É entre Sines e Paris que se divide o projeto Alen Tagus, da autoria do músico português Charlie Mancini, pianista e compositor para cinema e da artista francesa Pamela Hute, melodista e roqueira de coração. Esta dupla que assume preferir movimentar-se nas águas revoltas da indie pop introspectiva com fortes raízes na década de setenta do século passado, compôe de modo a proporcionar ao ouvinte uma viagem onírica com um elevado grau de impressionismo e de realismo, ou seja, com uma forte aposta em letras e melodias que proporcionem a quem os escuta uma experiência sensorial não só auditiva mas também visual.

Paris, Sines é o nome do EP de estreia do projeto, um registo de seis canções misturado no estúdio de Mancini em Pamela, masterizado por Jean-Nicholas Casalis nos RTM Studios em Paris, com capa da autoria de Ricardo Pereira, fotógrafo artístico residente em São Miguel, Açores e que tem a chancela da My Dear Recordings, etiqueta da própria Pamela Hute. Esta etiqueta fo fundada em dois mil e dezasseis e conta já no seu catálogo com artistas e bandas francesas que se movimentam dentro do indie pop rock, além do compositor inglês Robin Foster, também exímio neste universo sonoro.
The Void, o tema que abre Paris, Sines, começa com um provocante sintetizador que quando está prestes a explodir prefere abrir os braços e aconchegar nas suas teclas um baixo impulsivo, uma bateria deliciosamente compassada e uma atrevida guitarra, que se vai insinuando apenas quando muito bem lhe apetece, variáveis intrumentais que definem um estilo sonoro que não tem receio de mesclar alguns dos mais indisfarçáveis tiques do dito rock experimental e progressivo e que também é exemplarmente retratado na misteriosa aspereza de Only Lovers Left Alive. Depois, o solarengo travo pop de Love Syndrome, mais uma composição que mantém as pontas seguras graças a uma relação feliz entre cordas e teclas, o paladar provocante e algo enevoado, que depois explode, sem dó nem piedade, de Time Passing By, um clima soporífero que se mantém em Black Hole e no ocaso do EP, o passeio meditativo inspirado pela estética lo-fi dos Velvet Undergound de Holiday, uma canção que assenta num batimento simples e repetitivo, ao qual se juntam depois guitarras com camadas de delays e outros efeitos sonoros distintos que nos transportam para um promenade poético numa zona rural e balnear, constituem o esqueleto, o corpo e a pele que fazem espevitar primeiro e contorcer, depois, todos os nossos poros, enquanto esperamos que o silêncio e a razão nos libertem do estado letárgico que este EP invariavelmente nos provoca. Espero que aprecies a sugestão...
Desde o longínquo registo Carrie & Lowell , lançado em dois mil e quinze que o norte-americano Sufjan Stevens não lança um registo a solo. No entanto, o músico natural de Chicago não tem deixado de estar ativo, não só através da participação em outros projetos paralelos, com especial realce para o seu contributo fundamental no álbum Planetarium (2017), onde assina os créditos com Bryce Dessner, Nico Muhly e James McAlister, mas também com a edição de alguns singles, sendo o mais relevante a homenagem a patinadora Tonya Harding no tema com o mesmo nome, lançado no final de dois mil e dezassete.

Agora, no início de junho, mês que comemora o Orgulho LGTBQ, Sufjan Stevens oferece-nos, à boleia da Asthamatic Kitty, um EP com dois inéditos, Love Yourself e With My Whole Heart, duas assumidas canções de amor cuja parte das receitas obtidas será oferecida às organizações Ali Forney Center em Harlem, Nova Iorque e o Ruth Ells Center, em Detroit, no Michigan, que apoiam, respetivamente, a comunidade LGBTQ e crianças sem lar norte-americanas.
Já com raízes em mil novecentos e noventa e seis, altura em que Sufjan Stevens gravou o tema pela primaiera vez, Love Yourself é uma peça pop de cariz eminentemente sintético, com um ligeiro travo gospel, conduzida por pianos melancólicos e uma suave batida, nuances que aglutinam uma forte veia eletroacústica algo suave e adocicada. Já With My Whole Heart, dentro de um psicadelismo eminentemente experimental, é um instante mais intimista, apesar da vasta miríade de efeitos, distorções de guitarra, interseções e arranjos que adornam uma composição bem à medida da imensidão e do silêncio que muitas vezes carateriza o vazio cósmico que nos invade sempre que o amor nos prega uma partida. Confere...

01. Love Yourself
02. Love Yourself (1996 Demo)
03. With My Whole Heart
04. Love Yourself (Short Reprise)

The Unforgiving Current é o título do quarto registo de originais dos britânicos Horsebeach , um quarteto natural de Manchester e formado por Ryan Kennedy (voz) Matt Booth (bateria), Tom Featherstone (guitarra) e Tom Critchley (baixo). Os Horsebeach estrearam-se nos discos há cerca de meia década com um homónimo e este The Unforgiving Current sucede a Beauty & Sadness, um álbum com dois anos e que reforçou a aposta da banda em sonoridades eminentemente etéreas e melancólicas, dentro de um catálogo indie virtuoso, com uma atmosfera particularmente íntima e envolvente.
Dreaming é o primeiro single divulgado de The Unforgiving Current, uma composição assente numa dream pop de forte cariz lo fi, conduzida por uma guitarra com um efeito metálico particularmente vibrante, acompanhada por um registo vocal ecoante e uma bateria multifacetada e bastante omnipresente na condução melódica do tema. Confere...
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