocar baixo em alguns projetos ou a agenciar digressões de bandas como os já referidos Slowdive, só reencontrou o equilíbrio depois de conhecer Rachel. Assim, homenageando a sua nova companheira e servindo-se dos imensos atributos vocais e interpretativos dela, Steve criou neste álbum um extraordinário exercício de criatividade terapêutica, com canções como a buliçosa e enleante Bulletproof, a nostálgica Never Be Without You, a etérea Passerby, uma canção sobre abraços genuínos ou Spiders, uma balada sobre a fase inicial do encantamento por alguém, a abrigarem-se numa filosofia estilística simples e nebulosa, mas bastante melódica e climática.

Com as participações especiais do teclista Jesse Chandler (Mercury Rev, Midlake), do guitarrista Tom Livermore e do baterista Stuart Wilkinson, este é, pois, um disco que se arrasta com complacência e sem pressas, espraiando-se no tempo certo, alicerçado em melodias envoltas por cordas de forte pendor acústico e orgânico, mas amiúde eletrificadas com uma subtil vibração metálica particularmente charmosa, girando tudo em redor de um sintetizador assertivo e com efeitos recheados de eco, nuances que fazem sobressair a aura melancólica e mágica de um alinhamento que também deve muito do seu cariz impressivo aos tais atributos vocais de Rachel, que reforçam a elevada bitola qualitativa da estreia destes novos mestres da melancolia aconchegante.

Os The Soft Cavalry emergem-nos num universo muito próprio e no qual só penetra verdadeiramente quem se predispuser a se deixar absorver pela sua cartilha. E o arquétipo sonoro de tal ambiente firma-se também num falso impressionismo e num exemplar cariz lo fi na produção, elementos que costuram e solidificam um som muito homogéneo e subtil e, também por isso, bastante intenso e catalizador, plasmado num trabalho discográfico que tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, sendo, no seu todo, um disco cuja atmosfera densa e pastosa, é também libertadora e esotérica. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Cavalry - The Soft Cavalry

01. Dive
02. Bulletproof
03. Passerby
04. The Velvet Fog
05. Never Be Without You
06. Only In Dreams
07. Careless Sun
08. Spiders
09. The Light That Shines On Everyone
10. Home
11. Mountains
12. The Ever Turning Wheel


autor stipe07 às 21:45
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Terça-feira, 9 de Julho de 2019

Graveyard Club - Goodnight Paradise

Oriundos de Minneapolis e já com a reputação de serem uma das melhores bandas ao vivo da atualidade nessa cidade, os Graveyard Club são Matthew Schufman (voz e sintetizadores), Michael Wojtalewicz (guitarra), Cory Jacobs (bateria) e Amanda Zimmerman (baixo, voz), um coletivo que se juntou para fazer música há cerca de meia década, inspirado por interesses comuns tão díspares como um fascínio comum pela pop oitocentista, pelo cardápio sonoro de Ryan Gosling, que também fez história na mítica banda Dead Man's Bones e pelas narrativas do aclamado autor de ficção científica Ray Bradbury. Estrearam-se no início de dois mil e catorze com o EP Sleepwalk, ao qual se seguiram o álbum de estreia Nightingale, em setembro desse ano e o sucessor Cellar Door, em agosto de dois mil e dezasseis e o ano passado deram mais um sinal de vida com o single Ouija.

Resultado de imagem para Graveyard Club Goodnight Paradise

Agora, pouco mais de um ano depois desse tema, os Graveyard Club estão de regresso com um álbum intitulado Goodnight Paradise, um alinhamento de treze canções gravadas e produzidas por Andy Thompson e que colocam este projeto definitivamente não só na mira da crítica especializada, mas também de um número cada vez maior de seguidores de um estilo sonoro que mistura rock e pop, com uma toada noise e um elevado pendor shoegaze.

Witchcraft, uma imponente canção que nos transporta para um universo algo sonhador e íntimo, mesmo sendo inexistente e que sonoramente abriga-se em cordas inspiradas, replicadas com um desempenho orgânico ímpar mas também em sintetizadores de forte travo oitocentista, dá o pontapé de saída para um disco que é, no seu todo, um tratado sonoro que tem tanto de nostálgico como de imponente e vanguardista. À medida que divagamos por canções como William, um festim sintético repleto de cosmicidade, pela mais climática, contemplativa e angulosamente cinquentista Finally Found, pela divagante e pouco ébria Maureen ou pela efusiante Deathproof, repete-se uma receita tremendamente eficaz, assente numa guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, baixos contundentes e amplificadores sem receio de abusarem numa panóplia de efeitos e sons particularmente eclética, tudo apoiado por um prodigioso abastecimento de instintiva simplicidade, que não é mais do que um rigoroso espelho da filosofia eclética, abrangente e sofisticada que rege o formato sonoro destes Graveyard Club

Álbum em que foi notório o desejo de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie e o post rock, Goodnight Paradise é um compêndio sonoro cheio de energia e dominado por um descarado sentimento de urgência que poderá mostrar a luz a este grupo caso tenha a pretensão de ascender definitivamente à premier league rockeira do outro lado do atlântico. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:43
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Segunda-feira, 8 de Julho de 2019

Belle And Sebastian – Sister Buddha

Belle And Sebastian - Sister Buddha

Os escoceses Belle And Sebastian parecem já ter sucessor para o aclamado álbum How to Solve Our Human Problems, lançado o ano passado. O novo trabalho discográfico da banda liderada por Stuart Murdock será a banda sonora do filme Days of the Bagnold Summer e irá ver a luz do dia a treze de Setembro, através da etiqueta habitual da banda, a Matador Records.

Realizado por Simon Bird, Days of the Bagnold Summer é um filme tipicamente indie, baseado no romance homónimo de Joff Winterhart. A trama conta a história de um adolescente amante de heavy metal cujos planos para o verão vão por água abaixo no último minuto. Assim, vê-se preso por três longos meses à pessoa com quem mantém a relação mais enervante do mundo, a sua mãe. O protagonista desta história é interpretado por Earl Cave, actor já conhecido por participar na série The End of the F***ing World. O filme está previsto para estrear no próximo ano.

Sister Buddha é o primeiro single revelado deste novo álbum dos Belle And Sebastian e tema principal da banda sonora da película, que contém onze canções originais e duas novas versões de temas antigos do grupo escocês, I Know Where the Summer Goes e Get Me Away From Here I’m Dying. Safety Valve, a sexta canção do alinhamento que podes conferir abaixo, também é um tema antigo dos Belle And Sebastian, mas nunca foi gravado em estúdio anteriormente.

Quanto a Sister Buddha, é uma canção melodicamente feliz e que conduzindo-nos de volta ao indie pop mais orelhudo, contém aquele requinte vintage que revive os gloriosos anos oitenta, sendo, por isso, uma excelente porta de entrada para um alinhamento que será certamente instrumentalmente irrepreensível e sem atropelos ou agressividade desnecessária. Confere...

  1. Sister Buddha (Intro)
  2. I Know Where the Summer Goes
  3. Did the Day Go Just Like You Wanted?
  4. Jill Pole
  5. I’ll Keep It Inside
  6. Safety Valve
  7. The Colour’s Gonna Run
  8. Another Day, Another Night
  9. Get Me Away From Here I’m Dying
  10. Wait and See What the Day Holds
  11. Sister Buddha
  12. This Letter
  13. We Were Never Glorious

autor stipe07 às 18:52
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Sábado, 6 de Julho de 2019

Tape Junk - General Population

Quase quatro anos depois de um excelente homónimo, os Tape Junk de João Correia regressaram aos lançamentos discográficos no início da última Primavera, em formato digital e em cassete, com Couch Pop, o terceiro disco do projeto, um compêndio de nove canções pensadas e estruturadas pela mente do cérebro da banda. De facto, os Tape Junk assumem-se cada vez mais como um projeto a solo deste músico que também fundou os Julie & The Carjackers e os They’re Heading West, já que neste Couch Pop todos os instrumentos foram registados pelo João, que contou apenas com o apoio de António Vasconcelos Dias nos sintetizadores.

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Álbum escrito e construído sem pressas, entre o início de dois mil e dezasseis e o ocaso do verão passado e com um alinhamento que foi sendo continuamente aperfeiçoado, mutado e aprimorado de acordo com o estado de espírito do autor e ao sabor de um tempo que nunca o pressionou, Couch Pop tem um conjunto notável de composições que, no seu todo, homogéneo e impressivo, nos oferecem um amplo panorama de descobertas sonoras, que acabam por personificar uma espécie de exercício criativo nostálgico, onde cada uma veste a sua própria pele enquanto se dedica, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor lhe designou.

Pavement, Giant Sand, Yo La Tengo, Rolling Stones ou Velvet Underground são influências óbvias e algumas até assumidas e declaradas, mas quem vence é, na soma de todas as partes, aquele rock clássico e intemporal, que General Population, o mais recente single retirado de Couch Pop, tão bem comprova. E fá-lo através de um curioso nonsense e uma vibe soalheira com um charme incomum. General Population é, portanto, um exemplo claro de uma elogiável despreocupação e do desejo pessoal que os Tape Junk sentem, na pessoa do João Correia, de não serem levados demasiado a séria no que concerne não só ao arquétipo, mas também à vertente lírica e poética das canções. Confere...


autor stipe07 às 21:19
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Sexta-feira, 5 de Julho de 2019

Night Moves - Can You Really Find Me

Já chegou aos escaparates e através da insuspeita Domino Records, Can You Really Find Me, o novo registo de originais da dupla norte-americana Night Moves, formada por Micky Alfano e John Pelant, sendo o último o principal responsável pela escrita das canções neste projeto. Can You Really Find Me foi produzido por Jim Eno, membro fundador e baterista dos Spoon, nos estúdios Public Hi-Fi em Austin, no Texas e contou com as participações especiais dos músicos Mark Hanson e Chuck Murlowski.

Resultado de imagem para Night Moves Can You Really Find Me

Sedeados em Minneapolis, estes Night Moves apostam todas as fichas numa espécie de mistura entre um country cósmico e o típico rock psicadélico, um caldeirão improvável mas perfeito para incubar canções texturalmente ricas e que acabam por encarnar deliciosos tratados de epicidade e lisergia, como é possível atestar no conteúdo de Can You Really Find Me.

De facto, neste sucessor de Pennied Days, o disco que os Night Moves lançaram em fevereiro de dois mil e dezasseis, canções como Ribboned Skies, uma composição onde o piano se mostra tremendamente sedutor, Mexico, um solarengo tratado de pop efusiva, Keep Me In Mind, uma ode à melhor herança daquela América profunda que teve sempre uma indisfarçável faceta psicotrópica, Waiting For The Simphony, um portento de cosmicidade e sentimentalismo e, principalmente, Strands Align, uma verdadeira orgia lisérgica que nos catapulta, em simultâneo, para duas direções aparentemente opostas, a indie folk psicadélica e o rock experimental, divagamos por um alinhamento extremamente coeso, com uma identidade sonora perfeitamente definida e certamente conduzido pela ambição de criar um microcosmos sonhador onde a realidade ao redor ganha cores garridas ou um romantismo incurável.

Can You Really Find Me sabe a Queen e a Fleetwood Mac e transporta melodias gentis, cantadas quase sempre com a voz de John Pelant próxima de um registo enternecedor e delicado e muitas vezes atravessada por trechos de rock cósmico, que apenas nos sobressaltam um pouco antes do regresso à pureza original em que o disco assenta, uma convocatória à celebração e até ao romantismo, que nos emerge numa realidade palpável e, ao mesmo tempo, efabulada, com canções que nos trazem o melhor de uma América cada vez mais heterogénea e saudosa de um passado que já foi bem mais glorioso, por muito que o poder instalado tente demonstrar o contrário. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:11
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Quinta-feira, 4 de Julho de 2019

The Drums – Try

The Drums - Try

Foi em abril que viu a luz do dia Brutalism, o quinto e novo registo de originais dos norte-americanos The Drums e que sucedeu ao excelente Abysmal Thoughts, o primeiro álbum desde que este projeto se tornou, assumidamente, no trabalho a solo de Jonny Pierce. Recordo que os The Drums são um dos grandes nomes do movimento saudosista de revitalização do lo-fi, que tem feito escola no século XXI. Na verdade, continuam a ser uma daquelas bandas que pura e simplesmente não custa nada gostar, apesar dos momentos menos felizes que viveram e que ditaram praticamente o ocaso do projeto quando, em 2010, o guitarrista Adam Kessler abandonou o grupo e alguns anos depois Jacob Graham também acabou por o fazer. Pierce é quem mantém o projeto vivo, estando a tentar com as nove canções deste Brutalism estabilizar os The Drums numa posição de relevo dentro do espetro sonoro que calcorreia. E desta vez procurou uma sonoridade com maior ênfase naquela pop sintetizada que dialoga promiscuamente com o rock oitocentista.

Try, um novo single revelado por Pierce e que não constando do alinhamento de Brutalism foi incubado durante as sessões de gravação do disco, ajuda ainda mais a comprovar este encosto a tão importantes referências, particularmente as oitocentistas, mas também, tendo em conta o seu formato poeticamente triste e eminentemente orgânico, minimal e percurssivo, serve para mostrar que Pierce, quando se entrega emocionalmente sem barreiras, é capaz de agarrar em fórmulas bem sucedidas e, procurando nunca se colar demasiado a essa zona de conforto, conseguir criar algo único e genuíno e que, no seu todo, represente algo de inovador e relevante. Confere...


autor stipe07 às 18:49
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